Merry Yaoi Christimas...!

1 OneShot - Capítulo único.


Notas iniciais
Tenha uma boa leitura *-* P.O.V (Ponto de visão) do Nico.

Eu caminhava em meio a neve na direção do chalé de Apolo, já era difícil quando começava uma pequena nevasca, mas com a neve batendo nos meus joelhos era bem mais difícil me locomover. Era dia vinte e quatro, á um mês e alguns dias, mais ou menos, a maioria do campista tinha partido, á essa hora deviam estar preparando as coisas pro natal e ano novo. Eu, Jason e Will ficamos no acampamento, com cerca de outros vinte campistas. O Natal não era celebrado no acampamento pelo simples motivo de não ter sentido pra nós, mas assim que um dos filhos de Atena com seus dons de metido á sabe tudo disse que, nesse dia, também era comemorado o aniversário de Dionísio, nada impediu os campistas restantes de começarem a preparar um natal só para o pessoal do acampamento – ainda que todos odiassem o Sr.D., mas ele não precisava saber disso.
Eu realmente queria ter ido visitar Reyna ou Hazel em vez disso, só pra constar, mas elas disseram que estariam ocupadas.
O sol já estava se pondo, de qualquer forma, continuei com minhas passadas lentas e dificultadas, já que se a luz do astro se extinguisse, não faria tanta diferença. Não é como se ele tivesse iluminado durante o dia, essa semana estava sempre muito frio e escuro.
Quando finalmente cheguei á meu local de destino, permiti-me desfrutar um pouco do calor natural que o chalé emanava. Então suspirei, chateado por ter que sair do conforto da temperatura regulada do local. Bati na porta três vezes e uma voz abafada me mandou entrar.
Will estava lá com o resto dos filhos de Apolo, exatamente outros três.
– Nico! – Disse, quase gritando na verdade. Devia esta feliz, sorriu pra mim largando o que tinha na mão e correu pra me abraçar. Desde que ele parara com aquela coisa toda de “ordens médicas” ele passara a ter essa atitude comigo. Não que eu não gostasse. Quer dizer, eu gostava mas... Vocês entenderam! Tanto que meu coração passou a bater mais rápido.
– O-oi Will. – Quando ele me soltou eu tinha certeza de estar vermelho, meu rosto queimava como nunca. Virei-o para que não pudessem me ver corado, fingindo analisar o local. Aquilo estava uma bagunça. – Oi pessoal.
Recebi um aceno de cabeça das duas garotas e o outro garoto. Will e seus irmãos estavam levando a comida, assim como o chalé de Deméter.
– Eu vim chama-los mas... Parece que precisam de ajuda. – Dei de ombros, e segui na direção de uma mesa bem no centro do chalé.
Era a segunda vez que eu via o chalé de Apolo, e não deixava de me impressionar. Haviam dois quartos, com várias beliches. Cada parte da beliche era personalizada de acordo com o campista. Mas não é como se mudasse muita coisa: A maioria tinha pôsteres de cantores famosos – ou não – grudados na parede (ou mesmo na madeira da cama), alguns tipos de instrumentos de pequeno porte e vez ou outra, livros de poesia. Vários tinham baús no pé da beliche, que provavelmente serviam para os dois campistas dela. Um espelho em cada quarto era o bastante, mas além disso também haviam mais nas portas dos guarda-roupas. Sim, guarda-roupas. Guarda-roupas enormes! Gigantes! Eu não to de brincadeira, dava pra centenas de campistas guardarem suas roupas, se contasse as gavetas. Em cada quarto também havia uma penteadeira – o que significava mais espelhos.
Tinha um banheiro médio, onde havia mais um espelho, só que este seguia do chão ao teto, era o maior do chalé. Uma privada e um box pro banho. Aquele devia ser o cômodo mais simples do chalé, contava só com aquilo e uma pia e tocador. Ah claro, também tinha uma mini máquina de lavar ali, e um mini secador em cima dela. Eles deviam usar aquelas coisas o dia inteiro. Ou talvez não.
