Metrô
5 E Tudo Termina Onde Começa
Notas iniciais
Finalmente postando o último cap... Sei que prometi para ontem, mas como era dia do amigo, eu resolvi dar um para meus leitores (amigo da onça, obviamente!) não postando... rsrsrs
Bom, sei que o lemon desse cap não ficou do mesmo tipo que o primeiro, mas está mais focado nos sentimentos, então, não me apedrejem!!
Parando com a encheção de linguiça, vamos ao cap!!
Boa leitura...
Naruto estava parado na plataforma e um sentimento de nostalgia o envolveu, junto com o deslocamento de ar de mais um trem do metrô deixando o local. Fechou os olhos e suspirou.
Há quanto tempo não usava aquele meio de transporte mesmo? Lembrava-se claramente de ter comprado sua tão cobiçada moto exatamente duas semanas depois de conhecer Sasuke, porém na maioria dos dias não a usava, na esperança de voltar a encontrá-lo em um vagão lotado. Passado um mês, essa esperança desvaneceu-se e ele passou a ir com ela ao trabalho diariamente, só utilizando o metrô quando era o mais sensato a fazer, por exemplo, em dias de chuva. Ou quando estava privado de sua moto, como naquele momento, em que a bendita havia apresentado um problema e estava no conserto. Definitivamente havia adquirido trauma de metrô, que foi sumindo, aos poucos, depois que conheceu o ruivo.
Gaara...
Suspirou novamente, mas dessa vez, o ato foi acompanhado de um pequeno sorriso. Era impressionante o poder calmante que o rapaz tinha sobre si. E como se seus pensamentos o chamassem, a voz suave se fez ouvir ao seu lado:
— Desculpe o atraso. O trânsito está pesado, mesmo sendo final de semana.
— Tudo bem. — Envolveu os ombros do rapaz em um abraço rápido e voltou a soltá-lo, olhando em seus olhos carinhosamente. — Obrigado por aceitar ir ao aniversário da Karin. Sei que esse tipo de festa não te agrada.
— Eu não te deixaria na mão. — Gaara disse sério. — Principalmente por que está sem sua moto.
O loiro abaixou a cabeça, sem-graça. Mesmo com todo o apoio do rapaz, não havia conseguido superar sua paixão pelo belo oriental. Ia dizer alguma coisa, talvez se desculpar, mas foi impedido pelo barulho do próximo trem adentrando a estação. Resolveu deixar o assunto morrer, pois sabia que Gaara entendia.
Entraram calmamente, com Naruto falando de assuntos aleatórios, e se sentaram em um banco vago. Os resmungos de um bebê fizeram com que o loiro virasse para trás e visse uma criança de aproximadamente seis meses, claramente japonesa, virada em sua direção, sendo carregada por uma mulher que estava sentada no banco de trás, de costas para ele. Fez uma careta para o bebê e foi retribuído com um sorriso sem dentes, que o encantou. Gaara olhou de relance para o que tanto chamava a atenção de Naruto, mas não fez comentários e ficou em silêncio, apenas admirando a fisionomia feliz do loiro brincando com a criança. Parecia que ele estava, finalmente, superando seus problemas com o metrô.
O barulho de um celular tocando chamou a atenção de ambos e o homem de cabelos longos que estava sentado ao lado da mulher o atendeu.
— Oi, Sasuke. Sim, chegando na estação. Terceiro vagão. Tchau.
As palavras tiveram o poder de congelar completamente o sorriso que Naruto tinha no rosto e fizeram Gaara o olhar preocupado.
Não era possível, era? Não podia ser a mesma pessoa.
Mas... E se fosse? Depois de tanto tempo de buscas infrutíferas, encontrar o moreno, novamente no metrô, como uma infeliz coincidência, quase um ano e meio depois de se conhecerem, parecia uma cruel brincadeira do destino. Quando o período de tempo decorrido passou pela cabeça de Naruto, ele arregalou os olhos, em choque. Aquela criança seria filha de Sasuke? Fazendo as contas, era bem possível. Virou-se para Gaara e percebeu que a mesma coisa lhe ocorreu, pois olhava fixamente a criança, parecendo pensativo.
Sentiu a mão do ruivo segurar a sua, em um gesto mudo de apoio, mas dessa vez não houve conforto com o toque. Sentia o corpo gelado e um medo intenso borbulhar por suas entranhas.
— Fique calmo. — O sussurro de Gaara o acordou do estupor em que havia mergulhado, mas a única coisa em que pensou foi sair dali o quanto antes. Não se sentia preparado para encarar a família feliz. Caso o bebê fosse mesmo filho de Sasuke, sem dúvidas, a mulher que o carregava era a famigerada esposa, Sakura. Tentou se levantar, mas a mão de Gaara na sua o impediu. — Talvez você precise disso para conseguir superar. Espere.
— Gaara... — Murmurou com apelo no olhar, entretanto, não se sentia forte o suficiente para tomar alguma atitude. Quando se deu conta, já estavam parando na estação. A única coisa que conseguiu fazer, foi puxar a touca de sua blusa de moletom alaranjada e cobrir os fios loiros como se, com isso, pudesse ficar invisível. Os dedos de sua mão se entrelaçaram nervosamente com os de Gaara quando as portas se abriram e uns poucos passageiros entraram e saíram. Não olhou no rosto de nenhum deles e afundou-se um pouco no banco, de cabeça baixa.
— Sasuke, querido, aqui! — A voz suave da mulher atrás de si chamou alegremente.
Abaixou ainda mais a cabeça e estava pensando seriamente em esconder o rosto no ombro de Gaara quando viu um par de tênis All Star negros estancarem subitamente no corredor à sua frente.
