Mess.
6 Capítulo 6
Notas iniciais

Eu andei apressada entre as prateleiras procurando ansiosamente pela prateleira com os livros de história geral, quanto mais rápido eu encontrasse mais rápido eu conseguiria sair da maldita biblioteca e de perto do Becker maldito. Encontrei a prateleira mas o idiota tinha simplesmente sumido no mar de livros que me cercava. Agarrei meu celular e procurei o numero dele na lista de contatos, não se assuste pelo fato de eu ter o numero do Becker no celular, como já dizia minha vó "Mantenha seus amigos por perto e os inimigos mais perto ainda." Achei o número e liguei pro idiota.
– Pra que você tá ligando? Eu to bem atrás de você, Mess. — Travis disse praticamente nas minhas costas e eu pulei assustada. Quando é que ele tinha chegado?
– Seu idiota, me faz um favor e fica aqui ok? — Eu resmungo enquanto encerro a chamada e encaro a prateleira na minha frente.
Travis riu e andou até o fim do corredor principal, dois corredores depois de mim, eramos dois pontos iluminados no meio do espaço escuro e era seriamente assustador ver tudo escuro ao redor. Eu subi na escada e me estiquei até alcançar o livro na prateleira de cima, desci a escada com todo cuidado do mundo e coloquei o livro na poltrona perto de mim, do outro lado Travis empilhava quatro ou cinco livros ao lado dos seus pés. Escolhi mais alguns livros e andei até onde ele estava em pé encarando a estante.
– O que tem de tão interessante aí? — Eu perguntei enquanto olhava pra ele.
– Nada, só estava tentando entender como você se divertia com o jogo da paralisia. — Travis disse enquanto se virava pra mim sorrindo de orelha a orelha. Juro que eu não mereço.
– Você é tão engraçado que eu sinto uma leve vontade de morrer, Becker. — Resmungo enquanto ando até a poltrona e me jogo nela.
– Eu só queria entender as raízes da sua diversão. — O Becker disse enquanto andava até onde eu estava largada folheando o livro de história geral.
– Que tal entender a história? Anda, comece a ler alguma coisa. — Eu jogo um livro pra ele mas o idiota não se move pra pegar e deixa que o livro bata no peito dele e caia no chão.
– Que tal só levar os livros pra casa e ler amanhã? Eu cansei, quero dormir. — Travis disse enquanto se espreguiçava e levantava da poltrona.
– De jeito nenhum, eu não vou perder outra noite com você.
– Você não tem escolha, anda, vamos. — Ele apanha os livros e os apoia em um braço enquanto estende a mão livre pra mim. Vai sonhando, como se eu fosse aceitar aquela mão cheia de bactérias.
– Só mais uma noite, eu não tenho tempo pra você, Becker. — Eu resmungo enquanto pego os livros que eu separei e ando rapidamente passando na frente dele e ignorando a mão estendida.
– Você é tão mal educada. — Ele resmunga enquanto anda atrás de mim até a porta, eu passo o crachá e nós vamos até a recepção para que a moça descreva nos nossos cadastros quais livros vamos levar, demora mais longos dez minutos e eu começo seriamente a querer bater na garota. Qual é, será que não dá pra fazer o seu trabalho e parar de babar no ruivo extremamente arrogante parado do meu lado? E olá, eu estou aqui também!
– Se você trabalhasse mais e babasse menos nos caras prepotentes você sabe, eu já estaria em casa. — Eu resmungo alto pra que ela escute mas eu sou prontamente ignorada. Talvez eu tenha ficado invisível. Eu sempre quis ser invisível.
– Prontinho, Travis! — A loira irritante canta pra ele e eu agarro o braço do Becker enquanto ele pega os livros de volta, eu o arrasto pelo caminho antes mesmo dele ter se equilibrado, mas ele me deixa arrastá-lo.
Travis desliga o alarme do carro quando eu estou muito a frente dele e praticamente a dois passos do carro, ele está atrás de mim, uns bons vinte passos atrás e eu pretendo que ele fique a uns quarenta ou cinquenta então lembro que esse é o carro dele e ele é minha carona pra casa. Eu devo ter cometido grandes pecados pra merecer essa punição. Entro no carro de mau humor e coloco o cinto, apoio meus pés no painel enquanto procuro um cd legal.
– Você ficou com ciúmes? — Travis pergunta assim que entra no carro, eu ignoro porque a piada foi boa mas não tanto assim a ponto de me fazer rir ou me pronunciar. — O silêncio é um sim?
– Eu me recuso a responder essa insanidade. — Digo enquanto acho o cd que eu queria coloco pra tocar e echosmith ecoa pelos auto falantes.
– Não adianta, se você não responder agora vai responder amanhã. — Ele ri enquanto acelera pela rua vazia e eu dou uma risada sem vontade. Como se fosse possível alguém como eu, gostar de alguém como o Becker.
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