Metamorfose Do Amor
10 No hospital
Notas iniciais
Ponto de vista de Robert
Eu estava ficando agoniado, então fui até a recepcionista e perguntei sobre o estado da Laila.
“Senhor, o Doutor logo virá falar sobre o caso da moça, tenha paciência.” A moça da recepção me falou.
Pensei em discutir com aquela cretina, mas decidi me sentar e aguardar mais um pouco.
Uma hora depois, o Doutor aparece na sala de espera e se aproxima de mim.
“E então? Como ela está?” Fui logo perguntando.
“Qual é o seu nome rapaz?” Ele me perguntou.
“Robert Ranson”
“Senhor Ranson, pode me acompanhar até minha sala?” O Doutor falou e eu fiquei irritado por ele não me falar logo como Laila estava.
“Não pode me falar aqui como ela está?”
“A situação da moça é delicada Senhor, precisamos conversar seriamente e aqui não é um local adequado. Pode me acompanhar?” O Doutor falou e eu decidi acompanhá-lo até sua sala.
Entramos em uma sala médica, o Doutor sentou em sua cadeira e eu me sentei também.
“Bom Senhor Ranson, eu sou o Doutor Lauren, sou ginecologista e realizei alguns exames na garota que, como o Senhor disse, se chama Laila. Realizei um exame clínico nela e já de imediato consegui alguns diagnósticos, mas os exames de sangue e urina nos ajudarão a diagnosticar com mais precisão.” O Doutor estava enrolando demais.
“Doutor, diga logo.” Falei meio irritado.
“Calma, vou lhe explicar a situação dela detalhadamente. Pelo exame clínico, Laila está grávida de sete meses e está com o seu peso muito abaixo do necessário na gestação, ela está muito fraca e o bebê também. Além desse estado físico, notei que ela fez muito esforço causando um leve sangramento. Felizmente isso não a levou a um aborto espontâneo, mas o caso é bem delicado, qualquer esforço ou aborrecimento agora, ela pode entrar em trabalho de parto antes da hora e fraca como ela e o bebê estão, podem não resistir. Laila também apresenta sintomas de depressão, ela acordou durante o exame e chorou muito. Demos a ela um calmante leve para que se acalmasse e agora está dormindo. Isso será bom para que permaneça calma nestas primeiras horas, em que seu estado ainda está muito delicado.” Fiquei espantado ouvindo o Doutor e não conseguia falar nada, Laila estava realmente mal.
“Estou muito preocupado com o caso desta garota Senhor Ranson, não quero que pense que estou querendo me intrometer na vida particular dela ou, talvez do Senhor, mas...sabe como é a vida diária dela?”
“Ela mora sozinha, trabalha vendendo doces.” Falei.
“É o pai da criança?” Ele perguntou e eu tive que responder.
“Sim”
“Como é a alimentação dela Senhor Ranson?”
“Isso eu não poderei lhe responder.”
“Entendo. Ela tem familiares por aqui, alguém que cuide dela?”
“Acho que não.”
“Ela não poderá ficar sozinha até o nascimento do bebê, ficará uma semana aqui no hospital, mas quando tiver alta, não poderá fazer esforço algum, será necessário permanecer em total repouso e a sua alimentação precisa mudar imediatamente. Deverá se alimentar muito bem. Eu não sei como é a relação de vocês dois, mas sugiro que pense em uma forma de ajudá-la.” O Doutor falava e eu não sabia o que responder.
“Eu entendo.” Foi apenas o que eu consegui dizer.
“Bom, agora que já sabe como é o estado da paciente, digo-lhe que os exames ficarão prontos em 4 horas e amanhã iremos realizar um ultrassom para sabermos melhor o estado do bebê. Agora preciso me retirar, pois tenho outras pacientes para ver. Laila ficará internada no quarto 320 no segundo andar, se quiser, pode ficar lá com ela como acompanhante, seria até melhor para o caso dela acordar durante a noite. Qualquer dúvida estarei no hospital a noite toda e temos enfermeiros para auxiliar em alguma necessidade.”
