Metamorfose Do Amor

19 Ele é mais que especial!


Notas iniciais
Boa leituraaaaaaaaaaaaa

Ponto de vista de Robert

Laila estava deitada no banco de trás do carro encostada em mim, ela não gritava mais de dor como fazia antes, agora apenas gemia baixo e apresentava uma respiração pesada e cansada. Sua testa suava e ela contorcia as pernas à medida que a dor vinha. Eu estava realmente preocupado, não sabia o que fazer, o meu filho tinha que nascer em um hospital e não aqui, sem um médico. Tenho muita raiva daquele doutorzinho, mas neste momento, Laila estava precisando dele, por mais que isso me incomodasse.

Laila começou a gemer mais e a chorar, seu corpo se mexia sem parar.

“A dor aumentou?” Perguntei, mas ela apenas chorava. Decidi sair do carro para ver se conseguia sinal no telefone, pois o tempo estava se esgotando e o bebê logo iria nascer. “Vou lá fora tentar sinal no telefone...fica calma, eu volto logo.” Falei e Laila continuou na mesma.

Saí do carro com o telefone, andava de um lado para o outro e nada. Tentava ligar para a emergência, mas também não conseguia. Afastei-me um pouco do carro, tentando sinal e para ver se conseguia algo maior para colocar no pneu do carro e tentar desatolá-lo. Andei, andei e andei e não consegui encontrar nada e nem consegui sinal no telefone.

“Droga!” Gritei.

Comecei a voltar para o carro sem saber o que diria para Laila, eu precisava tranquilizá-la, mas nem eu conseguia ficar calmo. Quando chego ao carro e abro a porta escuto Laila me gritar.

“ROBERT...AAAAAAAIIIIIIIII...ME AJUDA!!!!” Ela gritava e quando me aproximei me assustei com o que vi. Laila estava com as pernas abertas, segurando a barriga com as mãos e fazendo movimentos como se estivesse forçando algo para baixo.

“Laila...” Falei baixo, mas com a voz cheia de pavor.

“Me ajuda...por favor me ajuda...aaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiii!”

“Eu estou aqui, mas...não sei o que fazer.” Falei.

“Eu sinto...ele está saindo...aiiiiii...”

“Ok...calma...eu....” Não sabia o que dizer, mas uma certeza eu já tinha, meu filho iria nascer e eu teria que ajudar Laila. Sentei de frente para as suas pernas, mas não conseguia ver nada, pois ela estava coberta pelo vestido. “Eu preciso ver...você sabe...terei que ...” As palavras não saíam. Laila compreendeu o que eu queria dizer então afirmou com a cabeça. Ela estava com muita dor. Levantei o seu vestido e pude ver a sua calcinha cheia de sangue. Aquilo me deixou com mais medo, como iria fazer aquilo?

“AAaaiiiiiii...eu não aguento...Robert...” Laila falava e chorava.

“Vai passar Laila...vai passar...” Falei e tomei coragem para seguir a diante. “Vou tirar sua calcinha para poder ver...” Era estranho o que eu estava fazendo, mas não tinha outra escolha, então, retirei a calcinha de Laila e ela fechou as pernas no mesmo momento falando entre soluços.

“Eu não quero...por favor, preciso de um médico...aiiiiiiii! Por que??? Não era assim que deveria ser...aiiiiiiiiiiiiii...” Laila estava com medo e com vergonha, ela não queria que eu a visse, principalmente daquele jeito. Eu precisava ajudá-la, tranquilizá-la e deixar claro que ali eu não era o Robert homem e sim o Robert pai. Aproximei-me dela e coloquei a minha mão em seu rosto molhado pelas lágrimas.

“Laila... olha pra mim...” Falei e ela me olhou. “Sei que está com vergonha de mim, mas não vou olhá-la com esses olhos que pensa, quero ajudá-la, mesmo sem saber como, quero ajudar o meu filho, ele quer nascer e precisa de nós dois. Vamos ajuda-lo, confia em mim, pelo menos agora.”

“Sinto medo Robert, e se a gente não conseguir?” Ela falou.

