Mess.
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Corri pra fora do carro pelo campus enquanto a chuva caía torrencial, talvez isso atrasasse Zacky e Travis, talvez eu conseguisse chegar a sala sem ser vista por um dos dois. Empurrei as portas principais e andei tentando me livrar do excesso de água, Lizze me encarava do outro lado do corredor com uma sobrancelha arqueada e um olhar questionador, eu sabia que ela queria saber onde Zacky estava e porque não estava comigo. Dei de ombros e fui até ela, abri meu armário ao lado do seu e joguei minhas coisas dentro, segurei os livros de matemática e geografia, empurrei a porta e cliquei a fechadura.
– Então...
– Então o que? — Perguntei como se não soubesse do que ela falava, ganhei um olhar feio e fingi não ter entendido.
– Você e Travis, onde está Zacky? — Ela soltou e perguntou, eu dei de ombros outra vez, essa merda só estava ficando muito frequente.
– Não sei, Travis e eu não existe, e eu não sou a porra da babá do Zacky. — Eu resmunguei enquanto nós duas seguíamos para nossas salas.
– Aham, será que você já avisou pra ele? Zacky nunca se atrasa...
– Ele deve ter perdido a carona, Emy falou que buscaria ele. Enfim, vamos andando porque eu não quero correr o risco de Travis me ver. — Resmunguei novamente enquanto agarrava o braço de Lizze e andava até a sala.
Não existe um motivo divino para meu pavor sobre ver Travis, eu simplesmente não sabia como agir depois de tudo e era uma merda de um sentimento ruim, o que será que ele estava pensando? E se agora ele achasse que somos namorados ou coisa assim? Travis e eu não funcionamos bem juntos, se nós não somos bons em uma dupla para um maldito trabalho porque nós seriamos bons como um casal? E porque diabos eu estou pensando nessa merda toda? Balancei a cabeça irritada e alcancei meus fones de ouvido, Smallpools explodiu por eles e eu comecei uma batida cadenciada na minha mesa enquanto olhava desesperada pra porta.
– O que é que nós estamos procurando naquela porta? — A voz de Travis vem de trás de mim e eu pulo na cadeira assustada. Porra, onde esse infeliz estava quando eu entrei?
– Hm, nada em particular. Por onde você entrou? — Eu pergunto e me viro na cadeira para poder olhá-lo.
– Pela porta de trás obviamente, isso que você está batucando na mesa por acaso é dreaming do smallpools? — Travis estendeu a mão e agarra meu celular, encara a tela por alguns segundos e sorri. — Como eu pensei, eu gosto dessa musica.
– Eu gostei antes de você, isso me dá uma vantagem. — Resmungo e olho para o braço dele sobre o encosto da minha cadeira, o rosto perto do meu ombro enquanto ele sorri o típico sorriso debochado dele.
– Você pode ter gostado antes mas eu acho que gosto com mais intensidade, você sabe eu sou esse poço de sentimentos andando por aí dentro de um par de calças jeans fodas, sinto muito querida. — Ele agarra uma mexa do meu cabelo e enrola ao redor do dedo.
– Idiota, cale a boca. — Não consigo impedir o sorriso idiota de se abrir no meu rosto. Sou uma idiota, de verdade.
– Sabe o que precisa fazer se quiser essa minha gloriosa boca fechada. — Ele se estica e seu rosto fica a centímetros do meu, eu posso sentir o clima tenso na sala enquanto os outros esperam a minha reação.
– Tire a mão, QB. — Eu empurro a mão dele mas ele está sorrindo quando se joga pra trás e se apoia na cadeira.
– Eu posso sobreviver depois dessa. — Seu sorriso se alarga quando eu reviro os olhos e me viro pra frente dando ao professor que acaba de entrar toda a minha atenção.
–Você pode sim. — Eu resmungo baixo para que só ele escute.