— Naruto? — A voz parecia um tanto espantada e o loiro levantou lentamente a cabeça, engolindo em seco. Fitou o par de olhos negros que o encaravam chocados e apertou ainda mais a mão de Gaara. O moreno viu o gesto e fechou os olhos. Quando os abriu, pareciam conter uma frieza tão grande que enviou um arrepio à coluna de Naruto. A frase que se seguiu foi tão gélida quanto o olhar. — Há quanto tempo.
— Sasuke... — O nome saiu quase como um sussurro estrangulado. Pigarreou e estava pensando em alguma coisa neutra para dizer, quando a voz da mulher soou novamente.
— Encontrou um conhecido, meu amor?
— Nos apresente seus amigos, Sasuke. — Ouviram novamente a voz do homem de cabelos longos, que pela direção do som, parecia ter virado para trás, no banco.
Antes que o moreno pudesse esboçar mais alguma reação, pois ainda mantinha seu olhar fixamente nas mãos dos rapazes unidas, a mulher se levantou e colocou o bebê em seus braços, logo se sentando no banco à frente de Gaara e Naruto. O rapaz de cabelos longos a acompanhou e empurrou Sasuke para que se sentasse, já que este parecia ter congelado com o bebê no colo, e permaneceu em pé.
Naruto estava completamente paralisado. Definitivamente uma confraternização com a esposa do ex-amante era a última coisa que desejava, mas quando ergueu seus olhos para o rosto sorridente da outra, ficou intrigado. Ela era bela, mas parecia um pouco desgastada. E a semelhança com Sasuke era incrível. A explicação veio logo em seguida, quando ela estendeu a mão para o loiro, dizendo contente:
— Sou Uchiha Mikoto, mãe do Sasuke e este é Itachi, meu filho mais velho.
Naruto arregalou os olhos e demorou um pouco mais do que a educação aconselhava para retribuir o cumprimento, mas recebeu uma cotovelada de Gaara, que soltou sua mão, e se apressou em segurar a da mulher, dizendo:
— Naruto Uzumaki, muito prazer, senhora... Mikoto. — Agora, ao menos sabia o sobrenome do moreno que o cativou em uma noite, mas de que adiantava?
— Oka-san, como pode ainda não ter se acostumado a se apresentar do modo ocidental? Já vive aqui há quase trinta anos! — Disse Itachi, em tom divertido, observando atentamente o irmão e o Uzumaki. Ele, obviamente, tentava deixar o clima menos tenso.
— Oh, é verdade. Mas me parece que ele entendeu muito bem, não é, Naruto? E pode me chamar só de Mikoto. Me sinto muito velha quando me tratam por “senhora”! — Ela finalmente olhou para o ruivo e sua expressão tornou-se estranha, apesar de continuar sorridente. — E você, meu jovem?
— Gaara. É um prazer, Sra. Mikoto.
Dessa vez não houve dúvidas. Ela não pediu que o ruivo a chamasse informalmente e o aperto em sua mão foi breve e frio. O que estava acontecendo, era o que se perguntava Naruto. Será que ela havia antipatizado com Gaara à primeira vista?
— Então, Naruto. — Itachi se pronunciou e tinha no rosto um sorriso que o loiro, definitivamente, classificou como maldoso. — Você e Gaara são namorados há muito tempo?
Naruto abriu a boca para dizer alguma coisa, mas sua voz pareceu presa na garganta. Viu Sasuke e Mikoto o encarando como se também aguardassem a resposta e sentiu-se pressionado. O moreno tinha uma sobrancelha levantada ironicamente e a mãe o olhava com expectativa. Itachi mantinha o mesmo sorriso. Que diabos estava acontecendo ali? Sentia-se atacado pela família Uchiha, mesmo que com educação, e sem motivo aparente. Sua vontade no momento foi sair dali e correr sem olhar para trás.
— Não somos namorados. — A resposta veio de Gaara, pois percebeu que Naruto tinha, aparentemente, perdido o dom da fala.
— Amantes? Noivos? Casados? — Dessa vez o ataque partiu diretamente de Sasuke, que não conseguiu esconder a hostilidade, ao quebrar o silêncio em que havia caído desde que sua mãe e irmão se juntaram a eles. — Por que eu, definitivamente, os vi de mãos dadas quando entrei!
Acuado. Foi como Naruto percebeu que estava ao ser encarado pelos quatro orientais, – sim quatro, por que até o bebê parecia estar com a mesma expressão – todos com uma sobrancelha erguida e acusadoramente, como se houvessem ensaiado. E, como qualquer animal, racional ou irracional, que se sente acuado ataca, foi o que fez.
— Por que eu não poderia segurar a mão de um amigo? Nem todos têm uma esposa em casa para nos dar apoio quando precisamos, sabe? Por falar nisso, como vai a Sakura? — Perguntou rápido, com um sorriso que ninguém conseguiria ver de outra forma, a não ser, desafiador.
Mais uma vez, como se fosse ensaiado, as sobrancelhas dos Uchiha se moveram, com a que permanecia abaixada fazendo companhia à outra, dando uma expressão de espanto para aqueles rostos bonitos. Foi até engraçado, mas Naruto não se sentia com o humor necessário para apreciar aquele espetáculo. E foi, ainda irritado, que viu os outros olharem para Sasuke indagativamente.
Gaara parecia uma estátua ao seu lado, como se assistisse a um filme interessante, com um pequeno sorriso no rosto. Se houvesse pipoca ali, com certeza estaria degustando-o. Naruto o olhou, levemente irritado por sua falta de apoio.
