Meteor
1 Capítulo 1
LYAN
De repente, tudo começou a girar, era como se o mundo fosse uma bailarina, rodopiando em torno de Lyan. Tentou se levantar novamente até que desistiu; já não havia mais forças em seus braços que ainda não haviam se recuperado.– É melhor não se esforçar muito, não vai lhe fazer bem. — Disseste afinal, uma enfermeira que vinha em sua direção carregando uma bandeja com o café da manhã para Lyan.–Eu... eu ainda não consigo me lembrar. — queixou-se ele.– Talvez seja porque você acabou de acordar de um coma de 5 dias, não? Até porque, não é todo dia que se é atingido por um meteoro quando se está dentro de um Ônibus. Mas venha, você precisa se alimentar, é o mais importante para você agora, precisa repor suas energias, meu querido. Sua família virá para a visita hoje a noite. — Um pingo de euforia e ansiedade percorreu pelo corpo de Lyan, abriu a boca para falar algo, mas logo hesitou. A enfermaria se pôs a ajudá-lo a ficar sentado, colocando a bandeja sob suas pernas. — Consegue sozinho?– Não estou com fome. — rebateu.– Consegue sozinho? — repetiu.– Sim, eu consigo. — disse, enfim.– É, eu sei que sim. — suspirou, ajeitando os lençóis aos pés de Lyan. — Volto em alguns minutos.– Espere...– O quê foi?– Eles, Trevor e Ashley... Os outros que estavam no ônibus, já acordaram? – Não, você foi o primeiro, ou talvez o único. — A enfermaria deu um leve sorriso de canto, como se ela gostasse daquilo e se sentisse bem com a situação.Acenou e fechou a porta, um leve e rangido banque que ecoou pelo quarto ermo. Lyan olhou para a janela entre-aberta de seu quarto, uma grande e vistosa águia sobrevoava ao longe, rodopiando sobre um pico de uma grande árvore. De repente, a águia pairou sobre a árvore, e ficou ali, imóvel, como se fosse uma estátua com se olhar desafiador, curiosamente obersanvando Lyan como se, a qualquer momento, a sua boca se mechesse e dali, saísse uma voz, mas não como uma águia; como um humano. Alguns minutos se passaram e lá se via ela voando em direção ao horizonte, instintivamente caçando seu alimento ou voltando ao seu lar. "Estranho" pensou Lyan. Aquilo não só o instigou pelo fato de sentir que aquela águia era diferente, mas, também pelas expressões que sua face era capaz de transmitir, algo novo e diferente, racional ao ponto de se tornar um ser superior, como um humano.Se livrou daqueles pensamentos e decidiu se saborear com o seu café-da-manhã, de alguma forma a sua fome havia voltado. Comeu cada pedaço do sanduíche de queijo cheddar — o seu favorito — como se fosse o último em sua vida.Um sentimento de saciedade seguido pelo sono o fez desmoronar em sua cama, aproveitou aquele momento, e se rendeu ao cochilo momentâneo.Sonhos estranhos, ou melhor, pesadelos o fez despertar assustado. O suor frio escorria pelo seu pescoço e os lençóis ao seu lado estavam rasgados, como se um urso os tivesse retalhado com sua unhas afiadas e pontudas. Achou estranho, mas não se importou. Estava mais preocupado em tirar as imagens medonhas e hediondas de seu pesadelo de sua cabeça. Olhou pela janela, já era noite. Como pode dormir tanto? Talvez tivesse sido o cansaço causado pelo acidente, pensou, mas logo desdenhou essa hipótese, pois, já não estava à cinco dias em coma? Não, não mesmo. Ficou ali discutindo consigo mesmo, até que se lembrou da visita que seus pais o fariam. Um banho, um banho era o que ele precisava. Tentou se levantar ignorando a dor que iria sentir para que independentemente desfrutasse da água quente do banheiro, uma enfemaria o vendo nu era tudo o que ele não precisava, mas, para sua surpresa, ele não sentia nada, nem se quer algum padecimento onde havia se ferido. – Tudo bem, esse é o dia mais estranho da minha vida. Já não basta ser atingido por um meteoro e agora isso? -falou sozinho, assim como fazia as vezes, se "as vezes" fosse definido como sempre.Enquanto tomava seu banho, sua mente vagava em seus pensamentos, como um barquinho de papel sendo levado pela correnteza