Metamorfose Do Amor
12 Eu, você e ele...
Notas iniciais
Ponto de vista de Robert
Eu precisava sair de lá, estava me sentindo diferente depois daquele exame. Não estava me sentindo mal, pelo contrário, estava me sentindo muito bem. Eu seria pai de um menino, isso estava me deixando estranhamente feliz. Ouvir aquelas batidas fortes de coração fez minhas pernas tremerem. O que estava acontecendo comigo?
Dirigi rápido até o hotel, cheguei e fui direto tomar um banho e descansar. Queria não pensar mais em nada do que estava acontecendo, mas meus pensamentos me traíam, eu não conseguia parar de pensar nas imagens do ultrassom.
A noite passou rápido e quando amanheceu, me arrumei e decidi andar um pouco pela cidade, afinal não saí para curtir nem um momento desde que cheguei. Resolvi tomar meu café da manhã em um bar que ficava a duas quadras do hotel. O local era bem agradável e estava um pouco vazio, mas num balcão que ficava num canto reservado, havia uma loira muito bonita e ela, logo que entrei, já começou a me comer com os olhos. Ela estava com um vestido florido curto e ficava cruzando as belas pernas para mim. Aproximei-me do balcão e um garçom veio falar comigo.
“O Senhor gostaria de ver o cardápio?”
“Hum...não precisa, o que vou pedir certamente vocês tem. Quero um chá gelado e torradas com diferentes acompanhamentos.” Falei.
“Deseja algum acompanhamento especial Senhor?”
“Não, pode trazer as opções da casa.” Neste instante olhei para a loira e falei. “Tenho essa linda moça aqui para me acompanhar.” A loira sorriu sexy para mim e o garçom saiu para providenciar meu pedido.
“Posso saber qual o seu nome gracinha?” Falei me aproximando mais dela.
“Lola e o seu?” Ela perguntou me olhando de cima para baixo.
“Robert Ranson”
“Lindo nome, combina perfeitamente com você.”
O pedido chegou e começamos a comer. Para ser gentil, passei um dos acompanhamentos feito com frutos do mar em uma torrada e a servi, colocando em sua boca.
“Hummmm...delicioso” Ela falou e passou a língua em seus lábios, já me deixando excitado com aquilo.
“Deliciosa parece você.” Falei me aproximando um pouco mais. “Depois podemos sair para um lugar mais reservado. O que acha?” Praticamente cochichei em seu ouvido.
“HUmmmmmm...amei o convite.” A garota respondeu colocando a mão em minha coxa e apertando levemente. Meu membro já estava dando sinal de vida, mas infelizmente meu celular tocou neste instante.
“Atende não gato, vamos logo sair daqui.” A loira falou subindo a sua mão, quase alcançando o lugar em que eu mais queria um carinho. Olhei para o visor do celular e vi que era ligação de Richard.
“Droga” Falei e atendi, mesmo com a loira massageando toda a minha coxa, discretamente embaixo do balcão.
“Oi” Falei.
“Robert? Onde está? Passei em seu quarto no hotel, mas não te encontrei.”
“É...eu...saí...” Não conseguia falar, pois Lola colocou a mão sobre o meu membro e começou a acariciá-lo por cima da calça.
“Saiu? Pra onde?” Richard insistia.
“É...tomar café.” Falei com cuidado para não soltar um gemido.
“Tá tudo bem? Parece cansado?”
“Tá sim.”
“Então venha pra cá, logo o Doutor Henrique chegará para examinar Laila e quero que esteja aqui.” Richard falou e eu não consegui responder. “Robert? Está ouvindo?”
“Sim eu já vou.” Falei e desliguei o telefone.
“Teremos que ser rápidos gata, preciso sair.” Falei e puxei a loira pela mão e a levei até onde eram os banheiros. Logo na porta começamos a nos beijar loucamente, eu estava morrendo de vontade de transar, afinal, com todos esses problemas eu não consegui reservar um tempo para mim.