— Como sabe sobre a Sakura? — Sasuke perguntou calmamente, com a voz e a face neutras, diferente de antes, porém sua expressão corporal demonstrava tensão. Mikoto tirou a criança de seus braços, antes que a pobre criatura fosse esmagada entre as mãos crispadas.
— Eu ouvi sua conversa com Itachi no...
— Naruto. — Interrompeu Gaara. Ele parecia ciente do que estava acontecendo com a família, mesmo o loiro não entendendo o motivo de tamanha agressividade. — Acho que você deveria conversar com Sasuke e esclarecer tudo. — O loiro abriu a boca para retrucar, mas foi impedido. — A sós.
Todos agora encaravam o ruivo como se ele tivesse dito para Naruto se jogar do trem em movimento.
— Mas o que...? — Começou Naruto.
— Acho que está bem claro que todos aqui sabem sobre você e Sasuke e o culpam por isso. — Olhos se arregalaram diante da afirmação. Negros e azuis. — Vá resolver essa história de uma vez por todas. — Ele encarou diretamente os olhos do amigo, segurando-o pelos ombros. — Hora de acabar com seu sofrimento, loiro!
Naruto fechou os olhos e respirou fundo. Estava se comportando como um verdadeiro idiota covarde frente a Sasuke e sua família. Depois de tanto tempo pensando no moreno e imaginando como seria a conversa que porventura tivessem, caso o encontrasse, estava sendo patético. Abriu os olhos novamente e nestes havia um brilho de determinação que fez Gaara sorrir.
— Você está certo.
— Esse é o Naruto que eu conheço. Agora, vai logo, antes que o Uchiha se recupere do choque e recuse!
Mikoto e Itachi deram sorrisos característicos em apoio às palavras de Gaara; o de Mikoto aberto e alegre e de Itachi torto e pequeno, mas ambos sinceros.
Naruto bateu as mãos nos joelhos e no mesmo movimento se levantou, decidido, estendendo a mão para Sasuke, que permanecia de olhos arregalados, aparentemente sem conseguir acreditar no que acontecia.
— Sasuke... Precisamos mesmo conversar. — Abriu um sorriso sincero, pela primeira vez desde que o moreno havia entrado ali. E insistiu, quando não viu reação por parte do outro: — Me acompanha?
— Sasuke, vai logo antes que eu te tire daqui no tapa! — Mikoto ralhou, dando um peteleco na têmpora do filho, mas logo se virou para Gaara, como se a frieza anterior fosse nada mais que uma ilusão. — Então... Gaara, não é? Me diga, por que esse nome?
Sem mais prestar atenção às palavras trocadas pelos outros três, Naruto segurou com firmeza a mão que Sasuke levantou devagar, parecendo estar em um estado semi-catatônico, e o puxou para que fossem até o fundo do vagão, onde se encostaram ao lado da porta, frente a frente. Mesmo não querendo, Naruto tentou soltar a mão do moreno, mas este apertou os dedos automaticamente. Erguendo os olhos, que até então permaneciam baixos, o loiro fitou o rosto do homem que tinha o poder de fazê-lo tremer como uma menininha frente ao seu primeiro amor, e percebeu estar sendo encarado com temor. Mas por que temor? Não conseguiu se conter e levantou a mão que estava livre para acariciar a face perfeita.
Sasuke fechou os olhos e segurou a mão que tocava seu rosto, voltando a abrir os olhos, que dessa vez transmitiam um sentimento difícil de identificar.
— É tão bom te ver de novo. — O moreno disse, com a voz rouca. — Te tocar... Por favor, não desapareça novamente. Eu... preciso de você!
— Eu digo o mesmo. — Tinha um pequeno sorriso nos lábios e sentiu seu coração se aquecer com aquelas palavras, entretanto, o sorriso se desfez antes de perguntar, sério: — E sua esposa? E seu filho? Não tenho temperamento para ser “o outro”...
Um pequeno sorriso nasceu no rosto de Sasuke, pela primeira vez desde que entrou naquele trem.
— Eu nunca me casei, Naruto. E o bebê é do Itachi.
— Mas naquele dia você... Depois de tudo o que aconteceu entre nós... Eu te ouvi dizendo que era claro que iria se casar! — A mágoa estava evidente em seu timbre que, apesar de tudo, era baixo. Tinha vontade de gritar até perder a voz e espernear de raiva por tudo o que passou, e agradeceu a todas as entidades divinas por estarem tendo aquele diálogo em um local público, o que o impedia de dar tal show. Já bastava o papel ridículo que fez antes, sem ao menos conseguir falar.
— Dobe... — Sasuke sorriu quando viu a expressão emburrada de Naruto quando o chamou assim, e levantou suas mãos entrelaçadas para tocar suavemente o bico que o outro fazia com a ponta do indicador. — O que esperava que eu fizesse? Você estava ali, do outro lado da porta, e logo teríamos que nos despedir para ir ao trabalho... Era mais fácil dizer aquilo, para me livrar logo de Itachi e voltar para você, do que tentar explicar, naquela hora, o que havia acontecido. Achei que seria melhor contar a ele depois, quando estivéssemos cara a cara. Não pense que você foi só um caso sem importância. Naquela noite você foi muito mais do que eu imaginava que uma paixão poderia ser. Nunca havia sentido aquilo em minha vida e... Droga, Naruto! Não estou acostumado a falar tanto assim...
Sasuke abaixou a cabeça e fechou os olhos, levemente corado pela declaração que escapou quase sem perceber. E o loiro viu que o sentimento que carregava não era algo unilateral, afinal de contas. Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto.