de um rio soleno. Sentia a água quente escorrer por cada canto do seu corpo, o fazendo relaxar, e se disperçar de concepções íngremes recém adquiridas. Suas recordações sobre o acidente foram voltando as poucos, como uma ampulheta derramando areia, se enriquecendo de conteúdo. Se recordou do súbito clarão, dos gritos repletos de desespero e das reviradas que o ônibus fazia.Colocou suas vestes e seguiu para o pátio de visitação, havia um bilhete em sua cama que dizia o para ir para lá. Supôs que fostes a enfermeira quem o trouxe.Chegou ao Pátio, vários dos acidentados já estavam lá, aparentemente recuperados, assim como ele estava, o que, para Lyan, era de certo modo, um pouco suspeito. Correu seus olhos pelo local e avistou Trevor, seu melhor amigo que, junto com ele, também estava no ônibus. Eles correram de encontro.– Um meteoro?! Isso é sério mesmo?! -disse Trevor enquanto ria e cumprimentava Lyan com um abraço.– Acho que sim, não sei. — indiferentemente ele disse — você está bem? Quer dizer, não aconteceu nada de estranho com você hoje?– De estranho mesmo, só a risada da minha enfermeira. Parece uma arara morrendo, sabe?– Nada mesmo?– Sim, quer dizer, não não. Mas, por que esse interesse em...– Nao é nada, é que...
– Aquela é a Ashley?Com um impulso, Lyan puxa Trevor pela sua camisa para atrás de uma das mesas.– Ashley? Onde? Tem certeza?– Ei, calma aí! E sim, é ela. Eu reconheceria aquele cabelo ruivo a quilômetros de distância e aquele... cara?– É, o namorado dela, Bryan. Ele faz parte do time de futebol americano da escola. — disse Lyan engolindo as palavras como cacos de vidros sendo triturados em sua garganta.–Namorado? — abafou um riso — Um cara de sorte você, não? Perdeu a sua paixão de infância para um Bad Bo...–Calado, Trevor!De repente, eles se viram de pé segurados pela gola de suas camisas por alguém. Era Johan, o pai de Lyan.–Aprontando o quê dessa vez, pestinhas? — Johan entou fazer cara de sério, mas não conseguia; estampava um grande sorriso em seu rosto sem conseguir disfarçar a alegria em ver o seu filho recém recuperado.–Pai! — Lyan pulou em cima de seu pai, para um abraço.–Acho que essa é a minha deixa — disse Trevor se apressando. — Sr. Johan — fez um gesto com a cabeça como uma forma de cumprimentá-lo e se despedir ao mesmo. Esperou o momento certo e saiu; apesar de tudo, ele também esperava seus pais.–Lyan, como foi que você... tão rápido... curado... -Johan falava confuso com a situação.–Eu realmente não sei pai. Só sei que quero ver a minha mãe, e a Clare, é claro.–Estão logo ali. -Ele indicava com o olhar duas pessoas que vinham em suas direções. Uma delas, uma mulher bonita mas de uma forma rústica. Seus cabelos castanhos e ondulados estavam amarrados em um coque mal feito. Aparentemente jovem, mas suas roupas demonstravam o contrário. Se alguém que não a conhecesse tivesse que lhe dar uma idade, alguns trinta e poucos seriam verídicos. De certa forma, a garota ao seu lado se parecia com ela. Seu cabelo liso e castanho, caia em seus ombros uniformemente demonstrando despreocupação. Suas roupas, eram normais e confortáveis. Se estivesse em meio à uma multidão, certamente não se destacaria. Mas claro, mesmo simples daquela maneira, ela era linda sem exercer esforço algum, fazendo disso algo belo e gracioso.A medida que se aproximavam uns dos outros, a emoção era notável. Abraços calorosos seguidos de beijos afáveis tomaram conta de ambos. Ficaram ali conversando e matando a saudade, como se fossem velhos amigos que não se viam a anos, e claro, a atenção era focada em Lyan, o que o deixaria desconfortável se não fosse a sua tão adorada família que estivesse ali.Quando o horário de visita acabou, os amigos, pais ou familiares haviam todos ido embora. Apesar dos feridos já estarem parcialmente recuperados, eles ainda não podiam ir para suas casas, desfrutar do conforto e lazer domiciliar. Mesmo aquele lugar sendo, de fato, não tão ruim, ainda sim, não acoplava uma atmosfera tão agradável