Mesmos Nomes. Outras Histórias.
4 Conhecendo velhos conhecidos
– Por que esse pirata cortou a mão da rainha?
– A Rainha tinha poderes que vinham de uma pata de macaco no lugar da mão. Fazia coisas más, usando o poder. O pirata invadiu o castelo e decepou a mão dela. A bruxa ficou com poder reduzido, como se fosse uma iniciante.
Regina sorri interessada na história.
– O pirata a escondeu em algum lugar desconhecido. – Adam sorri ao ver o belo sorriso de Regina. – Agora, preciso fazê-lo levar-me até onde está a tal pata de macaco.
– E como pensa que conseguirá?
– Vou ferí-lo e você me ajuda, já que é uma bruxa. – Adam fala timidamente e provoca um sentimento de carinho em Regina. – Depois que eu conseguir meu objetivo, ajudo você a voltar para sua casa.
Regina para e aguça sua audição. Tinha certeza de que estavam sendo seguidos e poderia apostar alto que o perseguidor era o tal bandido pirata.
– O que foi? Percebeu que estamos acompanhados?
Ela confirma com um movimento de cabeça.
– Ele está no seguindo. Você possui poderes. Poderá imobilizá-lo, enquanto eu o drogarei com uma de minhas setas.
O tom imperativo usado pelo homem não agradou Regina. Embora tenha concordado, ela se mostra desconfortável. Não poderia perder a companhia daquele homem e sua ajuda para encontrar uma saída daquele lugar assustador.
Por mais um tempo, o casal caminha em direção às colinas e continua sendo seguido pela presença camuflada em meio à mata. Lá pelas tantas, Regina apanha o odre de couro entregue por Adam e dirige-se para a beirada do rio. Acocora-se ali e começa a enchê-lo com água.
– Olá, bela senhora! – a voz de um homem é ouvida e ela direciona seus olhos para a origem do som.
Do outro lado do rio, um homem grande e esguio, protegido por uma capa imensa, sorria e olhava em sua direção. Sem conseguir entender o que estava vendo, Regina se esquece de respirar. Seu coração fica acelerado e sem conseguir controlar suas emoções, ela alarga o mais bonito dos sorrisos.
– Magno...
O homem afasta os cabelos do rosto e prova que conseguiria ficar ainda mais bonito. Ele mantém o sorriso nos lábios. Com passos decididos, ele atravessa pela parte rasa do rio e aproxima-se de Regina, ainda embasbacada pela visão.
– Você voltou...- ela estende a mão e toca o rosto dele e sem hesitar aproxima-se e beija-lhe suavemente os lábios.
O toque com aquela superfície macia a retira de seu delírio e ela se afasta envergonhada. Aquele não era Magno, porque seu marido havia morrido.
– Desculpe-me...
– Desculpar alguém que me deu um beijo? Por que eu faria tal tolice?
– Perdão...- ela toca os próprios lábios com a ponta dos dedos. – Você se parece muito com meu falecido marido.
– Caso ele estivesse vivo, iria sentir-me honrado. Mas parecer-me com um morto, não é lisonjeiro.
Regina olha para os lados e procura o odre que estava enchendo com água. O homem é mais rápido e apanha o objeto, devolvendo para ela.
– Eu...
Com movimentos suaves, ele se inclina para frente e a cumprimenta elegantemente.
– Sou Rumpelstichen, ao seu dispor! Mas pode chamar-me de Capitão Gancho Negro!
– Você é o Sombrio? O Dark One? – ela explode admirada.
Um riso divertido é o início da resposta.
– Não. Em Frenjalote temos a Sombria e já basta uma! – ele se endireita. – E você, bela senhora, tem nome?
Regina estende a mão e encanta-se com a forma lenta e sensual como ele a beija. Os olhos dele ficam fixos no rosto dela, apenas para ver sua reação.
– Tenho.
– É a primeira vez que conheço alguém com o nome de "Tenho." — ele morde o lábio inferior. – E então, “Tenho”, o que a fez vir pelo portal?
– Eu...eu sou Regina...
– Tão linda e com o mesmo nome que a Rainha Monstro? Você não tem a pata de macaco...
Sutilmente, Regina liberta sua mão. Estava retornando à realidade e havia acabado de desconfiar que aquele homem poderia ser o pirata bandido.
– O que o senhor faz por aqui?
– Para ser sincero, bela Regina, eu estava seguindo você e o homem mal humorado.
A expressão que surge no rosto da mulher é divertida. Ela estava simplesmente encantada com a possibilidade de ver o sorriso de seu Magno outra vez. Poderia tocá-lo de novo e sentir o calor de sua pele sob suas mãos. Poderia cheirar Magno novamente.
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