— Sasuke... — Disse o nome feliz, com os olhos fechados.
— Não chora, idiota. — A voz do moreno saiu trêmula e Naruto abriu os olhos para ver que os negros também se encontravam marejados, apesar de toda a força que Sasuke fazia para se controlar.
Esquecendo-se completamente de onde estavam e quem poderia presenciar seu ato, puxou suavemente o cabelo que emoldurava o rosto do moreno, com a mão que em momento nenhum havia deixado seu rosto, e o beijou. Um beijo cheio de saudade e sentimento, molhado devido às lágrimas que agora escorriam pela face de ambos. Finalizaram o toque lentamente, ainda trocando selinhos molhados e só se lembraram que existia um mundo à volta deles quando ouviram uma exclamação alta o suficiente para chamar a atenção de todas as pessoas que estavam no vagão:
— Mas que pouca vergonha! — A voz fanha e afetada pertencia a uma senhora bem vestida, de aparência aristocrática, que havia acabado de entrar no trem, pela mesma porta à qual estavam próximos. Era fungou orgulhosamente, antes de completar para quem quisesse ouvir: — Isso é nojento!
Ao contrário do que ela, aparentemente, esperava, suas palavras não foram saudadas por uma rodada de aplausos. Ela olhou em volta com a cabeça erguida e percebeu os olhares de nojo e algumas pessoas tentando conter o riso. Mas estes não eram dirigidos a Sasuke e Naruto que, estranhamente, também tinham uma expressão de nojo e a olhavam diretamente no rosto. As portas se fecharam às suas costas e então a voz de Itachi, também alta o suficiente para ser ouvida por todos, ecoou:
— Sabe o que é nojento de verdade, senhora? Essa meleca enorme pendendo de seu nariz... Da próxima vez em que estiver resfriada, melhor se lembrar de não fungar assim. É um perigo!
Risadas soaram por todos os lados. A mulher levou rapidamente um lenço, que tinha em mãos, ao rosto e seguiu seu caminho, humilhada, até se acomodar exatamente na outra extremidade do vagão.
Em voz baixa e ainda rindo, Naruto comentou com Sasuke:
— Sabe? Acho que estou começando a ter medo do seu irmão!
— Não se preocupe. Ele pode ser assustador quando quer, mas é uma boa pessoa. — Sasuke sorriu de lado, agora lembrando mais o moreno que encantou Naruto em poucas horas. — Ele não perderia a oportunidade de fazer isso com uma pessoa homofóbica. E parece que ele e Gaara estão se dando bem... — Completou, acenando com a cabeça para os dois, que agora estavam sentados lado a lado, com o ruivo segurando o bebê desajeitadamente, como se fosse uma bomba prestes a explodir. Mikoto ria, tentando ensiná-lo a como fazer isso e Itachi tinha um pequeno sorriso no rosto, fitando os cabelos chamativos, parecendo fascinado.
— Hein? Ele é...? — Naruto viu Sasuke afirmar minimamente com a cabeça. — Mas... Mas... E o filho?
— Oh, isso... Itachi é bissexual. A gravidez da garota foi um acidente. Pelo menos é o que ele disse à oka-san, mas acho que foi proposital. Ele sempre quis ser pai.
Naruto observou a cena e viu Gaara corar intensamente com algum comentário feito por Itachi e sorrir de lado, como era raro de ver com qualquer pessoa. Mikoto virou o rosto, sorrindo de leve e parecendo divertida, fosse lá pelo que fosse que ouviu de seu filho. Ficou esperançoso e feliz pelo amigo. Quem sabe ele não pudesse encontrar tudo o que ele próprio conseguiu com Sasuke, no Uchiha mais velho? E esse pensamento levou a outro, que o fez lembrar-se de uma coisa que queria perguntar ao moreno.
— Sasuke, por que Itachi e sua mãe agiram daquela maneira tão... estranha quando nos apresentamos? O que eles sabem sobre nós dois?
— Tudo. — Disse o moreno simplesmente, o que fez Naruto arregalar os olhos. — Não todos os detalhes, dobe!
— Teme...
— Bem, eu tinha que dar alguma explicação à minha família quando cancelei o casamento duas semanas antes da cerimônia, não é? Mesmo meu pai entendeu. Acho que ele já estava conformado pelo fato de Itachi ter... er... saído do armário? — Perguntou duvidoso.
— Serve, eu acho... — Respondeu Naruto com um sorriso divertido.
— Pois é... Saído do armário bem antes. Infelizmente ele não viveu o suficiente para conhecer você...
— Sasuke, sinto muito! — O loiro abraçou Sasuke, abalado pela revelação. — Eu queria ter estado ao seu lado...
— Está tudo bem. Pelo menos ele morreu feliz, sabendo que a família Uchiha teve um herdeiro.
Outra vez estavam tão absorvidos em seu mundinho particular, que foram arrancados dele com um susto, quando a voz de Itachi foi ouvida bem ao lado dos dois:
— Sasuke, vamos descer. Não se preocupe, diremos à família de Hiashi que você tinha coisas importantes a fazer. — Ele virou-se para Naruto e deu uma piscada marota. — E você loiro, cuide bem do meu irmãozinho. Assim como cuidarei do seu amigo.
— Hein? Gaara? — Naruto olhou para o ruivo, que estava sério como sempre, mas levemente corado.
— Vou acompanhar Itachi e Mikoto na visita que farão. Nos vemos depois, Naruto.
— Er... Certo! — Estava realmente espantado. Depois que conheceu Gaara melhor, percebeu que ele era extremamente fechado e que não gostava de muitas interações sociais, mas parecia estar abrindo mão de seus princípios para acompanhar Itachi. — Tchau!