Quando o sinal para a troca de salas ecoa eu corro pra fora como se minha vida dependesse disso, vou pro corredor vazio do segundo andar e espero até que todos estejam em suas salas, desço as escadas e vou para a quadra tentando não esbarrar em alguém. Me escondo embaixo das arquibancadas e acendo um cigarro, dou uma tragada e tento me focar sobre que porcaria eu estou fazendo na vida quando deveria estar me dedicando como louca ao meu ultimo ano, enquanto eu tento achar as respostas certas eu só consigo formar a imagem de Travis sorrindo. Droga de paixonite. Prendo meus cabelos e continuo tragando o cigarro, quando acabo eu o esfrego na parede e jogo a bituca em um lugar qualquer, espero o sinal para a próxima troca de salas e subo para a aula.
– Será que você poderia me explicar porque caralho está fugindo de mim? — Zacky está parado na minha frente na porta da sala de aula.
– Hm, eu não estou fugindo.
– Você está, não me avisou que Emy me traria pro colégio, não me ligou ontem a noite, não me procurou hoje antes da aula. Vamos lá, me diga o que aconteceu Melissa. — Fodida. Eu com certeza estava fodida, Zacky só me chamava de Melissa quando estava tão irritado que não poderia pensar em apelidos.
– É Lissa pra você, olha só Zacky, eu não to legal okay? Me deixa respirar um pouco, eu só to assimilando umas coisas, logo eu vou voltar ao normal. — Enfio uma mão pelo meu cabelo e tento me reorganizar mas nada parece dar certo. Flashs aleatórios do meu beijo com Travis, de Zacky me abraçando e então cenas aleatórias com Travis outra vez. Eu vou ficar louca, porra eu vou enlouquecer.
– Tá tudo bem? Quer que eu te leve pra algum lugar? — Ele tenta se aproximar de mim mas eu estendo as mãos pedindo silenciosamente pra que ele fique onde está. Preciso de distância.
– Eu vou ficar bem, só me deixe em paz pela porra de um segundo, vocês estão me enlouquecendo! — Eu praticamente grito e olho para o teto da quadra, qualquer lugar menos no rosto confuso de Zacky.
– Certo, eu estou indo pra aula, a gente se vê. — Aceno um sim e recolho minha mochila, atiro uma alça sobre o ombro e ando atrás dele.
Quando a ultima aula do dia acaba eu estou esgotada, eu tentei fugir de Travis o dia inteiro e consegui com muito esforço, atravessei o campus tentando não ser vista e me encostei no meu carro rezando pra que Lizze aparecesse logo, ela tinha pedido uma maldita carona até a casa da sua tia que morava bem perto de mim então eu disse que iria esperar por ela no carro. Apoiei minha testa na janela do carro e tentei me concentrar na musica que tocava nos meus fones de ouvido, Two door cinema club ecoava com "And I can tell just what you want you don't want to be alone" ótimo, realmente, como se isso fosse o que eu precisava. Arranquei o fone dos ouvidos e enfiei no bolso do casaco.
– Você sabe que realmente não conseguiu se esconder de mim não é? Quero deixar claro que não te persegui porque notei que tinha algo errado. — Ótimo, sério Deus? Travis? Eu dou a volta e ergo o rosto para encarar o ruivo.
– Tanto faz, Becker. — Resmungo e me apoio contra o carro, Travis apoia o braço ao lado da minha cabeça e eu sinto a multidão de olhares se direcionar para o meu carro, merda, tinha mesmo que acontecer no estacionamento?
– Voltamos a usar os sobrenomes para conversar? — Ele abaixa o rosto para que seus olhos fiquem no mesmo nível que os meus, essa porra só me deixa com as pernas fracas e o coração acelerado e isso é tudo que eu não queria sentir agora.
– Sim, na verdade nós nunca saímos dessa zona, nós não somos íntimos. — Eu digo enquanto tento empurrar ele pra longe de mim.
– Eu diria que isso é uma grande mentira, nós somos bem íntimos. — Eu viro o rosto mas os dedos dele agarram meu queixo e antes que eu possa realmente pensar os nossos lábios estão grudados e Travis está iniciando um dos melhores beijos que eu já recebi na vida, tudo que eu sei é o quão fodida eu sou, o quão sortuda eu sou também.
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