Entramos no banheiro feminino com pressa e por sorte este estava vazio. Tranquei a porta e a peguei no colo sentando-a sobre o balcão da pia. A loira também estava doida por um sexo, pois logo envolveu meu corpo com as suas longas e belas pernas. Isso deixou o nosso sexo muito próximo um ao outro. Continuamos a nos beijar com fervor, coloquei a mão por baixo de seu vestido encontrando sua calcinha e sem pensar duas vezes a arranquei de uma vez só rasgando-a. Ela logo começou a abrir o zíper da minha calça, mas neste instante eu me lembrei de algo muito importante, camisinha, mas o pior era que eu não tinha nenhuma dentro da carteira, afinal nestes dias nem consegui pensar nisso.
“Você tem camisinha linda?” Perguntei torcendo para que ela dissesse que sim, mas a resposta dela me desanimou.
“Não meu lindo” Ela parecia nem estar se preocupando com isso, pois continuava abrindo minha calça e tentando abaixar a minha cueca. Eu já havia transado com muitas mulheres nesta vida, mas sempre usei camisinha, exceto quando transei com Laila. Eu não queria contrair nenhuma doença, então me afastei da garota de imediato.
“Então paramos por aqui querida.” Falei e ela me olhou frustrada.
“Paramos? Eu não tenho doença alguma, se você está preocupado. E você pela preocupação, também não deve ter.” Ela falou na tentativa de conseguir me convencer, mas eu não a conhecia.
“Sinto muito, mas...podemos nos ver mais tarde, o que acha?” Disse, tendo a brilhante ideia de encontrá-la mais tarde.
“Hum...vai ser ótimo, assim a gente termina o que começamos aqui.” Ela falou se aproximando de mim e em seguida deu um selinho demorado em minha boca.
“Então até mais tarde, aqui está o meu cartão, me liga e marcamos um lugar.”
“Tudo bem.” Nos beijamos mais uma vez e em seguida eu saí e fui para o hospital.
Ponto de vista de Laila
“Laila este é o Doutor Henrique, ele é ginecologista e obstetra, cuidará de você até o parto.” Disse Richard me apresentando um rapaz moreno e com um sorriso incrivelmente branco.
“Oi” Foi apenas o que eu respondi.
“Olá Laila, será um prazer acompanhar o final da sua gravidez. É o primeiro filho?” O Doutor Henrique perguntou.
“Sim”
“O pai deve estar muito animado não?” Ele falou e eu deixei de olhá-lo.
“Claro que sim Doutor, o pai é meu filho Robert.” Richard falou e neste instante Robert entra no quarto.
“Ouvi meu nome.” Ele entrou com uma aparência um pouco estranha.
“O que houve com o seu cabelo?” Richard perguntou, pois Robert estava com o cabelo totalmente bagunçado.
“Deve ter sido o vento.” Ele respondeu com um risinho falso e ajeitando as madeixas.
“Robert, este é o Doutor Henrique que cuidará de Laila e seu filho.”
“Muito prazer Doutor.” Robert falou quase sem olhá-lo e foi logo se sentando na poltrona no canto do quarto.
“Prazer Robert, parabéns pelo filho.” Doutor Henrique falou e Robert nem respondeu.
“Bom Laila, vou agora conversar com o médico que está cuidando de você, ele irá me passar todo o seu caso e o tratamento necessário. Assim que terminar a conversa, volto aqui para que possamos conversar um pouco, ok?” O Doutor Henrique falou e eu afirmei com a cabeça.
Juliette, que havia saído com Vinicius para comer, entrou no quarto quando o Doutor Henrique estava de saída.
“Oi” Ela falou com ele.
“Olá. Volto mais tarde Laila.” Ele disse e saiu junto com Richard.
“Laila quem é esse gatinho? Algum namoradinho hein?” Juliette me perguntou e Robert me olhou, já respondendo.
“É só o médico dela Julie.”
“Hum, mas pode ser algo mais futuramente hein?” Ela falou e Robert novamente não me deixou responder.
“Julie, Vinicius não irá gostar nada de saber destes seus comentários.” Eu apenas acompanhava a conversa.