Quando a porta se abriu, Naruto tocou com carinho a mão do bebê, que agora estava no colo do pai, mordendo seu ombro e sorriu animadamente para Mikoto, que acenava contente.
— Juízo, vocês dois!
— Pode deixar! — Conseguiu exclamar ainda, antes da porta se fechar, voltando-se, então, para Sasuke. — E agora, o que faremos?
Não obteve resposta, pois o moreno olhava atentamente por cima de seu ombro com um sorriso matreiro nos lábios finos. Naruto, imaginando para o que ele estava olhando, levantou a vista e verificou qual seria a próxima estação, acabando por sorrir da mesma forma que Sasuke.
— Eu sei que não é o melhor lugar do mundo, mas... — O moreno começou.
— É. Mas é perfeito.
Desceram quase correndo quando o metrô abriu suas portas e seguiram apressados para o destino escolhido por ambos. Dessa vez seguiram diretamente até o pequeno e discreto prédio, entrando sem hesitar. O mesmo motel da primeira e única – pelo menos até aquele momento – noite de amor dos dois. Por um acordo mútuo, pediram também o mesmo quarto.
Ao adentrarem aquele ambiente que tão bem lembravam, perceberam que nada havia mudado. Sorriram nostálgicos. Sasuke abraçou o loiro e o encostou na porta, beijando-o. Eles não tinham pressa, afinal, agora teriam todo o tempo que quisessem para construir novas lembranças juntos.
O moreno beijou-o com tanto sentimento que Naruto sentiu-se a pessoa mais amada do mundo. A língua de Sasuke passeava vagarosa por sua boca e mordidas suaves eram dadas nos lábios. Ele parecia querer assimilar sua essência e decorar cada milímetro que pudesse alcançar. O loiro retribuía com paixão e entrega, tentando transmitir seus sentimentos em cada toque. Mesmo que a palavra “amor” não houvesse sido pronunciada em sua conversa anterior, ela estava presente em cada gesto ou olhar, e isso era o mais importante. Naruto sabia, podia sentir com cada célula que possuía, que era amado na mesma intensidade.
Ele desencostou-se da porta e levou Sasuke até a cama, sem separar os lábios. Deitou-o lentamente e acomodou-se por cima de seu corpo. Vagarosamente, suas bocas se separaram, relutantes, e o loiro deslizou os lábios pelo maxilar e rosto do moreno, até alcançar o pescoço. Aspirou profundamente o perfume que tanto lhe fez falta, antes de abaixar a gola alta da blusa de lã fina e sugar a carne com volúpia.
— Naruto... — Sasuke sussurrou, como se quisesse apenas provar o sabor do nome ao escorregar por seus lábios.
— Ah, Sasuke! Como eu senti sua falta... — O loiro apoiou-se em um cotovelo e encarou os olhos negros. Sentiu que podia se perder naquele olhar, nunca mais se encontrar e, ainda assim, estaria feliz.
— Eu também... — Ele levantou a mão a acariciou o rosto de Naruto suavemente. Ficou uns instantes observando os olhos azuis, mas logo o empurrou com a mesma mão que o afagava, dizendo autoritário: — Agora, vai pedir a droga do lubrificante. Não quero parar nada no meio para fazer isso!
— Sim, alteza! — respondeu Naruto, brincalhão.
Ele foi até o telefone, mas em momento nenhum tirou os olhos do moreno. Sasuke também o encarava, de cabeça para baixo, já que o telefone ficava próximo à cabeceira e ele estava na outra ponta da cama, com as pernas para fora. Naruto estendeu a mão e o amante a segurou, entrelaçando os dedos.
Depois de feito o pedido, voltou até o moreno, engatinhando pela cama e parou com o rosto acima do dele, esfregando o nariz lentamente contra o do rapaz, antes de depositar um beijo singelo em sua boca. Cada um continuava virado para um lado diferente da cama, o que deu ideias a Naruto. Ele tateou até a barra da blusa de Sasuke e a levantou, expondo o abdômen de músculos levemente definidos. Desceu o rosto lentamente naquela direção, beijando o queixo e o pescoço do moreno, parando por um momento nos mamilos e os sugando com volúpia.
Sasuke suspirava, extasiado e colocou as mãos por dentro da camiseta do loiro, tocando o abdômen com tanta suavidade que parecia uma pluma.
Aquele toque fantasma teve o poder de arrepiar Naruto por inteiro. Ele contraiu os músculos da barriga involuntariamente e voltou a descer, com lambidas, pelo corpo do moreno. Suas mãos foram até o fecho da calça jeans preta que Sasuke usava e a abriu rapidamente, contudo não foi além. Atacou com mordidas e chupadas rápidas a lateral do abdômen, mas parou quando teve seus cabelos puxados e uma risada abafada escapou dos lábios do moreno.
— Isso faz cócegas, idiota!
— Cócegas, hum? — Ele olhou de relance para o rosto sorridente e corado de Sasuke e, sorrateiramente, enfiou a mão por dentro da boxer preta que este usava, segurando o pênis semirrígido e massageando lentamente. — E se eu fizesse isso, aqui?
— Hum... — O moreno fechou os olhos e mordeu o lábio inferior, ainda sorrindo. — Acho que cócegas seria a última coisa que eu sentiria... Mas podemos tirar a prova, que tal? — Dizendo isso, colocou as mãos nas nádegas de Naruto e trouxe seu corpo até próximo do rosto. Passou os lábios e o nariz na região da virilha e deu um rápido beijo sobre o volume que já se formava ali.