“Vamos conseguir...temos que conseguir, ok?” Falei e ela afirmou com a cabeça.

Fiquei novamente de frente para as suas pernas e delicadamente as abri, tendo uma visão nada agradável. A vagina de Laila estava dilatada e por ela saia um líquido com sangue.

“Laila...eu já vi isso nos filmes e acho que você tem que fazer força. Pode segurar a minha mão se quiser.” Laila me olhava atentamente e compreendeu o que eu disse. Ela baixou a cabeça e começou a fazer força.

“Isso...acho que é assim...” Falei.

Laila continuou fazendo força e isso dilatava ainda mais a sua vagina.

“Muito bem Laila.” Falei tentando encorajá-la, mas eu nem sabia se estávamos fazendo certo.

Laila se agitou e começou a gritar.

“Aaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiii...aiiiiiiiiiiiiiiiiii...”

“Força Laila...continua...” Eu falava.

Laila jogou a cabeça para trás e pareceu desistir dizendo:

“Não consigo...não aguento mais...” Ela chorava e não fazia mais força.

“Consegue sim! Vamos! É o nosso filho Laila, você estava indo muito bem.”

“CALA A BOCA...NÃO TEMOS A MENOR IDEIA DISSO!” Laila gritou nervosa.

“Eu sei, mas temos que tentar. Você é forte Laila, vai conseguir. Vamos! Força!”

Laila respirou fundo algumas vezes e começou a tentar novamente. Ela forçava...forçava...forçava e forçava até que eu começo a ver algo.

“Laila eu acho que...” Uma cabecinha saía de dentro de Laila. “É ele Laila! Continua!” Falei e Laila continuou forçando. Ela gritava de dor.

“Aaaaa...”

De repente um último grito e o bebê finalmente nasce e vem para as minhas mãos. Laila relaxou o corpo se deitando no banco e eu não acreditava no que estava segurando. Um choro de neném tomou conta de todo o lugar e eu não consegui controlar as minhas lágrimas e chorei. Embalei o pequeno corpo em meus braços e o admirava maravilhado. Sentia algo inexplicável, um desejo de não soltá-lo nunca mais.

“Deixe-me vê-lo...” Laila falou fraca e eu aproximei-me dela lhe entregando o bebê que chorava muito. Ela o segurou em seus braços chorando e sorrindo ao mesmo tempo e o bebê parou de chorar no mesmo instante.

“Oi meu amor...” Laila falava baixo e com a voz cansada. “Você é lindo!” A criança abriu os olhinhos e olhou para ela. “Sou sua mamãe e eu te amo muito.”

Meus olhos estavam embaçados pelas lágrimas que corriam, nunca pensei em viver algo assim. Laila me olhou e colocou uma de suas mãos em meu rosto secando as lágrimas que estavam ali. Ficamos um tempo nos olhando e uma vontade louca me tomou e eu não consegui me controlar. Aproximei-me de Laila e a beijei. Um beijo calmo mais profundo, molhado pelas nossas lágrimas. Laila correspondia o beijo, nossas línguas juntas, acariciando uma a outra. Eu não queria parar de beijá-la, sua boca era tão macia, seu gosto era tão bom, parecíamos saborear a boca um do outro. Um chorinho baixo soou e tivemos que interromper o beijo. Separamos nossas bocas e Laila não segurou os olhos nos meus. Ela olhou para o neném e beijou a sua testa.

“Mamãe está aqui meu amor...” Laila falou.

Percebi que estava muito frio no carro e era preciso cobrir o bebê com alguma coisa. Lembrei-me que no porta malas tinha uma blusa minha de lã.

“Vou pegar algo para cobrí-lo.” Falei e saí. A chuva havia passado, permanecendo apenas alguns pingos que caíam do céu. Voltei para o carro com a blusa e coloquei sobre o bebê nos braços de Laila.

“Acho que isso vai deixá-lo mais aquecido.” Falei. Laila olhou-me e falou:

“Obrigada.”

“Não precisa agradecer, afinal você fez o trabalho todo sozinha.”

