Metamorfose Do Amor

18 Juntos? E com medo...


Notas iniciais
Boa leituraaaaaaaaaaaa

Ponto de vista de Laila

Uma semana se passou e eu estava muito cansada. Não via a hora de o bebê nascer, pois tudo me cansava, meus pés inchados, minhas costas doíam. O bebê não havia mexido hoje e isso me incomodava, mesmo Henrique falando que estava tudo bem.

O dia estava nublado, ventava um pouco e haviam nuvens escuras no céu.

“Acho que vai chover muito hoje.” Esmeralda falou enquanto escolhia um vestido para a festa de aniversário da empresa Ranson hoje à noite.

“Lá é coberto mãe, a chácara tem um salão bem espaçoso.” Vinicius falou.

Estávamos no quarto de Esmeralda com Juliette e Vinicius. Rosália estava no cabeleireiro e Tyson na empresa com Richard e Robert resolvendo alguns assuntos de trabalho.

“Laila, que roupa irá para a festa?” Juliette me perguntou. “Acho que aquele vestido azul claro que compramos ficará lindo!”

“Não sei se vou Juliette, estou muito cansada.” Respondi.

“Laila, querida, Henrique estará com você e tem mais, você fica só um pouco e depois vem para casa. Richard falou que quer todos da família com ele e você agora é da nossa família.” Esmeralda falou e eu afirmei com a cabeça. Eu não poderia deixar de cumprir um desejo de Richard, pois ele sempre foi muito bom pra mim.

O dia todo ficamos nos preparando para a festa, Juliette me ajudou na escolha do vestido, que era o azul claro, me maquiou e arrumou os meus cabelos.

“Tem certeza de que tudo isso é necessário?” Perguntei.

“Claro Laila, precisa estar linda.” Juliette respondeu.

Rosália entrou no quarto para nos apressar.

“Gente, todos estão esperando vocês na sala.” Ela falou.

Rosália estava linda de vestido roxo.

“Wow!” Juliette falou e ela sorriu.

Descemos e encontramos todos na sala. Robert estava lindo de smoking preto, ele me viu e se levantou olhando-me atentamente.

“Está linda Laila.” Esmeralda falou.

“Obrigada, mas acho que com essa barriga toda...” Falei com um pouco de vergonha.

“Esmeralda tem razão.” Robert falou e eu me surpreendi pelo elogio, mas neste instante Henrique se aproxima de mim e me entrega um buque de flores.

“Está linda mesmo Laila.” Ele falou.

“Obrigada” Respondi.

“Vamos pessoal, já estamos atrasados.” Richard falou e saímos.

“Encontro vocês lá.” Robert falou e saiu.

A chácara ficava em um lugar um pouco afastado da cidade, passamos por uma estrada de terra bem longa até chegar ao local. Quando chegamos fiquei encantada com o lugar, era lindo, todo decorado com flores. Já estava começando a chover, por isso a festa foi toda concentrada na parte interna em um salão.

Havia uma mesa reservada para a família Ranson e fomos nos sentar. Richard recebia os cumprimentos de todos que chegavam e sempre recebíamos aperitivos maravilhosos em nossa mesa. Eu nunca havia participado de uma festa assim.

“Está gostando?” Henrique me perguntou.

“Sim.” Respondi.

“Quando quiser ir embora é só me falar ok?” Afirmei com a cabeça.

Estava tudo perfeito, quando vejo Robert chegar com Isadora.

“Olá.” Ela falou quando se aproximou da mesa.

“Sente-se Isadora, fique a vontade.” Esmeralda falou como sempre muito educada.

Isadora se sentou e Robert sentou-se ao seu lado. Eu estava sentindo uma tristeza profunda em vê-lo com ela e Isadora parecia um grude, ficava alisando a mão dele, cochichando em seu ouvido. Robert parecia meio sem jeito e sempre olhava para mim.

“Vamos dançar?” Henrique falou ao meu ouvido.

“Henrique, não consigo dançar, minha barriga está muito pesada.” Falei.

“A música é lenda Laila, só iremos balançar lentamente de um lado para o outro.” Ele falou.

“Ok” Respondi e levantamos para dançar.

A pista era de frente para a mesa que estávamos sentados e enquanto dançávamos Robert não parava de olhar em nossa direção. Ele estava com uma expressão de raiva e mal dava atenção para Isadora que não parava de se encostar nele, ora beijando seu pescoço, ora acariciando seus cabelos. Robert se levantou e puxou Isadora para dançar também e ficamos os dois casais, lado a lado na pista. Henrique era muito cavalheiro, dançava sem tentar se aproveitar, mas Isadora ficava se esfregando em Robert. Em um determinado momento, Isadora o beijou e eu não aguentei.

“Quero me sentar.” Falei.

“Está sentindo algo?” Henrique perguntou preocupado.

“Não, só quero parar de dançar.” Falei e fomos novamente para a mesa.

Robert e Isadora ficaram dançando um pouco mais e depois voltaram para a mesa. Num determinado momento da festa, Richard sobe no palco, onde uma banda tocava e começa a falar ao microfone.