A sala era o maior cômodo dali. E o mais incrível. Havia uma estante de livros – sim, livros, acha que só o chalé de Atena gosta? – de poesias, música e artes. Guitarras, Violões, Baixos e Violinos pendurados nas paredes. E estas, com um papel de parede de um amarelo claro exibiam notas musicais, claves de sol, fá e dó, e qualquer outro tipo de coisa relacionado á música. Havia uma mesa redonda onde eles provavelmente ganhavam inspiração para seus poemas ou liam, mas também haviam poltronas por todos os lados, para o conforto. Tinha um piano no canto, um teclado em outro, e vários daqueles banquinhos de tocar violão num outro. E uma espécie de cômoda bem pequena, onde guardavam partituras, apostilas de música, poemas falhos, palhetas de violão e clarinete e todo tipo de coisa assim.
E pra ajudar, havia uma mesa gigante no centro de tudo ali, só naquele dia. Cheia de panettones, chocotonnes, amêndoas, uvas passas, arroz á grega, peru, queijos e coisas assim. Eu realmente não sabia que os filhos de Apolo cozinhavam tão bem. Na verdade, não sabia se a comida estava realmente boa. Mas se estivessem tão quanto a aparência delas, valia a pena.
– É, acho que sim. – Disse o garoto, que eu reconheci sendo Doug White. Parecia incomodado com minha presença. – Eu vou indo. – Pegou uma das enormes travessas que tinha na mesa e saiu andando. As duas garotas fizeram o mesmo.
Agora só havia eu e Will ali... Constrangedor.
– É minha impressão ou... Ah, deixa. – Bufei. Era normal essa atitude, por que me incomodar?
– Nico, não é por você ser filho de Hades. É por você ter esse jeito sombrio e andar por ai como um gótico! As pessoas devem achar que você visita cemitérios nos fins de semana e nas folgas.
– E eu faço isso. – Resmunguei, Will me repreendeu com o olhar. Começamos a arrumar o que restava nas travessas restantes, nenhum dos irmãos dele voltou pra ajudar, até mais porque já estávamos terminando.
– Finalmente! – Ele alongou os braços, e estralou os dedos logo que terminamos de ajeitar as coisas. Agora era só levar. – Meu corpo já estava começando a doer, ainda bem que terminamos. Não ia ser nada legal ter meus músculos doendo. – Suspirou.
– É, nada legal. – Murmurei. Não, claro que não seria legal ter que fazer uma sessão de massagens no Will... Não.
Antes que percebesse, estava olhando feito um bobo praquele corpo do Will. E ele percebeu?
– Ahn... Nico? – Chamou. Sai do transe na hora.
– Ah... Eu... – Fiquei sem jeito. Virei o rosto que queimava e encarei a parede. De repnete ela era tão bonita (e o pior é que era mesmo).
– Nico... – Senti sua voz mais próxima, e estremeci assim que sua respiração quente se chocou contra a pele de meu pescoço. – Está tudo bem? – Então ele foi se aproximando mais. Ai como eu desejava aquilo. Simplesmente não acreditava como, mas fui virando lentamente o meu rosto até nossos lábios se encontrarem.
Uma corrente elétrica percorreu o meu corpo.
Ele me deu um selinho demorado, eu queria mais do que apenas isso, mas aquele foi sem dúvida o melhor que existe. Afastou o rosto do meu e se virou pra pegar algumas travessas.
– Te espero no refeitório. – Disse, e então saiu do chalé.
Paralisei. Will havia me beijado. Ta, não exatamente um beijo, mas ainda assim, um selinho ótimo! Afastei-me daqueles pensamentos e agarrei as última pilha de decorações. Corri para fora e percebi que já se passara muito tempo, já estava de noite. Segui na direção do refeitório.

