Meu Amável Vizinho
24 Primeiro Dia No Inferno - Parte 2
Notas iniciais
No capítulo anterior...
— Quem é o viado que... Worthy. O que você quer?!
— Quero conversar com você Jullia. É importante, e presumo que você está interessada no assunto.
— Você por acaso vai me agarrar e me beijar do nada? — Perguntei, fazendo-o sorrir.
— Talvez.
Estamos caminhando silenciosamente por um grande jardim que fica na parte de trás da grande universidade. Se não fosse pelo céu bastante escuro, poderia se ver a grama bem verde e cuidada. As árvores grandes e os montes de flores embelezam o local. Deixando com um cheiro bastante agradável.
Poucas pessoas vinham para essa parte da universidade. Tinham alguns casais, algumas pessoas lendo, outras em grupo, cantando, e algumas até dormindo. Nós não nos encaixávamos em nenhum desses grupos.
Apenas sentamos perto a uma árvore e ficamos nos encarando. Acho que nem ele sabe realmente o que dizer. Pegou uma de minhas mãos e começou a acariciar. Levou seu olhar até nossas mãos, entrelaçando-as.
— Eu terminei com a Kemilly. — Disse por fim.
— O que eu tenho haver com isso?
— Achei que ficaria feliz.
— Ah é? E por quê?
— Porque gosta de mim.
— Está certo, gosto. Mas isso não significa que quero ficar com você.
— E você não quer? — Perguntou, um tanto espantado.
— Está procurando consolo? — Perguntei, zangada. — Se foi isso está falando com a pessoa errada.
— O quê? Olha... você é muito complicada!
— Eu?! Escuta... uma hora você diz que gosta de mim e depois fala que encontrou uma pessoa perfeita e aparece com a Kemilly e eu sou complicada?!
Saí em passos largos, quase correndo, voltando para o refeitório, onde estão em uma mesa a Bia, Christian, Matheus, Peter e Lucas. Assim que me viram, acenaram e me chamaram para sentar junto a eles. Caminhei rapidamente até lá e sentei-me ao lado da Bianca, que devorava um X-Tudo.
— O que o Rafael queria? — Perguntou, dando mais uma mordida. — Oh céus, como isso é bom.
— Terminou com a coisinha lá. A lambisgoia.
— E... — Incentivou-me a continuar.
— E não sei por que ele me disse isso.
— Talvez por motivos pessoais... — Sorriu maliciosa. — Ou ele quer um consolo.
— A segunda opção é mais provável, aliás, foi exatamente isso que pensei. Eu não vou... Ei! Vão comer! Parem de prestar atenção na conversa dos outros. — Espantei os curiosos que estavam nos olhando.
(...)
— Sou a professora Josimeire de Matemática. Boa noite. Abram o livro na página 37. — A professora disse, assim que entrou na sala. Direta, não?
— Com licença professora. — Uma garota levantou a mão. — Nós não trouxemos os livros hoje. É o primeiro dia.
— E será o seu último se não calar a boca.
Puta que pariu essa velha! Que porra é isso?! Tudo bem, acho que aqui é assim. Primeiro um professor sei lá (perdi as duas primeiras aulas), depois um professor gato e agora uma professora revoltada com falta de rol... Órgãos genitais masculinos no meio do c... Anus. J
— Já que não trouxeram os livros, vamos copiar! PEGUEM OS CADERNOS! — Vá tomar no boga! — Quero que copiem toda a explicação que eu der e depois respondam. Se conseguirem responder apenas pela explicação do caderno, um ponto será atribuído na nota final.
Peguei meu caderno e uma caneta qualquer e comecei a copiar o que a varapau escrevia no enorme quadro branco maior que a parede. Cinco minutos depois as carniças já começaram a tagarelar. Eu fiquei quieta. A Bia não tinha aula de matemática comigo e os meninos (apenas o Rodrigo e Rafael) estão ao meu lado, mas não estou afim de falar com nenhum.
Após copiar a merda toda, tentei entender. Era equação. Sempre fui boa com equação. Mas enfim... Li a porra toda e respondi a porcaria do questionário, sendo a 7ª pessoa a entregar. Bom, um ponto garantido.
Voltando saltitante e feliz da vida para minha cadeira, fui atormentada até a morte por uma cabrita mal comida, ops, parida. E seu lindo amiguinho, o ursinho Puff.
— Olha só a bela garota dedicada que entregou sua bela atividade, deixando seu belo humor muito melhor do que já é. E chamando a atenção do belo Rafael Worthy que se encantou com as belas respostas de uma bela...
— Se falar a palavra bela novamente eu enfio essa caneta em seu pescoço. — Lancei um olhar um tanto belo e sentei-me.