“Boa noite a todos, quero agradecer a presença de vocês e dizer que hoje está sendo um dia muito especial para mim e toda a família Ranson. Estamos completando 50 anos de trabalho e isso me traz uma felicidade imensa. Essa empresa começou com o meu pai, que fez um trabalho maravilhoso durante toda a sua direção e agora, eu e meus filhos, conseguimos dar continuidade e festejar mais um aniversário. Espero que gostem da festa e que aproveitem o máximo. Obrigado.” Richard terminou sua fala e todos aplaudiram.

Os casais foram para a pista de dança, ficando na mesa apenas Henrique e eu. Robert e Isadora estavam sentados num bar conversando.

“A sua barriga está bem baixa, acredito que em dois ou três dias iremos conhecer esse garotinho.” Henrique falou.

“Já sinto até um frio na barriga.” Falei.

“Não precisa se preocupar Laila, estarei com você, o parto será tranquilo.”

“Normal ou cesárea?” Perguntei.

“Está indo tudo muito bem, então acredito que conseguiremos um parto normal, mas se não tiver dilatação suficiente, faremos a cesárea.” Henrique falou.

O tempo foi passando e o telefone de Henrique toca.

“Alô...sim...agora? Pai coloca outro médico em meu lugar...sei...ok, estou indo.” Henrique desligou o telefone desanimado e olhou para mim.

“O que aconteceu?” Perguntei.

“Uma mulher chegou ao hospital agora com sangramento e o médico dela está viajando. Terei que ir para o hospital Laila, não há outro ginecologista de plantão.”

“Tudo bem Henrique, pode ir.”

“Mas e você?”

“Ficarei bem.” Respondi e Juliette e Vinicius chegaram à mesa.

“O que foi?” Juliette perguntou.

“Tenho uma emergência no hospital Juliette, cuide de Laila pra mim.” Henrique falou.

“Pode ficar tranquilo Henrique, estaremos com ela.” Vinicius falou e Henrique saiu apressado.

“É, vida de médico não é fácil.” Juliette falou e eu afirmei com a cabeça.

“Podem dançar se quiserem, eu fico bem aqui.” Falei.

“Não vamos te deixar sozinha Laila.” Juliette falou.

Ficamos na mesa conversando, Robert e Isadora se sentaram conosco novamente.

“Onde está o Henrique?” Isadora perguntou.

“Ele precisou atender uma emergência no hospital.” Falei.

“Nossa, precisou sair bem agora, está uma chuva forte lá fora.” Isadora falou.

“Médico não tem escolha, tem que atender a emergência quando necessário.” Vinicius falou.

Robert permanecia calado bebendo algo em um copo.

A festa foi passando e eu comecei a ficar cansada, minhas costas estavam doendo de ficar sentada. Comecei a mudar de posição na cadeira, mas nada adiantava.

“Está tudo bem?” Juliette perguntou.

“As minhas costas estão doendo.” Falei.

Esmeralda e Richard chegaram à mesa.

“Estão curtindo a festa?” Richard perguntou animado.

“Sim” Vinicius respondeu.

“Acho melhor Laila ir para casa.” Juliette falou e Esmeralda me olhou preocupada.

“Está cansada querida?”

“Estou bem, não quero estragar a festa de vocês.” Falei sem jeito.

“Se está cansada é melhor ir para casa.” Richard falou. “Onde está Henrique?”

“Precisou ir para o hospital.”

“Bom, então...” Richard começou a falar, mas Robert o interrompeu.

“Eu te levo pra casa Laila.” Ele falou e Isadora o olhou surpresa.

“Não precisa.” Falei.

“Espera aqui, eu levo a Laila e volto.” Robert falou para Isadora.

“Eu vou com você.” Isadora falou.

“Não, vou e volto logo, Juliette e Rosália farão companhia pra você.” Robert disse e Isadora pareceu não gostar.

“Faremos sim.” Rosália respondeu.

“Já disse que não precisa, eu posso ficar.” Falei.

“Laila, não é bom que fique muito tempo sentada, olha como os seus pés estão inchados.” Esmeralda falou apontando para os meus pés que estavam realmente inchados. “Vá com Robert e descanse, se sentir alguma coisa ligue para nós.”

“Ok” Falei e saí com Robert.

Estava uma chuva muito forte, quase não era possível enxergar a estrada de terra. Robert e eu não conversávamos, ele parecia bem atento no volante. Eu decidi relaxar e olhar o caminho, mas confesso que aquela chuva estava me assustando.

Robert dirigia devagar, não havia outros carros na estrada e a chuva não dava trégua. De repente Robert foi desviar de um buraco e o carro deslizou parando próximo a uma árvore. Fiquei assustada com o ocorrido e olhei para Robert.

“O que aconteceu?” Perguntei.

“Acho que atolamos.” Ele falou acelerando o carro e este não saia do lugar. Robert acelerava, engatava a ré, acelerava de novo e o carro só deslizava parecendo atolar ainda mais. “Porra!” Ele gritou. “Fique aí, vou tentar colocar algo no pneu.” Ele falou e saiu do carro no meio de toda aquela chuva.

