Meu Amável Vizinho
1 Prólogo
Notas iniciais
Essa é minha rotina de sempre:
Acordo, desço para tomar café, vou ler, almoço, termino de ler mais um livro, janto e vou dormir. Fora as pausas para tomar banho, etc.
Sempre amei livros, tenho um quarto que transforei em biblioteca com vários tipos. Os meus preferidos são de romance, sim pareceu clichê, mas mesmo sabendo que não existe essa história de felizes para sempre, eu ainda tenho esperanças de encontrar um homem que preste (não que eles não existam, mas hoje em dia a maioria dos homens são cafajestes).
Moro com meus “pais”. Só vivem em reuniões ou estão viajando. Graças a bela vad... Mulher que meu pai arranjou. Ela só quer o dinheiro dele, mas o pobre coitado (que de pobre e citado não tem nada) não pensa assim, acha que eles se amarão eternamente e serão felizes para sempre. Minha mãe nos abandonou quando eu tinha 2 anos, e desde então, minha vida não é a mesma.
— Srta. Clarck, o almoço está servido. A madame – como a vadia exige ser chamada pelos empregados – pediu para chamar a senhorita.
— Rosana, você me criou desde os meus primeiros dias de vida! Não precisa me chamar de senhorita, já disse.
Ela sorriu e me acompanhou até o andar de baixo, onde se encontravam meu pai, a minha “mãe” e um casal na mesa. Ah lembrei, Sr. e Sra. Tompson, uns amigos do meu pai. Cumprimentei todos e fui comer, respondendo algumas perguntas como “Muitas festinhas, certo? ” “Namorando? ” “E os planos para o futuro? ” “Continua amando ler? ”. Nada de interessante.
Apressei-me a comer e pedi licença, indo para o meu quarto. Decidi marcar de sair com a Bianca, faz um tempo que não nos vemos, e eu preciso urgentemente largar essa minha obsessão por livros.
Troquei a roupa e marquei de encontrar com ela daqui a 30 minutos. Assim que estava saindo de casa, a baranga apareceu na minha frente com o maior sorriso sarcástico que ela consegue ter, e cinicamente falou:
— Para onde você vai?
— Não interessa. — Respondi, tentando controlar meu mal humor continuo.
— Onde está a educação? — No meio do seu orifício anal. Mas claro que não direi isso.
— Ela foi embora junto com a minha vontade de falar com você, então se me dá licença eu preciso passar. – Também dei o meu melhor sorriso sarcástico e ela saio, para provavelmente contar ao meu pai como a filhinha dele é mal-educada e não quer nada com a vida.
Depois de ligar o carro, segui meu percurso até a sorveteria e encontrei a Bia sentada com um garoto lindo. Ela tem bom gosto. Ele tinha olhos num tom dourado, cabelo preto e era musculoso.
– Hey Jullia! Esse é meu namorado, Rodrigo. Rodrigo essa é minha amiga, Jullia. — Bianca disse, apresentando-nos.
– Prazer. — O garoto disse.
– O prazer é meu.
– Então Ju, o que acontece de bom na sua vida? — A Bianca pergunta, como se já não soubesse a resposta. E na verdade, ela não sabia.
– Eu estava pensando em me mudar. — Disse, rapidamente.
– Por que?! Ficou maluca?! Com que dinheiro vai viver?! Onde vai ficar?! Como pretende seguir a vida sem seus pais?! Na verdade, sem seu pai, por que aquela vadia não serve nem para ficar de enfeite!
– Eu não aguento ficar naquela casa, aquela mulher revira a cabeça do meu pai! Minha mãe deixou um bom dinheiro, meu pai mesmo sem dar a mínima para mim, me dava a mesada que eu nunca uso, desde quando eu nasci. Então dinheiro é o que não me falta. Eu vou procurar um apartamento aqui por perto. E não preciso do meu pai, que diferença fará? Nunca fiz falta na vida deles. Por que faria agora?
– Não quero me meter Jullia, mas a Bia está certa. Como vai lidar com tantas responsabilidades sozinha? — Rodrigo pronunciou-se.
– Eu penso nisso depois, mas já está decidido. Naquela casa eu não fico mais.
– Amiga por que não vai para minha casa?! – Bia pergunta
– Ele vai pensar que eu não tenho maturidade o suficiente para comparar um apartamento e cuidar da minha vida. Obrigada, mas eu me viro.
– Tudo bem então.
– Meninas desculpem-me, mas eu preciso ir agora. — Rodrigo levantou. — Te vejo qualquer dia Jullia. Tchau meu amor.
— Até mais.
– Tchau amor – Bia deu um beijo no Rodrigo e ele saiu
– Como conheceu ele?!
– Eu sempre gostei dele, e ele também, mas nenhum dos dois quis dar iniciativa. Ele é da banda do Peter. Conheci ele quando fui ver um ensaio deles. Então as vezes nós saíamos para tomar sorvete ou algo assim...
