Meu Amável Vizinho
14 Devil Mountain National Park
Notas iniciais
No capítulo anterior...
– Eu gosto de você. – segurei seu rosto com uma das mãos (já que a outra estava com uma linda bandagem) – Pode entender? Você está aqui – coloquei sua mão no lado esquerdo do meu peito, onde está o coração.
– Anna...
Ouvi batidas na porta e a voz de um homem. Olhei para a porta e vi um médico entrando com uma prancheta em mãos. Quase esqueci o... – olhei em volta – Ele foi embora. De novo.
– Se sente melhor?
– Muito. Passar semanas em um hospital é realmente cansativo. Mas não precisa ficar aqui. Quer dizer... Eu estou bem.
– Jullia, querida...
– Sei que todos só querem cuidar de mim, mas não me sinto como se realmente se importassem. É como, se fosse por obrigação.
Abaixando a cabeça, a senhora se retirou, junto aos demais que estavam aqui no apartamento para me ver.
Eu não pedi isso. Eu não quero que eles venham. Não com motivos estúpidos. Eles sabem que eu sei que eles sabem que só vieram aqui por pedido do meu pai. Afinal, que afeto ambos têm um pelo outro?
A última vez que falei com o Sr. Mars foi quando fui à festa de 3 anos de sua filha Josefina. Há 4 anos atrás. E a Sra. Laurent? Foi minha professora de Português na quarta série!
Eles não deveriam vir aqui. Além disso, ficaram com olhares feios quando o Rô e os meninos apareceram com a Bia. Acharam que eu só andava com homens! Mal sabem eles que ao contrário de certas vadias (Jessica), alguns homens são bem mais legais. Algumas nem são mulheres de verdade (Jessica de novo).
– Olha quem chegou! – Disse olhando para o garoto a minha frente. – Achei que iria para a festa do Rô.
– Eu iria, mas... Ju... Tá melhor?
– Não completamente, mas uma boa parte sim.
– Você... Pode me contar o que aconteceu novamente?
– Não quero falar disso....
– Tudo bem, tudo bem. Hm, o que acha de jantar lasanha hoje? Passei no La Pasta antes de vir pra cá.
– Hm, lasanha da La Pasta? Tentador, mas tenho que recusar. O médico disse que tenho que ficar longe de massas e doces. No máximo, só uma beliscada para passar a vontade.
– Que pena... – Acariciou meu cabelo – Mas ainda teremos muitos dias para comer lasanha, certo? E até quando sua dieta vai?
– Não é dieta. Só até eu ficar “melhor”. E sim, vamos comer muitas lasanhas. – dei um beijo estalado em sua bochecha. Agora, vamos sair daqui, cansei de ficar deitada. Pode pegar as muletas, por favor? Ainda preciso delas pra me apoiar.
Olhou com significância para a lasanha e depois pra mim. Deu um sorriso torto e concordou, pegando minhas muletas e levando pra algum lugar por aí. Murmurando um “Já Volto” e saindo do apartamento.
Assim que voltou, me pegou no colo e foi comigo em seus braços até o carro. Só acho que ele deve malhar bastante, já que não mostrou estar cansado com minha “leveza”.
– Então, aonde vamos?
– Surpresa!
– Odeio surpresas.
– Fico feliz por isso.
(...)
– Chegamos Jujuba! – Abri os olhos e não acreditei no que estava vendo. — Devil Mountain National Park.
– Rafael... Vamos embora.
– Não gostou? Desculpa eu achei que...
– Não é isso. Eu só... Quero ir embora.
Não vá Anna. Não agora. Ainda preciso falar com você.
– Tudo bem, então.... Vamos. – Ele veio me levantar de novo, mas recusei. – O que foi?
– Olha.... Não vou estragar a noite. Vamos ficar aqui.
Não faça isso por mim.
Enquanto eu ficava sentada (graças ao meu amável vizinho que decidiu ir numa barraca onde você tem uma arma e seu objetivo é atirar na cabeça dos palhaços que ficam dançando – a qual ele disse ser perigosa para mim), o Worthy continuava atirando.
Coitado, tudo isso para tentar acertar na cabeça do palhaço. São 10. Então, vai gastar toda a fortuna do pai nesse jogo para tentar atirar na cabeça de 1. E depois fazer alguns empréstimos para tentar acertar nos outros.
Ok, me precipitei demais. E lá vem o garoto com um ursinho de pelúcia branco e um laço lilás no pescoço.
