Mess.
17 Capítulo 17
Notas iniciais

Melissa, não ouse!
– Então... Eu te vejo na segunda. — Merda, todo e qualquer aviso mental que eu me fiz para não suspirar foi prontamente ignorado e quando Travis se inclinou para roçar os lábios pela minha bochecha eu suspirei. Eu realmente suspirei pesado como uma idiota. Eu sou patética.
– Hm, claro. — Digo enquanto aperto meu celular nas minhas mãos e olho ao redor desesperada por uma distração.
– Boa noite, sonhe comigo. — Travis me rouba um beijo rápido e eu o empurro enquanto tento esconder o sorriso idiota que insiste em tentar se espalhar pelo meu rosto.
– Na outra vida, vá embora Becker. — Resmungo enquanto dou as costas e corro para a porta de casa, eu estou espiando pelo olho mágico quando ele acelera pela rua e vai embora.
Eu subo as escadas pulando de dois em dois degraus, corro até o meu quarto e tranco a porta antes que minha mãe acorde e decida saber cada detalhe do que eu fiz durante a noite. Me desfaço das minhas roupas e visto meu pijama velho, prendo meu cabelo e me jogo na cama, encaro o teto por longos minutos e tento organizar os acontecimentos dos últimos dias. Zacky me expulsando, o encontro com Travis, a amizade com Madoc, as mentiras para Emilly e Lizze, eu tento organizar tudo e então entender como diabos eu vim parar aqui. Escondo meu rosto no travesseiro e grito até cansar, eu vou ficar louca se não contar tudo isso para alguém. Eu realmente vou. Meu celular toca e eu me estico para alcançar no final da cama, quando eu atendo fica claro que de algum modo a vida está me sacaneando por ser uma puta mentirosa.
– Oi Emy.
– Melissa será que você pode por favor parar de ser uma puta mentirosa e contar toda a verdade de uma vez por todas? Que diabos você estava fazendo com Travis hoje a noite? E não me venha com o maldito trabalho de história porque eu sei que vocês já estão com tudo praticamente pronto! Será que você pode uma vez no mundo não se achar a porra de uma espertinha e contar o que está acontecendo? Você pode achar que Lizze e eu somos estúpidas mas nós não somos, eu não sou, eu sei que tem algo aí e se você não me contar, vou descobrir sozinha! — Emilly grita do outro lado da linha e eu me contorço, sentindo pela primeira vez em anos a porra do medo, o desconforto.
– Emy, nós só fomos jantar para discutir uns ultimos detalhes, isso é tudo. — Eu sou uma vadia. Deus eu mesma me odeio.
– Você é inacreditável Melissa, eu estou cansada disso, se você não vai me contar então eu vou perguntar a Travis, ele é mais honesto do que você de qualquer forma. Adeus. — Quando eu tento argumentar o tom de discagem é tudo que eu recebo de resposta, encaro o telefone e o atiro do outro lado do quarto. Merda de vida complicada. Deus, quando você vai parar de brincar comigo? Enfio o rosto no travesseiro e grito outra vez. Dessa vez, de verdade.
(...)
– Como foi o encontro? — Essa é a primeira coisa que mamãe me pergunta quando eu acordo na segunda feira, no domingo eu apenas consegui fugir com um suposto jogo de vôlei para o qual eu estava atrasada, segunda eu apenas não tinha desculpas ou vontade de inventar alguma.
– Não foi realmente um encontro, mas foi okay, me fez lembrar de quando eramos mais novos e ele não era um completo pau no...
– Melissa! Não diga essas coisas okay? Quer dizer então que foi um encontro como o que vocês teriam se Travis não tivesse ido embora? — Ouch mãe, passo errado. Por alguns segundos eu estou de volta aos treze anos com Travis encostado na parede ao lado da minha sala de inglês, ele está sorrindo e então ele me pergunta se podemos sair na sexta para ir ao cinema com seu primo mais velho, eu aceito toda sorridente e então três dias depois ele está me dizendo que vai embora para Dallas em uma semana, no dia do encontro eu descubro que ele apenas já foi e que nem sequer quis se despedir de mim. Machucou mas eu superei e esperei, dois anos depois ele estava de volta como o filho da puta arrogante que não me deixava viver em paz.
– Movimento errado mãe, só deixe isso no passado okay? — Eu resmungo enquanto engulo meu suco de laranja e agarro minha mochila.
