Metrô

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Feito em momento de tédio. Espero que gostem ;)

Queria ficar sozinho, que o deixassem em paz. Sabia que não seria fácil ganhar de seu rival. Sabia disso desde o início. Mas preferiu se iludir e relaxar. Por um pequeno descuido, ele foi passado para trás. Ainda não aprendera a controlar a raiva, pelo menos não tão bem quanto aquele albino, que parecia não sentir nada.
Saiu daquele lugar, andou pelas ruas de Londres, principalmente indo para a direção que a minoria das pessoas ia. Desceu um lance de escadas, iria pegar um metrô.
Para onde? Não fazia a mínima ideia. Sentou-se em um banco vazio no túnel fora do trem e observou as pessoas apressadas, preocupadas com seus próprios problemas.
Lembrou-se de Matt que queria segui-lo, acalmá-lo. E por esse motivo gritou com ele, mandou deixá-lo em paz. Como as pessoas não conseguem entender quando alguém só quer ficar na sua, sem comunicar-se com ninguém? Matt insistiu tanto, que o loiro, enfurecido, quebrou um pouco da parede com um soco. Só então aquele ruivo estúpido pareceu entender.
Não, ele não é estúpido, nunca seria. Só estava tentando ser um bom amigo. Mas o chocólatra não precisava de amigos naquele momento.
O motivo de sua raiva? Era simples: depois de sugar o máximo de ar possível, de reunir toda a sua coragem, de treinar cada palavra que iria falar, caminhou até aquela estúpida sala de brinquedos, sabia que ele estaria lá, como sempre. Treinava seu discurso mentalmente. Suas mãos suavam e sua testa latejava. Mas finalmente tomara a decisão final, finalmente decidira admitir.
Girou a maçaneta lentamente. Antes de abrir a porta, repensou seu plano e questionou se realmente deveria fazer aquilo. Era tudo ou nada. Em um último suspiro abriu a porta alguns centímetros, lento demais para que alguém pudesse perceber o movimento.
Ele estava lá, seus brinquedos ao seu redor. Sorria. Era a primeira vez que o via em uma expressão que não fosse aquela indiferente. Não era um sorriso de foto, aquele forçado. Ele estava quase gargalhando, um riso de diversão.
Minha felicidade foi tremenda ao presenciar este momento. Eu espiava pela porta. Até que sua felicidade se esvaiu quando ouviu outra risada, não era a do albino. Era uma risada doce, delicada, feminina. Seu peito se contraiu e seus olhos vasculharam o local. Era Linda. Aquela garota idiota que também vive na Wammy's House. Aquela de quem Mello sente inveja. Aquela com quem Near adora brincar. Aquela que, agora sabia disso, conseguia tirar aquela expressão de indiferença da cara de Near, e pior, estampar-lhe um sorriso no rosto.
Ela conseguia fazer o que Mello queria. Estava óbvio que Mello sequer era o segundo naquela droga de lugar, já que até aquela garota conseguiu passar-lhe a perna.
Os risos continuaram. O loiro bateu a porta com força, interrompendo os risos. Apostou que eles agora olhavam curiosos para a porta, porém sem se preocupar muito com a pessoa insignificante que estivera ali, sequer se moveram, logo voltariam a rir, e ele não queria nem um pouco ficar ali para escutar.
Matt estava perto, apoiando-se na parede e olhando para o chão.
Mello não precisou dizer nada para que o ruivo entendesse. Aquela mão que rasgou-lhe a carne do peito e arrancou-lhe o coração, apenas para prepará-lo para o café da manhã, jogando-o nas chamas. Esse sentimento que o queimava e fazia seu cérebro ser esmagado.
Suspeitou que aquilo que sentia era ciúme. Estava a apenas alguns passos de entrar naquela sala, não antes de socar a cara de Matt, depois quebraria o pescoço de Linda, para então espancar Near, na esperança de que sentissem a mesma coisa, a mesma dor que ele.
Estava sendo muito sentimental, sabia disso. Mas não podia evitar. Amava aquela coisinha de algodão, e pensar em dividi-la era insuportável. Ele lhe pertencia. Desde quando? Desde agora, desde sempre.
Saiu daquele lugar e agora estava ali. Olhando as pessoas.
Ficar sozinho nunca lhe fizera tão bem. Não precisava dar satisfações para ninguém, não descontaria a raiva em ninguém, não machucaria ninguém, não machucaria ele.
As horas foram passando, as pessoas chegavam, saíam, e ele continuava ali parado, como aquela ovelhinha sempre ficava. Abriu um meio sorriso ao lembrar-se dele, depois desmanchou-o.
Fechou os olhos e suspirou pesadamente. Não trouxera chocolate, uma barra sequer. Irritou-se consigo.
Abriu os olhos. Poucas pessoas estavam naquele túnel, quase ninguém. Das pessoas que estavam lá, encontrava-se uma coisinha pequena e fofa ao seu lado, como uma nuvem.
Olhou surpreso para seu lado esquerdo. Sentiu a raiva subir-lhe a cabeça. Depois pensou melhor, agiria como ele: indiferente. Voltou a olhar para frente, como se nem tivesse notado a presença de Near.
– Acho que você esqueceu isso. Então vim devolver. — levantou uma barra de chocolate. Mello estava com fome, e é viciado em chocolate. Como prosseguir?
Near permaneceu parado, segurando a barra. Mello, orgulhoso, permaneceu indiferente. Porém, o albino deu um passo a mais: rasgou a embalagem. Fazendo o cheiro penetrar suas narinas. Quem ele queria enganar afinal? Pegou bruscamente o chocolate e deu uma bela mordida.
– O que você quer, moleque?
– Vi você saindo com raiva da sala de brinquedos. O que houve?
– Matt.
– O que realmente houve?

– Do que você estava rindo?

Ele abriu um sorriso, parecendo lembrar-se do momento, o que fez Mello fechar a cara.
– Isso realmente importa?
– Não. – mentiu.
Continuou olhando para a frente e mordeu com raiva o chocolate. Na verdade queria não dar a mínima para aquele momento. Mas realmente queria saber o que deixa Near tão feliz assim, queria poder fazê-lo sentir o mesmo. E isso o deixava confuso e irritado.
Ao dar mais uma mordida na barra, sentiu os braços pequenos e fofos envolver-lhe o corpo, abraçando-o.
– como me encontrou?
Sentiu o garoto rir, seu corpo aquecido contra o seu, como um bichinho pequeno e fofo. Abraçou-o com um braço e com a mão brincou com as mechas brancas.
Após algum tempo, sem resposta, percebeu que o garoto dormira em seu colo. Ótimo, o que faria agora? Parte da culpa era sua, por ficar ali até tarde da noite.
Estava prestes a acordá-lo quando pensou melhor. Para quê interromper essa expressão doce e serena? Colocou o garoto nos braços e carregou de volta para Wammy's House. As pessoas poderiam pensar que são irmãos adotivos ou algo do tipo, olhavam como se fossem a coisa mais fofa do mundo. Um garoto carregando uma bolinha de algodão nos braços, sempre acham Near fofo. E isso o irritava. Não sabia bem o por quê.
Caminhou observando o garoto dormir tranquilamente. Deitou-o na cama dele, e dirigiu-se para sair do quarto. Antes de chegar à porta, pensou melhor.
Aproximou-se de Near e deitou-se ao seu lado. Deu-lhe um beijo na bochecha e puxou-o para perto de si com os braços.
Dormiram assim, juntos, como ele sempre quis.
Não estava mais sozinho.

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