Belle engole em seco e sente a excitação tomar conta de sua sanidade. Nas mãos de seu marido, a adaga escondia-se dentro daquele tecido. Seria forte, seria imbatível e teria todos os seus desejos realizados, principalmente o desejo de reunir sua família outra vez. Teria seu belo marido e sua filha junto dela, além de tornar-se ainda mais poderosa com a posse daquela adaga. Ela saliva com a ideia.

Vai até o pirata e não resiste em tocá-lo. Não iria roubar a adaga, porque queria ver aquele homem orgulhoso curvar-se quando fosse entregá-la.

– Eu me lembro do que pedi para salvar seu irmão completamente, meu lindo pirata. – Belle toca os cabelos longos do homem. – Eu lhe pedi que me entregasse a nossa filha. Sabe, o que me incomoda é saber que algo protege minha filha de mim e que não a terei em meus braços, a menos que ela queira.

– Não estou disposto a negociar a nossa filha. Ela é a única que pode deter as suas sandices, minha querida.

– Juntas seriamos imbatíveis, principalmente agora, que irá entregar a minha adaga. – Belle não resiste e continua tocando o homem. Queria simplesmente devorá-lo. – Onde minha filha está, Rumpel? Não a encontro em parte alguma! Por que fez isso comigo?

– Porque você escolheu o lado tenebroso em vez de seguir pela luz. A magia ocupou espaço mais importante em sua vida, do que Emma ou eu.

Emma? Regina mantém sua atenção sobre as expressões do pirata e podia sentir o amor emanar junto com as palavras dele. Emma era o nome da menina, filha do Capitão Gancho Negro e da Sombria. O livro havia dito que os nomes eram os mesmos, mas as histórias não. Por segundos, a Rainha sorri. Era a única coincidência! Seu devaneio é quebrado pela voz da Sombria.

– Eu vou descobrir para onde você enviou nossa filha e irei trazê-la para conviver comigo e com os meus conhecimentos. E sei que posso oferecer para Emma, o que mais ninguém pode.

– Ela irá odiar você, Belle. – Regina fala mansamente. – Mesmo quando encontrar a sua filha, ela irá odiar você e vai lutar contra tudo o que você representa nesta história. Saiba que sua filha é tão forte quanto você e terá a força de acabar com seus poderes. Por isso ela foi afastada de seus cuidados, para não ser corrompida.

– Cale a boca! O que sabe sobre mim, Rainha?

– Sei o que a história do meu reino ensinou-me. Sua filha poderá ser a Salvadora deste reino e por isso, será sua pior inimiga. Trazê-la para seu lado fará com que ela queira o seu poder e o seu lugar.

– Isso não poderá acontecer porque terei a adaga!

– Mesmo com a adaga, o Sombrio de meu reino, foi derrotado e está adormecido. Traga sua filha para junto de você, e ela será sua perdição.

O pirata e Adam entreolham-se assustados com as revelações. O espírito de Adam estava arrependido por querer estar ali. Queria sair correndo dali, porque a Sombria causava-se mais terror do que a Rainha Monstro. Tudo ali dentro cheirava a horror e magia, tudo poderia acontecer.

Belle mantém sua mão tocando os cabelos do pirata. Era possessiva.

– Pela adaga concederei apenas um acordo. Caso queira salvar seus dois amigos, basta dizer-me onde está a nossa filha.

Adam e Regina olham para o pirata e esperam uma decisão dele.

– Eu lhes presenteio com a noite toda. Discutam, briguem, esfolem-se e logo pela manhã, saberemos a decisão do meu belíssimo marido.

