Notas iniciais
Nesse capítulo vou revelar um pouco da minha personagem, embora ela seja original me inspirei na biografia de três estrelas na vida real. Aqui estão elas: Maria Callas, Elisabeth Taylor e Sierra Boggess. Obs: Eu sou fã de Webber também.

Quatro anos depois...

Ela não pode se enganar para sempre... Pensava ele. Eu sei que ela está infeliz onde está.

Hastings andava pelos corredores do prédio com um buquê de flores a procura da sala de sua velha amiga. Poucas vezes havia se encontrado nos últimos anos e tantas coisas haviam mudado, mais ele esperava que a sua amizade ainda fosse importante para ela.

Será que ela vai me ouvir? Pensou.

Seria um desafio tentar convence-la mais ele tinha que tentar, pelo bem dela. Ele sabia que se o plano funcionasse ela voltaria a ser a mesma Elise talentosa de antes, mais se não, ninguém jamais seria capaz de convencê-la novamente. Era tudo ou nada. Havia uma chance que ela tivesse se recuperado do que lhe aconteceu á três anos atrás... Ou não. Seja o que for ela tinha que tentar mais uma vez. Ao virar-se no corredor encontrou uma porta que tinha uma placa de metal escrito: Anne Cecília E. Elisabeth Boggess. Elise...

Ele parou na porta pensando o que diria a ela. Tinha certeza que sua amiga não seria mais a mesma de tempos atrás, nas poucas vezes que a viu ele sentiu que ela tinha perdido o rumo na vida quando deixou o palco. Naqueles tempos ele sentia que ela estava sempre em busca de algo, sem que nunca o encontrasse, porém naquela época ela tinha um rumo. Ela fazia o que sabia fazer de melhor, e era excepcional. A cantora sempre se distinguiu, no cenário musical, pela capacidade de provocar intensas emoções na plateia, mais que por outro lado era infiel a si mesma.

Charles esticou o braço e bateu três vezes a porta. “Entre.” Ele ouviu, e entrou. Ela estava sentada na mesa e ao computador, com os óculos de leitura que lhe caíam muito bem e parecia concentrada no que estava fazendo. Os anos passaram e quase nada havia mudado na sua aparência, ainda parecia uma estrela de cinema, a única diferença era que as roupas profissionais lhe davam um ar mais sério. Elise tirou os olhos do monitor e quando viu Charles sorriu surpresa.

— Hastings? Que surpresa agradável. – Disse ela se levantando para apertar-lhe a mão.

— Eu é que estou feliz em vê-la, Elise minha querida. – Cumprimentou ele com suas maneiras britânicas e lhe entregou as rosas vermelhas – Elas são para você, feliz aniversário...

— Obrigada, elas são lindas... – Ela cheirou as flores. – Como lembrou que era meu aniversário? Não te vejo há anos!

— Eu nunca me esqueço de um amigo, Elise. – Disse ele. – Rosas vermelhas, iguais a aquelas que você tinha ganhado no Albert Hall, lembra-se? – começou ele.

— Sim... – Disse ela de repente tornando-se triste. – Bons tempos que não voltam mais.

— Como você sabe? – Perguntou ele – Talvez você esteja errada...

— Charles, por favor eu não quero falar sobre isso. – Disse ela tristemente. – Não comece…

— Lizzie, por favor… Não fique na defensiva. Admita que você sente saudade de ser Elisabeth Stirling. – Insistiu ele.

— Não, Charles… Ela está morta, você sabe. E eu não estou na defensiva. – Declarou ela. – Você veio mesmo apenas me desejar parabéns? Ou há outra coisa? – Perguntou ela olhando-o de modo suspeito.

Sempre perspicaz, não é Lizzie? Pensou ele.

— Tudo bem… você me pegou, eu não vou mentir… — Disse ele se rendendo. – Gostaria que voltasse a cantar, eu gostaria muito e eu acho que faria muito bem a você também.

— Você acha que eu não quero também? – Perguntou ela. – Mas querer não adianta nada, você sabe que eu perdi a minha voz.

— Já se passaram três anos, você pode ter se recuperado... – Suspirou ele. – Você já tentou alguma vez desde que os problemas ocorreram?

— Não. — Respondeu ela a contragosto.

— E então? – Perguntou.

— Não adianta Charles. Elisabeth Stirling está morta, eles a mataram, e ela não vai voltar. – Disse Elise.

