Metro: Equestria
3 Capítulo 2 - "Monstros."
31/12/2098
Eu tinha escapado dos capangas do meu avô e era muito difícil eles terem me seguido por tanto tempo, e agora que eu tinha a faca e uma lanterna, eu já me sentia mais seguro para continuar pelo metrô. Meu objetivo ainda era Solis, mas eu tinha que correr, o aviso que foi transmitido em Prospekt iria chegar nas estações mais próximas em pouco tempo, se já não chegou. Mas mesmo com minha faca, eu paraliso ao ouvir o rugido. Era um rugido bem conhecido, talvez um Nosalises que se perdeu do bando.
Nosalises são os mutantes mais comuns do metrô, conhecidos por serem fracos sozinhos, mas bem perigosos em grupo. Eu abro a porta lentamente, mas eu piso numa garrafa quebrada no chão e eu alerto o Nosalises que estava alí, eu já peguei minha faca e liguei minha lanterna, mas invés de ver um perigoso monstro pronto para atacar, eu vejo um perigoso monstro machucado, provavelmente foi pego por algum pônei solitário e se machucou bastante, nem conseguia se mover.
Um Nosalises machucado é um Nosalises morto, mas eu podia ver em seus olhos que ele estava sofrendo, ele ainda tentava atacar, mas não conseguiu avançar, ele só ficava alí, no canto dele… Eu me senti muito mal pelo pobre animal, então eu segurei ele e o acertei no coração com minha faca. Uma morte limpa e rápida. Logo após esse incidente, eu tomei conta de observar a sala e procurar por qualquer coisa que eu possa usar como uma arma, minha faca era boa mas eu não podia cuidar de um bando de Nosalises sozinho.
Eu ilumino a sala com minha lanterna e me deparo com um corpo, é um corpo um tanto recente, talvez o pônei que atirou no Nosalises… Eu suspeitei que ele tivesse uma arma boa então fui olhar. Eu peguei um filtro para minha máscara e um rifle de assalto com alguns pentes de munição. Logo depois de verificar se havia algo a mais na sala, eu procurei uma saída. Havia uma porta grande de metal meio aberta que eu poderia atravessar, ela iria talvez levar para algum túnel e eu poderia continuar minha jornada.
Eu vou até a porta e a abro, fazendo um barulho bem alto, eu atravesso a porta e me deparo com um túnel, bem como eu pensava, mas logo a frente havia um posto de alguma facção, pelo que eu vi, haviam grandes armas montadas e várias barricadas, mas invés de ver um grupo de pôneis armados, eu vejo vários corpos, todos espalhados pelo posto. Eu chego mais perto com muita calma para verificar o que tinha acontecido, eu não vejo nenhuma marca de tiros, mas sim cortes e arranhões bem profundos, talvez o pônei que eu vi na sala fosse um deles, aliás, ele tinha um uniforme de soldado que nem esses no posto.
Eu aproveito a situação e procuro por munição para minha arma ou alguma armadura que eu possa usar, eu estava usando uma roupa muito fraca que se eu puxasse um pouco ela já rasgava… Então eu vasculhei pelo local, eu olho em todos os lugares, dos corpos até as caixas de munição e armas, pegando tudo que eu posso, até eu ouvir um barulho, pareciam passos, pés andando sobre vidro quebrado e madeira queimada, eu pego minha arma e me escondo atrás de uma pilha de caixas, esperando o pior.
Eu ouço os passos chegando mais perto, eu estava pronto para sacar minha arma, mirar na coisa e atirar, mesmo sendo mutante ou pônei… Eu… Eu ia fazer isso.
“Olá, eu sei que está aí, viajante.” — Uma voz. Era um homem, com certeza.
“Eu… Eu não quero problemas, tudo bem? Eu vou continuar andando e ninguém sai machucado.” — Eu falo, gaguejando e com um ar nervoso.
“Se algo acontecer, você vai ser o primeiro a sair machucado. E se eu quisesse te matar, eu teria te matado naquele barco. Você pode se levantar e dizer o seu nome?” — Ele me pergunta, o que eu iria fazer? Sair atirando? Isso só iria causar problemas.
“Agh… Ok… Eu… Eu to saindo.” — Eu saio do meu esconderijo e ando até o homem com minha arma no chão.
O misterioso pônei era bem… Exótico. Ele tinha uma grande barba branca e um uniforme militar, mas ele não parecia nenhum dos soldados nesse posto.
“Qual é o seu nome?” — Ele me pergunta.
“Meu nome… Meu nome é Andrei Nikolaevich. E você…?” — Eu pergunto para o estranho que parecia muito calmo.
“Olá, Andrei. Meu nome é Bourbon.” — Ele me respondeu.
“Bourbon… Você sabe o que aconteceu aqui?”
“Bem, esses homens são os famosos Nazistas, eles comandavam essa parte do metrô, mas de uma hora para outra, todos morreram, esse posto foi um dos mais afetados pelo ataque.” — Ele me explica.
“Ataque? O que atacou eles? Pelos ferimentos, um mutante ou coisa assim?”
“...” — Ele olha para mim e olha para o meu equipamento. — “Aqui, pegue isso.”
Ele me dá uma espingarda de cano duplo.
“Você não respondeu minha pergunta.” — Eu digo.
“Preste atenção, garoto, isso daqui não foi um simples ataque de mutantes, existem coisas aqui você nem poderia imaginar, então fique com a boca fechada e me siga, irei de levar para um lugar seguro.” — Ele pega sua arma e começa a andar para o túnel. — “Então? Não vai vir?!”
