Mermaids

11 Capítulo 12


Alexis caminhou em passos largos até seu quarto, com Luke correndo atrás dela e fazendo várias perguntas.

– Será que você pode me explicar o que você descobriu?

– O sobrenome da minha mãe, Motinelli, o que isso diz a você?

– Sei lá, descendência italiana? — disse Luke dando de ombros, sem entender aonde ela queria chegar.

– Exato! — Alexis arrumou os cabelos e respirou devagar. — Com o crescimento populacional dos humanos e urbanização, as sereias tiveram que procurar lugares seguros para viver longe de olhares curiosos para manter nossa espécie a salvo em segredo.

– Aonde está querendo chegar?

Alexis ignorou a pergunta de Luke e continuou a falar: — Um desses locais é a Ilha de Capri, na Itália.

– Brilhante! Então é provável que sua mãe esteja lá, não é?

– É mais que provável. Luke, quando eu era mais nova eu pedi para ir para a Ilha de Capri, e meu pai não deixou. Quando Marissa foi organizar um desfile na Itália ele não deixou eu desfilar. Quando fizemos uma viagem pela Europa, ele trocou a Itália pela Áustria. Não sei como deixei um detalhe desses escapar. Estava bem na minha cara.

– O que vai fazer agora? Vai até Capri atrás dela?

– Claro, mas não agora. Estou no meio de um dos desfiles da Marissa, e está quase tudo pronto. Se eu sair agora ela vai me encher de perguntas, e se eu sumir logo depois vai ficar pior.

– Quando é o desfile?

– Daqui a cinco dias. — Alexis suspirou e sentou-se na cama. — Como eu vou segurar minha ansiedade?

Luke sentou-se cautelosamente ao seu lado.

– Sabe, quando você descobriu isso, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi que você iria sair correndo para o aeroporto para embarcar no próximo voo para Capri. Mas você fez o contrário, pensou nas consequências e planejou o momento certo para ir em busca da sua mãe. Isso é uma prova de que você está controlando a sua impulsividade e amadurecendo as suas ideias.

– Acha que eu vou aguentar cinco dias?

– Isso depende de você.

Alexis olhou nos olhos de Luke e sorriu fracamente.

– Obrigada Luke, por estar me ajudando — Alexis pôs sua mão sobre a dele — significa muito para mim.

Nesse momento Luke começou a sentir-se estranho. Seu coração começou a bater mais rápido e sentiu uma sensação estranha no estomago. Seus olhos iam da mão de Alexis até seus olhos cinza, tão profundos e enigmáticos. Seu toque o sensibilizara. Nunca havia sentido nada assim antes.

Alexis retirou sua mão e levantou-se da cama.

– Eu tenho que resolver uns assuntos — ela disse, tirando Luke de seus pensamentos e sensações.

– Que assuntos?

– Não é da sua conta.

– Tem alguma coisa a ver com as mortes?

– Sim, mas não é nada perigoso — Luke ficou de pé rapidamente e segurou o pulso de Alexis.

– Eu vou com você.

– Não!

– Quer parar de fazer tudo sozinha?! Todas as conversas que tivemos não adiantaram de nada?

– Se você faz tanta questão de ir, então vá! — Alexis disse irritada, soltando seu braço que Luke segurava.

– Eu vou.

– Tá!

– Tá!

– Ótimo!

– Ótimo!

– Será que dá para pararmos com isso, e irmos embora logo? — Alexis falou irritada.

– Dá sim.

– Ótimo.

– Ótimo!

– Você é irritante! — Alexis disse saindo do quarto.

– Você é irritante.

– Para com isso!

– Para você!

– Você!

– Você!

Alexis virou-se para Luke com uma expressão de como se fosse explodir, e deu um tapa em seu braço.

– Seu feio! — ela gritou e saiu apressada pelas escadas da mansão.

– Isso era para eu ficar ofendido?! — Luke perguntou, indo atrás dela.

– Não enche!

E assim os dois saíram discutindo, como nos velhos tempos.

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James e Monique encontravam-se em um café, conversando bobagens.

– Não acredito que você fez isso! — disse Monique, que não aguentava de tanto rir. — Você era um pestinha.

– Eu era mesmo. Mas é bom ser criança e inocente, você faz umas besteiras e depois isso vira uma boa história para se contar e rir com uma pessoa especial.

– Pessoa especial? — Monique perguntou, corando violentamente.

– É, você é uma especial. É inteligente, meiga e muito bonita.

Monique sorriu, mas logo algo passou pela sua cabeça. Será que ele estava com ela por causa de sua beleza, por ser uma sereia? Mas ele me acha inteligente e meiga — ela pensou — não disse que eu era apenas bonita. Ela afastou seus pensamentos e voltou sua atenção para James que a olhava com um sorriso meio bobo.

– Gosto muito de conversar com você, desde aquele jantar na sua casa. Sua companhia é agradável e gostaria de chamá-la para um encontro de verdade.