— Liz… — Charles sempre ficava irritado quando Elise se referia a si mesma na terceira pessoa. Sua amiga sempre teve o hábito de dizer isso quando se referia a ela mesma na sua carreira. – Vamos dar uma reunião depois de amanhã, à noite no Albert Hall, com todo o antigo elenco; e queremos muito que você fosse… – Suspirou ele. – Você tem que tentar Liz, é tão talentosa… Prometa-me que vai pensar sobre isso.

— Eu prometo.

— Ótimo… — Disse ele. – Bem, eu vou deixar você trabalhar. Vejo você amanhã então, ou talvez antes. Tenha um ótimo dia. – Despediu-se ele.

— Igualmente, Charles. – Respondeu. E ele foi embora.

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Ao fim da tarde Elise dirigiu seu carro até de volta ao seu apartamento.

— Elise! – Gritou o homem que estava parado na porta da sua casa.

— Robert? – Disse ela surpresa – Robert! Eu não acredito!

— Venha Liz, me dar um abraço de aniversário... – Disse ele se aproximando da moça com os braços abertos.

— Acho que isso não é... – Antes que ela pudesse terminar, ele a envolveu num longo e esmagador abraço – necessário... – Quando ele finalmente a soltou, ela respirou aliviada e disse:

— O que está fazendo em Londres? Não deveria estar na Tanzânia desencalhando baleias? – Perguntou ela em tom divertido.

— Tanzânia? Não, eu não trabalho na Tanzânia... – Disse ele fingindo estar indignado. – Mais você é quem deveria estar num palco de Nova York.

— Você sabe que esse tempo já passou... – Disse ela com um pouco de tristeza.

Como não reconhecer aquele gorro cinza, óculos de armação grossa, barba por fazer e roupas largadas de Robert Doyle? Além do seu jeitão meio hippie, meio nerd-cientista-louco que ele tem. Um biólogo marinho dedicado e que, ás vezes se tornava irritantemente comprometido com as causas que defendia. Não que Elise não gostasse do seu cunhado, só não queria estar perto dele quando ele resolver que deve protestar contra o aquecimento global ou se amarrar a uma árvore para impedir que seja derrubada; sim, ele é capaz dessas loucuras. Além disso, a moça nunca havia o perdoado por ele ter levado sua irmã para outro lado do mundo.

Eu acho que hoje é o dia de ser visitada por pessoas que eu não via há muito tempo. Pensou Elise.

— Onde está a Gwen? – Perguntou ela.

— Lá dentro com as meninas. – Ela lhe lançou um olhar animado de “não acredito” deixou a bicicleta do lado de fora e entrou rapidamente no seu apartamento. Encontrou Summer e Hayley, suas sobrinhas gêmeas de oito anos assistindo TV na sala, e elas foram as primeiras a cumprimenta-la com abraços e beijos de meninas carinhosas que elas eram. Sua irmã Gwen estava na sua cozinha vasculhando a geladeira.

— Eu nunca deveria ter lhe dado às chaves do meu apartamento. – Disse Elise. – Já deveria saber que você iria assaltar minha comida – completou em tom divertido.

— Não se preocupe irmã, não há muita coisa aqui que me agrade. – Respondeu ela.

— Eu não posso viver só de espinafres e tofu como você, e não tenho ideia de como as meninas ainda não fugiram de casa, para escapar da sua dieta de coelho. – Disse Elise sorridente. – Mas você parece ótima.

— Eu estou muito bem, obrigada. – Respondeu, tirando da geladeira uma garrafa de suco natural e se servindo. – E as meninas adoram minha comida.

— Acredito… — Disse Elise duvidosa.

Gwen sorriu para sua irmã mais nova, puxou uma cadeira da mesa e sentou. Elise notou que sua irmã estava com a pele bronzeada e que as sardas do seu rosto estavam mais escurecidas do que o normal, mais isso é previsível considerando que sua irmã mora na Austrália. Além disso, ela também notou o seu cabelo, que antes era longo, estava agora bastante curto e as madeixas ruivas alaranjadas, quase loiras, emolduravam harmonicamente o belo rosto de Gwen.

— Você falou com o Bob? – Perguntou a mais velha.

—Claro, seu marido quase me esmagou na entrada do meu apartamento; fez-me sentir como uma árvore em extinção. – Disse Elise aborrecida, Gwen sorriu.

