Vi os primeiros raios de sol na janela do meu quarto. Eu não dormira nada na noite anterior só pensando naquele rapaz misterioso e como as palavras deles tinham mexido comigo de forma inexplicável. Além disso, o Sr. Robert ficou de me ligar caso eu tivesse garantido meu emprego. Afugentei meus pensamentos e fui me aprontar para aula de promotoria.
Enquanto estava em direção a faculdade ouvi meu celular tocar.
– Srta. Danielle Mendes?
– Sim, sou eu. Quem é?
– É Robert Klaus. Liguei para te dizr que você conseguiu a vaga. Só preciso que venha até o meu escritório hoje à tarde para te dizer alguns casos que eu já quero que você entre e no fim do mês receberá o seu salário. Tenha um bom dia minha jovem.- e desligou. Tipo, como ele me dá uma notícia dessas e desliga? Quase que bato o carro de tanta alegria e mal prestei atenção nas aulas da faculdade. Queria realmente começar com meu emprego.

Às 14:00 eu estava na porta da enorme mansão outra vez. Sr. Robert me chamou até o seu escritório e me passou 2 casos para exatamente o final do mês, antes de receber meu salário. Sempre um cara previnido.
Peguei o envelope com as informações e fui fechando a maçaneta quase saltitando pelo corredor. Quando viro meu rosto meu coração trava.
– Danielle — o cara misterioso sorriu. Ele estava próximo a porta no fim do corredor.
– Você... o que você está fazendo aqui? Está me seguindo? Você anda me bisbilhotando? — respirei assustada. — Afinal, quem é você?
– Desculpe não ter me apresentado ontem. — Ele se aproximou. — Meu nome é Joshua, Joshua Kla — a porta abriu-se atraz de nós.
– Filho, o que está fazendo aqui? Pensei que estivesse na igreja. — Robert fitou-o
– Tenho que resolver umas coisas papai, você sabe. — Ele deu seu sorriso maroto. O pai acentiu e entrou novamente no escritório.
– Você é filho do Robert? — fiquei pasma.
– Tá, digamos que eu não pareço taaaanto assim com meu pai...
– Não, você não parece NADA com seu pai. — eu o analisei. Robert era um grande promotor e empresário. Tinha um aspecto físico de autoridade.
– Meus amigos me chamam de Josh — ele mudou completamente de assunto e eu o encarei.
– Você não respondeu as minhas perguntas. — cruzei os braços.
– Eu não posso responder todas elas agora e também não aqui. Que tal dar uma volta? — ele estendeu a mão.
– Qual é, Joshua. Você acha que depois do que você me disse e essa sua cara de psicopata eu toparia dar uma volta com você?
– Sua curiosidade é maior do que seus medos. Eu sei o quanto você quer essas respostas então você não tem muitas opções.
Ele era estranho, mas chantagiava como ninguém. Fiquei parada ainda por um minuto então fui em direção à porta.
– Vamos, mas eu quero respostas. — não virei para falar isso.
– Você as terá no tempo certo.


Eu comecei a conhecer Joshua Klaus assim que ele abriu a porta do seu mini cooper branco. As músicas dele eram as mais calmas possíveis. Falavam sobre amor e honestidade. Ele me levou a vários locais da cidade enquanto conversava comigo sobre sua infância. Disse por onde o pai o levou para Nova York e o quanto ele tinha medo do Mickey na Disney( Eu disse que ele é estranho.) Depois me levou a melhor sorveteria da cidade. Finalmente ele me levou ao melhor restaurante da cidade chamado "The Lanesborough".
Educado como sempre, puxou minha cadeira e se pôs a sentar de fronte para mim.
– Sabe, eu poderia jurar que você esta inventando toda essa história. Soube por alguém da minha vida e está tentando apenas me cantar, estou certa? — arqueei a sobrancelha como se tivesse dado xeque-mate.
– Bem, você é linda, Danielle. — ele me encarou. — Mas, eu não sou o tipo de homem que mentiria somente para conquistar uma mulher. O que eu tenho a tratar com você é sério, muito sério.
– Tá legal, se você diz. — Ainda não acreditava naquele papo furado, mas deixei que ele pensasse que estava sobre o controle.

