Metus

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Obrigada por entrar no primeiro capítulo. Boa leitura

~*~

Era leve. Carregava-o sem esforço. Em meus braços, apenas sentia a sua presença porque o seu corpo frio encostava no meu. O seu queixo tremia e na respiração fraca ouvia gemidos de dor. Apresso-me no caminho. Ele esta vivo.

Escondida na floresta, uma pequena casinha de madeira aconchegava as minhas coisas. Era o meu lar. Abri a porta. Um agradável ar frio emanou do interior até à porta. O olhando, puxo o farrapo sujo que cobria seu corpo, ao mesmo tempo que entro em casa.

Esperava a água esquentar sobre uma base de ferro com quatro pernas, que segurava uma panela grande em cima de uma chama azul. Ali perto já tinha uma bacia com pouco mais de 30 cm de diâmetro e 25 cm de altura cheia até metade com água fria. O olhava junto a mim, perto do lume. Seu corpo coberto com hematomas e arranhões salientavam numa pele pálida. No cabelo vermelho escuro todo bagunçado havia lixo. Talvez terra, folhas velhas e fezes. O cheiro vindo dele irritavam minhas narinas.

Coloco um dedo dentro da panela. Queimando-me percebo que a água esta quente. Estalo os dedos e a chama apaga. Levanto-me, agarro na panela e despejo a água na bacia até ter uma temperatura agradável para um tomar banho. Pego ele e coloco-o na água temperada.

—Assim a água esta bem?

Recebo silêncio. Pego um potinho e deito algumas flores na água. O lavando, tremia as mãos não sabendo onde podia passar sem o magoar, mas tinha de o lavar. Rapidamente a água foi ficando suja. Nunca senti o cheiro forte que as flores tinham. Acabo indo buscar outra bacia, a última que tinha e o coloco lá para passar o seu corpo por água limpa.

Pego uma tolha e começo a seca-lo. Aos poucos a toalha se manchava de sangue. Sem perceber, lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto. O vejo me olhar. Tal como seu corpo, ele tinha um rosto humano. Uma boca, um nariz e uns olhos iguais aos meus. Os seus olhos eram grandes e azuis como o céu. De repente o seu rosto se molha com lágrimas e ouço sons barrulhentos e fortes notando o se baixar um pouco abraçando a própria barriga. Tem fome? Me levanto indo buscar a cima da mesa, ali perto, um pedaço de pão.

Levo o pão até ele. O mesmo me olha. Fico esperando que pegasse, mas nada. Agarro a sua mão colocando o pão e vejo-o cheirar. Cheirava inquieto e rapidamente sacudindo as mãos para cima tenta levar à boca, mas o pão cai na água. No mesmo segundo pega o pão da água. Antes que reagisse, lava-o à boca mordendo em movimentos desesperados, onde muitos pedaços caíam de novo na água. Ainda assim com a boca cheia começa a tossir saindo muito do pão que tentava comer. Levanto-me indo buscar mais pão para lhe dar. Voltando até ele o vejo com apenas a cabeça e as mãos dentro da água, tentando pegar os bocados de pão já em migalhas.

Ali senti que estava a cuidar de um bebé. Não falava. Mexia-se. Não sabia comer sozinho. Mas ele parecia um garotinho de 8 anos, talvez.

Notas finais
Obrigada por ler até aqui. Que tal comentar? Obrigada