ao ponto de se tornar uma "casa" para alguém.Lyan passou seus dedos pelo seu cabelo, suspirou, e resolveu seguir a pequena multidão que se direcionavam para seus quartos. Alguns, eram guiados por enfermeiras, alguma espécie de babá, o que não agradou muito a quem era seguido por elas, tentando sempre se safar de alguma forma para ficarem sozinhos. Uma dessas pessoas, era Ally. A qual estava sempre ao lado de seu namorado, mas ao mesmo tempo, de uma enfermeira velha e de aparência medonha, talvez, por escolha de seus pais, dois grandes atores famosos e magnatas que proporcionavam a filha uma certa deficiência de atenção. Lyan observava atentamente cada um dos adolescentes, um tipo de coisa que ele não tinha dificuldade alguma em realizar. Não era muito de falar, reservado, pode se dizer. Mas, isso mudava completamente quando estava ao lado de Trevor, a hiperatividade e genialidade em pessoa.Logo antes de chegar ao seu quarto, viu Ally e seu namorado, Rafael, aparentementes sozinhos, aproveitando a oportunidade, é claro, para se agarrarem e entrarem em um dos quartos ali perto sem se importarem com a presença de todos que ali estavam. Nem mesmo um acidente envolvendo um meteoro poderia retirar o apetite sexual de ambos os jovens. Também viu uma garota ruiva, que lhe chamou atenção. Ela vestia roupas folgadas e que lhe escondia o corpo. Usava um óculos quadriculado preto, desproporcional para seu rosto, que lhe dava um ar engraçado. Sua face estava coberta de tristeza e seus cabelos, desgrenhados e grudados ao rosto, ocasionalmente causados pelas lágrimas que lhe escorriam ao rosto. Ao ver aquilo, Lyan tentou pergunta-la algo, ou até mesmo ajuda-lá. Um ato de amor ao próximo, talvez. Mas, rapidamente foi interceptado por uma garota de ondulados cabelos pretos e profundos olhos azuis. Ginna era seu nome. A garota que havia sido transferida da Rússia, e que, uma ou outra vez, conversado com Lyan e já feito afinidade. Ela arfava assustada.–Vem comigo! Você precisa ver isso! — ela puxa Lyan pela mão, o indicando para ir à algum lugar.–Mas o quê... — ele tenta protestar, mas a garota ruiva já não estava mais lá. Sem razão para não segui-la, ele cede, correndo logo atrás dela.Caminham por um ou dois corredores até que chegam a um quarto. Sua porta branca e entre-aberta indicava presença de uma luz fraca logo adentro. Eles entram, e vêem Trevor agachado logo ao lado de uma cama com uma garota em cima. Lyan logo a reconheceu. Nicole Scherbatsky. Uma das alunas do Colégio que também estava no ônibus, que, por mera coincidência, estava sentada logo a sua frente no momento do ocorrido.–Cara, você precisa ver...–Ver o quê? — disse Lyan já impaciente ao perceber que não havia nada de mais ali.–Isso.Trevor se afasta da cama, ficando bem ao lado de Ginna. Lyan olha para os dois com dúvida, como se quisesse perguntar o que estava acontecendo ali. Não esperou muito, até que viu. Nicole já não estava na cama. Seu corpo flutuava fazendo seus cabelos castanhos enconstarem levemente ao travesseiro. Os objetos e mobília ao seu redor faziam o mesmo. Abaju, cômoda, e aparelhos hospitalares estavam a poucos centímetros do chão. Alguns segundos depois e lá se via os de volta aos seus lugares. Até mesmo Nicole estava novamente deitada e dormindo como se nada de estranho tivesse acontecido ali.Trevor e Ginna se encontravam um pouco pasmos. Não muito diferente de Lyan; boquiaberto encostado a parede procurando respostas e explicações em sua cabeça para o que acabara de presenciar. Pensou em como acontecia em filmes de terror: Pessoas sendo impulsionadas por espíritos enquanto dormiam ou mesmo possuídas pelos mesmos. Uma alternativa sobrenatural, suposicionou. Mas aquilo era diferente, e diferentemente de qualquer pessoa Lyan sabia disso.–Não contem... Não contem a ninguém sobre isso. — apenas disse.
Notas finais
Capítulo dedicado á Nicole ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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