Depois de jantar uma comida deliciosa ele disse que queria me levar a um último lugar. Para terminar com "chave de ouro" o dia.
Chegamos próximo a fronteira da cidade. Ele parou o carro e abriu a porta para mim.
– Venha, tem um lugar onde a vista da lua é maravilhosa. — ele sorriu, segurou minha mão e me puxou. Olhei para onde ele estava me levando, era um monte... um pequeno monte. Uma explosão de nostalgia começou a tomar conta de mim e eu senti vontade de chorar.
– Vem Dani, sente-se aqui comigo. — ele sentou e apontou para onde eu deveria sentar e eu o obedeci.
Ficamos em silêncio por alguns minutos. Acho que eu nunca quis tanto que ele falasse comigo e me tirasse daquelas memórias.
– Aqui é nostálgico pra você, não é? — ele não olhou para mim.
– Vai me dizer que você sabe o porquê? — eu olhava para frente.
– Na verdade não, mas eu conheço essa expressão. — ele respirou. — Aqui também é nostalgico para mim.
Me veio na mente que de todo nosso dia juntos,ele falou de tantas coisas, menos sobre a mãe.
– Joshua, onde está a sua mãe? — eu o fitei. Ele virou-se para olhar nos meus olhos.
– Bem, minha mãe morreu quando eu ainda era um bebê. Minha vida inteira eu tive somente o meu pai. Sempre tive vontade de saber como é ter uma mãe. — ele continuava a me olhar nos olhos.
– E eu um pai. — fitei a lua que começava a surgir. Estava cheia, amarelada e linda.
– Você não teve pai?
– Tive. Mas foi a mesma coisa de nunca ter tido um. — fiquei muito chateada de falar justamente sobre aquele assunto. Já estava nostalgica e ainda tinha que pensar no meu pai?
– Esse é o lugar mais lindo de toda Londres. — Ele leu as entrelinhas do meu comportamento e mudou de assunto. — Aqui é onde eu sinto mais presente o amor de Deus.
– Você sente o amor de Deus?
– Claro, você não? — ele me fitou.
– Não consigo. — olhei pro chão.
– Não se preocupe, Danielle. Você vai aprender a amar novamente.


Ele fez questão de deixar-me na porta do apartamento. Eu não tive como negar que minha noite com ele foi a melhor desde que eu cheguei em Londres. Ele conseguiu me fazer esquecer boa parte do dia dos meus problemas e ele tinha algo especial que eu não entendia. Sempre me sentia confortável e bem na presença dele.
– Muito obrigada pelo passeio. Sabe, você é estranho e psicopatico mas... é divertido. — Eu sorri enquanto ele caminhava comigo até a porta.
– Você também é legal, só prefere sorvete de morango a chocolate mas, ninguém é perfeito,né? — ele riu e eu dei uma batidinha no seu ombro.
– Brincadeirinha. — ele silênciu e voltou a me encarar. Senti meu coração acelerar novamente.
– Danielle, agora eu vou responder uma das suas perguntas. — Eu estava tão convencida que ele queria me cantar que eu tinha esquecido completamente dos questionamentos. Ele me pergou de surpresa e eu fiquei assustada.
– Você tem muitas marcas do passado e isso vem te afugentando de viver seu presente. Você tem uma missão e ela será dividida em 4 etapas. Não vai ser fácil, não vai ser mesmo, mas quero que saiba que Deus me mandou para que eu auxiliasse e cuidasse de você. — ele me fitou sério.
Eu não pude evitar uma gargalhada.
– Deus o quê? Cara, você quer um beijo,é? Não precisa dessa cerimonia toda. — me enclinei em direção aos lábios dele e ele,educadamente. afastou os meus lábios.
– Eu não estou brincando com você. Sei que aqui você não fez amigos e eu quero e preciso ser seu amigo, porque o que você vai enfrentar de agora em diante será coisas que você nunca imaginou e nunca sentiu.
– Você quer realmente que eu acredite nisso? — eu o encarei.
– Não precisa agora, você verá com o tempo que as coisas vão mudar. Você finalmente vai ser feliz. — ele sorriu e me abraçou.
Eu não estava entendendo nada, não conseguia nem ao menos levar ele a sério. Mas no fundo, o que ele me dizia era o que eu realmente queria! Queria deixar meu passado, queria sentir coisas novas, queria ser feliz. Mas como assim missão, como assim Deus? Retribui o abraço e não evitei as lágrimas.
– Você é algum tipo de anjo? — soltei ele do abraço e sorri entre as lágrimas.
– Bem que eu queria ter asas enormes para voar. — ele riu. — Sou um humano, assim como você. Mas também tenho uma missão.
Não quis mais discutir com ele. Acenti com a cabeça.
– Você é um cara especial. Eu vou entrar e pensar em todas essas coisas e... obrigada, obrigada pela noite, pelo abraço e principalmente pelas palavras, Josh. — eu sorri.
– Nos veremos amanhã e mais vezes, Dani. — ele sorriu,entrou no carro e se foi.


Notas finais
Espero que gostem desse capítulo, xoxo *-*