“Não estou falando dele pra mim, afinal amo meu Vini, ele é o mais lindo e o mais perfeito. Falo pra Laila, já que ela é solteira.” Juliette disse e eu tive a impressão dela estar provocando Robert. “Laila, você não achou ele um gatinho?” Robert me olhou aguardando a minha resposta.
“Julie pare com isso, ele é meu médico apenas.” Robert deu um risinho de lado e foi até a janela do quarto.
“Áhhhhhh...nem sei onde vou almoçar hoje.” Robert falou se espreguiçando.
Juliette e eu continuamos a conversar assuntos diversos e Robert saiu do quarto.
“Laila, hoje Vinicius e eu sairemos com Richard para um evento da empresa, mas Robert ficará com você a noite ok?” Juliette falou e eu não gostei nada da ideia.
“Prefiro ficar sozinha.” Respondi.
“Richard irá falar com ele e não permitirá que fique sozinha.”
“Já disse que não quero nada dele Juliette, será que ninguém me entende?”
“Laila, Richard está certo do que quer de Robert e ele não voltará atrás, também se preocupa com você, afinal o Doutor foi claro quando disse que não pode ficar sozinha.” Juliette falou e eu decidi não discutir mais, afinal, se Robert ficasse comigo ou não daria na mesma, pois iria ignorá-lo.
As horas passaram e Robert entrou no quarto com um cara fechada. Richard entrou em seguida e chamou por Juliette.
“Juliette querida, vamos, Vinicius foi na frente para arrumar uns papéis e eu a levarei para o hotel.”
“Ok Richard. Laila estou indo, fique bem amiga e Robert...” Juliette o chamou. “Cuide bem da minha amiga.” Juliette falou e Robert não respondeu.
“Ele cuidará Juliette.” Richard falou e olhou para Robert que continuou calado.
“Tchau Laila”
“Tchau Julie” Respondi e eles saíram, deixando apenas Robert e eu.
Havia fogo, muito fogo e eu tentava passar pelos cômodos da casa, mas não conseguia. Eu sentia medo e precisava sair dali logo. Ouvia vozes gritando e chamando por mim e eu corria de um lado para o outro, foi quando avistei os meus pais com as mãos estendidas em minha direção. “Papai! Mamãe!” Eu gritava e tentava chegar até eles, mas o fogo não deixava. De repente tudo começou a ficar embaçado, eu não os via mais, era horrível, eu precisava ajudá-los. Foi quando uma grande explosão aconteceu e eu gritei: NÃO!
Acordei com Robert me chamando.
“Laila...calma...” Ele falava e eu abri os meus olhos descobrindo que tudo era um sonho, mas um sonho que para mim era real, pois não tinha os meus pais comigo. Comecei a chorar muito.
“Isso não poderia ter acontecido...” Eu falava em soluços de cabeça baixa. “Eu os amava tanto, sinto falta deles.” Robert sentou ao meu lado e passou a mão em meu ombro.
“Fica calma Laila...não pode ficar nervosa assim.” Senti um leve carinho dele no meu braço e aquilo me fez chorar ainda mais. Robert me abraçou e deixou que eu chorasse.
Robert estava encostado em minha barriga e neste instante meu bebê mexeu. Ele pareceu sentir, pois me soltou e olhou para mim surpreso.
“Isso foi o bebê?” Ele perguntou olhando para mim e em seguida para a minha barriga. Eu fiquei muito feliz em sentir meu bebê mexer novamente e isso confortou um pouco a tristeza que eu estava sentindo.
“Sim...” Falei acariciando a minha barriga. O bebê mexeu novamente, formando uma pequena ondinha na minha barriga. Robert viu e parecia não acreditar.
“Nossa! Meu anjinho...” Falei. Robert estendeu a mão em direção a minha barriga e me olhou.
