Meu Agasalho

1 Oneshot - Frio


Notas iniciais
Espero que vocês gostem. Enjoy.

Era um dia frio, as pessoas lá fora usavam pelo menos dois agasalhos. Diferente do calor da minha cama. Porém, nem tudo são flores. Eu tinha que acordar cedo naquele dia, e tudo por causa da maldita escola. Bom, pelo menos eu tinha um motivo para ir. Não, não era por causa do meu futuro, faltar um dia na escola não faria de mim um mendigo. Era Gabriel.

Levantei da cama relutante, coloquei um agasalho apenas, sempre fui teimoso em questão de roupa, pois não sentia muito frio. Peguei minha mochila, a chave de casa e fui pegar um ônibus para ir à escola como sempre fazia.

Cheguei à sala dez minutos antes de tocar o sinal. Lá, encontrei Gabriel com a nossa turminha, como sempre. Caio, Thiago, Juliana e Thaís. Gabriel era meu melhor amigo, não sei se ele me considerava o mesmo, já que ele e Thiago eram bem mais unidos do que eu e ele.

Cumprimentei todo mundo, e sentei na carteira, entrando na rodinha, como sempre fazíamos. Estendi um dos braços para Gabriel, mas ele simplesmente me ignorou. Não por que ele estava com raiva de mim, e sim porque ele não queria se mover. Ele estava todo fofo e meigo naquele dia, tremia como se estivesse acontecendo um terremoto, e estava encolhido o máximo que podia na carteira, se abraçando para manter o calor.

— Para de tremer e me cumprimenta viado! — disse rindo do coitado

— Filho da puta, não ta vendo que eu to morrendo? — disse ele

— Por que não vestiu um agasalho babaca?

— Em casa tava quentinho, e só fui perceber que estava frio quando eu saí de casa.

— É um inútil!

— Cala boca — disse ele baixinho

Os dez minutos se passaram e a aula começara, o professor entrou na classe e começou a matéria. Como não tínhamos mapeamento, eu e o resto da panelinha ficamos no fundo da classe zoando, enquanto o professor ignorava nossa presença e explicava para os alunos que estavam interessados na matéria. Quando a aula de história finalmente tinha acabado, o professor saiu da sala e nós esperamos o próximo professor.

— Vai tremer até quando? — perguntei rindo do sofrimento do Gabriel

Ele nem se deu ao trabalho de responder, sentindo o tom sarcástico na minha voz. Provavelmente ele estava me xingando de mil maneiras diferentes em sua mente, e se culpando por não ter levado um agasalho.

Tirei meu agasalho já que não estava com frio, e joguei na cara dele, que sorriu.

— Valeu delícia — disse ele piscando e me mandando um beijo

— Babaca

Claro que depois de ter tirado meu agasalho eu comecei a sentir frio. Muito frio. Porém, não disse nada, porque valia à pena passar frio e ficar vendo o corpo de Gabriel vestido com meu agasalho, que ficava um pouco grande para ele, que o deixava tão fofo e frágil de certa forma.

As aulas foram se passando e finalmente acabaram. Mais um dia que eu sobrevivi naquele lugar, que só compensava frequentar por causa do Gabriel. O ultimo sinal havia tocado, eu já estava saindo da sala quando uma voz me chamou. Sua voz.

— Lucas, espera!

Esperei do lado da porta da sala até Gabriel sair.

— Posso ficar na sua casa hoje? É que meus pais vão viajar e eu não quero ficar sozinho — disse pronunciando baixo a ultima frase

— Claro — disse rindo

— Ta rindo do que idiota? — disse ele corando

— Nada...

— Ah, quase esqueço — disse ele tirando o agasalho — Toma

— Pode ficar Gabriel, a gente ta indo pra minha casa mesmo

— Não, eu não to mais com frio, pode ficar. — disse ele

Peguei o agasalho e vesti. Eu sabia que não ia demorar muito pra ele voltar a tremer e implorar pelo agasalho. Você deve estar pensando que é maldade fazer isso com alguém que eu gosto, mas era o nosso jeito de falar que um era importante para o outro.

Quando a gente saiu da escola pra ir pro ponto de ônibus, uma brisa gelada passou por nós e eu pude ver a cara de arrependimento do Gabriel. Ele ficava tão fofo abraçando a si mesmo. Ri da cara dele, e entreguei o agasalho, que rapidamente ele vestiu sem protestar.

— Valeu — disse ele olhando pra baixo

Chegando em casa, nós fizemos as lições e ficamos jogando vídeo game. Preparei a comida e assim que terminamos de comer. Lá pela tarde, Gabriel começou a espirrar sem parar, ele disse que era por causa da rinite, e era normal, mas quando anoiteceu ele começou a ficar muito mal. Medi a temperatura e vi que ele estava com febre.

— Gabriel, vou te levar pro hospital. Você ta com febre.

— Não! Eu to...

Seria pra frase ser terminada com um “bem”, mas ele começou a tossir antes de terminar a frase.

— Cara, você precisa de um médico.

— Não! Eu... Tenho medo — falou baixo

— Não precisa ter Gabriel, ele só vai te examinar, e no máximo te dar uma injeção.

— Não, eu não quero. — disse ele fazendo uma cara de choro — Por favor.

— Ta legal, mas eu vou à farmácia comprar alguma coisa pra você ok? É rapidinho.

— Eu vou com você.

— Nem pensar, esta frio lá fora.

— Por favor — disse ele fazendo uma cara triste — Eu... Não quero ficar sozinho

Ele doente era a coisa mais fofa do mundo. Baguncei os cabelos pretos e curtos do mesmo, o que fez ele corar rapidamente. Sorri para ele, que estava com o rosto vermelho de vergonha por ter que admitir que tinha medo de injeções e ficar sozinho.

— Ta, então dorme aí. Amanhã eu vou te levar no médico sem falta. — disse abrindo a porta do quarto para sair

— Onde você vai?

— Pra sala. Vou dormir no sofá, descansa aí na cama.

— Não... Fica aqui comigo? — pediu ele baixo

— Ta legal. — disse deitando do lado dele.

Ele continuava tremendo de baixo do cobertor, e não conseguia dormir. Decidi fazer alguma coisa, então o abracei por traz, e no mesmo momento, ele parou de tremer e relaxou os olhos. Fiquei observando ele dormir, até que peguei no sono também. No dia seguinte, abri os olhos e Gabriel estava deitado em meu peito, abraçando meu corpo e dormia tranquilamente. Continuei observando ele dormir, e depois de vinte minutos ele acordou. Ainda sonolento, ele me deu um beijo, encostando seus lábios nos meus. Não entendi o que foi aquilo, mas decidi ignorar e perguntar quando ele acordasse novamente. Tomei um banho e quando saí, ele estava sentado na cama me esperando.

— Dormiu bem?

— Aham... — disse ele pensativo — Eu tive um sonho... estranho.

— É, e como foi? — perguntei

— Nada, esquece. — vi a face dele ficando vermelha e então entendi as coisas.

Com a toalha enrolada na minha cintura, e os cabelos molhados. Me aproximei do rosto dele, e o beijei.

— Tipo isso? — disse o beijando novamente

Na hora ele pareceu surpreso, mas logo ele retribuia os meus beijos na mesma intencidade. Me afastei de seu rosto e fitei os olhos do mesmo. Ele começou a ficar com vergonha e me abraçou escondendo o rosto no meu peitoral.

— Eu te amo — disse ele

— Eu também te amo — eu disse

Notas finais
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