“Sozinha não...esteve comigo e me ajudou muito.”

O bebê resmungou baixinho e eu comecei a olhá-lo, observando cada detalhe de seu pequeno rosto. Ele tinha os olhinhos puxados, poucos fios dourados na cabeça e estava cheio de vestígios do parto.

“Você precisa de um bom banho garotão.” Falei sorrindo e Laila sorriu também. Ela levantou um pouco o neném e falou:

“Charlie, esse é o seu pai...ele é um pouco cabeça dura, mas...” Laila falava e ria.

“Charlie?” Perguntei.

“Sim...é o nome do meu pai.” Ela respondeu e eu entendi o por que do nome.

“É um bonito nome.” Falei acariciando o rosto do bebê. “É um prazer conhecê-lo filho.”

Laila olhou-me sorrindo e eu novamente senti vontade de beijá-la, mas uma luz forte iluminou o carro e eu vi que um veículo se aproximava. Saí do carro correndo e acenei para o motorista que parou no mesmo instante.

“Preciso de ajuda, meu filho acabou de nascer dentro do meu carro...” Falei e o senhor que dirigia o carro desceu do mesmo me ajudando a pegar Laila com o bebê.

Fomos direto para o primeiro hospital e assim que chegamos lá, já colocaram Laila em uma maca, pegaram meu filho e os levaram de mim. Neste momento fiquei preocupado, senti uma insegurança grande, será que estava tudo bem com Laila e meu filho?

Sentei-me na sala de espera do hospital e liguei para a mamãe.

“Oi filho, disse que iria voltar...onde está?” Ela me perguntou.

“No hospital mãe...” Iria continuar falando, mas ela me interrompeu.

“Hospital? Ai meu Deus! O que aconteceu?” Ela falou preocupada.

“O neném nasceu.” Falei e ela repetiu a frase do outro lado do telefone. Ouvi várias vozes ao seu redor, provavelmente todos haviam ouvido. Passei o endereço e ela me falou que avisaria Henrique.

O tempo foi passando e logo Henrique chegou apressado e entrou na área de emergência. Richard, mamãe, Juliette, Vinicius, Tyson, Rosália e Isadora chegaram também e me encheram de perguntas. Contei o ocorrido e todos pareciam surpresos com o que havia acontecido.

Eu estava cansado e preocupado.

“Está todo molhado filho, precisa trocar essa roupa.” Mamãe falou.

“Não vou sair até ter notícias.” Falei.

Uma hora se passou e Henrique finalmente apareceu.

“E aí? Tudo bem com Laila e com meu filho?” Perguntei apressado.

“Está tudo bem.” Henrique respondeu. “Precisamos conversar.” Ele falou e eu percebi seu semblante preocupado.

“O que foi? Fale logo!” Falei nervoso.

“Calma filho...ele já disse que está tudo bem.” Mamãe falou tentando me tranquilizar.

“Como está Laila com o bebê Henrique?” Richard perguntou e Henrique se sentou abaixando a cabeça.

“Porra! Vai dizer ou não?” Falei irritado. Eu estava uma pilha...alguma coisa havia acontecido, mas o que? Laila parecia tão bem.

“Robert...deixa ele falar.” Richard falou e Henrique finalmente disse.

“Está tudo bem com Laila e o Bebê, mas...a criança...” Ele não falava e eu não estava aguentando esperar.

“O problema é com meu filho?” Perguntei.

“Não é bem um problema, o bebê nasceu com uma alteração.” Henrique falou e meu coração gelou.

“Alteração? Ele parecia normal quando nasceu, o que fizeram com ele?” Falei me aproximando de Henrique.

“Robert! Calma!” Richard falou.

“Ele é normal Robert, mas pelos primeiros exames diagnosticamos...” Henrique baixou a cabeça e não continuou.

“Diga!” Falei com a voz fraca.

“Síndrome de Down.” Henrique falou e eu me sentei no sofá não acreditando no que acabava de ouvir.

O silêncio tomou conta da sala, todos ficaram calados e eu não aguentei e comecei a chorar.

Continua...