Eu guardo a espingarda nas minhas costas e começo a galopar para o túnel, seguindo Bourbon.
Bourbon era um homem quieto, não gostava de conversar, mas pelo que eu vi, ele tinha bastante experiência aqui, essa é a primeira vez que eu tenho que lutar para sobreviver nos túneis, não estou acostumado então sempre fico atrás de Bourbon caso qualquer coisa aconteça.
“Então, Andrei, o que um pônei jovem que nem você faz sozinho nesses túneis?” — Ele me pergunta.
“Eu fugi da minha estação, sou praticamente um procurado em várias estações.” — Eu suspiro e fecho os olhos. — “Eu descobri que meu avô é um assassino mas isso não caiu bem, já que ele faz parte da “Elite de Prospekt Mira”, sabe…?
Ele dá uma risada e continua a falar.
“Eu já esperava que o assassino era você, mas então, o que esse seu avô fazia? Ele devia fazer algo importante para ter uma influência tão grande assim.”
“Ele… Ele era um pescador, vendia seus peixes para o metrô inteiro, ou pelo menos para quem queria comprar.” — Eu explico. — “E ele acabou fazendo parceria com muita gente… E hoje eu descobri que ele usa carne de pôneis como isca.”
“Caramba, isso sim é trabalho honesto.” — Ele ri. — “Ah… Só Celestia sabe como nós somos imperfeitos. Temos dois tipos de pôneis no metrô, aqueles que são psicopatas e os que estão se tornando psicopatas. Não existe mais gente boa aqui.”
Eu olho para o chão e continuo andando, tendo minha lanterna acesa o tempo todo.
******
Nós já estávamos andando por mais ou menos 2 horas, Bourbon me disse que logo antes da estação, havia um posto de bandidos, ele nunca teve problemas com eles porque ele sempre passava despercebido, mas hoje não era o caso.
“Andrei, Andrei, aqui.” — Bourbon se esconde atrás de uma caixa e eu sigo ele. — “Está vendo aqueles caras?”
Ele aponta para um grupo de bandidos ao redor de uma fogueira.
“Esses caras não são legais, digamos que eu tenho um… Histórico ruim com eles. Não quero que eles nos descubram.” — Ele me diz. — “Quero que você faça o seguinte: Esse posto tem dois guardas que ficam patrulhando, um do lado esquerdo e o do direito. Você pega o do direito e eu pego o da esquerda.”
“Vamos fazer isso ao mesmo tempo, não queremos que ninguém ouça nada.”
“Isso mesmo, garoto, agora vai lá. Vai!”
Eu ando agachado e chego até o lado direito do posto e me escondo atrás de uma parede quebrada, esperando o sinal de Bourbon. Eu pego minha faca e coloco ela na minha boca.
Bourbon do outro lado também está pronto, ele me dá o sinal e nós dois atacamos os guardas, Bourbon mata o guarda do lado dele, mas eu pego a parte de trás da faca e bato muito forte na cabeça do guarda, fazendo com que ele caia desacordado.
Bourbon olha para mim e faz um sinal, mostrando que havia outro guarda vindo, e ele estava do meu lado, então eu me escondo de novo e espero ele chegar, mas antes que eu possa fazer qualquer coisa, eu ouço um grito.
“INTRUSOS! VLAD ESTÁ MORTO!” — O bandido grita, enquanto todos que estava ao lado da fogueira tomassem posições.
Eu desisto de me esconder e me levanto rapidamente, sacando minha espingardar e atirando no pônei, atirando ele uns 3 metros para trás. Logo, eu avanço e me escondo de novo, enquanto Bourbon do outro lado atira nos bandidos que encontra. Eu aproveito a situação e avanço mais, ficando do lado dos bandidos.
Eu estou escondido atrás de uma coluna, eu olho para os lados e vejo uma caixa de explosivos, eu uso minha magia para abrir ela e pego uma granada. Eu tento acender a granada com minha magia e, quando eu consigo, eu jogo ela no meio dos bandidos.
Um barulho muito alto toma conta do posto, uma nuvem de fumaça se espalha e por alguns minutos eu não consigo ver nada, eu saio do meu esconderijo e vou procurar por Bourbon.
“Bourbon!” — Eu grito, vendo se tenho alguma reposta. — “Bourbon! Você está bem?”
Algo agarra minha perna, é Bourbon, ele estava caído e muito machucado, eu coloco ele nas minhas costas e o carrego até a tal estação segura, e o nome dela era Alekseevskaya, a estação mãe da República Lunar. Para entrar nela, tínhamos que passar por um grande portão de ferro.
“Precisamos de ajuda!” — Eu grito, esperando resposta. — “Tenho um pônei ferido!”
O portão se abre lentamente e eu corro para dentro, atrás do portão haviam vários soldados apontando suas armas para nós.
“Quem você são e o que querem?” — Uma voz bem alta falou comigo.
“Eu… Eu sou Andrei, Andrei Nikolaevich e… E esse é Bourbon, nós fomos atacados.” — Quando eu paro de falar, eu noto que muitos dos soldados colocaram suas armas para baixo.
“Bourbon? Esse rato está vivo?” — Eles me perguntam, num tom de brincadeira.
“Sim… Sim, acho que sim, nós fomos atacados no caminho, um grupo grande de bandidos, eu matei todos mas…”
“AH, sim, claro! Podem entrar!” — Um pônei se aproxima, talvez o Comandante daquele posto de segurança.
Se Bourbon não estivesse comigo, eu nunca iria entrar em Aleksee, ainda mais quando eu estou tentando chegar em Solis.
Fale com o autor