Fiquei preocupada, pois estava escuro e não aparecia carro algum. Foi quando senti uma pontada muito forte na barriga.

“Ai!” Falei e respirei fundo. Outra pontada veio e eu entendi o que estava acontecendo. Meu filho iria nascer. E agora?

Robert ainda estava do lado de fora do carro, eu não conseguia vê-lo, pois os vidros estavam embaçados. Senti outra pontada muito forte e segurei a barriga com as duas mãos.

“Filho, agora não...” Falei com a voz fraca por causa da dor. Um líquido começou a sair de mim, a bolsa tinha estourado. “Ai meu Deus!” Falei.

Robert voltou para o carro ensopado e já foi dando a partida e acelerando, tentando tirar o carro que ainda não saía do lugar.

“Droga, não consegui nada para colocar no pneu, apenas uns galhos finos.” Ele falava sem olhar para mim. Eu estava de cabeça baixa, com as mãos na barriga sentindo outra pontada forte.

“Ai!” Falei baixo e Robert pareceu escutar e me olhou.

“O que foi?” Ele perguntou. Olhei para ele com os olhos cheios de lágrimas e falei.

“O bebê...”Robert arregalou os olhos.

“Não vai me dizer que...”Ele falou preocupado.

“Sim, a minha bolsa estourou.”

“EU NÃO ACREDITO! AGORA?” Robert gritou e eu comecei a chorar, sentindo uma dor muito forte.

“Ai...ai!”

“Calma Laila, desculpa, é que não sei o que fazer, vou ligar para...” Robert estava falando e eu o interrompi.

“Henrique...liga para Henrique.” Falei com a respiração pesada. “Tem o número no meu celular.”

Robert pegou meu telefone e falou:

“Está sem serviço, sabe o número de cor?” Ele me perguntou e eu afirmei com a cabeça. Robert pegou o telefone dele e gritou novamente.

“Porra! Está sem serviço também!”

A dor só aumentava e mais líquido saia de mim. Eu estava com muito medo e não conseguia parar de chorar.

“Laila, fica calma, daremos um jeito de sair daqui e ir para o hospital, vou lá fora colocar mais coisas no pneu do carro.” Robert falou e saiu.

A dor aumentava, e os intervalos de uma para outra estavam cada vez mais curtos. Henrique havia me falado disso, eram as contrações. Ele falou que os intervalos diminuem até que o bebê nasce. Eu precisava ir para o hospital, eu precisava de Henrique, meu filho não poderia nascer aqui!

Alguns minutos se passaram e Robert estava do lado de fora do carro. A dor que eu sentia era como se alguém estivesse colocando uma faca nas minhas costas e no pé da barriga. Eu me lembrei de que Henrique falou da importância da respiração durante as contrações, então tentei fazer o que ele havia me orientado, mas era muito difícil, a dor vinha muito forte e me deixava sem ar.

Robert voltou e tentou novamente tirar o carro do lugar, mas este não desatolou. Ele me olhou e falou:

“Não adianta, só com um guincho.” Ele respirou fundo, demonstrando toda a sua preocupação. “Não sei o que fazer, não tem sinal no telefone, não aparece ninguém aqui para nos ajudar e essa droga de carro não sai do lugar.” Ele falava e eu comecei a chorar muito. “Laila...” Ele falou colocando a mão em meu ombro.

“Ai! Está doendo muito...” Comecei a falar com pausas para respirar. “Meu filho não pode nascer aqui.”

“Não pode mesmo, nem fale isso Laila!”

“Aaaaaaaiiiii...” Dei um grito quando uma dor muito forte tomou conta de mim. Robert ficou desesperado.

“Calma, vai ficar tudo bem. Logo alguém aparece.” Ele falou tentando me tranquilizar.

“Não sei se aguento muito tempo...” Falei baixo segurando minha barriga.

“Vai aguentar Laila, você é forte!”

As minhas costas estavam me incomodando muito, tentei mudar de posição, mas estava difícil com toda aquela dor.

“Acho melhor te deitar no banco de trás.” Robert falou e saiu do carro, dando a volta no mesmo e abrindo a porta traseira. Em seguida ele abriu a minha porta e me pegou no colo me transferindo para o banco de trás. Ele me deitou lentamente e fechou a porta em seguida ficando comigo.

“Encoste-se para apoiar as costas, talvez melhore um pouco a dor.” Robert falou e fiz o que ele pediu. Eu estava perdendo muito líquido e Robert percebeu isso. “Está perdendo muito líquido...” Ele falou e eu não respondi.

A minha testa suava, a minha respiração estava ficando pesada e as dores estavam bem próximas umas das outras. Eu sentia algo estranho em minha vagina, mas não tinha coragem de falar isso para Robert. Henrique precisava estar comigo neste momento, pois sentia tanto medo, medo do desconhecido, medo de perder meu filho.

“Não chore Laila...” Robert falou próximo a mim.

“Tenho medo...” Falei em meio ao choro.

Robert se sentou atrás de mim, apoiando as minhas costas em seu corpo. Ele me embalou em seus braços e ficamos ali, juntos, com medo do que estava por vir.