Mermaids
17 Capítulo 18
– E agora, o que vamos fazer?
Tessa e Alicia estavam em um vídeo chat com Monique, e elas haviam acabado de contar tudo sobre a conversa com a mãe de Alexis.
– Eu não sei, eu preciso pensar sobre o assunto. É muita informação.
A cabeça de Monique dava voltas. Como era a mais racional das garotas, a responsabilidade maior iria sobrar para ela. Era uma situação muito complicada, e delicada também, se tratando de sua melhor amiga. Então, o que fazer? Como evitar a ida de Alexis? Ela era teimosa e cabeça dura, tinham que pensar em um argumento convincente.
– Podíamos contar a verdade.
– É uma opção. Mas eu não sei como a Aleixs reagiria — disse Alicia.
– É. Ela pode endoidar de vez e dizer que não importa o risco que estaria correndo e vai de qualquer jeito.
– Esse é meu medo — disse Mô -, ela não pode ficar lá para sempre.
– E se falarmos com o Sr. Bender? -sugeriu Alicia.
– Não sei se é uma boa ideia, ele pode acabar trancando Alexis no porão.
– Eu vou pensar um pouco no assunto e quando tiver alguma ideia eu ligo para vocês.
– Ok. Tchau Mô.
Monique não pensou duas vezes e pegou seu celular, ligando para a pessoa que ela sabia que não hesitaria em ajudar.
– Monique?
– Luke, será que podemos nos encontrar para conversar, é urgente.
– Aconteceu alguma coisa? É sobre a Alexis?
– Sim, mas eu explico depois, fica ruim por telefone.
– Bom, eu estou trabalhando. Você pode me encontrar no café do empresarial.
– É melhor em outro lugar. Não quero correr o risco de encontrar com o Sr. Bender.
– Ok, então vai para a sorveteria que tem aqui na esquina, sabe?
– Sei. Chego em vinte minutos.
–-
– Então, o que é tão urgente?
– Segura as pontas que a história é longa e complicada.
Monique contou-lhe tudo. Luke tinha a reação que ela esperava, estava embasbacado. Parecia não acreditar no que ouvia.
– Fala alguma coisa.
Luke não sabia o que falar. Era mais complicado do que ele imaginava. Mas uma coisa ele sabia, não podia deixar Alexis ir. Não iria suportar ficar longe dela, justo agora que havia descoberto seus verdadeiros sentimentos, ainda que um pouco confusos.
– Acho que concorda comigo que Alexis não deve ir — disse Monique calmamente. Ela notara o desespero de Luke quando ela falou que Alexis poderia ficar lá para sempre em Capri. Estava mais do que óbvio que Luke gostava de Alexis, e Monique sabia que ele faria qualquer coisa para mantê-la ao seu lado. — Eu sei que gosta dela.
Luke olhou nos olhos de Monique, um pouco surpreso. Ela sorriu gentilmente e segurou as mãos de Luke.
– Nós crescemos juntos, apesar de tudo ela é minha amiga... — Monique balançou a cabeça negativamente interrompendo a fala de Luke.
– Não é desse "gostar" que eu estou falando, e você sabe.
Luke abaixou o olhar, ainda com as mãos de Monique sobre as suas.
– Tudo bem se não quiser falar, ou preferir conversar com o Andrew sobre isso.
– Já conversamos. Na verdade, foi ele quem abriu meus olhos para o que estava na minha cara.
– Então eu acho que não quer que ela se afaste de você, e nem ela vai querer. Temos que pensar em uma forma de fazê-la desistir dessa viagem.
– É mais fácil acabar com a fome no mundo do que fazê-la desistir de viajar.
– Eu sei, ela é tão teimosa.
Os dois acabaram caindo na risada.
Do lado de fora da sorveteria, Alexis, que estava no carro da sua madrasta, assistia a seguinte cena: Luke e Monique de mãos dadas, de frente para o outro, rindo e conversando.
Alexis estava em choque. Era isso mesmo que estava vendo? Monique e Luke juntos? Bem, os dois são livres para namorar quem quiserem, então por que Alexis estava se sentindo tão mal com isso, como se estivesse sido traída?