“Ok, obrigada Doutor.” Disse e sai da sala do médico atordoado. Minha cabeça iria explodir, não sabia o que fazer, Laila não poderia ficar sozinha, eu já iria embora no dia seguinte, mas agora...como deixá-la aqui assim?
Fui até o quarto dela, entrei e a encontrei na cama dormindo. Aproximei-me para olhá-la de perto. Ela estava muito pálida e dormia profundamente. No canto do quarto, havia uma poltrona, me sentei e permaneci ali, velando o sono de Laila e pensando no que eu iria fazer.
Acabei adormecendo na poltrona, de repente acordei ouvindo a voz de Laila.
“Ã...ããã” Ela emitia sons indefinidos e bem baixinho.
Aproximei-me para tentar entender o que ela dizia.
“Mãe...pai...” Ela chamava pelos pais com a voz fraca. Notei que ela começou a ficar agitada, movimentava a cabeça de um lado para o outro e de seus olhos saíam lágrimas. Numa tentativa de tentar acalmá-la, segurei em sua mão levemente e ela, mesmo de olhos fechados, segurou a minha mão firmemente, como se estivesse procurando apoio ou simplesmente companhia de alguém. Enquanto segurava a minha mãe, Laila foi aos pouco se acalmando até dormir profundamente, mas sem soltar a minha mão. Sentei no canto da cama e permaneci ali, segurando a mão dela o resto da noite.
Acordei todo dolorido, o quarto estava começando a clarear, pois já estava amanhecendo. Laila ainda dormia, mas já havia soltado a minha mão. Levantei-me e fui ver que horas eram. Eram 9h00 da manhã, fui até o banheiro para lavar o rosto, foi quando senti meu celular vibrar no meu bolso. Peguei o aparelho e vi que era ligação de Richard.
“Alô” Eu disse.
“Robert onde está? Me ligaram agora da Still dizendo que você não compareceu na reunião sobre o contrato. Na certa deve estar se divertindo como sempre e deixou a sua obrigação de lado.”
“Pare de me acusar sem saber.” Falei nervoso.
“É que não aguento mais o seu descaso com a empresa, será que não percebe que já não pode mais se comportar como um moleque?”
“CHEGA RICHARD! TO NO HOSPITAL!” Gritei no telefone, até me esquecendo que Laila dormia, felizmente ela não acordou, então resolvi sair do quarto para conversar melhor.
“No hospital?” Richard perguntou num tom preocupado. “O que aconteceu? Briga com alguém? Robert se você se meteu em alguma confusão eu...” Não deixei que terminasse.
“Estou no hospital com Laila.” Falei de uma vez, já não aguentava mais segurar essa situação sozinho.
“Laila? A encontrou? Como?” Richard parecia muito surpreso.
“Muita coisa aconteceu nessa semana, não dá pra falar por telefone.”
“Ok, mas diga como ela está.”
“Mal.” Foi o que eu respondi apenas.
“Entendo” Richard ficou calado um instante e depois falou. “Vamos fazer o seguinte Robert, você fica aí com ela, vou agora com Vinicius para Nova York, assim, ele termina de cuidar das coisas da empresa e nós resolvemos o caso dessa garota.”
“Tudo bem” Disse.
“Mas já vou adiantando que você deve se lembrar da responsabilidade que tem. Ela está mesmo grávida?” Richard parecia adorar me cobrar.
“Já disse que não dá pra falar por telefone, venha e conversamos.”
“Falarei agora mesmo com Vinicius e partiremos no jatinho particular em algumas horas.” Richard logo desligou o telefone.
Entrei novamente no quarto e Laila continuava dormindo, sentei na poltrona e aguardei.
