Mermaids
10 Capítulo 11
Luke contou toda a conversa que teve com seu pai e Alexis escutou tudo boquiaberta, mas sem dizer uma palavra, tentando assimilar todas as informações.
– Alexis? — Luke a chamou, pois ela permanecia calada com um olhar vago.
– Eu... Eu não consigo acreditar. Eles estudaram juntos, a Marissa também. Todos eles escondem a minha mãe de mim.
– Meu pai disse que não sabe onde ela está — Luke mentiu — e o motivo da separação dos dois.
Alexis voltou a ficar calada, até que ela levantou-se e saiu do quarto em passos rápidos.
– Alexis, aonde você vai? — Luke foi atrás dela. Os dois entraram no quarto do pai e da madrasta de Alexis. — O que você vai fazer aqui?
– Procurar fotos do meu pai na época do colégio. E você vai me ajudar.
– Sim senhora.
–-
Andrew estava sentado a mesa de seu escritório. Seu olhar estava fixo no chão. Obvio que ele pensava em Alícia e nos momentos que passaram juntos. Como uma viagem pôde mudar tanto sua vida? Nunca imaginaria as consequências que ela traria. Nunca pensou que uma mulher lhe afetaria de tal modo, e muito menos que essa mulher seria a melhor amiga da sua irmã. A garota que ele viu crescer, que conviveu durante anos, e nunca tivera um sinal de atração por ela. Como isso foi acontecer?
Mas uma coisa ele não podia negar, ele a queria. Depois de tudo, ele a queria. Não sabia se iria suportar vê-la sem poder tocá-la.
Talvez tenha caído na armadilha sedutora de uma sereia.
Andrew se levantou de sua cadeira e começou a andar de um lado para o outro. Estava transtornado e confuso sobre seus sentimentos, sobre o que deveria fazer. Precisava desabafar, conversar com alguém. Mas quem?
Tessa? Absolutamente não.
Então quem seria?
Foi aí que se lembrou de seu melhor amigo. Antes de viajar, Luke e Andrew eram inseparáveis. Sempre estavam juntos. No colégio Andrew era o nerd certinho e Luke o popular e mulherengo. E apesar de tão diferentes, compartilhavam de uma grande amizade. Luke sempre estava lá para o que Andrew precisasse. E agora, mais do que nunca, precisava do melhor amigo.
Já havia passado mais de vinte minutos que Alexis revirava os pertences de seu pai e sua madrasta. Luke procurava calmamente e ia arrumando a bagunça que Alexis fazia, sem questioná-la.
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De repente o celular de Luke tocou.
– Fala Andrew.
– Oi Luke. Será que a gente pode se encontrar para conversar?
– Tá com problemas?
– É. Preciso conversar com alguém.
– Pode contar comigo. Posso passar no hotel mais tarde?
– Claro. A hora que quiser.
– Luke! — Alexis grito do final do closet.
– É a Alexis? — Andrew perguntou.
– É sim. Tenho que desligar. Tchau.
– Tchau.
– Luke!
– Já estou indo!
Alexis estava sentada em cima dos joelhos com uma caixa preta sobre as coxas. Luke chegou mais perto e pode ver que a caixa continha várias fotos. Ele se sentou ao seu lado enquanto ela olhava as fotos.
– São os nossos pais Luke — Alexis falou mostrando uma foto de Kevin e Dim jovens. — Olha! — Alexis tirou do fundo da caixa um livro de capa azul. — É o anuário do meu pai.
Ela abriu e olhou as assinaturas na contracapa. Mas uma lhe chamou a atenção e leu em voz alta:
"Xereta, você será sempre meu primeiro amor".
– A.M.
– Acho que foi minha mãe que escreveu isso.
– O apelido do seu pai era xereta? — Luke soltou uma pequena risada nasal.
– Olha, ela assinou com as iniciais A.M. Vamos ver quem tem essas iniciais.
Ela passou as páginas até chegar às fotos dos alunos.
– Aqui! Ariana Motinelli. É ela.
Luke aproximou-se para olhar a foto.
– Caramba! É uma versão sua dos anos oitenta. É igualzinha a você. O nariz... — Luke viu as primeiras lagrimas rolarem pelo rosto de Alexis. — Vem cá. — Ele a abraçou e permitiu que ela chorasse.
–-
Monique estava estudando em seu quarto, quando Olga entrou.
– Monique, tem visita para você.
– Visita? Quem é?
– James Roberts.
– James? Não, você deve estar enganada Olga, ele deve ter vindo para falar com meu pai.
– Não, ele deixou bem claro que queria falar com a senhorita.
Monique desceu as escadas se perguntando o que James Roberts queria com ela. Mas sua cabeça parou assim que a visão do ator britânico sentado no sofá da sua sala tirou-a de seus questionamentos internos.
"Calma Monique, ele é só um cara normal"
– Monique! — James exclamou, praticamente pulando do sofá.
– Oi James. O que faz aqui?
– Espero não estar incomodando...
– Não, só estou curiosa para saber o que quer comigo — Monique disse um pouco acanhada.
– Bom, é que eu tenho a tarde livre, e eu gostei da sua companhia naquele jantar, então se você puder, sei lá, me mostrar um pouco da cidade, já que eu não conheço muita coisa.
– Quer que eu te leve para conhecer L.A.?
– Se não for inoportuno — James falou com seu jeito inglês que Monique achou engraçado e fofo.
– Não. Será um prazer lhe mostrar a cidade.
–-
Luke ainda tinha Alexis em seus braços. Ela não chorava, mas permanecia em silêncio, com a respiração ainda abalada. Luke fazia um carinho tímido no braço magro de Alexis, que tinha a cabeça recostada no peito dele, ouvindo seu coração bater.
De repente, Alexis saiu dos braços de Luke e levantou-se rapidamente, secando suas lágrimas.
– Alexis? — Luke perguntou, também se levantando.
– Eu sou muito burra! — Alexis estava com um olhar profundo e pensativo. — Burra, burra, burra... — ela repetia para si mesma, batendo na testa com a palma da mão. — Como deixei um detalhe desses escapar? É tão óbvio.
Luke, que assistia Alexis discutindo com si mesma sem entender, perguntou: — Do que está falando?
– Eu acho que sei onde está minha mãe.
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