Naruto suspirou baixinho e, sem esperar segunda ordem, tirou o pênis, agora totalmente ereto, de Sasuke do confinamento da roupa íntima e o colocou na boca sem hesitar. Sugou com toda a vontade e gemeu alto. Sentir aquele sabor novamente era tudo o que seu corpo mais pediu durante o último ano e meio. Foi derrubado de lado na cama e os dedos ágeis do moreno abriram sua roupa. Deslizou as mãos dos joelhos até as nádegas do rapaz quando percebeu a respiração forte sobre seu próprio pênis e a cabeça morena descansar sobre sua perna, que estava apoiada na cama, enquanto a outra era puxada para ficar sobre ela. A língua morna de Sasuke moveu-se por toda a extensão de seu órgão rígido circularmente e então também o colocou na boca, chupando forte.
As mãos passeavam sobre os corpos, ainda vestidos, enquanto eles praticamente se devoravam. Os movimentos eram rápidos e quase erráticos, tamanha a ânsia de sentir e dar prazer um ao outro. Gemidos se espalhavam pelo ar e levavam ainda mais desejo ao parceiro quando eram abafados pelos pênis, que pareciam querer explodir em prazer a cada instante.
Sasuke tinha as mãos fortemente agarradas às coxas do amante, tentando trazê-lo cada vez mais perto, mesmo sabendo não ser possível. Naruto, por sua vez, abraçava os quadris do rapaz, e uma das mãos se infiltrou lentamente pela calça que ainda o protegia, até alcançar as nádegas firmes e arredondadas. Ouviu um gemido alto e desejoso, que espalhou vibrações prazerosas por todo o seu corpo, quando atingiu seu objetivo e um dedo atrevido acariciou o ânus do moreno.
Por alguns momentos, Sasuke ainda tentou continuar o oral que aplicava no companheiro, mas a respiração desregulada e o desejo imenso que os toques de Naruto proporcionavam, tornava impossível prosseguir. Ele deitou a cabeça na perna do loiro, de olhos cerrados, a boca entreaberta para auxiliar na sucção ruidosa do ar, o rosto corado lascivamente. Uma das mãos ainda acariciava o loiro, mas a fraqueza que o tomava fazia de seus movimentos fracos e desajeitados. Conseguia apenas sussurrar o nome do amante entrecortadamente.
O loiro, mesmo não tendo a carícia anterior para estimulá-lo, sentia-se esquentar cada vez mais. Havia se esquecido de como dar prazer ao moreno era excitante, aumentando exponencialmente o seu próprio. Ouvi-lo sussurrar seu nome de maneira tão erótica parecia ter o poder de fazê-lo alcançar o orgasmo sem sequer ser tocado. Parou por um momento a sucção para regularizar a respiração e aproveitou para dizer, ofegante:
— Eu te quero tanto, Sasuke!
Assustou-se quando foi puxado com força pela gola da camisa e foi praticamente arrastado até ficar com o rosto frente a frente com o do moreno.
— Então faz amor comigo. Agora! Eu quero te sentir dentro de mim...
Sasuke exalava sensualidade por todos os poros quando olhou diretamente nos olhos azuis. Naruto viu aquela face desfigurada pelo desejo e tomou seus lábios num beijo intenso, sentindo a respiração do amante escapar em arfadas falhas, sequer conseguindo devolver o contato lascivo. O loiro sentiu uma mordida dolorosa no lábio inferior, o que parecia ser a única coisa que o moreno era capaz de fazer no momento. Enfiou a língua pelos lábios entreabertos enquanto se livrava das calças que pendiam frouxas nos corpos de ambos e separou-se apenas para retirar as blusas rapidamente, voltando então a se deitar sobre o outro, extasiando-se com o encontro de cada centímetro de pele.
Uma emoção forte tomou conta de seu coração nessa hora, fazendo seus olhos se encherem de lágrimas. Pressionou mais seu corpo de encontro ao outro, mexendo-se ligeiramente, simulando os movimentos do coito e foi recompensado pelo gemido alto que escapou pelos lábios de Sasuke, que o abraçou forte, com braços e pernas, e sugou a pele de seu pescoço.
— Sasuke! — Ofegou, parecendo quase choroso.
— Naruto... Agora... Por favor!
A súplica, em voz trêmula, o fez erguer o rosto e fitar os olhos negros e ver que também estavam marejados. Mesmo sem querer se separar por um segundo sequer do outro, levantou-se rapidamente e foi até a portinha estrategicamente colocada na parede pegar o lubrificante que, obviamente, já estava lá, mesmo nenhum dos dois tendo percebido sua entrega. Voltou o mais rápido que seu corpo permitia e se jogou sobre o moreno, que imediatamente enlaçou as pernas em volta de seus quadris e o puxou pelos cabelos para um beijo apaixonado. Rasgou, impaciente, a embalagem que tinha em mãos e o líquido transparente e viscoso espalhou-se por seus dedos, e os levou imediatamente até as nádegas de Sasuke, que levantou os quadris para facilitar o movimento. Lubrificou a área com carinho, sentindo seus dedos serem massageados deliciosamente, enquanto o moreno gemia sôfrego.
Sasuke movimentou os quadris, tentando expulsar os dedos que o acariciavam. Queria bem mais que aquilo.
— Você ainda não... — Naruto foi interrompido.
— Vem! — Não era um pedido.