Ponto de vista de Richard
Robert tinha encontrado Laila, como será que essa moça está? Estará grávida mesmo? Liguei imediatamente para Juliette solicitando que Vinicius viesse a minha sala. Logo ele entrou dizendo:
“Oi papai, algum problema?”
“Vinicius, vamos para Nova York daqui a algumas horas.” Falei e ele me olhou espantado.
“Agora? O que houve? Aconteceu alguma coisa com Robert?”
“Não...mas ele encontrou a garota Laila.”
“Pai que bom! Mas como ela está? Juliette ficará muito feliz.”
“Filho, parece que ela não está bem, está no hospital e Robert está lá com ela.”
“Hospital? O que houve?”
“Robert não me falou por telefone, por isso precisamos ir lá, quero que você termine de cuidar das coisas da empresa, pois Robert e eu cuidaremos da moça.”
“Pode contar comigo papai, vou agora até a minha sala preparar umas coisas e logo estarei pronto.”
“Vou ligar para o piloto George, vamos partir em algumas horas.”
“Ok” Vinicius respondeu e saiu.
Decidi ligar para o Doutor Henrique, pois gostaria que ele acompanhasse a situação de Laila.
“Doutor Henrique? Aqui é Richard Ranson, como vai?”
“Bem Senhor, em que posso ajudá-lo?”
“Já faz um tempo que lhe procurei para examinar uma garota que poderia estar grávida. Não sei se lembra dessa situação?” Perguntei, pois já fazia um bom tempo que conversei com ele.
“Claro que lembro Senhor, como está a garota?”
“Então Doutor, parece que ela não está muito bem, mas não sei direito sobre o caso dela. Ela foi encontrada em Nova York e está internada em um hospital.”
“Foi encontrada? Então havia sumido?”
“Sim, mas não lhe falei desse ocorrido.”
“Tudo bem, mas...como posso ajudá-lo?”
“Gostaria de contratar seus serviços, como um médico particular para que nos acompanhasse até lá para uma avaliação médica.”
“Senhor Richard, se a garota está hospitalizada, certamente já deve ter outro profissional cuidando do caso dela.”
“Eu gostaria de trazê-la para cá e que você cuidasse dela. Pagarei o que for necessário.”
“Bom, posso ir sim, mas tenho um parto marcado para amanhã, só poderei ir após esse parto.”
“Tudo bem Doutor Henrique, eu lhe agradeço.”
“Então amanhã te ligo para combinarmos”.
“Ok, muito obrigada.”
O Doutor Henrique havia aceitado meu pedido, agora era esperar o momento de saber como ela estava. Será grave seu estado de saúde?
Ponto de vista de Vinicius
Cheguei em minha sala com pressa, Juliette estava organizando uns papéis na minha mesa, ela me olhou assustada.
“Amor o que foi? Problemas com a empresa?” Juliette logo perguntou. Olhei para ela e decidi contar sobre sua amiga.
“Juliette, Richard falou com Robert em Nova York e...ele está no hospital...”Ela não me deixou terminar.
“Ele tá machucado?”
“Não amor...ele não...quem está no hospital, não muito bem, é...”Fiquei com medo de contar, afinal Juliette gostava muito de Laila.
“Fala logo Vinicius.”
“Robert encontrou Laila querida e ela está internada no hospital.”
“Óh meu Deus! Laila! Como ela está? Tá machucada? Vini me fala!” Juliette ficou eufórica.
“Julie acalme-se, ainda não sabemos de nada, só que Robert a encontrou. Richard quer que eu e ele viajamos para lá.”
“Eu também vou amor, por favor, me leva, é minha amiga.”
“Tudo bem amor, calma, vá para casa e arrume suas coisas, partiremos em algumas horas.”
“Estou indo, não vejo a hora de poder abraçar minha amiga. Será que ela está muito mal?”
“Esperamos que não. Agora vá.” Dei um selinho nela que saiu com pressa.
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