Meu Amável Vizinho
31 Estou de volta
Notas iniciais
Acordei novamente em um quarto que não me pertencia, numa cama que não me pertencia, ao lado de alguém que não me pertencia.
Novamente aconteceu... nos deixamos levar pelo amor, tivemos uma recaída, fizemos algo errado, mas foi algo bom, mesmo errado, foi bom. E ainda melhor porque era ele, era ele quem estava comigo.
Assim como antes, ele estava dormindo como um anjo. Ele estava tão... lindo, ou apenas sou eu que fico mais apaixonada por ele a cada minuto que se passa, mas é a verdade, eu fico mais e mais apaixonada por ele a cada segundo que se passa.
Fiquei com a cabeça encostada em seu peito, ouvindo seus batimentos, enquanto acariciava seu rosto, aproveitando ao máximo o meu tempo com ele, antes que eu volte a realidade e vá embora outra vez, chorando e me perguntando por que fui fraca outra vez, por que me entreguei outra vez.
E como tudo que é bom dura pouco, ele acordou. Piscando repentinas vezes, virando-se para mim, sorrindo.
Sem dizer nada, ele ficou por cima de mim e me encarou, bem de perto, como se estivesse me analisando. Acariciou levemente o meu rosto com uma das mãos e a outra usou como apoio.
— Não quero, nem posso te prender aqui, então eu só posso pedir para ficar. Volte pra cá, jujuba, por favor. Eu não suporto ficar sem você.
— Worthy... sabe que não posso.
— Não pode? Ou não quer?
— Eu não posso. Olha o que aconteceu em menos de uma hora! Imagina se eu volto a ficar aqui? — O empurrei, me cobrindo com o lençol. — Nós somos irmãos, o que fizemos passou de errado! Tem noção das consequências? Olha... eu vou embora.
— Vai ser sempre assim? — Perguntou, sussurrando.
— Assim como?
— Ficamos juntos por uma noite, no outro dia brigamos e você vai embora.
— Vai me mandar para um hospital oura vez? Não sei se lembra, mas eu ainda estou com o gesso no braço.
— Sem necessidade, você faz ótimos movimentos com ele assim.
Depois de alguns segundos processando o que ele acabou de falar, joguei um travesseiro nele, fazendo-o gargalhar e me puxar, me deixando por cima dele.
— Agora eu estou por cima meu bem. — Sorri.
— Mas eu quem tenho você nua na minha cama. — Piscou e sorriu daquele jeito que só ele consegue.
— Você... — Pensei em algo para dizer, mas não tinha. — Vou colocar uma roupa, saia do quarto.
— Eu já vi tudo, o que quer esconder?
— Sai!
— Ok, ok!
Cobriu seu corpo da barriga pra baixo e saiu do quarto, passando as mãos pelo cabelo.
— Idiota.
— Um dos meus talentos, e pelo que eu saiba, você ama cada um deles.
(...)
Agradeci ao meu vizinho por arrombar a porta do banheiro e tirar o meu celular de lá, já que o imbecil do Rafael trancou meu celular lá dentro e não quis me dar a chave.
Ele me disse que seu nome é Nicholas, e se mudou faz pouco tempo. Rafael, claro, ficou se corroendo de ciúmes, acabou até expulsando o garoto daqui o que foi ridículo já que estávamos falando que assim como eu, ele iria fazer faculdade de medicina.
— Conheceu agora e já estão tão íntimos assim?
— Não é nada meu e acha que tem tanto direito assim?
— Sou seu irmão, lembra? — Disse com desgosto na voz.
— Sério que vai fazer isso?
— Você começou.
Revirei os olhos e coloquei o celular na bolsa, dizendo que já estava indo embora. Como esperado, ele me pediu pra ficar, mas eu apenas disse que depois nos falávamos e saí.
Ah não... não. Eu realmente fiz isso? Sério mesmo Ju? Faz as burradas e depois não sabe por que tem problemas. Lindo, maravilhoso, não podia melhorar! Até agora está fazendo tudo certo.
Depois de estacionar meu carro em frente a faculdade, entrei na mesma, me sentindo um pouco enjoada por estar aqui em pleno domingo à tarde. E como se não bastasse, uns garotos saíram correndo arrastando uma menina que tentava se soltar dos seus braços.
Não sei porque, mas eu fui atrás deles, talvez eles estivessem planejando estuprá-la ou até assassinar a garota! Vai saber!
E como sou um detetive de primeira categoria, consegui segui-los sem que ninguém me visse. Continuei caminhando silenciosamente até que...
— Senhorita Clarck! — Era o meu professor de economia, que estava me esperando para que eu entregasse um trabalho que não fiz porque esqueci ops, porque estava muito doente. — Que bom que se importa com sua nota e veio me entregar seu trabalho!
— Oi professor, eu trouxe o trabalho, mas eu deixei no carro então...
— Vamos pegar!
Olhei para onde os meninos foram e depois para o meu professor. Não podia deixar aquela garota sozinha, ela poderia morrer. Sem pensar duas vezes, como eu sempre faço, saí correndo pelo corredor gritando que tinha que ir urgentemente ao banheiro.
Procurei por algum sinal dos meninos, mas só encontrei mais corredores vazios. Continuei andando até chegar no ginásio, quando tudo ficou escuro e eu não estava conseguindo respirar.
Então... tudo apagou. Eu não sabia se eu estava morta, se tinha desmaiado, mas eu tinha consciência de que estava sendo arrastada pra algum lugar, literalmente, arrastada. Tem algo que juro ser uma corda em meus pulsos e eu estou esfregando meu braço no chão.
Nem tive tempo de pensar em fazer algo, só comecei a gritar e me espernear, era só o que eu podia fazer.
E se eu tivesse ido com o professor até o carro pegar o trabalho? Ah claro, eu estaria voltando pra casa para ter mais um dia normal, mas não, a curiosidade é maior!
Depois de muito tempo com uma fita na boca, finalmente pude respirar melhor, retiraram a fita, juntamente com o que me impedia de ver. Agora eu via, tipo uma casa, com paredes de madeira, tudo empoeirado, goteiras e três homens parados na minha frente.
— Quem são vocês? — Perguntei meio ofegante — O que querem?
— Calma gracinha, não é conosco que tem que falar, é com o chefe. — Um deles se pronunciou, com um sorriso torto nos lábios.
— Que chefe? Do que estão falando? — Perguntei assustada
— Eu.
Assim que escutei aquela voz, me arrepiei dos pés à cabeça, meu coração bateu mais rápido, comecei a suar frio... Era ele, não podia acreditar...
— Não pode ser...
— Achou que o Johnathan tinha me matado? — Riu — Estavam enganados, todos vocês!
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