– Um encontro de verdade?

– É. Pego você amanhã as sete?

– Claro. — Monique sorriu encabulada. Como negar um pedido desses? Nenhum garoto disse coisas tão gentis como essas. A maioria era atraída pela beleza dela. Mas parecia que James não era um desses caras.

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Alexis estacionou o carro próximo ao porto, e ela e Luke foram andando devagar.

– Por que estamos no porto? — perguntou Luke.

– É uma longa história.

– Estou pronto para ouvi-la.

Alexis respirou fundo e semicerrou os olhos para Luke, que esperava ela começar a falar.

– Bom, quando eu invadi o laboratório forense da sua mãe eu tirei uma cópia de todos os papéis relacionados à sereia. Em um desses papéis eu encontrei que ela tinha uma marca no pescoço que indicava que ela usou um colar por anos, talvez durante toda sua vida.

– O que isso tem a ver com estarmos no porto?

– Se você calar essa sua bocona, eu termino a história, que eu avisei que era longa.

– Tá — Luke resmungou, revirando os olhos.

– Sereias são ótimas fabricantes de joias, encontram diversas pedras preciosas no oceano e transformam em colares, tiaras, entre outras. E quando uma sereia nasce geralmente ela ganha um colar feito pela mãe. A Alicia tem vários que a mãe dela fez. Tessa tem uma tiara...

– Aquela cheia de pedras azuis que ela usava quando era criança?

– Essa mesma. A Mô também tem algumas joias, e naturalmente eu não tenho nenhuma. — Luke viu o olhar de Alexis ficar triste por uns instantes. — Mas isso não vem ao caso. O que importa é que essas jóias tem um valor muito sentimental, e a maioria das sereias não tira nunca. E essa sereia não usava colar algum.

– E?

– Quando encontramos a segunda sereia morta no píer, e deixei o meu carro exatamente aqui, e ao voltar para cá, no meio do caminho eu vi uma movimentação estranha em um barco e fiquei curiosa.

– Novidade. — Luke ironizou, e Alexis olhou feio para ele. — Pode continuar.

– Foi exatamente aqui... — ela olhou para o porto, onde havia uma vazio entre um barco e outro. — Não está mais aqui.

– O barco?

– Não o avião. Mas é claro que é o barco!

– Sua delicadeza me encanta às vezes — Luke brincou, e Alexis o repreendeu com o olhar. — Tá bom, eu sei que é um assunto sério, mas foi você que começou.

– Não importa. — ela falou baixinho e olhou novamente para o porto.

– O que você viu naquela noite?

– Dois colares, e uma faca. Mas não uma faca qualquer, uma igualzinha aquela que matou a primeira sereia. Ela tinha um entalho no cabo que eu logo reconheci. Sem falar em uma maleta preta que provavelmente continha dinheiro.

– Por que será que toda vez que eu falo com você eu sinto como se estivesse em um seriado policial?

Alexis ignorou o que Luke disse e caminhou rapidamente em direção a um barco, onde um homem mexia em uma rede de pesca.

– Ei você! — Alexis gritou, chamando atenção do homem, que lançou um olhar descarado para ela.

Luke sabia bem as reações de um homem quando viam uma sereia, e não eram nenhum um pouco direitas, mas no momento em que aquele homem olhou para Alexis como se fosse comê-la, ele sentiu uma vontade enorme de dar um soco na cara dele, ou de passar o braço ao redor dela, marcando território. Que bobagem, Alexis não era nada dele. Mas porque ele estava sentindo essas coisas?

– Posso ajudá-la? — o homem agora parecia um pouco hipnotizado.

– Sim. Pode me dizer para onde foi o barco que estava aqui?

O homem piscou algumas vezes, e olhou para o lado onde o barco deveria estar.

– Ah — ele disse, como se estivesse saído de um transe — , sim o Amélia. Ele é de uns comerciantes, eles se encontraram com uma ricaça ontem e depois partiram.

– Sabe para onde?

– Ouvi alguma coisa sobre Itália, mas não acho que eles vão para Capri de barco.

– Capri?

– É, a ilha.

– Eu sei. Sabe o nome deles?

– Bom, são três, mas só conheço Dave e Barnaby.

– E como eles são?

– Dave é bem alto e loiro, e Barnaby é baixo e um pouco gordinho e barbudo.

– Tá bom. Muito obrigada pela informação.

– De nada. Toparia sair comigo?

Alexis estava pronta para dizer não, quando Luke colocou o braço ao redor de seus ombros e semicerrou os olhos para o homem.

– Ela está comigo.

– Ah, desculpe — ele disse, mas ainda mantendo o olhar indiscreto sobre Alexis.

– Obrigada — Alexis disse, quando os dois voltavam para o carro, e Luke percebeu que ainda estava com o braço ao redor dela.

– Não foi nada — ele disse, tirando o braço timidamente. — Vamos, tenho que me encontrar com o Andrew.