Meu Amável Vizinho
13 Era uma vez... Eu e você.
Notas iniciais
No capítulo anterior...
– Eu... Eu prometo. Eu só... Não gosta mais de mim? Por isso quer que eu fique com outro?
– Eu a amo Jullianna! Como pode pensar uma coisa dessas depois de tudo? Não sabe o que eu gostaria de te dizer. Mas eu simplesmente não posso. Você vai acordar e eu sumirei.
Abri meus olhos lentamente, piscando algumas vezes até me acostumar com a claridade. Notei que eu estava em um lugar branco. Hospital. O que eu estou fazendo em um hospital? Uma faixa cobria metade da minha perna esquerda e algo parecido com uma bandagem na minha mão esquerda.
– Oh queria, já acordou! Eu já estava pronta para trocar o curativo da sua testa. – uma enfermeira disse – Está se sentindo bem?
– Hm, acho que sim... Bem... O que aconteceu?
– Não se lembra? Bom, é normal. Acabou de acordar. Em breve vou chamar os garotos que te encontraram e eles lhe dirão tudo, certo? Agora fique quieta enquanto troco esse curativo.
Fiquei parada enquanto ela trocava. Mas o que aconteceu? Me forcei a lembrar, mas a cada vez que tentava, minha cabeça doía mais. – O urso te pegou de jeito hein? – ela disse. Ah claro, o urso. Mas não m lembro dele ter me atacado. Ele ia pular em cima de mim, mas...
– Hm, senhora? Tem alguém me esperando? Quem me trouxe aqui?
– Ah sim! Dois rapazes te trouxeram. Eles estão na sala de espera junto aos seus pais e outros adolescentes. Menina vou te contar, o que te trouxe aqui é um galã de novela das oito! Veio te trazer estilo noiva, sabe? Na minha época os rapazes não eram tão bonitos. Mas nem pense em conversar. Precisa descansar.
– Como era esse “galã de novela”?
– Alto, meio loiro, olhos verdes e bem musculoso.
– Rafael... Eu preciso falar com ele. Por favor.
Ouvi uma batida na porta. Meu pai e a Katty. A enfermeira murmurou algo como “deixá-los a sós” e saiu.
– Oi maninha! Tá melhor? Meu Deus! Quando eu pegar aquele urso vou dar um double kill nele!
– Filha, deixe a Jullia respirar. Como está se sentindo querida?
– Hm, bem, eu acho. O... Rafael está? Quero falar com ele.
– Vai me trocar por um garoto? É isso mesmo produção? – Katy protestou.
– Ele é seu namorado? – meu pai perguntou – Sabe que não é bom se envolver com qualquer um. De que família ele é? Quantos anos ele tem?
– Pai, ele não é meu namorado. É... Um amigo. Ele está? Preciso mesmo falar com ele.
Meu pai afirmou e foi chamar o Worthy, enquanto minha irmã fazia várias perguntas.
– Alguém chamou o cara mais gato e sexy do mundo? – Rafael pergunta, entrando no quarto em seguida. – Katty, pode nos deixar a sós?
– Claro. Até mais maninha, te amo. – cantarolou saindo do quarto.
Rafael veio em minha direção, de cabeça baixa, sentando ao meu lado na cama e depositando um beijo na minha testa. Então me analisou. Olhou para cada ferimento meu, passando levemente os dedos por cima.
Começando na minha perna, onde demorou mais alisando minha coxa. Subiu um pouco e foi pra minha barriga, onde tinha uma enorme faixa envolta, coisa que eu não tinha percebido. Notei que ele não quis tocar na minha barriga, já que o corte parecia maior. Depois parou em minha mão, onde deu mais um beijo. Subiu os lábios para o meu pescoço, e senti uma pontada de dor no local.
– Ju... – beijou minha bochecha – Me desculpe... Eu não te encontrei a tempo. Você... Estava tão mal. Está tão mal...
– Não peça desculpas. Apenas me diga o que aconteceu. Eu só lembro de estar Na praça com você e o Christian. Depois eu fui a floresta e...
– Um urso te atacou. Ele é de um circo, não sabemos como ele foi parar lá. Encontramos ele te atacando quando o guarda florestal chegou e tirou ele de lá. Você tinha desmaiado. Estou me sentindo tão culpado...
– Tudo bem... – puxei ele pra um abraço – Só não aperta com força. Meus ossos são como uma folha de papel.
– Fiquei tão preocupado esses dias que ache...
– Esses dias? A quanto tempo estou aqui?
– Duas semanas. Você estava em coma. Não sei... Por um momento eu... Achei que iria te perder.
– Rafael...
– Tudo bem, eu entendo. Só... Você é tão complicada Jullia. Vou te ensinar a aceitar os fatos. Algumas pessoas percebem mesmo sem uma palavra. Eu já te disse milhares. Mas tudo bem. Sei que não sou um bom exemplo de pessoa... Hm... Amável? Bom, mas não importa. Enfim... Vou te deixar descansar um pouco.
– Obrigada. – beijei sua bochecha – Espera, eu... Gosto de você mas... Eu... Ainda lembro do...