– Por isso você não saía comigo, sempre ocupada! — Protestei, indignada.
– Nem era todo dia.
– Tanto faz, agora continua!
– Enfim, nós acabamos nos beijando e ele disse que realmente gostava de mim. E eu disse que também gostava então, é isso!
– Isso foi meio filme. Os personagens principais se conhecem e do nada um pó de pilim pim pim cai na cabeça de ambos e eles se apaixonam. Mas enfim, parabéns, estou feliz por vocês, ele parece ser legal.
– Obrigada – ela abriu uma mensagem e começou a saltitar do nada. Típico da Bia mesmo. – Ele me chamou para ir no jantar com a família dele! Sabe o que isso quer dizer? – Nem me deu chance de pensar em responder e já saiu falando – ELE VAI ME APRESENTAR AOS PAIS DELE E SERÁ OFICIALMENTE OFICIAL! ESTOU TÃO FELIZ!!!
– Pelo visto dessa vez será de verdade – rimos e ela sorriu – Vamos passar no shopping? Preciso ir naquela loja, sei lá o que é aquilo, onde as pessoas procuram casas, apartamentos, etc. Esqueci o nome.
– Tudo bem. Vou aproveitar e comprar umas roupinhas. — Rodopiou e parou por um estante, pensando. — Você veio de carro? O Rô que me trouxe.
– Ah, sim, está na outra rua, vamos.
Entramos no meu carro e fomos ao shopping, a Bianca entrava em todas as lojas, e sempre comparava pelo menos uma blusa ou short. Depois das compras (desnecessárias) dela, fomos em um lugar que eu ainda não sei o nome procurar um apartamento para mim.
(...)
– COMO ASSIM VOCÊ VAI SAIR DE CASA?! – Meu pai berrava em quanto eu fazia minhas malas.
Encontrei um apartamento até grande demais só para uma pessoa. Era duplex e praticamente do tamanho de uma casa média. Duas suítes e dois quartos, ambos com cama de casal. Um banheiro no andar de cima e um no de baixo. Sala de estar e cozinha bem grandes com uma vista perfeita para o mar. Tinha até uma piscina aquecida lá. Simplesmente perfeito. Porém, o preço não era tão perfeito.
– Sim pai eu vou, tenho 18 anos, mando na minha vida. Você não pode me impedir de nada.
– Filha sabe que mesmo com minha postura eu te amo e quero o melhor para você! Não deve ir morar sozinha!
– Já está decidido. Adeus pai.
E assim eu saí pela porta da frente, mostrando que eu não era mais aquela criancinha que precisava de ajuda em tudo. Agora eu tinha minha vida.
Quando cheguei no condomínio, um garoto meio loiro, estava discutindo com o sindico e eu, educada como sou, interrompi a conversa para pedir as chaves, não me importando com a conversa deles.
– Olá, poderia me dar as chaves do meu apartamento?
– Srta. Clarck?
– Isso!
– Bom, teve um probleminha.
– Então é ela?! – O garoto cujo anotei mentalmente ser irritante, perguntou.
– Sou eu o que?
– Calma meus jovens, vamos conversar. – Nos calamos e ele continuou – Enfim, só tínhamos 1 apartamento disponível e os dois compararam ele, eu não tinha percebido que ele já tinha sido vendido e agora os dois terão que dividi-lo.
– O QUE?! – Licença, minha vez de gritar. – Como assim? Você disse que ninguém havia comparado ele!
– E ninguém tinha, mas o rapaz aqui pagou de uma vez o resto do ano, então não temos como devolver o dinheiro. Sinto muito mas terão que dividir.
– Ah meu deus! Quer que eu divida o apartamento com esse... esse...
– Rafael Worthy, gato, sexy e gostoso, prazer.
– E onde está esse Rafael gato, sexy e gostoso? Não vejo ninguém assim por aqui.
– Engraçadinha, enfim, vamos nos dar bem. Não vou te estuprar. Ainda não.
– Não tenho medo de ser estuprada por você. Já se olhou no espelho? Se nem a pedrinha que acabou de ser pisoteada por você tem medo, por que raios eu teria?
– Tudo bem marrentinha. Então seja bem-vinda ao nosso novo lar.
– Não fale como se estivéssemos casados.
– Se você não resiste a mim e já quer se casar, vou logo avisando para baixar sua bola, Rafael Worthy não se casa!
– Nem morta eu me casaria com você.
– Bom... Se bem que casar com um defunto é meio tenso...
Já estávamos no apartamento, eu fiquei com uma suíte e ele com a outra. Amanhã meus livros chegarão, e ocuparão as estantes que ficam no meu quarto.
– Worthy? — O chamei.
– Já sentiu minha falta loirinha? — Ironizou.
– Não me chame de loirinha.
– Tudo bem, loirinha.