–x-

Eu nem sequer falei com o Will desde então, faltavam apenas algumas horas para a ceia e qualquer tipo de contato que eu tivera com ele desde que chegara ao pavilhão fora um aceno de cabeça. Nada mais.
Eu estava sentado junto com Jason numa das mesas, puxa, como estava vazio aquele lugar. Ainda assim estava agradável. Todos cantavam em frente á fogueira — só esperando a hora da ceia para dar feliz natal á todos — e a mesma brilhava com um tom dourado nunca visto. Todos estavam felizes.
– Terra para Nico. – Jason disse, com um meio sorriso. – Nico, nico. O que aconteceu, hein? – Então o abriu em um de pura malícia.
Corei na hora.
– Não seja idiota. Não aconteceu nada. – Virei o rosto.
– Sim, claro. – Ele riu. E eu tive que soca-lo. – Ai! Isso doeu. – Disse fazendo biquinho, fingindo que o soco havia doido, mas ainda assim não conseguia esconder a risada.
– Seu...
– Campistas! – Quíron interrompeu, trotando em nossa direção. – Que noite agradável, não? Pois bem, como temos poucos campistas conosco, decidi fazer um convite.
Os campistas se olharam, aparentemente ninguém sabia de nada.
Pigarreando, ele continuou:
– Decidi que, passar um primeiro natal na companhia de nossos mais novos amigos Romanos seria algo prazeroso, então os chamei. – Anunciou.
Meu queixo caiu. Então era por isso que eu não poderia ir ao acampamento Júpiter?
Observei alguns campistas com camisetas roxas chegando mais perto. Pela primeira vez, em posição relaxada. Reyna conversava com Hazel, e as duas pareciam se divertir.
Aquelas duas me pagam.
– Ah, olá Nico. – Disse Reyna, sentando-se ao meu lado e exibindo um sorriso divertido, vendo minha expressão. – Como vai?
– Oi maninho. – Disse Hazel, chegando ao meu outro lado e exibindo o mesmo sorriso.
– Nico, você está fazendo uma cara engraçada. – Disse Jason, enquanto realizava um High Five com Frank, que sentava-se ao seu lado.
– Vocês me pagam. – Disse. E eles somente riram. Não aguentei e comecei a rir baixinho também.

–x-

Aquilo estava bem, beeem cheio. E nem tinha vindo todo o acampamento Júpiter – é claro que não, não ia caber todos. Veio cerca de 30%. Mas estava tão agradável. Nunca pensei que fosse ser tão bom me enturmar. Uma vez ou outra eu ouvia Jason reclamando de que a Piper não estava lá, mas isso era de menos. Ele logo se recuperava sabendo que a veria no verão seguinte.
A única coisa que meu preocupava era que não havia ainda falado com Will. E agora já era a hora da ceia.
Todos nos sentamos ás mesas. A comida foi servida. Perus de natal, Panettone, Chocottone, sucos, queijos, uvas passas, doces, castanhas e tudo em muita fartura. Francamente, aquela comida estava divina! Ela estava tão boa que até agora nenhuma guerra de comida havia sido feita.
– Nico. – Chamou Jason. Então prosseguiu com um aceno de cabeça meu. – O que aconteceu pra você ficar com aquele sorrisinho bobo, hoje? – Disse, provocando. Com o sorriso mais malicioso do mundo.
Desgraçado. Reyna e Frank me olharam com a mesma expressão. Já Hazel ficou pasma.
– N-nico....? – Ela chamou.
Filho de gaia. Ninguém começou, então eu começo. Peguei minha coxa de peru e joguei-a na cara de Jason. Ele ficou cheio de molho.
– Nico, seu... – Ele se fez de bravo, mas é claro que estava se divertido. Lambeu o perímetro da boca. – Molho de pimenta malagueta? Bom gosto. Mas você gosta de pimenta do reino? – Perguntou, jogando seu prato inteiro em mim.
Á essa altura todos os campistas pararam para nos olhar.
Peguei meu copo cheio de coca-diet e meu prato de queijo e uvas passas. Joguei-os todos em Jason. E depois disso foi só bagunça.
Acabei me desviando da maioria, mas sendo pego várias vezes por fatias de panettones voadores. Os romanos no começo estranharam, parecia que iam ter um colapso. Mas logo que Reyna acertou Jason com um prato cheio de castanhas eles começaram a brincar também. Eu estava começando ser atingido por tanta comida que quase não conseguia mais jogar. Até que uma mão quente e musculosa me puxou.
Por causa do molho nos olhos decidi que era melhor não abri-los. Fiquei somente sendo guiado. Quando percebi, tinha sido completamente limpo por um paninho e agora podia abrir os olhos.
Eu estava perto da floresta, não havia ninguém por perto. Ninguém exceto ele. Will Solace.
– Will? – Corei. Porque ele havia me levado até ali?
– Oi Nico. – Ele sorriu. Estava cheio de comida também. – Você estava sendo nocauteado lá atrás. É sério. Quase tão ruim quanto viajar nas sombras, você ainda não se recuperou sabia?
– Mas... Era só comida!
– Sim eu sei. Só comida. Mas você estava se esforçando de mais, quase começou a sumir nas sombras de novo.
Certo. Apenas a comida quase me fez sumir nas sombras. Ainda bem que eu vinha seguindo as ‘ordens médicas’ de Will.
– Então... Acho que obrigado né... – Disse, meio sem jeito.
O vento soprava frio. Ainda havia neve, afinal. Já era quase meia noite e vários flocos de neve começaram a cair, mas eu podia sentir o calor emanando do corpo de Will. Comecei a tremer mesmo assim, não gostava do frio.
Will deve ter percebido. Pois chegou mais perto e me abraçou. Eu estremeci e quase gritei um ‘não me toque’. Mas eu necessitava daquilo. Não só porque eu poderia morrer de frio ali naquele momento sem o calor de um legítimo filho de Apolo, mas sim porque eu necessitava também de Will.

