Meu Amável Vizinho
26 Dá irmã eu gosto. & Quem é ela?
Notas iniciais
No capítulo anterior...
— Agora vou tomar um banho, lembre-se de checar se não está queimando.
— Está falando com o maior chefe de cozinha do mundo! — Se gabou por fazer apenas um mísero esforço colocando queijo no balcão. — Isso foi um convite? — Esboçou um de seus sorrisos nem um pouco angelicais. — Garanto que posso te ajudar no banho, eu sei fazer melhor do que checar se uma lasanha está queimando...
— Proposta tentadoramente irrecusável...
— Então isso é um sim? — Perguntou-me, com um sorriso bobo nos lábios.
— Não. — Respondi, sorrindo.
— Então a resposta não?
— Sim.
— Agora a resposta é sim?! — Sorriu mais.
— Não!
— Jujuba, pode se decidir, por favor? — Perguntou, fazendo cara de impaciente, numa postura meio gay. — Eu tenho hora marcada no cabeleireiro. Minha manicure não pode esperar. — Continuou, com a voz mais gay que já ouvi na minha vida.
— Worthy! — Joguei uma almofada nele, enquanto ria descontroladamente. — Para com essa viadagem!
— Tudo bem, agora vai tomar seu banho. — Beijou minha bochecha, lábios e minha testa, enquanto segurava minha cintura. — Mas vou logo avisando que se demorar, a lasanha será minha, somente minha.
Dei-lhe mais um beijo e subi as escadas, indo para o quarto de porta branca, mais conhecido como meu refúgio.
Entrei no banheiro, ainda sorrindo, tirei minhas roupas e entrei na banheira, ligando o chuveiro para a mesma encher.
O Rafael com certeza deve estar atacando a geladeira ou no Xbox. Desde quando me importo com ele? Desde quando penso nele? Acho que sempre. Uma resposta para duas perguntas. Deveria ser assim sempre.
Imagine só, você ter várias e várias perguntas a serem feitas e uma simples e rápida resposta fosse o bastante, não seria o máximo? Era exatamente isso o que eu queria agora, apenas uma resposta para todas as minhas perguntas.
A maioria, como sempre, em relação ao Rafael, o garoto complicado que só sabe descomplicar e complicar ao mesmo tempo.
Mas, o que eu realmente quero saber agora, é o que será de agora em diante. Eu tenho que olhar para o Rafael como um namorado? Estamos juntos? É apenas beijos em uma noite entediante onde fizemos lasanha?
Mesmo com tudo o que ele me disse, eu ainda tenho dúvidas. Não sei por quê, mas tenho. É como se eu soubesse que ele gosta de mim, mas colocasse na minha cabeça que isso não fosse verdade, que não fosse real.
Saio da banheira que agora estava com espumas, e aperto no botão para a água sair, ligando o chuveiro, deixando a água cair sobre mim, levando todos os problemas com ela. Obrigada água.
Desliguei o chuveiro, colocando meu roupão e saí do banheiro. Peguei meu pijama, e os vesti, penteando meu cabelo e coloquei minhas pantufas, sim eu tenho pantufas, descendo as escadas.
Encontrei o Rafael, jogado no sofá, com um prato GIGANTE de lasanha e seis garrafas de cerveja, enquanto assistia Jogos Vorazes.
— Rafael não sei seu nome do meio Worthy! — Grunhi. — Você acabou de tomar seis litros de cerveja em menos de vinte minutos! — Estapeei-o. — O que tem na cabeça garoto?
— Ei, ei calma! — Sorriu. — São apenas cervejas, não vou morrer por causa disso, mas se faz tanta questão assim, vou pegar um suco, tudo bem?
Beijou minha testa e saiu, deixando o prato na mesinha de centro e levando as garrafas de cerveja com ele, deixando-me jogada no sofá.
Levantei-me do sofá, e fui até a cozinha, onde a lasanha e a jarra de suco de laranja estavam, quer dizer, onde o Rafael estava. Peguei um prato e coloquei um pedaço da lasanha nele, não a metade da forma, como o Rafael fez.
— Sabe que não gosto quando faz isso. — Resmunguei.
— Sei, sei. Não se pode tomar cerveja ou outra bebida alcoólica com sua lasanha. — Revirou os olhos.
— Eu quis dizer que não gosto quando exagera na bebida. — Falei um pouco mais baixo dessa vez.
— Tudo bem, tudo bem, vou maneirar, ok? —
— Rafael. — O chamei, fazendo sua atenção se virar para mim. — O que...