Fiquei lá por um tempo rabiscando qualquer porra no meu caderno quando um filho da puta que ainda não sei quem é joga alguma merda na minha cabeça. Ah claro! Uma mísera bolinha de papel. Desamassei e abri, tentando ler aquela desgraça. Porra, quem escreveu tem que fazer um curso de caligrafia.
Olá Jullia,
Olha, eu sei o que eu fiz quando você apenas tentou me ajudar e ajudar a Bianca, então peço desculpas. Não sei se vai me perdoar. Eu não agi bem naquela hora e em hora alguma. Depois daquilo eu estou tentando fazer com que a Bianca se sinta pior do que eu. Eu queria que ela soubesse o que passei. Me desculpe por aquilo. Sei que a Bianca está triste e quer voltar, mas eu não vou ficar com alguém que me traiu.
— Rodrigo
Esse cara tá fumando ou o quê? Que porra ele tem naquela cabeça? Espermatozoide? Peguei uma caneta e um pedaço de papel e comecei a escrever. Assim que terminei, ao contrário dele com uma letra legível, amassei a bolinha e joguei dentro da boca dele enquanto ele gargalhava por sei lá o quê.
Querido Rô,
Vai tomar no toba! O que foi? Vai dar uma de vilão arrependido, agora? Ah qual é! Acha mesmo que vou te perdoar por fazer minha melhor amiga sofrer? Não, não vou! E ah, a Bia chorou sim, mas ela não quer voltar com você. Você é um babaca que não sabe dar valor ao que têm. E ela? Bom, siga sua vida porquê ela está fazendo isso e muito bem! Ela não vai ficar chorando por homem. E se o que te preocupa é que ela fale que te fez de corno, não se preocupe. Ao contrário de você, ela sabe se valorizar.
Com todo veneno do meu profundo e escuro coração,
— Jullia
Notei que enquanto ele lia, fazia caretas e chegou em uma parte que ele ficou um tanto sério e eu jurava ter visto uma lágrima. Bem feito para ele. É bom que morra.
Tudo bem, já que não tenho nada pra fazer, vou pensar na vida. Vamos lá:
* Johnnathan quer falar comigo não sei o quê. (Posso considerar como uma coisa boa)
* Rafael terminou com a Kemilly (Não sei se isso é bom ou ruim)
* A Bia parou de chorar pelo Rodrigo (Uma coisa boa)
* Quase esqueci... Poisson Girl nunca mais mandou uma das mensagens loucas (Isso é ótimo)
* Meu pai finalmente me deixou em paz (Também é bom)
Acho que é isso... minha vida não vai tão mal assim. Uns devaneios aqui e outros ali, mas está tudo bem. Eu acho.
FINALMENTE O SINAL TOCOU! Posso ouvir anjos cantando agora.
Joguei minhas coisas organizadamente desorganizadas na minha bolsa e fui correndo saltitante da vida a procura da Bianca. Vi ela conversando animadamente com um garoto loiro perto do estacionamento. Já partiu para outro? Isso mesmo, joga na cara do Rodrigo que ele perdeu!
Assim que ela me olhou, acenei para ela e desejei boa sorte. Claro que ela fez cara de desentendida e acenou de volta, voltando sua atenção para o garoto.
Fui em direção ao estacionamento e procurei minhas chaves na bolsa... Porra! Não acredito que deixei a bolsa na sala! Que droga!
Voltei praticamente correndo pra sala e assim que entrei vi o Worthy, com seu violão... Tocando novamente aquela música que eu não sei o nome mas não sai da minha cabeça. Ele estava... chorando?
— Worthy? — O chamei. — O que... está acontecendo?
— O que está fazendo aqui? — Pareceu espantado. — Não aconteceu nada.
— Estava chorando? — Caminhei até ele. — Worthy...
— Jullia... Por favor... Me deixa sozinho.
— Não. Quero que me diga o que aconteceu.
— Eu só... Estraguei tudo outra vez.
— Do que está falando?
— De nós. Estou falando de nós.
— Worthy...
— Estava tudo bem, certo? Mas eu estraguei tudo de novo. Nós vamos voltar a nos falar, mas eu vou fazer algo de errado, como eu sempre faço.
— Não... Eu não vou...
— Jullia... A garota é você. Não é a Kemilly. Nunca foi. Eu só... Precisava tirar você da minha cabeça. Mas quanto mais eu tentava, menos eu conseguia. Eu só... queria que as coisas voltassem ao normal. Queria te abraçar e assistir todos os episódios de Grimm, queria comer lasanha com você. Queria te levar a uma pista de skate e te ensinar a ficar em pé sem minha ajuda. Queria... Te fazer feliz. Eu só... quero uma chance. Só quero tentar melhorar. Eu queria voltar a ser o Rafael de antes. Mas você me mudou completamente... eu estou acostumado a fazer as garotas se apaixonarem por mim. Mas dessa vez foi ao contrário. Você me fez ficar apaixonado por você.
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