Revirei os olhos e fui até a cozinha, assim que abri a geladeira quase dei um grito. Sabe aquelas geladeiras cheias de verduras, legumes, sucos, queijos e etc.? Bom... Só tinham garrafas de praticamente todo tipo de bebida e bem no fundo, em baixo, uma jarra de 500ml com água.
– WORTHY! Cadê os legumes, verduras, as carnes e tudo que ficava na geladeira?! — Perguntei.
– Ah sim, eu coloquei no freezer. — Respondeu como se fosse a coisa mais normal do mundo.
– E POR QUE RAIOS VOCÊ NÃO COLOCOU AS BEBIDAS NO FREEZER, ANIMAL? E POR QUE TANTA BEBIDA?!
– Faz sentido... E as bebidas são por que eu vou dar uma festa depois de amanhã.
– Festa?! Acabamos de chegar e você vai dar uma festa?!
– Claro, tenho que anunciar minha chegada, loirinha! E fica tranquila, você está convidada, ok? Sem drama, relaxa. — Disse, irritantemente. — A propósito, eu já estava aqui antes, você chegou depois. Como acha que a comida veio parar aí?
Sem paciência fui até a televisão e puxei logo a tomada, fazendo ele dar um berro. E vendo meu olhar assassino, nem precisei falar nada para ele se levantar e arrumar a geladeira, colocando tudo no seu devido lugar.
Enquanto ele arrumava tudo, percebi que ele tinha o cabelo mel e olhos verdes bem chamativos, era um pouco mais musculoso que o Rodrigo e tinha a pele um pouco bronzeada. Parece que conviver com esse garoto vai ser um pesadelo.
– Prontinho vizinha!
– Eu não sou sua vizinha! — Indaguei, sem paciência.
– Tecnicamente – Deu uma pausa e sentou-se no balcão – Você é. Já que agora moramos juntos.
– Não fala desse jeito, parece que eu estou casada com você. E desce daí. — Reclamei. — Você ao menos sabe o significado dessa palavra?
– Você já disse isso, e de todo jeito minha vizinha loira, eu sou seu vizinho!
– Que seja, não vai mudar o fato de que está aqui.
Andei tranquilamente até o armário, na tentativa falha de pegar um pacote de miojo que ficava na prateleira mais alta. E eu, alta como sou, nem com escada alcançava.
– Quer ajuda? — A arara perguntou, zombando da minha altura de gafanhoto. Se bem que os gafanhotos até pulam bem alto, nem isso eu faço.
– O que você acha?
– Marrenta, aqui. E já que eu te ajudei, – Ele pegou outro pacote – você faz para mim também.
– Folgado!
— Quem comprou a comida fui eu. — Ok, era verdade, mas eu ainda estava com fome!
— Não vou fazer para você!
– Nesse caso... – Ele ameaçou colocar o miojo de volta no lugar.
– Tudo bem, tudo bem! Me dá logo isso. — Puxei o miojo de suas mãos, irritada.
Ele sorriu vitorioso e saiu. Enquanto ele fazia sei-lá-o-que em sei-lá-onde com sei-lá-quem, eu terminava o miojo colocando um pouco de molho de alho. Dava um gostinho muito bom e nem sentia o gosto do alho.
Até que ele murmura alguma coisa como “auhgfu miojo wfbj licia (acho que era delicia) uyhkaf mais”. E eu sem entender nada apenas concordei.
Depois de comer tudo eu lavei meu prato e disse que ia dormir. Ele RIU de mim falando que eu era criança pois dormia cedo demais e ficou na sala assistindo Bob Esponja! E eu que sou criança ¬¬.
Escovei os dentes e fui deitar, quando estava quase dormindo... POF!!
– MAS QUE POR... WORTHY!! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ANIMAL?!
– Calma loirinha, que brutalidade! Eu ia pegar meu celular que estava aqui e acabei derrubando esse troço que acende.
– E por que seu celular estava aqui?! E que troço que acende, garoto? — Perguntei, sem paciência.
– Eu errei o quarto e fiquei com preguiça de pegar ele, então vim pegar e esse troço aqui caiu. — Olhou para o objeto que notei ser o abajur.
– O abajur? — Perguntei, me segurando para não voar em seu pescoço.
– Deve ser isso.
– Porra! Ajeita isso e me deixa dormir! — Me cobri dos pés à cabeça, esperando ele sair dali para eu enfim dormir em paz.
– Ok, ok! E depois o mal-humorado da história sou eu.
– Eu ouvi isso! — Tirei o cobertor e o joguei em algum canto.
– Foda-se.
– Ah cala a boca.
– Vem calar.
– Não perderia meu tempo tocando nessa boca suja.
– Não precisa tocar, basta colocar a sua na minha que resolve.
– Vai se foder!
– Você vem junto?
– Idiota.
– Marrenta.
Mas que droga! Definitivamente esses serão os piores meses da minha vida!
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