— Worthy. — Advertiu. — Não gosto quando me chama de Rafael, soa com sarcasmo.
— Worthy... O que vai acontecer agora? — Perguntei, um tanto nervosa. — Digo, sobre nós.
Mordi os lábios e abaixei meu olhar, direcionando-o a qualquer ponto a minha frente sem prestar a mínima atenção.
Pelo reflexo na bandeja onde se encontrava uma parte da lasanha, eu podia ver seu rosto. Estava me analisando, de um jeito calmo, com o mesmo sorriso nos lábios, usando apenas uma bermuda, deixando a camisa de lado.
Em um movimento rápido, deixou as garrafas na pia e andou até mim, sempre ciente do que estava fazendo, sempre ciente de suas escolhas, sempre... Rafael Worthy. Deu um longo suspiro, olhou em meus olhos e finalmente disse:
— Eu não sei. — Manteve sua expressão indecifrável, enquanto me encarava sem piscar nenhum minuto. — Eu juro que iria lhe fazer essa pergunta.
— Eu só... queria saber o que você quer. — Tudo bem, de onde veio essa coragem JULIANNA?! — Digo, da última vez você apareceu com uma nova namorada.
— Eu posso aparecer com uma nova namorada. — Ele disse. — E pode ser agora. Mas não depende só de mim.
— O que quer dizer? — Perguntei, com medo da resposta.
— Bom, eu estava te pedindo em namoro neste momento, mas já que não sou muito bom nisso, melhor pularmos essa parte. — Deu de ombros e continuou encarando o chão. — Digo, se você quiser. — Acrescentou.
Eu simplesmente não sabia o que falar, as palavras tinham saído da minha boca, justo agora, e eu não podia deixá-lo esperando por uma resposta, tinha que dizer algo imediatamente.
Mas é como a música de um cantor que esqueci o nome diz: “Um beijo vale mais que mil palavras”. E foi o que fiz, o beijei, demonstrando todos os meus sentimentos de uma só vez.
Raiva, amor, felicidade, tristeza, arrependimento, coragem, e todos os outros. Juntei todos em um só, e estava passando-os para ele.
—Isso serviu como resposta? — Perguntei. — Porque eu realmente não sei o que dizer.
— Preciso de uma resposta mais detalhada, sabe? — Perguntou. — O que acha de me responder no quarto? — Sorriu, de uma forma incrivelmente pervertida, que só ele e mais nenhum ser habitante do meu universo paralelo, conseguia sorrir.
(...)
— Então vocês estão meio que namorando? — Avery me perguntava, enquanto dávamos banho no Tobby.
— Acho que sim... — Pensei. — Ele não foi tão direto como pensei que seria, mas está tudo bem.
Terminamos de tirar o sabão do Tobby, e jogamos uma grande toalha por cima dele, tirando-o da banheira.
Sim, Tobbyanos, eu comprei uma banheira de bebê para o meu cachorro, juntamente com algumas coisinhas de bebê.
— E onde o Johnathan fica nessa história? — Me perguntou, um tanto séria agora. — Ele ainda gosta de você.
— Eu sei, mas... é complicado. Eu tentei voltar atrás, mas ele não quis, ele não deu outra chance a nós. Só estou seguindo em frente. — Dei de ombros.
Levei Tobby até meu quarto, sendo seguida pela Avery. Joguei o Cachorro na cama e peguei um secador, para enxugá-lo.
— Devia contar para ele, então. — Disse.
— Creio que ele já saiba. — O que podia ser verdade. Às vezes ele sabia das coisas antes delas acontecerem. — Sei que ele é seu irmão, e você se preocupa com ele, mas simplesmente não era pra ser. Estamos bem assim, então não é bom modificar as coisas.
— Concordo... você merece ser feliz, independente do que tenha acontecido. — Bagunçou meu cabelo e se jogou na cama, sorrindo. — A propósito, o John quer falar com você.
— Avery... quando o John teve que fazer... aquilo com a família, por que ele não fez com você? — Perguntei. — Digo, você também estava lá quando aconteceu.
— Eu não sei Anna.... — Respondeu, encarando o teto. — Ele nunca tocou no assunto e eu nunca tive interesse em fazê-lo. Por que a pergunta?
— É que... eu ainda quero entender o que aconteceu e o que está acontecendo. — Respondi. — As únicas respostar que recebi até agora foram... como incógnitas.
— Não me venha com matemática! — Jogou um travesseiro em sua cabeça. — Odeio matemática.
