Meu Amável Vizinho
32 Amigos? Não.
Notas iniciais
No capítulo anterior...
— Eu.
Assim que escutei aquela voz, me arrepiei dos pés à cabeça, meu coração bateu mais rápido, comecei a suar frio... Era ele, não podia acreditar...
— Não pode ser.
— Achou que o Johnathan tinha me matado? — Riu — Estavam enganados, todos vocês!
Depois daquela noite na praia, eu achei que tudo tinha acabado, que tudo voltaria ao normal. Precisei de tanto tempo para esquecer, e agora tudo voltou novamente, me deixando em dúvida se realmente valeu a pena começar.
Johnnathan Morgan, a causa do meu maior problema.
Respirei fundo ainda olhando para aquele homem velho, de aparência exausta. Parece que não come a dias, magro, barba grande, um pouco careca e baixo... assustador. Da última vez que o vi, ele não estava tão acabado assim.
— E então, vai ficar olhando para minha cara ou ligar para o John, fazendo ele vir até aqui e chutar sua cara? — Perguntei sarcástica. — Como pode estar vivo Bob...?
— Não agora. — Sorriu. — A bala me atingiu, óbvio, mas não me matou. Passei todos esses anos reconstruindo o que eu havia per... — Interrompi.
— Ah não, pelo amor de Deus! Isso parece aqueles filmes onde o vilão conta todo o seu plano para a vítima antes de tentar matá-la, mas acaba dando tempo para o herói chegar e tudo vai por água a baixo. — Reviro os olhos, lembrando dos filmes.
— Então prefere morrer agora? — Perguntou arqueando uma sobrancelha.
— Prefiro esperar meu herói chegar, obrigada.
— E quem seria seu herói? Johnnathan? — Gargalhou, olhando para mim. — Não acho que ele apareça aqui.
Aí ele me pegou. Johnnathan apareceria? E o Rafael? Ele ao menos sabe onde estou?
— Para falar a verdade... não sei. E ele não passou pela minha cabeça em momento algum. — menti.
Deu mais um sorriso torto me analisando.
— É uma pena, mas para sua felicidade, não a matarei... agora. Não teria a menor graça acabar com você, sem ver a expressão do John. — Riu novamente e se retirou.
Suspirei, jogando a cabeça para trás. Que ótimo.
Continuei sentada por algumas horas talvez e olhei para os lados tentando achar algum jeito de sair. Quem disse que tinha? Como eu ia me soltar com feno e uma pá? As cordas estavam apertando tanto que eu tinha certeza que quando tirasse, se tirasse, meus pulsos estariam roxos.
Continuei pensando até ouvir os passos de um capanga do Bill, que falava ao telefone com alguém. Pelo que pude entender, podia ser o John, já que ele estava falando algo como “para tê-la, junte-se a nós novamente”. E espero que aquela cabeça de vento pense em algo para me tirar daqui.
Eu sei, eu deveria estar chorando, me esperneando, implorando misericórdia ou até rezando para que “meu herói” viesse me salvar. Só que pensando por outro lado, isso só vai fazer as vontades do Bill, além de não me tirar daqui. Então por enquanto, vou continuar pensando.
P.O.V. Rafael
Depois de horas e horas relembrando da noite passada, voltei a realidade com o irritante barulho da campainha. Levantei do sofá e fui até a porta abrindo. Assim que vi a figura a minha frente, revirei os olhos.
— Ela não está aqui Johnnathan. — Fui fechando a porta, mas ele pôs a mão na frente me impedindo.
— Eu sei. É por isso que eu estou aqui. O Bill sequestrou a Jullianna — Deu um longo suspiro olhando para o chão.
— Como?! Quem é esse Bill? Como você sabe disso?
— Bill é o cara que jogou a garota morta no seu carro, que acabou com meu relacionamento com a Jullianna, que a fez pensar que eu estava morto e que ligou para mim dizendo que estava com ela.
Não sabia o que dizer, nem o que pensar. Tinham sequestrado a Jujuba?
— Temos que ligar para a polícia ou...
— Não Rafael! — Ele parecia furioso e cansado pela sua expressão — Não podemos colocar a polícia nisso, não vão pensar duas vezes antes de matá-la.
— Não vão? Quem mais está envolvido nisso?
— Imagine uma gangue de mafiosos pronta para atirar na cabeça de quem se meter em seu caminho.
Eu estava assustado, confesso. Achava que era daqueles sequestros em que o sequestrador só queria dinheiro e ligava para a família da vítima exigindo uma certa quantia — bem alta — para livrar a vítima.
Mas não nesse caso, desta vez, eram de pessoas próprias para matar, como vários assassinos de aluguel reunidos em uma mesa jogando pôquer com prostitutas e variados tipos de bebidas ao seu dispor, era assim que eu imaginava.
— O que podemos fazer? Pode ligar para ele, o que ele quer? Dinheiro? —Perguntei, desesperado tentando encontrar uma solução.
— Não é dinheiro que ele quer, isso ele já tem e muito. — Fechou os olhos e depois os abriu, olhando diretamente para mim. — Eu não sei o que ele quer. Também não sei o que ele fez ou o que pretende fazer com ela, mas uma coisa eu garanto, não confie em uma palavra que ele disser.
— Então vai ligar? Vamos falar com ele?
Senti um pingo de ânimo cair sobre mim por saber que poderíamos ligar, ao menos para saber como ela estava. Se algo acontecer...
Não consigo mais me imaginar morando em um lugar cheio de bebidas e camisinhas espalhadas por todos os lados, não consigo mais dormir com outra garota, não consigo mais respirar sem saber que ela está bem.
Consigo me imaginar com ela em meus braços, dividindo o teto comigo, consigo me imaginar tirando ela de cima de uma das grandes almofadas e guardando um livro que ela parou de ler porque dormiu. Consigo me imaginar deitado com ela no sofá assistindo Bob Esponja ou vários episódios de Grimm.
Eu a amava.
Posso ter demorado muito para descobrir, mas eu a amo. Admitir foi difícil, mas é a mais pura verdade. Eu não sei mais viver sem ela, não sei quem eu sou longe dela, não tenho rumo, não tenho uma vida, não tenho nada. Ela é meu tudo.
— É aí que você entra. Ele não sabe que mora com ela, bom, sabe que ela divide o aparamento com alguém, só não sabe quem é esse alguém. — fez uma pausa — Eu vou me encontrar com ele daqui a duas horas no Little Drink, preciso que vá meia hora antes, sente e fique lá observando. Eu vou estar sentado com ele então fique de olho em todos, todos os seus movimentos, entendeu?
Apenas assenti e ele prosseguiu:
— Precisamos do celular, se conseguirmos o celular encontramos ela, ok?
— Tudo bem... o celular, vou dar um jeito de conseguir. — dei um longo suspiro já tentando montar um plano para pegar o celular.
— Ótimo. Não faça besteiras.
Falou o cara que passou dois anos mentindo para a garota que supostamente ama.
— O especialista nisso é você.
— Estamos juntos nessa Rafael.
— Eu vou fazer tudo por ela, não por você. Só porque estamos trabalhando juntos, não quer dizer que vou virar ser amiguinho.
E assim fechei a porta em sua cara, me jogando no sofá novamente.
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