– Oh, eu esqueci que você ainda não tinha perdoado o garoto por isso, mas vamos lá Melissa, estava na cara que ele te venerava, ele apenas não teve coragem de se despedir de alguém que amava, apenas esqueça isso. — Mamãe me diz enquanto agarra as chaves do carro e veste suas luvas, eu ignoro mas sei que eu deveria ter esquecido isso há tempos atrás.
– Não enche okay? Apenas vamos de uma vez. — Resmungo e visto meu casaco, nós duas sentamos em silêncio no carro e eu permaneço assim até o colégio enquanto ela cantarola uma musica qualquer que toca no seu fone de ouvido. Estamos como gostamos, juntas porém sozinhas.
– Vejo você de noite docinho, lembre-se, perdoar é divino! — Mamãe grita pra mim enquanto eu ando rapidamente até o portão tentando de todos os modos fingir que ela não está falando comigo.
Quando eu atravesso os portões Madoc está do outro lado encostado em uma arvore e observando o portão como se a vida dele dependesse daquilo, quando me avista ele abre a boca e então eu sei que ele está apenas indo para gritar por Travis, eu corro o mais rápido que posso e me jogo em cima dele enquanto tento tapar sua boca, Madoc ri e agarro minhas duas mãos enquanto me empurra pra que eu não consiga tocar nele de modo algum, eu xingo e grito o máximo que posso mas ele continua rindo e me ignorando. Eu apenas estou indo para repensar essa maldita nova amizade.
– Travis, eu achei sua garota! — Madoc grita e eu reviro os olhos enquanto tento chutar sua perna. — Venha logo antes que ela machuque alguma parte preciosa de mim!
– Eu vou matar você Madoc! — Eu grito irritada e isso arranca outra risada dele que dessa vez vem acompanhada por uma de Travis. — Vou matar vocês dois!
– Você não vai, sabe disso. — Travis diz enquanto tira as mãos de Madoc de cima de mim e agarra minha cintura me prendendo do seu lado, eu estou chocada demais para me mover ou protestar, eu estou sendo abraçada por Travis no meio de todo o maldito colégio. Deus o que eu fiz pra merecer.
– Então vocês finalmente se acertaram? Deus, eu esperei por isso nos últimos dois malditos anos, não na verdade eu espero por isso há mais tempo. — Madoc suspira teatralmente e eu me impulsiona pra frente pronta para atingir qualquer parte dele que eu puder. Como diabos ele ousa dizer que eu sou a garota do Becker?
– Calma gatinha selvagem, ele só está animado que eu vou parar de ser um maldito pau. — Travis diz enquanto ri e eu me contorço tentando acertar ele dessa vez.
– Gatinha selvagem é a filha da sua puta, eu tenho um nome seu filho da puta! — Eu grito irritada enquanto bato em tudo que eu alcanço do Becker, ele me puxa com força e a proxima coisa que eu sei é que nós estamos nos olhando seriamente de perto e ele tem um braço ao redor da minha cintura e uma mão na minha nuca, minhas mãos estão presas contra seu peito e ele está sorrindo com aquelas covinhas a mostra, no segundo seguinte eu o beijo, eu não posso me impedir, simplesmente o beijo.
– Você é uma puta falsa, Melissa! — O grito irritado ecoa no meu cerebro nublado pelo nervosismo do beijo e eu demoro alguns segundos para descobrir de quem é a voz, quando eu ligo a voz a pessoa eu xingo mentalmente e sei que a vida não poderia ser mais hilária, me separo de Travis com um empurrão forte e encaro Emy que me dá o olhar mortal dela, o que ela separa para Hillary e Brianna as garotas que ela odeia.
– Emy, vou explicar pra você, só espere um segundo, sério, por favor. — Eu tento me soltar mas Travis me aperta mais forte.
– Você é uma puta! — Ela grita irritada e antes que ela consiga chegar até mim Madoc está segurando-a pela cintura, ela está gritando e xingando.
– Cale a maldita boca e para com o show Emilly, nós não somos nada, nós nunca fomos realmente, apenas deixe Melissa em paz o que? Eu não vou repetir isso outra vez. — Travis avisa e ele está tão calmo que eu paraliso ao seu lado, ele não exala nada de nervosismo, é apenas uma ameaça pura e simples, o tom da sua voz avisa que ele não quer ser contrariado. Emilly grita e esperneia enquanto Madoc a arrasta pra longe, Travis aperta o braço ao meu redor e eu recebo um beijo na testa enquanto ele nós leva para a sala de história e tudo que posso fazer é me agarrar a ele enquanto tento adivinha que inferno eu vou fazer sobre Emilly e todos os outros.
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