— Falando nisso, como vocês estudavam? — Perguntei. — Digo, no lugar onde vocês estavam, como se viravam?
— Anna, aqueles caras de uma forma ou de outra, cuidaram de nós. — Respondeu. — O Johnathan matou o líder deles, e isso o fez o novo tipo de líder, ainda não entendo isso. — Suspirou, abraçando o Tobby. — Nós tínhamos dinheiro, um homem, não me lembro de seu nome, ele que nos sustentava.
— E por quê?
— Eu não sei. — Jogou-se novamente na cama — Mas nós não estudamos em escolas como vocês. Eram aulas em casa.
— E a família dos outros? Eles sabem?
— Não, os outros tinham que se virar. O homem só dava dinheiro para mim e Johnathan, os outros foram por vontade própria, disseram aos pais que era intercâmbio. Claro, precisaram usar uns truques da mente neles, mas acabaram cedendo no final.
— Truques da mente? — Foi isso que o Johnathan usou em mim? Por isso ele podia falar comigo? — Como isso funciona?
— Não é do tipo bruxaria. — Afirmou. — É como... algo que você precisa injetar em alguém e ela começa a ter alucinações. E isso se torna bem fácil, a pessoa que tem o líquido no sangue, não percebe que recebeu a injeção, não sente dor nem nada do tipo, apenas começa a ver a realidade de uma forma mais... complexa.
— Entendo. Sabe que horas seu irmão chega em casa? — Perguntei, pensando nas várias perguntas que eu tinha para fazer.
— Ainda é meio dia. — Olhou em seu celular. — Ele vai almoçar na empresa mesmo. Sim, o Bob tinha uma empresa. Talvez ele chegue umas quatro da tarde em casa.
— Tudo bem. — Mordi os lábios. — Quero que conheça uma amiga minha.
— Ugh, aquelas patricinhas falsas que só sabem fofocar? Não, obrigada.
— O quê? Claro que não! Ela é minha melhor amiga. E não é como está pensando.
— Achei que eu fosse sua melhor amiga. — Resmungou.
— E você é! — Joguei o Tobby em cima dela. — Agora vamos! Preciso levar o Tobby para passear. Esse cachorro precisa conhecer o mundo.
— Basta colocá-lo em uma janela e ele conhece o mundo todo e mais um pouco.
(...)
Parei o carro em frente a grande casa branca com alguns detalhes dourados, que se encaixavam perfeitamente com o gramado cheio de flores muito bem cuidadas, como as outras casas do bairro.
A rua com dois ou três carros estacionados em frente a casas desconhecidas e poucos pedestres andando pela calçada.
O azul bem claro e o sol radiante somados a leve brisa, deixavam o local parecido com aqueles bairros de filmes. Todas as casas bonitinhas com vizinhos que te dão torta de boas-vindas quando você acaba de se mudar para uma delas.
Desci do carro, acompanhada de Avery e Tobby, que estava com sua nova e luxuosa, — só que não — coleira, com seu nome escrito nela.
Saindo da casa, estava a Bianca, com seu longo e sedoso cabelo castanho, balançando enquanto abria um enorme sorriso, deixando seus olhos dourados mais brilhantes que o normal.
Assim que viu Avery, e com Tobby nos braços, desanimou um pouco e fez uma cara de desentendida, olhando de mim para Tobby e Avery, de Avery para Tobby e eu.
Como se fosse quebrar um pouco o gelo, dei um abraço na Bia, pegando o Tobby dos braços da Avery, colocando-o no chão.
— Ugh, essa é a Avery, irmã do Johnathan. — Avery acenou com a cabeça, dando um pequeno sorriso e a Bia ficou com sua cara séria, encarando fixamente a garota. — Avery, essa é a minha amiga que te falei.
— Melhor amiga. Me chame de Bianca. — Disse, sem tirar os olhos da Avery, que estava extremamente desconfortável.
— Podemos ficar para o almoço? — Perguntei.
Sem me dar resposta nenhuma, apenas se virou, andando para dentro da casa, nos deixando ali, plantadas igual pé de banana.
Acho que dizer que a Avery é irmã do Johnathan foi apenas para ela se sentir mais familiarizada, se é que era possível. A Avery sem dúvidas só podia ser irmã dele. O mesmo cabelo extremamente negro e os olhos incrivelmente azuis.
Nunca achei que seria possível um ser nascer tão pálido, com os cabelos super escuros e olhos azuis eletrizantes. Fora a beleza que cada um deles tinha.