“Posso?” Ele perguntou e eu entendi o que ele queria, sentir o bebê mexer. Eu poderia não permitir, mas naquele momento achei que talvez meu filho pudesse querer o contato com o pai. Afirmei com a cabeça e Robert pousou a sua mão em meu ventre. Ficamos um tempo em silêncio esperando que o bebê desse algum sinal. O olhar de Robert para a minha barriga era de surpresa, ele parecia estar entrando em contato com algo totalmente novo pra ele. O bebê mexeu e olhamos um para o outro. Robert deu um sorriso leve e me olhou fixamente. O bebê mexeu de novo e de novo, parecia que estava fazendo uma festa na minha barriga, eu senti até um incomodo.
“Ai...” Falei e Robert me olhou assustado.
“Dói? Quer o médico?” Ele perguntou.
“Não precisa, é que quando ele mexe muito incomoda um pouco, ele nunca mexeu tanto assim.”
“Será que...” Robert pareceu pensar o mesmo que eu, o bebê havia gostado do toque do pai.
“Posso ficar mais um pouco?” Robert perguntou querendo permanecer mais tempo com a mão na minha barriga.
“Sim.”
Robert se sentou ao meu lado e ficou ali, sentindo o bebê mexer mais algumas vezes. Não conversamos, apenas ríamos quando ele mexia muito.
O tempo passou e o bebê pareceu dormir, pois ficou quietinho.
“Parou de mexer.” Robert falou.
“Ele deve ter dormido.”
“Estranho pensar que tem uma pessoinha aí dentro de você. Ele pareceu interagir comigo.”
“Ele gosta quando conversamos com ele. Às vezes eu ficava até tarde só rindo das mexidinhas dele.” Falei.
“Pra você deve ser ainda mais estranho.”
“No começo foi estranho sim, eu não acreditava, mas agora já me acostumei e não vejo a hora de poder segurá-lo em meus braços.”
“Eu também estou curioso para ver como ele é. Será que se parecerá com quem?” Robert perguntou e eu fiquei surpresa pela curiosidade dele.
“Só quando ele nascer para sabermos.”
“Acho que vai ser a minha cara.” Robert falou rindo.
“Tem que ser a minha cara, afinal eu que estou carregando ele, eu que senti muitos enjoos.”
“Você se sentiu muito mal no começo da gravidez?” Era estranho estarmos tendo aquela conversa, mas decidi responder.
“Um pouco.”
“E quem te ajudava?”
“Ninguém, me virei sozinha.” Respondi e Robert me olhou sério. Ele ainda estava com a mão sobre a minha barriga e neste instante a tirou.
Robert caminhou até a janela e ficou em silêncio.
“O que foi?” Perguntei.
“É...”Robert pensou antes de falar. “Espero que agora fique bem.” Ele falou e neste instante seu celular tocou. Robert olhou o visor do aparelho e atendeu.
“Alô...a oi...to bem e você?” Ele se virou para a janela e baixou o tom de voz, mas eu ainda conseguia ouvir o que dizia. “Hoje não vai dar...talvez amanhã.” Robert tinha um encontro? Só podia ser pelo jeito que ele falava. “Também curti...amanhã nos falamos...outro.” Robert desligou o telefone e se virou. Eu senti uma raiva crescer dentro de mim, tinha certeza de que ele estava se envolvendo com alguma mulher.
“Pode ir, não preciso de você aqui.” Falei e me virei na cama, dando as costas pra ele.
“Ficarei com você a noite toda, mas vou sair um instante para comer algo.” Robert falou e saiu do quarto.
Quando Robert saiu, eu me dei conta do tempo que ficamos juntos, sentindo o bebê e conversando. A conversa foi curta, mas era a primeira vez que a gente conversava sem brigar ou sem ele ser grosso e indiferente. Num determinado momento, achei até que ele curtia o que estava acontecendo e confesso que me senti bem com isso, mas eu não podia esquecer o que ele me fez, da forma como me tratava na empresa, das lágrimas que ele já me fez derramar. Eu ainda o amo, sei disso, mas não posso me deixar encantar por um simples momento, pois Robert sempre será o mesmo e eu não vou mais me enganar como antes.
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