Mermaids
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Robert Rinald cumprimentava a todos os diversos convidados com cordialidade, ao lado de seu filho Andrew. Era uma grande noite, finalmente a tão esperada inauguração do mais novo hotel dos Rinald, Ocean Palace. Com uma excelente localização em Santa Mônica, Los Angeles, de frente para o mar, este seria um dos hotéis preferidos das estrelas e astros de cinema.
A todo momento chegavam homens poderosos, pessoas famosas e da mais alta sociedade de Los Angeles.
Igor Von Kramm, um homem alto com fortes traços alemães: cabelos bem loiros e olhos claros; acabara de entrar no hotel seguido de sua filha, Alicia, uma garota ruiva extremamente atraente. Ele era um empresário do ramo imobiliário, seu sobrenome tinha um enorme peso por vim de uma família tradicional, de grande reconhecimento no mercado financeiro.
– Igor! — Robert saudou o amigo.
– Olá Robert. Tenho que dizer, este é um de seus melhores hotéis, e olhe que eu conheço praticamente todos.
– Obrigado. Como sempre, não teria conseguido sem você. E como vai a adorável Alicia? — Robert virou-se para cumprimentá-la.
– Muito bem, obrigada.
– E a Tessa, como vai? — Perguntou Igor, referindo-se a filha mais nova de Robert.
– Bem. Ela deve estar em algum lugar por aqui — Ele vagou o olhar pelo salão.
– Vou procurá-la — A ruiva sorriu e lançou um breve olhar para Andrew, e resolveu cumprimentá-lo.
– Você sabe muito bem que ela está no bar — Andrew sussurrou em seu ouvido. Alicia assentiu. — Por favor, não deixe ela passar dos limites.
– Não quer que estraguem a sua noite?
– Tessa lhe contou?
– Sim, mas é obvio, não é? — Alicia sorriu de canto e jogou seus cabelos ruivos e caminhou até o bar.
Alicia logo avistou sua amiga em um vestido preto, escorada no balcão do bar.
– Mais um, por favor — Alicia ouviu Tessa pedir outra bebida ao aproximar-se.
– Mal começou a noite e você já está pedindo outro?
– Não enche Alicia — Tessa passou a mão pelos cabelos castanhos.
Tessa era muito bonita, tinha cabelos castanhos naturais, olhos de uma cor que ficava entre o verde e o azul. Possuía uma postura elegante, mas tinha expressões descontraídas, como se não ligasse para nada.
– Andrew pediu para que eu ficasse de olho em você.
– Agora ele quer que minha melhor amiga vire minha babá. Por favor Alicia, como se você as outras já não fizessem isso.
– Não sabia que ser babá estava implícito no posto de amiga.
– Ser babá, cuidar da outra, dá no mesmo. Cuidar deve estar no posto de amiga.
– Está sim — Alicia concordou.
– Mas de um jeito divertido, eu acho. Você se diverte comigo, e você meio que escolheu ser minha amiga, ninguém está lhe pagando e obrigando a isso. Então imagino que seja divertido estar comigo.
– Com certeza é.
– Oi meninas! — Uma garota mais baixa, de cabelos castanhos escuros, em um vestido creme, chegou por trás de Tessa.
– Que susto garota! — Tessa pôs a mão livre em seu peito.
– Andrew pediu para... — Monique tentou falar mais foi interrompida por Tessa.
– Ficar de olho em mim, já sei. Não vou estragar a noite perfeita do filho perfeito. Vou ficar na minha.
Monique Durant, é filha de um empresário e produtor de cinema muito famoso. Ela costuma ser gentil e educada, sempre com a cabeça no lugar.
– Você vai morar aqui? — Perguntou Alicia.
– Só enquanto minha suíte no hotel de Beverly Hills não está pronta, que é bem mais luxuosa. Se bem que eu adorei o meu quarto aqui. Tem uma bela vista para o mar. É legal ter o mar por perto.
– Eu quero ver — disse Monique.
– Vou levar vocês lá assim que Lex chegar.
– Espera! Para tudo! — Alicia falou, chamando a atenção das amigas. — Me diz que estou com problema de visão, porque estou vendo Luke Hudson apertando a mão do seu pai, Tessa.
– Luke Hudson? — As duas disseram juntas e olharam na direção de Robert Rinald, que falava com um homem e um rapaz alto, forte e cabelos castanhos.
– É ele mesmo! — disse Tessa. — Mas o pai dele não tinha o mandado para embora?
– Não! De onde tirou isso? Ele foi estudar direito em Nova York — Monique a corrigiu.
– Tanto faz — Tessa deu de ombros.