Eles são uma mistura dos pais. O Sr. Morgan tinha o cabelo loiro e olhos azuis, a Sra. Morgan tinha o cabelo preto assim como o dos filhos e olhos cinzas. Sem contar a beleza de ambos.
O Sr. Morgan, era um pouco sério, mas bem cuidadoso com os filhos, principalmente com a Avery, que era a casula e a que mais demonstrava sua afeição pelo pai. Johnathan se inspirava nele, mas não queria ferir seu orgulho dizendo isso.
A Sra. Morgan, era um doce de pessoa! Não acredito que exista mulher mais maravilhosa do que ela. Atenciosa, carinhosa, tinha um enorme coração! Ela era um pouco mais atenciosa com o Johnathan pelo que me lembro, mas não deixava a Avery de lado, pelo contrário, sempre estava ao lado da filha.
Saí de meus pensamentos quando a Bia me chamou, batendo as palmas das mãos na minha frente.
— Ei bonitinha, será que pode sair da frente da porta? — Perguntou. — Sua amiguinha quer entrar. Não que eu me importe em deixá-la do lado de fora, mas...
— Bianca! — Adverti. — Vem Avery.
Puxei a garota até o sofá, onde a Bia nos indicou para sentar.
— Então... Eveline, é a irmã do Johnathan? — Bianca perguntou, sentando-se conosco. — Se parece bastante com ele, são gêmeos?
— É Avery. — Eu disse, revirando os olhos. Ela estava fazendo de propósito.
— Que seja. — Retrucou.
— Sim, somos irmão. — Avery respondeu. — Na verdade, o Johnathan é dois anos mais velho.
— Quantos anos você tem mesmo? — Perguntou.
— 19. — Respondi, fazendo a pior carranca do mundo para a Bia. — Acredito que não são necessárias tantas perguntas.
— Agora me diga Bianca, o que achou da novidade? — Avery perguntou. Que novidade?
— Novidade? — Bia perguntou, olhando para mim. — Que novidade Jelly?
— Do Rafael. Não contou para ela Anna? — Avery respondeu por mim. Oh não, a Avery está provocando a Bia, isso não é bom.
— O que tem o Rafael Jullia?! — Bianca levantou do sofá. — Conta as coisas para ela e não conta para mim? Ótima melhor amiga você é!
— Nós estamos meio que... namorando. — Respondi. — Eu ia contar!
— Quando?! — Perguntou. — Quando você estivesse grávida?!
— Bianca, sem exageros, por favor! — Quase gritei em resposta. — Olha... foi uma péssima ideia ter vindo aqui. Vamos Avery.
— Desculpe... — Avery sussurrou para mim.
— Quando estiver mais calma, fale comigo. Podemos conversar na universidade.
Saí da casa dela e encontrei a Avery já dentro do carro, nos observando. Entrei no carro e dei partida, indo de volta ao apartamento.
Eu sinceramente não acredito que a Bianca fez aquele escândalo todo! Custava ser simpática e conhecer a Avery? A Avery só provocou porque ela começou. Se ela não tivesse dado aqueles ataques, tudo estaria bem.
— Olha Anna, me desculpa mesmo. — Pela décima vez, ela se desculpava. — Se eu soubesse que ela reagiria daquela forma, teria continuado calada. Foi uma forma de defesa.
— Eu entendo. — Suspirei. — A Bia não é assim, ela está com ciúmes.
— Entendo... ei, onde está o Rafael? Quando cheguei no seu apartamento ele tinha acabado de sair.
— Ah, ele foi na casa de uns amigos. — Respondi. — E o seu namorado? Derek?
— Faz um tempinho que não vejo ele. — Respondeu. — Ele disse que se mudou para um apartamento não sei onde.
— Ugh, espera... — Oh não! Ele é o cara da piscina! — Eu acho que sei onde ele mora.
— Como? Conhece ele?
— Sim, eu acho. Eu meio que conheci um Derek no condomínio um dia antes de ir ver vocês.
— Como ele era? — Perguntou. Ops, senti uma pontada de ciúmes. Claro, imagina sua amiga te contar que viu seu namorado na piscina? Tipo... de sunga? E ele ainda morar bem perto dela?
— Loiro, não sei a cor dos olhos e era um pouco mais baixo que o Johnathan. — Lembrei-me do garoto gato da piscina.
Finamente chegamos no condomínio. Estacionei na minha linda vaga ao lado do carro do Worthy e saí do mesmo, assim como a Avery.
