Mestre dos Desejos
1 Prólogo
Início de 2007.
Madrugada, escura madrugada...
As luzes da cidade estavam apagadas, a chuva caía constantemente, o vento soprava forte fazendo tremer os galhos das árvores que gemiam, o mar encontrava-se em uma furiosa ressaca, uma tempestade que causou um breakout no Rio de Janeiro.
Naquela madrugada, Luana rolava na cama, tão agitada quando as chuvas de verão, banhada em suor, debatia-se por um pesadelo. Nele, via cenas de sexo, mais do que isso, cenas de amor profundo, de entrega total, em espírito. Via ela mesma e um homem. Via um homem, mas não o seu rosto, apenas uma espécie de cruz em seu pescoço.
Em seu pesadelo, havia fogo ao seu redor, ela sentia um desespero real, sentia-se sufocada e sem saída e então uma voz surgia em seus ouvidos, uma voz fria que lhe causava uma comoção imensa, uma voz que dizia palavras que partiam seu coração:
“Pela salvação de nossas almas deves morrer”.
E era nessa hora, sempre nessa hora que ela acordava assustada com um grito preso na garganta.
Outra vez o mesmo sonho! Sempre voltava, noite ou outra desde que completara vinte e um anos, ou seja, a mais de um ano atrás.
As luzes logo voltaram a brilhar, Luana respirou fundo, levantou-se da cama, lavou o rosto, olhou para o relógio, três da manhã, sabia que não dormiria mais.
Segundo seu analista, este sonho estaria relacionado a um trauma de adolescência entre outras coisas, tudo interligado, não superado e manifestado através de sonhos pelo seu subconsciente. Acontece que por mais que ele explicasse e explicasse inúmeras vezes, e por mais que ela se esforçasse para levá-lo a sério, não conseguia deixar para trás a sensação de que aquilo não fazia parte do seu passado, mas sim do seu futuro e a cada dia que se passava, sentia-se mais perto e mais ligada ao que estava para acontecer.
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