– Acha que eu devia dar pra Jess? – Olhou pra o ursinho. Como assim? A Jess? Quem diabos é Jess? É um apelido para cadelas? – Esse ursinho é a cara dela.
– Hm, tanto faz. — EU quero o ursinho e NÃO aquela jamanta paralítica.
– Ciúmes Clarck?
– Claro que não Worthy. – Fiquei de costas pra ele e olhei pra banca onde tinham vários ursinhos. E eu queria um.
– Hey – sussurrou – Ele é seu. Eu nunca perderia meu tempo pra conseguir um urso de pelúcia pra Jessica. Pega. – Peguei o ursinho e fiquei o analisando. Ele até parecia comigo. Vou chama-lo de Jelly. – Estou vendo um sorriso? O que acha de irmos à roda gigante? Dizem que essa é uma das maiores. E elas ficam paradas por uns 5 minutos.
Assenti e fomos à tal roda gigante. Como a fila estava ENORME, nós passamos o tempo jogando pipoca nos seres que passavam pela gente. Bom, isso até um dos seguranças descobrir nosso plano mirabolante e estragar tudo.
Yeah baby, salvos pelo carinha da roda gigante! Se não fosse por ele nós ainda estaríamos lamentando por sujar o chão e o cabelo de um pobre menino loiro oxigenado. Sentamos e ela começou a rodar (AVAH). E adivinha só? Ela parou exatamente quando nós estávamos no topo. E seriam uns 5 ou 10 minutos assim. Parados.
– Sabe o que ficaria ótimo agora? – Ele pergunta
– O que?
– Um beijo.
E ele foi se aproximando. Eu estava nervosa. Muito nervosa. Não sabia ao certo o motivo. Mas eu senti uma insegurança. Eu queria e muito beijá-lo. Mas de repente a vontade sumiu. Me afastei e fui salva pelo celular. Que tocou, mostrando uma mensagem.
“Que feio Jujuba, sabia que não é certo enganar as pessoas? Ele vai ficar muito chateado, é bom que tenha uma explicação.
– Poison Girl”
– Algum problema?
– Não... Nenhum. Olha... Eu vou chamar um taxi. Pode ficar aqui se quiser. Eu só... Preciso de ar.
– Eu achei que...
– Rafael, me desculpe. Mas eu realmente preciso sair daqui. Não quero te magoar. De jeito nenhum. Só preciso pensar um pouco. E enquanto ao beijo.... Ou melhor, quase beijo, eu só queria dizer que eu gosto muito, muito mesmo de você, mas...
– Eu entendo.... Estou forçando demais. Queria tentar mudar. Não estou usando você para isso. Pelo contrário, se não fosse você eu ainda seria aquele canalha de antes. Se você quer um tempo, eu vou te dar esse tempo. Por mais longo que seja. – Deu um beijo na minha bochecha e desceu, assim que a roda gigante parou novamente na saída.
(...)
– Tudo bem, onde você está? Sei que ficou de olho em mim o tempo todo. – disse olhando pras árvores. – Qual é?! Eu preciso estar em perigo pra você aparecer? Quer que eu pule daqui pra você me colocar dentro de um lugar desconhecido e me fazer ter várias alucinações? Vamos! Faça isso!
– Se queria me ver era só falar.
– Mais?
Riu.
– Olha só.... Eu não quero ser feita de palhaça. Muito menos de garotinha boba apaixonada. Se você veio pra embaralhar minha cabeça e fazer da minha vida um inferno, que é o que está fazendo, peço que vá embora! Ou fique longe de mim! Você se acha no direito de ficar escondendo tudo de mim? Ficar brincando de esconde-esconde?
– Eu só quero te proteger, Anna...
– Me proteger? Sempre isso? Me proteger? Proteger do quê, afinal? De um urso? Me poupe! Vou te falar uma coisa, sabe aquela garotinha de 4 anos atrás? Ela cresceu! E sabe cuidar da sua vida. Eu não preciso que você venha me encher com essas alucinações, essas vozes sem dono, ou até mesmo com miniaturas de estátuas!
– Você não entende...
– Então me explica!
– Eu não posso...
– Viu?! Sempre é assim. Escuta, vai embora. Me deixa em paz! E só volta, quando puder me explicar! Eu cansei de ser tratada como uma idiota. Cansei de ser excluída. Cansei de ficar por fora de uma história onde eu sou a personagem principal. Cansei de você!
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