– Alexis querida, aconteceu algo? — perguntou Marissa.
– Não, nada. Estou apenas cansada.
– Hoje o dia foi agitado. Mas amanhã você vai arrasar na passarela. Já mandou os convites para suas amigas? Deixei lugares ótimos para elas.
– Sim. Mas Tessa e Alicia não vão poder ir.
– Ah, uma pena.
Alexis deu uma última olhada nos dois, e Marissa seguiu com o carro.
Luke não era nada dela. Os dois não se suportavam, e ele só a ajudou com sua investigação por que Tessa pedira. Não havia razão para Alexis estar tão triste, mas por que estava?
Fazia alguns dias que os dois não se viam, e a verdade era que ambos sentiam falta um do outro. Mas Alexis não iria admitir que queria que ele batesse na porta do seu quarto dizendo que queria apenas conversar e depois lhe daria um abraço. Em sua cabeça ela ainda o odiava como há alguns anos, antes de sua mudança para Londres. Luke não importava agora, seu único objetivo nesse momento era encontrar sua mãe.
–-
– Espera um pouco, Alexis estava certa sobre a localização da mãe, vocês duas conseguiram achá-la, mas Alexis não pode encontrá-la, senão ela vai ter que ficar aí para sempre e ainda corre o risco de ser assassinada?
Tessa e Andrew conversavam pelo telefone, e ela acabara de contar toda a história da mãe de Alexis.
– É, parabéns Andrew você assimilou tudo, quer que eu cole um adesivo feliz na sua testa? — brincou Tessa.
– Incrível como você consegue fazer piadas numa situação tão séria como essa.
– É o meu jeito, eu sou assim, você sabe disso. Mas isso não quer dizer que eu não esteja preocupada com a minha melhor amiga.
– Tudo bem, eu sei. Olha, acho que vou falar com o Luke sobre isso.
– Luke? O que ele tem a ver com isso?
– Ele vai ajudar.
– Se você diz. Monique já sabe, pode falar com ela também.
– Certo. Eu vou trabalhar agora.
– Ok.
– Tessa, por favor, toma cuidado. Essa história de assassinatos, não sei se é seguro vocês andarem sozinha por aí.
– Pode deixar Andrew. Bom, aqui já é tarde da noite, então eu vou dormir.
– Boa noite. Eu te amo.
– Também te amo.
Tessa jogou seu celular na cama e caminhou até a varanda do quarto. Era uma noite fria, a lua estava quase cheia e se destacava no céu negro e quase sem nuvens. Tessa se apoiou na sacada e admirou o oceano calmo que brilhava com a luz do luar.
Ela sentiu uma enorme vontade de mergulhar no mar. Fazia tempo que não nadava, e como qualquer sereia, ela tinha necessidade de estar no mar. Sentia falta disso, de nadar com as amigas sem nenhuma preocupação, sentia falta da sua mãe, do tempo que passavam juntas nas águas do Caribe.
Tessa foi à única que não quis fazer nenhuma faculdade. Nunca ligou para os estudos. Robert nem ligou quando ela se recusou a cursar administração. Mas quem ligaria tendo um filho como Andrew, ela era só uma bastarda, filha de uma aventura sexual. Não sentia inveja do irmão por ele ser o filho perfeito, mas por ele ter encontrado um rumo na vida e ser feliz em sua vida profissional.
Tessa dizia não ligar para isso, que estava feliz fazendo absolutamente nada, apenas gastando o dinheiro do seu pai e se divertindo. Por um lado era bom, ela gostava disso, mas a felicidade durava pouco e logo ela estava deitada em sua cama, sozinha, sem ter o que fazer, sem rumo, sem objetivos. Isso era frustrante.
Ela suspirou e olhou para baixo, onde dava para ver uma rua de paralelepípedos que cercava a ilha. A rua estava tranquila, sem movimento, pois já era tarde. Até que uma pessoa passou debaixo da luz do poste, e Tessa logo reconheceu a cabeleira ruiva.
– Alicia?
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