Metamorfose
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Derrepente não gostava mais das mesmas coisas.
O mesmo som que sempre ouvi me parecia diferente.
A mesma paisagem havia mudado a meu ver, mas era eu que havia adquirido novos olhos.
Tudo era conhecido, agora tudo era novo de novo.
Minha mente me é estranha, os pensamentos novos me assustam, diferente é o brilho dos olhos que me encaram no espelho. Desconhecido.
Mudar dói. Assusto-me com meu novo eu.
Assusto-me com o horror que me era invisível, vejo que não era perfeito, perfeito estou longe de ser.
Estou longe de ser o que era, mas nunca estive mais perto de ser eu mesmo.
Pois o que me era desconhecido sempre esteve ali, eu não o enxergava, mas ali sempre estava.
Era frio e inocente.
Frio ou inocente.
Nunca vou saber qual era eu.
Mas sei que não sou mais nenhum dos dois.
Hoje me importo com o amanhã, mas há algum tempo atrás meu amanhã era hoje, e era ontem.
Igual não mais é o tempo que corre, pois eu mudei.
Para melhor ou pior não sei.
Mas sei que sou eu.
Nem melhor nem pior.
Apenas eu.
Confuso talvez, mas nunca menos certo de ser o que é, de ser eu.
Por uma metamorfose passei,se estou vivo não sei, mas agora tenho certeza de ser o que não era, tenho certeza de ser eu.
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