– Nico.

– Sim? – Respondi.
– Eu sei que... Você não se enturma muito e tudo o mais. Mas eu sinto que realmente somos amigos. – Disse.
– Sim, somos. – Respondi, sem entender nada.
– O fato é que... Bem. Eu não sei se consigo te ver só como um amigo, Nico. – Gelei. O que exatamente ele estava querendo dizer? Não, não se faça de bobo, Nico. Você sabe exatamente o que ele quer dizer. – Então... Sobre aquele selinho... Me desculpe. Foi impulsivo. Eu geralmente faço as coisas com o uso da razão mas você mexe demais comigo. Me desculpe mesmo. – Então só continuou me abraçando. Sem dizer mais nada.
Eu não sabia se podia conforta-lo. A verdade é que eu podia. E queria gritar pra ele parar de ser um idiota e não pedir desculpas por ter dado um selinho maravilindo. Me desvencilhei de seus braços, decidido. Encarei seu rosto pálido á luz da Lua, na verdade, um pouco corado, provavelmente pelo que acabara de dizer.
Então me ergui nas pontas dos pés, agarrei o colarinho da sua jaqueta e selei nossos lábios.
Senti ele estremecer. Will Solace, estremecendo ao meu toque? Que sensação linda. Senti seus braços em torno de mim, me puxando para mais perto, e sua língua pedindo passagem. Deixei que ela entrasse sem problemas e me perdi naquele beijo. Cheio de paixão. Tão agradável, confortável. Não quente, mas terno, ele me respeitava e eu também. E quando nos separamos foi somente por causa de algo muito essencial chamado oxigênio.
Nos encaramos, tentando ler a expressão um do outro. Ambos corados. Mas o beijo havia sido mágico.
– É melhor voltarmos. – Disse ele, por fim. Mas então passou a mão pelos meus cabelos e beijou minha testa. – Feliz natal, Nico.
Foi quando o primeiro dos fogos de artifício explodiu no céu negro. Meia noite, em ponto. Um show de fogos nos esperava na praia, feito exclusivamente pelos filhos de Hefesto.
Will começou a seguir para lá. Corri até alcança-lo e o abracei por trás.
– Feliz natal Will. – Soltei-o e corri até a praia.
Todos estavam sentados na areia, observando aqueles fogos lindos. Sabíamos que fogos eram mais comuns no ano novo, mas e daí? Os fogos dos filhos de Hefesto eram tão lindos que seria um desperdício não aproveitar aquelas explosões em formas diversas. Além do mais, aquele era o nosso natal.
E observando aqueles fogos, sentindo a brisa do mar gelada pelo tempo que fazia e a neve cair, agradeci pela primeira vez á Afrodite. Fiz uma anotação mental de fazer oferendas á ela depois. Simplesmente por me permitir um primeiro natal maravilhoso com Will.

Notas finais
Obrigada ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!