Mermaids

14 Capítulo 15


Alicia chegou ao Ocean Palace com a sua cabeça cheia de pensamentos envolvendo a única pessoa que foi capaz de mexer com ela dessa maneira. O mais interessante nisso tudo é que só foi preciso uma noite para que a vida dos dois mudasse completamente.

Ela pensava naquilo que Luke havia dito. Será que ele estava mesmo arrependido? Ela queria colocar na sua cabeça que não ligava para o que houve, mas sabia que não era verdade. Como sempre, orgulhosa demais para admitir o que realmente estava sentindo, que ela queria sentir tudo o que sentira naquele dia nas Bahamas, quando ele o fez se sentir mais segura, quando o beijara. Queria sentir seu corpo, seu toque.

– Alicia? — Alicia sacudiu a cabeça e percebeu que Tessa estava na sua frente.

– Ah, oi Tess.

– No que está pensando? Te chamei e você parecia estar no mundo da lua.

– Eu só estou cansada. Trabalhei muito para compensar o tempo que vou ficar fora.

– Claro.

– Tudo certo para a viagem?

– Sim, o jatinho do meu pai já está lá.

– Ótimo — disse Alicia.

Neste momento Monique entrou um pouco apressada no hotel.

– Meninas, queria tanto ir com vocês — disse Monique.

– É uma pena.

– Mas quando minhas provas acabarem eu estarei com vocês.

– Eu não sei vocês, mas eu preferia ficar aqui — disse Tessa. — Não estou nem um pouco a fim de passar dezoito horas sentada num avião. Já fiz viagens mais longas, mas é que eu não tô no clima para viajar. Imagina as pessoas que viajam de classe econômica... o que elas devem sofrer. Ainda bem que eu vou num jatinho particular.

– É, ainda bem que seu pai é um hoteleiro bilionário — disse Alícia.

– E ainda tem um irmão que vai assumir os negócios, por isso não precisa fazer nada da vida — Andrew disse chegando por trás de Tessa, chamando atenção de todas, principalmente de uma ruiva.

Alicia e Andrew trocaram olhares por alguns segundos, mas logo desviaram para não chamar atenção.

Andrew pensou na conversa que teve com Luke, e por um instante quis se abrir ali mesmo. Mas sua insegurança sobre assuntos amorosos o fez engolir tudo o que tinha para dizer.

– Pois é, minha vida não podia ser mais perfeita. Agora vamos parar de falar sobre mim e nos concentrar no que interessa.

– Vamos atrás dos três homens.

– Sobre isso — disse Monique -, Alexis me ligou há pouco tempo e me contou sobre umas coisas que ela descobriu hoje.

– E o que foram essas coisas? — perguntou Alícia. — E cadê a Alexis?

– Bom... — Monique começou, mas foi interrompida por Luke que acabara de chegar.

– Deixa eu adivinhar, vocês perderam a Alexis de novo?

– Não, você é que pega as conversas pela metade — disse Tessa. — A Mô estava nos contando sobre umas coisas que ela descobriu.

– Tem mais? Como é que ela consegue descobrir tanta coisa?

– Sei lá, é a Alexis. — disse Tessa. — Mas voltando ao que Monique estava nos dizendo...

– Bom, vou dizer exatamente o que ela me disse. Alexis voltou ao porto e falou com outras pessoas e descobriu que os tais comerciantes tinham ido para São Francisco. Então ela foi na internet e viu que tinha um voo para a Itália hoje as quatro horas da manhã saindo do aeroporto de São Francisco. Então ela foi pra lá.

– Espera um pouco aí, ela foi de carro a noite para São Francisco? — perguntou Luke, e Monique assentiu confirmando. — São quase seis horas de viagem. Ela é louca?

– É o que parece porque ela está lá agora, aparentemente descansando da longa viagem.

– Ok, que Alexis é louca nós já sabíamos, agora será que pode nos contar o resto da história.

– Não seja tão grossa Tessa. — Andrew a repreendeu.

– Fica na sua Andrew.

– Continuando, Alexis chegou ao aeroporto de São Francisco a tempo de ver os três homens indo para a sala de embarque, e tirou uma foto.

– Não creio.

– Novamente me pergunto como ela consegue fazer essas coisas. — disse Luke.

– A foto só da pra ver um deles inteiro, um de perfil e o outro está de costas. — Monique disse, mostrando a foto em seu celular.

– Uma perguntinha — falou Tessa -, como ela sabe que são eles?

– Essa eu respondo — disse Luke. — Eu estava com ela no dia do porto, e o homem com que falamos descreveu dois deles sendo Dave alto e loiro, e o outro, acho que era Barney ou Barnaby, era baixo, um pouco gordo e barbudo.

– O loiro alto está de perfil, e o outro, o gordinho, está de frente.

– O de costas ainda é um segredo.

– Bom, Alexis o viu, mais não conseguiu tirar a foto. Ela disse que tinha cabelos castanhos e feições um tanto duras, mas disse era bonito.

– Disse que era bonito? — perguntou Luke.

– Sim. Algum problema?

Sim, havia um problema. O fato de Alexis ter achado outro homem bonito mexeu um pouco com ele. Mas nunca iria admitir tal sentimento.