Sem protestar mais, Naruto espalhou o que restava do lubrificante em seu pênis e começou a penetrá-lo lentamente. Sasuke agarrou-se aos seus ombros e enterrou o rosto em seu pescoço, respirando forte. O loiro foi até o fim e parou, apertando os olhos para conter o orgasmo que quase o tomou, apenas por estar novamente dentro de Sasuke. Via explosões coloridas sob as pálpebras cerradas e seu corpo foi invadido por um calor quase insuportável. A respiração acelerou-se e ele tentou controlá-la, sem muito sucesso. O moreno apertou as pernas em volta de seu corpo, tentando puxá-lo para mais perto. Afastou os quadris lentamente e voltou a penetrá-lo com suavidade, mas indo o mais fundo que conseguia e pressionando a virilha, como se assim pudesse invadir mais o corpo do companheiro. Sua vontade era assimilar até mesmo a alma de Sasuke dentro de si, para se sentir completo. O gemido satisfeito do moreno ecoou o seu próprio.
— Sasuke! Eu... — Parou para olhá-lo nos olhos.
Não terminou o que pretendia dizer, mas não era necessário. Sasuke acariciou os cabelos loiros e o puxou para um beijo que deixava claro os sentimentos de ambos. A penetração continuou lenta e profunda, sem que nenhum dos dois tivesse vontade de ter mais do que aquilo no momento. Era como se nunca fossem conseguir atingir o orgasmo daquela forma, mas não se importavam. O melhor era estarem juntos, sentindo-se completos. O prazer era consequência.
Depois de vários minutos de movimentos lentos, toques carinhosos e beijos sedentos, Naruto puxou Sasuke para que ficasse em seu colo, e o moreno começou a cavalgá-lo sem hesitação. De olhos fechados e com a cabeça jogada para trás, subia e descia cadenciadamente. O loiro aproveitou aquela posição para sugar seus mamilos, começando delicadamente, mas conforme os gemidos desejosos de Sasuke foram aumentando, a força aplicada na carícia também aumentava. Gradativamente o sobe-e-desce também foi se acelerando, fazendo-os agarrarem-se com mais força um ao outro.
Naruto sentia o orgasmo se aproximando e decidiu que dessa vez seria ele a ter o moreno dentro de si quando isso acontecesse. Segurou forte os quadris de Sasuke, impedindo-o de continuar se movendo e o fez levantar-se. O olhar confuso do rapaz se desfez quando o loiro virou-se de costas e o puxou para que o abraçasse, encaixando as nádegas em sua virilha, ambos ajoelhados.
— Hum... — O moreno gemeu e pôs-se a sugar o pescoço de Naruto, quando este abaixou-se ligeiramente para pegar a outra embalagem de lubrificante próxima aos pés da cama.
— Minha vez... — Naruto sussurrou, enquanto derramava o líquido em uma das mãos do amante. — E não precisa se preocupar em me machucar. — Olhou desejoso por cima do ombro, até encarar os olhos negros, levemente apertados. Era óbvio que Sasuke estava com ciúmes e isso fez nascer um sorriso envergonhado no rosto do loiro, que o puxou pelos cabelos até alcançar seu ouvido e dizer baixinho: — Ainda hoje de manhã eu me masturbei pensando em você. Eu sempre te imagino dentro de mim. Não se preocupe, eu nunca me entreguei pra outra pessoa... Sou todo seu.
— Naruto! — A voz enrouquecida de Sasuke soou emocionada com o que ouviu. Ele espalhou o líquido que tinha em mãos rapidamente sobre o próprio pênis e o penetrou de uma vez só, arrancando um gemido alto e sofrido do loiro. — Desculpe! Acho que fui muito rápido...
— Tudo bem. — Naruto respondeu ofegante. Apesar da dor forte com o ato repentino, sentir-se preenchido novamente por Sasuke, depois de tanto tempo, o fazia delirar. A ardência o fez lembrar-se da primeira vez dos dois e sorriu.
— Eu também sou só seu, meu loiro. — O moreno disse, abraçando o corpo do outro e o puxando para um beijo intenso.
Naruto começou a balançar os quadris para trás e para frente, querendo sentir cada estocada lenta, cada centímetro do pênis de Sasuke entrando e saindo de seu corpo. Era incrível senti-lo estimulando essa área sensível como se fosse a primeira vez. Independente do prazer que sentia quando se penetrava com os dedos imaginando ser o outro, tê-lo de verdade era inigualável.
Movimentou-se mais rápido, acompanhado por Sasuke, que o segurou pelos quadris e aumentou o ritmo das estocadas. Sentia gemidos e palavras ininteligíveis para si mesmo escaparem por sua garganta e levou a mão ao próprio pênis, para aumentar o prazer, mas esta logo foi afastada, sendo substituída pela do moreno, que o tocava quase com reverência. Sabia que poderia gozar a qualquer momento, então colocou as mãos nas nádegas de Sasuke, dando impulso maior ao movimento que faziam.
Suor escorria pelos rostos e costas de ambos, mas isso pouco importava para eles.
A mão que Sasuke ainda mantinha no quadril do loiro subiu pelo abdômen deste e começou a cariciar um dos mamilos enrijecidos. Naruto sentiu aquele toque como se fosse a gota d’água para, enfim, alcançar o prazer extremo. Sentiu os espasmos se espalharem por seu corpo como ondas de um tsunami; fortes e devastadoras, apagando qualquer coisa que as impedissem de prosseguir. O gemido alto que indicava o gozo escapou por entre seus lábios quando jatos de esperma espalhavam-se pela mão que o masturbava e pela cama.