Era tarde da noite. Adam ainda olhava para a escuridão lá fora e não conseguia encontrar uma solução para aquele impasse. Queria ser livre novamente, porém, não poderia alterar o destino de Regina, que não pertencia aquele reino. Poderia mudar o rumo da história que um dia seria contada. Não conseguiria carregar o peso do remorso ao olhar nos olhos de Regina e ver as lágrimas da saudade e da mágoa. Tinha aprendido a gostar dela. Entretanto, ele seria um homem completo e poderia cuidar dela, casar-se com ela e juntos teriam filhos, além de terem forças para lutarem contra os desmandos dos governantes e da Sombria. Para isso, o pirata deveria escolher libertá-lo. Ele se incomoda e olha o pirata por cima do ombro.

– O que essa adaga tem de especial?

– Ela é a única arma que controla a Sombria. – responde Regina incomodada com a lentidão do pirata em usar aquela arma. – Por que não a usou para obrigá-la a fazer o que você ordenar?

– Pode ser assim em seu reino, Rainha Má. – o pirata permanece em pé junto à janela e não se dá ao trabalho de olhar Regina. – Existem regras feitas pelos antigos Sombrios do nosso reino. A adaga não pode ser tomada à força, senão será um mero metal. Por que pensam que Belle não a arrancou de mim?

– Deixe-me arriscar uma resposta: talvez porque Belle deseje que você entregue a adaga num ritual regado a vinho, uvas e alguns véus? Seria romântico!

– Fazer a dança dos sete véus e usando a adaga seria bem interessante. – o pirata ainda se mantém costas. – Somente quem possui o sangue de Belle nas veias, pode controlá-la usando a adaga. Não tenho o sangue dela em mim. Mas, se eu a entregar de boa vontade, Belle poderá usar como bem quiser o amuleto. Por que pensa que Belle está serena, mesmo sabendo que tenho uma das adagas?

Algo dentro do peito de Regina provoca um aumento dos batimentos de seu coração. Haveria mais adagas como aquela?

– O que pretende fazer? Vai abrir o portal ou vai pedir minha libertação?

– É obvio que Rumpel irá pedir a sua libertação, Adam! – a mulher fala e desta vez, provoca o olhar o Capitão pirata. – Depois que você estiver livre, iremos procurar uma chave para um portal. Eu nunca pensei que a Sombria iria atender a dois pedidos, sobretudo, porque conheço a natureza dos sombrios. Eu fui aluna de um deles.

Era madrugada e somente Adam havia conseguido relaxar. Estava dormindo.

Chegando perto do pirata, Regina toca seu ombro e fica ao lado dele, olhando para a noite lá fora, começando a deixar o posto para o dia ocupar.

– Eu me apaixonei por você, desde o primeiro instante que o vi, Rumpel.

– A senhora apaixonou-se pela imagem que lhe remetia ao seu falecido marido. Não pense que me iludi com seus beijos, seus toques e com as carícias naquela noite.

– Viemos ajudar Adam e ele é a nossa prioridade. Quando ele estiver forte, iremos juntos, os três, em busca de um portal para minha volta para minha família.

– Não iremos não, Rainha. Eu já quitei a minha dívida com a senhora. – ele se vira para ela e exibe um olhar triste.

Regina sente o desejo de mergulhar naquelas piscinas azuis.

– Já se passaram vários dias, desde que chegamos a esta ilha. As nereidas já retornaram para seus lares com seus filhotes feios e poderemos retornar para meu navio, ladeando o litoral em um dos barcos de algum aldeão. Não precisaremos atravessar a estrada novamente.

– Isso é bom.

– Sim. Eu os levarei de volta para Frenjalote e seguirei o meu rumo.

– Fico feliz que tenha feito a decisão correta sobre Adam.

– Devo isso a ele. Desde minha entrada na vida dele, tudo foi roubado. A alegria, a exclusividade do amor do pai e a aldeia onde nasceu. O pai dele deu a vida para salvar pessoas e a mim. Devo isso a ele e peço que a senhora entenda.

Regina sorri e sem resistir, acaricia os cabelos negros e longos do pirata.

– Eu não esperava outra atitude sua, Rumpel.

– Mas posso ser surpreendente, Rainha!