– Não, nenhum.

Alicia e Tessa se entreolharam desconfiadas.

– Isso foi ótimo. Alexis como sempre nos surpreendendo. — Alicia falou. — Mas agora temos que ir Tessa. — Ela olhou para a amiga que assentiu.

Tessa abraçou Andrew num pulo.

– Andy fofíssimo se comporte. — Ela disse olhando em seus olhos.

– Sério que está me dizendo isso? Não seria o contrario?

– Sei não, você anda tendo uns ataques de rebeldia. Dizem que os quietinhos são os mais loucos, mas só demonstram sua maluquice interior depois de um certo tempo.

– Que mentira. Não acredito que ouvi uma bobagem dessas.

– Sei não Andrew, você anda meio desorientado. — disse Luke. Alicia olhou para ele e lançou um olhar de repreensão, sabia que ele estava se referindo a ela.

– Estou apenas brincando. Precisa melhorar seu senso de humor Andrew, ou vai acabar um velho chato e sozinho que só faz reclamar e falar de trabalho.

– Você não tem uma viagem para fazer não?

– Quer se livrar de mim? — ela perguntou fazendo beiço.

– Tessa, quer parar com isso? — Andrew revirou os olhos e deu outro abraço nele. — Sua mimada. Eu te amo.

– Também te amo.

– Se cuida. Volta bem, ok?

– Eu vou. Agora me solta antes que você comece a chorar.

Alicia e Tessa se despediram de Monique e Luke, e depois que elas saíram, Luke virou-se para Andrew e disse: — Você é um grande idiota. Era sua chance.

– Eu sei, eu sei. Não precisa me dizer, já estou me sentindo muito mal.

– Tudo bem.

– E você?

– Eu o que? — Luke perguntou confuso.

– Quando vai se declarar?

– Me declarar, pra quem? — Luke se fez de desentendido, mas sabia exatamente de quem ele estava falando.

– Não haja como se não soubesse do que estou falando. Pensa que eu não percebi o jeito que você fica quando está com ela, ou quando falam dela.

– Dela quem? Não sei...

– Sabe sim! — Andrew alterou um pouco a voz. Ele raramente fazia isso, e Luke sabia bem disso. — Eu vi o jeito que você ficou quando disseram que ela achou aquele cara bonito. Ficou com ciúmes. Não negue. Eu sei muito bem como vocês eram quando crianças porque cresci com vocês. Discutiam o tempo todo, pois cada um queria ser o dono da verdade. São dois teimosos de cabeça dura. São mais parecidos do que imagina.

Luke não falou nada. Aquilo era a mais pura verdade. Eram parecidos, e ele ficara mesmo com ciúmes. Estava mesmo tendo sentimentos a mais por ela.

– Ela foi feita pra você, e você para ela. — Andrew disse calmamente, deixando que cada palavra fosse ouvida perfeitamente por Luke. — Você gosta dela. Sei disso pois você nunca gostou realmente de uma garota. Sempre foi um mulherengo. — Luke prestava atenção em tudo que o amigo falava, e ía percebendo o que estava na sua cara. — Agora você vive grudado nela. Liguei para você, e estava com ela. Toda vez que perguntava sobre você à Tessa, ela dizia que estava com ela. Alexis, Alexis, Alexis!

Foi a primeira vez que fora pronunciado o nome dela na conversa. Luke sentiu seu estomago revirar. Alexis. Sim, ela ocupava mais da metade de seus pensamentos ultimamente, mas ele ignorava isso. Até aquele dia no quarto dela quando a abraçou e sentiu vontade de beijá-la.

– Tem razão.

– Claro que eu tenho. Agora, pensa nisso. Pensa nela, e no que eu te disse. Estou tentando abrir seus olhos para o que está na sua frente, a garota. A mulher que pode te fazer feliz.

– Valeu, amigo.

Luke saiu atordoado do Ocean Palace.

Tudo aquilo era a mais pura verdade. E neste momento ele queria que ela estivesse aqui. Então lembrou-se de onde ela estava. São Francisco. Ela era mesmo maluca. Mas como ela estava?

Luke pegou seu celular e ligou para ela.

– Espero que tenha um bom motivo para ter me ligado. — Alexis estava com a voz de alguém irritado por não ter dormido nadinha.

Luke hesitou um pouco antes de falar. — Eu soube que está em São Francisco. Só liguei para saber se está bem.

– Ah, sim, eu estou bem. Obrigada pela preocupação. E se não tiver mais nada para dizer, eu preciso terminar minha refeição que você interrompeu.

Ele pensou duas vezes. Não iria dizer nada. Não com ela nesse estado. Não por telefone. Só precisava ouvir sua voz, mesmo que irritada, e saber se estava bem.

– Não, não tenho mais nada para dizer.

– Ok. Tchau Luke.

– Tchau, Alexis.

Alexis desligou o celular e voltou à atenção para seus waffles.

Fazia um belo dia de sol em São Francisco. Ela estava em um restaurante, sentada numa mesa do lado de fora, observando a cidade. E enquanto apreciava a paisagem, ela viu uma mulher loira descer de um carro que ela conhecia bem, do outro lado da rua.

– Marissa? O que ela está fazendo aqui?