– Eu sei... E é uma das coisas com que eu mais me preocupo. Vou respeitar suas escolhas, vou aguardá-las... Eu vou te esperar Jujuba. – beijou o canto da minha boca e saiu.
(...)
Depois de horas dormindo, (sei disso porquê a enfermeira disse) eu acordo com a mais perfeita das vozes existentes no universo! Só que nunca. Nada mais, nada menos que Bianca!
– FINALMENTE! – Agarrou meu pescoço. – Essas enfermeiras são umas inúteis! Como elas podem deixar o Rafael entrar e depois dizerem que só é permitida entrada da família?!
– Você faz parte da família. Elas só... Não sabem. Mas... Eu que chamei o Worthy.
– Ótima amiga! Chama um desconhecido, e não a mim! Depois dessa só não vou chorar por que meu rímel tá caro! Falando em rímel... Sabe que as aulas vão começar daqui a uns dias e...
– O que é que rímel tem a ver com as aulas começarem daqui a uns dias?
– Ué, se coloca rímel para ir à escola! Continuando... As aulas vão começar daqui a uns dias e vão ser mais gastos. Livros, mensalidade, gasolina, etc... Sabe que só os livros desse ano vão ser uns 4 a 6 mil. E a mensalidade é um horror. Com a gasolina que você vai gastar indo e voltando todo dia...
– Hey, o dinheiro que eu tenho dá para comprar tudo umas 10 vezes. Fica tranquila. A única coisa de que eu preciso agora, é de um prato de lasanha, um cobertor e uma TV com todas as temporadas de Grimm disponíveis em HD. Resumindo, minha casa.
– Vou dar um jeito nisso, Jelly. Mas agora, tenho que resolver umas coisinhas com alguns seguranças e umas enfermeiras velhas.
– O que você... – a porta se abre, revelando dois seguranças (estão mais para gorilas) e uma velhinha baixinha e carrancuda, com uma cara nada boa e um olhar mortal em direção a Bia.
– Te vejo depois Jelly – sussurrou – OLÁ QUERIDOS AMIGOS! VAMOS CONVERSAR EM OUTRO LUGAR! – assim saiu.
Fechei os olhos e me deitei novamente. Sabe quando você sente que tem mil coisas pra resolver? Que tem uma corda no seu pescoço? Uma arma apontada pra sua cabeça? Ou quando você deve tomar a decisão mais difícil de sua vida? Agora eu me sinto assim. Eu só queria...
– Esquecer tudo? – ele perguntou – Ter um tempo só pra você? Eu também precisava disso. Como você está? Sente muita dor?
– Como... O que...
– Aquelas perguntas novamente, Anna?
– Você nunca responde.
– Digamos que... O que aconteceu comigo não foi... O que aconteceu comigo. Vamos supor que... Hm... Vou contar uma história. Era uma vez... Duas tartarugas...
– Tartarugas?
– Dois coelhos.
– Por que tem que ser animais?
– Era uma vez, dois fungos.
– Era uma vez, eu e você. – Sorriu
– Era uma vez, eu e você. Andando pela praia de madrugada, depois de passar horas no Devil Mountain National Park. Rindo de qualquer coisa. Então eles apareceram. Várias armas apontadas para nós. Eu não queria que nada acontecesse a você. E então fiz a única coisa que podia. Deixei você acreditar que eu estava morto. Então eles me levaram e deixaram você lá. Quando me levaram para falar com o chefe deles. Eu... Disse que manteria distância. Disse que ficaria longe de você. E em troca, eles te deixariam em paz. Eles aceitaram, com a condição de me juntar a eles. Neguei de todas as formas que podia. Mas eles ameaçaram te matar, então aceitei. Mas eu não matei ninguém. Consegui armas, me meti em brigas. Mas não matei ninguém. Não me permitiria ir tão longe. Como não bastasse ter exterminado minha própria família... Eu juro que não queria isso. Mas eram eles ou... Você. E... Não suportaria te perder.
– Você... Estava fugindo por todo esse tempo? Eu passei dois anos achando que estava morto. Dois anos chorando por você. Você disse que tinha exterminado sua família porquê iriam matar todos da cidade. Centenas de pessoas. Mas você matou cinco, para poupar apenas uma... Você... – não consegui segurar minhas lágrimas e chorei, o abraçando. – Eu te amo tanto... Tanto...
– Mas... Eu não posso ficar com você. Eles ainda estão no meu pé, Anna... É tão difícil pra mim quanto pra você. Por isso quero que fique com o Rafael. Ele vai te proteger. Ele não vai te colocar em perigo como eu fiz.
– Quer que eu fique com ele... Pra minha segurança?
– Ele gosta de você.
– Eu gosto de você. – segurei seu rosto com uma das mãos (já que a outra estava com uma linda bandagem) – Pode entender? Você está aqui – coloquei sua mão no lado esquerdo do meu peito, onde está o coração.
– Anna...
Ouvi batidas na porta e a voz de um homem. Olhei para a porta e vi um médico entrando com uma prancheta em mãos. Quase esqueci o... – olhei em volta – Ele foi embora. De novo.
LEIAM AS NOTAS FINAIS! TEM SURPRESA!
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