Entramos no bloco e pegamos o elevador, ido para o sexto andar. Assim que o elevador parou, saímos dele, indo em direção a porta dourada com a maldita placa — que pretendo trocar — escrita “Bem-vindo ao inferno”.
Assim que abro a porta e entro no apartamento, tenho uma surpresa. E não imagina o tamanho da surpresa. Johnathan Morgan e Rafael Worthy sentados um em cada sofá, se encarando como se fossem cortar o pescoço um do outro.
Quando eu entrei, ambos direcionaram seus olhares para mim, e depois de alguns segundos, notaram que a Avery também estava ao meu lado.
— Hm, Johnathan? — O chamei. — O que... faz aqui? Eu ia na sua casa mais tarde.
— Ia na casa dele? — Rafael perguntou.
— Rafael, conversamos sobre isso depois, ok? — Deixei minha bolsa em um dos sofás e fui até a cozinha, sendo seguida pela Avery.
— Quer que eu tire o Johnathan daqui? — Perguntou. — O Rafael está com a palavra ciúmes em neon na sua testa.
— Não, não vou mandar o Johnathan ir embora novamente. — Disse. — Vou levá-lo para meu quarto. Pode conversar com o Rafael enquanto isso?
— Claro. — Respondeu.
Voltei para a sala e os dois — Rafael e Johnathan — ainda estavam da mesma forma. Fui até o Rafael e juntei nossos lábios, separando-os em seguida e sussurrando um “não se preocupe”.
Peguei na mão do Johnathan que estava bem calmo agora, e o levei até meu quarto, deixando a Avery com o Rafael.
— Estão juntos? — Ele perguntou.
— Segui seus conselhos. — Respondi.
— Bom saber. — Sorriu. — Se você estiver feliz, pra mim já está de bom tamanho.
— Agora vamos ao que interessa. — Sentei na cama e ele fez o mesmo. — Como você sabe, eu tenho perguntas. E é bom respondê-las.
— Estou aqui com esse propósito. Pergunte.
— Primeiramente, como conheceu o Bob?
— Bem, sabe como eu era naquela época. — Sorriu. — Eu gostava de entrar em brigas, passar a madrugada em bares e conhecer gente nova.
— E foi assim que conheceu o Bob? — Perguntei.
— Bom, não. Conheci um amigo dele. E foi assim que conheci o Bob. — Seu rosto ficou sério e ele pareceu estar lembrando do que tinha acontecido.
— Por que você... fez aquilo com seus pais?
— Não fui eu. — Disse. — Foi o Bob.
— E por que ele deixou a Avery?
— Ele queria que eu assumisse toda a culpa. Queria que eu dissesse para todos que fui eu. Por isso deixou a Avery. Eu teria que dizer para todos que não tive coragem suficiente para matá-la. Mas eu não disse nada. A única coisa que disse foi que matei meus pais.
— E por que continuou o seguindo? — Perguntei.
— Ele me ameaçou. — Respondeu. — Ele disse que se eu não fizesse o que ele queria, acabaria não só com o resto da minha família, como a família dos outros. Não podia deixá-los pagarem por algo que eu fiz.
— No dia da praia, quando ele nos encontrou, onde te levaram depois de ter matado o Bob?
— Eles me levaram para um cativeiro. Eles me elegeram como um novo líder. Eu tinha matado o Bob, então eu tomaria seu lugar.
— Mas você podia ter largado tudo, certo? Poderia se livrar do tudo aquilo. Avery disse que você está comandando uma empresa agora.
— Sim, sim. Depois de um tempo, descobri que o Bob não tinha só um lado mal. Ele tinha uma empresa, muito desempenhada, por acaso, e uma família, sua esposa e sua filha de 2 anos. E essa foi a única razão para que eu continuasse.
— Por causa Da família?
— Por causa Da filha deles. Ela me lembrava de você. Ele tinha dois anos quando perdeu o pai. Você também tinha dois anos quando perdeu sua mãe. Eu senti a obrigação de administrar a empresa e cuidar de tudo. A mulher não conseguiria sozinha e ela tinha a filha. Estavam sozinhas e eu queria ajudar, de alguma forma.
— Entendi. Agora me diga por que apareceu só agora?
— Eu queria que você terminasse os estudos. Queria te encontrar quando estivesse mais... capacitada de entender as coisas. E quando eu já tivesse a confiança total dos amigos e inimigos do Bob.
— Tudo bem, e quanto as alucinações? Os sonhos?