Sentindo o orgasmo do companheiro, o moreno abaixou a cabeça e se impulsionou com mais força, também consumido pelos choques de prazer que se espalhavam por seus membros, dirigindo-se numa velocidade alucinante até sua virilha. Sequer pensou em se retirar de dentro do loiro. Queria que um pouco de si entrasse naquele corpo e contaminasse cada célula com seu amor, para que nunca mais se separassem. Fechou os olhos, jogando a cabeça para trás e sua mente foi totalmente tomada por imagens dos dois juntos, como se não fosse apenas a segunda vez em que se encontravam, mas sim um reencontro planejado pelo destino desde o início dos tempos.
Deixaram-se cair na cama, Sasuke ligeiramente por cima de Naruto e fecharam os olhos.
Sentiam-se inteiros.
Naruto sequer cogitou a possibilidade de adormecer, mas seu corpo teve outras ideias, pois quando abriu os olhos novamente, estava acomodado confortavelmente entre os braços de Sasuke, ambos devidamente sobre os travesseiros, sentindo um gostoso cafuné.
— Hum... Acabei pegando no sono. — A voz estava rouca, mas feliz. — Desculpe.
— Tudo bem. — Sasuke beijou o topo da cabeça de fios loiros, que descansava sobre seu peito. — Acho que a tensão de hoje cansou nós dois...
Ficaram mais algum tempo em um silêncio confortável, que foi quebrado, mais uma vez, por Naruto:
— Enfim, tudo termina onde começou, não é?
Assustou-se ao sentir seus cabelos sendo puxados para encarar o moreno, que estava nitidamente irritado com aquelas palavras. Perguntou-se o que teria dito de errado.
— Nunca mais diga isso! — O tom de Sasuke fez um calafrio subir pela coluna do loiro. — Você está proibido de usar o verbo “terminar”, ou qualquer variante, como “acabar”, “separar” ou mesmo “deixar” quando se referir a nós dois, entendeu?
Naruto quase riu ao ver a expressão raivosa se Sasuke. Aquelas palavras trouxeram uma alegria enorme e o aqueceram por dentro, mesmo pensado que o rapaz conseguia ser intimidante quando desejava. Decidiu provocar um pouco.
— Discordo. Vou usar essas palavras o quanto eu quiser, sabe? — Sentiu um puxão nos cabelos e o ar que os circundava pareceu ficar mais pesado pela raiva do amante, mas não se importou. Deu um leve beijo na boca crispada e continuou: — Meu sofrimento finalmente terminou. — Deu mais um beijo, vendo que agora apenas as sobrancelhas de Sasuke estavam contraídas. — Vou acabar com a sua solidão. — Deu mais um beijo. — Nós nunca mais vamos nos separar. — A boca do moreno tinha um pequeno sorriso agora. — E eu nunca mais vou deixar nada ficar entre nós!
— Tudo bem. Mas só pode usar dessa forma! — Disse Sasuke, sorrindo torto e beijando Naruto sofregamente. — Você é meu, e eu nunca vou te deixar escapar.
Sorrindo satisfeito, Naruto voltou a deitar a cabeça sobre o peito de Sasuke e pensou que devia muito a Gaara. Lembrar-se do amigo o fez ficar um pouco preocupado.
— Sasuke?
— Hum?
— Seu irmão não seria capaz de magoar o Gaara, seria?
— Por que pergunta isso? — Sasuke se ajeitou na cama e deitou virado de frente para Naruto, olhando-o nos olhos.
— Gaara é complicado. Ele sofreu muito e ergueu uma muralha em volta de si mesmo para se proteger. Não acho que isso seja bom, mas pelo menos o impede de voltar a se machucar. Acho que eu seria capaz de quebrar a cara do Itachi se ele brincasse com o meu amigo.
— Não se preocupe. Itachi leva os sentimentos muito a sério. — O moreno sorriu e acariciou o rosto de Naruto. — E ele é especialista em pessoas complicadas. Mas, mudando um pouco de assunto, quando vou conhecer sua família? Você já conheceu a minha, então...
— Meus pais também sabem sobre você. — Naruto sorriu. — Mas eu acho melhor conversar com minha mãe e contar tudo o que aconteceu hoje antes de te apresentar a ela. Dona Kushina poderia arrancar sua cabeça se você aparecer na frente dela antes disso...
Os olhos de Sasuke se arregalaram levemente.
— Por quê?
— Superproteção. — O loiro levantou uma sobrancelha. — O mesmo que a sua família, suponho.
— Ah, sim. — Riu, constrangido. — Quando me ouviram dizer seu nome no metrô, agiram imediatamente, como esperado. Desculpe por aquilo.
— Tudo bem. Até que foi engraçado. — Naruto meneou a cabeça, sorrindo. Agora podia apreciar devidamente o quão hilária foi aquela situação. — Mas vamos parar de falar em nossas famílias, por enquanto? Teremos muito tempo para isso... — Puxou o corpo de Sasuke para colar-se ao seu e, antes de voltar a beijá-lo, sussurrou: — Ainda não matei minha vontade de você.
— Hum...
Realmente a vida podia ser entranha, mas reservava muitas surpresas agradáveis. Antes de se entregar completamente aos sentimentos e sensações, Naruto se perguntou se, caso eles não houvessem ficado tanto tempo separados, teriam tamanha certeza de quererem ficar juntos para o resto de suas vidas.
Quem poderia ter certeza?
FIM (Ou apenas o começo....)
Notas finais
Aguardo suas sinceras opiniões sobre isso.
E ai, gostaram do par que eu arrumei para o Gaara? Acho que nessa fic calhou bem, apesar de ficar apenas subentendido.
E como prometido, nem sinal da Chatura!!!
Obrigado a todos os que acompanharam essa fic, e aos que comentaram principalmente!!
Bjos e até a próxima!!!!!!!!
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