– E olha só quem vem atrás — Alicia apontou para uma garota loira que entrava acompanhada de um casal.
– Finalmente essa festa vai ficar interessante. — Disse Tessa sorrindo divertidamente.
– É melhor irmos para evitar um barraco — disse Alicia, e as duas concordaram.
Luke Hudson conversava com o velho amigo, Andrew, quando olhou para trás e viu uma garota loira, extremamente elegante entrar no hotel.
– Aquela é a Alexis? — perguntou Luke ao amigo.
– Ela mesma.
– Ela cresceu — Luke disse a observando indiscretamente.
– Pois é, ficou bastante tempo fora meu amigo.
– Mas ela continua com essa cara de pirralha – Luke falou e Andrew revirou seus olhos azuis.
– Por favor, não vão brigar aqui. Não hoje.
– Pode deixar — Os olhares dos dois encontraram-se, e a loira arregalou os olhos.
– Luke?
– Alexis Bender. Como vai minha sereia favorita? — ele sorriu brincalhão, e levou um tapa no ombro de uma ruiva.
– Fala mais alto, idiota — Alicia o repreendeu.
– Bom rever a doce Alicia. — Luke disse sarcástico.
– Não posso dizer o mesmo de você.
– Por que voltou? — perguntou Alexis. — Ficou com saudades?
– É claro que fiquei. Não consigo viver em um mundo sem você — Luke piscou, e Alexis revirou os olhos. — Eu voltei por que vou trabalhar no escritório dos nossos pais.
– O que?!
Os pais de Alexis e de Luke são amigos de infância. Eles têm um escritório de advocacia bem sucedido. Os dois foram criados juntos, mas a relação deles não era a melhor. Seus pais sempre tentaram aproximá-los e fazer com que se tornassem amigos, porém nada adiantou. Alexis e Luke eram um caso perdido, não havia um momento sequer que eles não brigassem, o que foi uma lástima, já que seus pais compartilhavam de uma grande amizade.
– Exato. E seu pai foi quem teve a ideia.
– Não é possível. Quem iria contratar um inútil que nem você — Alexis disse, indignada.
– Não vou discutir com você, apenas o fato da minha volta lhe incomodar já me deixa feliz — Luke sorriu com desdém vendo a Alexis fechar a cara como uma criança irritada.
Alexis estava pronta para falar algo, quando ouviu o Robert chamar a atenção para iniciar um discurso.
– Peço a atenção de todos, por favor! — Robert estava em um palanque. — Obrigado. E obrigado a todos que vieram à inauguração de mais um hotel dos Rinald. Mas este é ainda mais especial, pois planejado pelo meu filho, Andrew, e é por isso que, com muito orgulho, vou torná-lo administrador da rede de hotéis Palace. — Todos aplaudiram, e Andrew subiu para cumprimentar o pai e fazer um pequeno discurso.
A festa corria bem. Alicia, Monique, Tessa e Alexis conversavam animadamente em uma mesa. As quatro amigas são sereias e se conheceram em situações diversas. Elas estão juntas para tudo, cada uma com personalidades distintas e características únicas: Alicia é determinada, centrada e possui um espírito de liderança, inteligente e bem articulada, e com uma grande habilidade com números; Tessa com seu jeito desdenhoso e uma personalidade fortíssima, embora não tenha uma ideia fixa na cabeça além de festas e compras, mesmo assim nunca foi uma garota realmente esnobe; Alexis é extremamente curiosa, astuta e com um gênio impetuoso, além de ser um pouco infantil, teimosa e ter um apego obstinado pelas próprias ideias; e Monique, a voz da razão, sempre doce e compreensiva, mas não mede esforços para defender suas amigas.
– Meninas, vamos sair daqui. Essa festa já está me enchendo — disse Tessa, bebendo mais uma taça de martini.
– Mas você não pode sair, é a festa dos Rinald a qual inclui você. E Andrew não vai gostar nada se você sumir. — disse Monique.
– Então vamos para praia. Tô cheia de olhar pra essa gente.
– É, pelo menos ela para de beber — disse Alícia. As quatro se levantaram, mas foram interrompidas de andar por Luke e Andrew.
– Onde as garotas pensam que vão? — Luke perguntou.
– Não é da sua conta — Tessa falou.
– Mas é da minha — Andrew interveio.
– Olha, é muito fofo você dar uma de irmão preocupado, mas já teve a sua noite e eu só vou para praia, não fugir e me meter em encrenca, tá?
– Você vai nadar? — ele perguntou.
– Não, só quero sair daqui.
– Eu vou com você — ele disse rapidamente.
– Não pode sair da sua festa.
– Então eu vou — disse Luke.