— Os sonhos eu acredito que você tenha desde quando eu fui embora, mas percebi que eles estavam mais frequentes, e isso foi mais um motivo para eu aparecer. Você ainda os têm?
— Não, eles... sumiram.
— As alucinações... Bom, existe um tipo de soro que quando é injetado...
— A pessoa que recebe o soro não percebe que o recebeu, apenas passa a ter alucinações bem realistas e pode chegar a ouvir a voz de quem está perto como um eco?
— Avery? — Perguntou.
— Ela me contou algumas coisas. — Sorri. — Então, algo a mais que eu deva saber?
— Algo a mais que você queira perguntar?
— Não.
— Então, não. — Sorriu. — Mas agora, tenho que voltar para a empresa, o horário de almoço já acabou faz um tempo.
— Tudo bem, senhor Morgan. Bom trabalho.
O abracei e saímos do quarto, indo para a sala onde a Avery conversava animadamente com o Rafael. Ugh pontada de ciúmes em mim.
— Vamos Avery? — Johnathan chamou a garota, abraçando-a.
— Claro! — Sorriu. — Nos vemos depois Rafael, e faça o que eu te disse.
— Pode deixar! Até mais. — Ele se levantou e deu um abraço nela, vindo para perto de mim, enquanto os dois saíam. — Da irmã eu gosto.
— Bobo. — Dei-lhe um beijo e fui até a cozinha. — Já almoçou?
— Estava esperando minha cozinheira, babá, alimentadora empregada, amiga e namorada chegar.
— Eu deveria ficar feliz com todos os adjetivos... amigáveis? — Perguntei, sorrindo. — Ou talvez você esteja exigindo demais da pobre garota inocente?
— Me desculpe Jujuba, mas de inocente você definitivamente não tem absolutamente nada. — Gargalhou e pegou uma jarra de suco. — Vou fazer o suco. Quer de maracujá?
— Ugh, você fazendo o suco? — Perguntei. — Deixa que eu faço, é rápido.
— Eu só vou colocar água e gelo. — Revirou os olhos. — É esses sucos de pacotinho.
— Ah claro! — Dei uma risada falsa e coloquei o cabelo atrás da orelha, mordendo os lábios. — Não que você não saiba!
— Não importa. Enfim... o que acha de fazer...
Meu celular tocou — que por acaso estava em cima da mesa — e ele o pegou, olhando o nome no visor, enquanto eu pulava tentando pegar de volta.
— Ei sua cabrita amarela! — Pulei numa tentativa falha de pegar o celular. — Me devolve!
— Amarela? — Começou a gargalhar, quase derrubando meu celular.
— Sim, agora você tem cor! DEVOLVE! — Gritei, assustando-o.
— Vamos atender esta ligação de... — Olhou novamente e dessa vez não o impedi. — J. M.? Quem é J. M.?
— Me devolva este celular agora Rafael. — Gritei.
— É o Johnathan, não é? — Revirou os olhos. — Ele acabou de sair daqui. Não se falaram o suficiente? — Atendeu o celular e colocou no ouvido. — Fala.... Não! É a Jullianna, eu só engrossei a voz de um tempo pra cá, sabe? — Revirou os olhos. — Claro que não é ela seu imbecil, aliás, acabou de sair daqui, o que quer com ela? .... Ah esqueceu? Que pena! Fiquei com lágrimas nos olhos de tão emocionante... Cara, vai se... Eu falo do jeito que eu quiser, entendeu?
E assim desligou. Revirando mais uma vez os olhos. Tomei o celular de suas mãos e fui para meu quarto, decidida de não almoçar hoje, e deixar o Worthy passando fome. Disquei o número do Johnathan e ele atendeu no primeiro toque.
— Rafael, se quer bancar de palhaço, eu vou logo...
— Sou eu John. — Suspirei.
— Onde está o Rafael?
— Não está aqui. — Respondi. — O que quer?
— O que acha de uma partida de paintball? — Sugeriu.
— Paintball? — Perguntei. — Quando, onde e com quem?
— Eu, você, Avery, Christopher, Kayla e Robert. Eu posso passar aí para te levar. Amanhã, ás 07 horas.
— Ugh, provavelmente estarei dormindo. — Fiz uma careta. — Tenho a universidade, lembra?
— Ah claro, sem problemas. E tente controlar os ciúmes do seu... namorado, aquilo foi desnecessário e infantil.
— Hm, vou sim. — Abaixei minha cabeça. — Tenho que desligar.
— Até mais.
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