– Não vai não! — Alexis disse irritada, intrometendo-se, trocando olhares nada amigáveis com Luke.
– Querem parar de discutir. Todos vamos, ok? — Alicia interrompeu.
– Tanto faz — Tessa deu de ombros e foi andando. — Por tanto que eu saia daqui.
O hotel dá diretamente para praia. As garotas tiraram seus saltos, e caminharam lentamente sobre a areia da praia. Tessa aproximou-se do irmão e ele colocou o braço na sua cintura, puxando-a para um abraço.
– Estou orgulhosa de você irmãozinho. — Obrigado.
Andrew é filho do primeiro casamento de Robert Rinald. Já Tessa é filha do segundo casamento com uma ex-modelo, uma sereia, que atualmente vive em Fiji. A mãe de Andrew morreu quando ele tinha apenas dois anos, e seu pai não demorou muito para conseguir um novo casamento com uma mulher bonita e famosa.
A frente dos irmãos, Luke conversava com as outras meninas.
– Então, o que vocês aprontaram enquanto eu estava fora?
– Na verdade, apenas seguimos nossos caminhos — disse Alicia. — Eu fiz faculdade de engenharia e estou trabalhando na empresa do meu pai.
– Eu ainda estudo — falou Monique. — Estou fazendo uma pós em biologia marinha.
– E você Alexis? — Luke perguntou, vendo que ela não se deu ao trabalho de responder a primeira vez.
– Trabalhando com Marissa, assim como eu estava quando você foi embora.
– Serio? — Luke perguntou surpreso. — Quando eu saí daqui você ia fazer um curso.
– Eu fiz, mas não foi nada de mais. — Alexis disse.
– Então você não se tornou detetive.
– Como é? — Indagou Alicia.
– Vocês não sabem? — Luke olhou divertidamente para Alexis, que o olhava com um olhar assassino.
– Sabemos o que? Conta logo — Alicia falou entusiasmada.
– O sonho de Alexis quando era criança era ser detetive.
– É bem a sua cara sair por aí investigando a vida dos outros — disse Alicia.
– Eu não sou assim. Sou apenas curiosa e gosto da verdade.
– Curiosa até de mais — Luke riu debochado.
– Vai à merda Luke — Alexis disse irritada.
– Chega vocês dois! — Alicia interveio.
– Foi um curso bem rápido, falando nisso. Até agora eu não entendi. Passar cinco meses fora.
– Um curso misterioso — Luke falou pensativo.
– Não tem nada de misterioso. E daí que foi um curso rápido, eu quis assim. E vou fazer mais alguns meses, para decidir o que eu quero exatamente da minha vida.
– Ei, o que é aquilo? — perguntou Monique.
– Aquilo o quê, Mô? — Alexis tentava olhar para onde Monique apontava. Ela caminhou mais depressa, pois estava curiosa para saber o que era. Mas assim que chegou mais perto, ela gritou, mas logo seu grito foi abafado pela mão de Luke.
– Calminha aí escan... — Luke parou o que ia dizer ao ver o motivo pelo qual Alexis tinha gritado
– O que foi? — Tessa foi para onde as amigas estavam, e chocou-se ao ver uma sereia morta, com uma faca em sua barriga a beira do mar. Luke sentiu as lágrimas de desespero de Alexis rolar por sua mão que cobria a boca dela. Por impulso ele a envolveu em seus braços e a deixou chorar em seu peito.
Mô estava abraçada a Alicia, e Tessa apenas observava embasbacada. Ela ajoelhou-se, sem medo, em frente ao corpo da sereia.
– Tessa — Andrew ajoelhou-se ao seu lado.
– Mataram uma de nós Andy — Tessa o chamou pelo apelido. Ele colocou uma das mãos em seu ombro.
– Temos que tirar ela da beira do mar para ela poder ficar seca. Não podemos deixá-la e correr o risco de que alguém a veja em forma de sereia.
Encarar a morte de sua espécie não era nada fácil, mas para Alexis ainda era pior.
– Tem razão — Alicia disse com uma voz abalada. Tessa pegou os braços da sereia e a puxou pra longe da água.
– Tinha esquecido a superforça das sereias — disse Luke. Nesse momento Alexis percebeu que ainda estava abraçada a Luke, então soltou-se timidamente. — É melhor voltarmos. — Alexis balançou a cabeça confirmando e tomou caminho de volta para o hotel, deixando os outros para trás.
– Quem pode ter feito isso? — perguntou Luke, olhando Tessa arrastar o corpo da sereia.
– Não faço a mínima ideia — Alicia disse tristemente, olhando Alexis se distanciar. — Só espero que isso não signifique que algo ruim possa nos acontecer.
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