— Eu trouxe uma coisa para você. – Disse ela, e abriu a bolsa que tinha deixado em cima da mesa. Tirou dela uma caixa de produtos eletrônicos e entregou a Elise.

— O que tem dentro? – Perguntou Elise.

— Um carregador de baterias portátil. – Respondeu a irmã – Mais não qualquer… ele funciona a energia solar, totalmente ecológico e recarrega qualquer coisa, desde celulares, a notebooks, Tabletes e câmeras! É fantástico! – Explicou Gwen com animação exagerada.

— Eu não sabia que esse tipo de coisa existia... – Respondeu.

— Mais não existe! Bem... Pelo menos não no mercado... É uma novidade e ainda não foi lançado. Eu tenho um desses também, e só consegui por que o Rob tem um amigo que é engenheiro eletrônico e que lhe devia favores. – disse sorrindo orgulhosamente – Ele não é incrível? É um aparelho revolucionário!

— Realmente... – Respondeu Elise com um pequeno sorriso de gratidão – Imagino que seja bastante útil quando se está na floresta australiana. – E depois com um grande sorriso – Muito obrigada, Gweny.

Embora as duas sempre fossem muito unidas, as irmãs também sempre foram muito diferentes entre si, e geralmente, o que empolgava Gwen não fazia o mesmo com Elise; embora ela tivesse gostado do presente, não via necessidade nele, já que morava na cidade e sempre havia energia elétrica para os aparelhos eletrônicos. No entanto se mostrou agradecida.

— Não foi nada. – respondeu antes de beber um gole do suco. – Então... Você está gostando do seu trabalho?

— É claro! Por que não estaria? – Mentiu Elise.

De todas as pessoas, a irmã mais velha era a única que sempre descobria o que Elise tentava esconder; ninguém a conhecia melhor do que Gwen.

— Isso não é verdade. – Falou a mais velha. – Você não gosta do seu trabalho, eu tenho certeza. – Disse ela, a outra suspirou.

— Por que hoje todo mundo resolveu falar sobre isso? – Respondeu aborrecida. Elise foi até a geladeira e tirou uma garrafa de cerveja.

— O que é isso Elise? – Perguntou com olhar de censura. – Você sabe que essas bebidas destroem a sua voz!

— Minha voz já está destruída Gwen, eu não preciso me preocupar mais com isso. – Retrucou Elise.

— Da maneira que você está cuidando dela é claro que sim! Você só está tentando de propósito acabar com o pouco que lhe resta! – esbravejou Gwen, depois mais suavemente: — Elise… Fugir de quem você é não vai ajudar em nada, é um crime desistir quando se tem um talento como o seu…

— Eu sei o que você vai dizer Gwen. – Interrompeu a mais nova. – É o que tem me dito nos últimos anos, e eu estou cansada disso. Por que hoje todos resolveram me atormentar com isso? Eu não vou cantar nunca mais e todos sabem disso, mas não coseguem me deixar em paz! – Ela rosnou. – Eu não suporto ouvir a mesma coisa cada vez que você me telefona ou me visita! Estou cansada disso!

— Fique calma Liz… — Pediu sua irmã, arrependida por tocar em um ponto tão sensível de Elise. – Tudo bem… eu não falo sobre isso. – Ela suspirou. – me desculpe…

— Tudo bem… Gwen – Acalmou-se Elise. – Desculpe-me também.

— Por favor! Somos adultas… sem ressentimentos Lizzie. – Respondeu Gwen – Então… Quer que eu ajude a preparar o jantar? – perguntou a mais velha sorrindo.

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— Eu não entendo… Por que ela acha que eu vou conseguir cantar novamente?

No dia seguinte, no consultório de sua médica psicóloga, Elise relatou o ocorrido no dia anterior.

— continue… — pediu a médica.

— Eu sei que ela só quer que eu seja feliz, mas por que ela traz o meu passado de volta a minha cabeça? – perguntou ela. Inquieta, a moça se levantou e foi até uma das janelas. – A minha voz acabou, mais felizmente cada dia que passa é um dia a menos… E eu quero esquecer, quero ser livre de Stirling, não quero voltar a ser ela.

— O que quer dizer com livre de Stirling?

— Elisabeth Stirling, a profissional; aquela que só encontra satisfação no palco, mais que é infeliz quando o show termina. Quero ser feliz comigo mesma, e não sentir que sou reconhecida apenas pelo o que faço ou o que fazia, e sim como pessoa. – Explicou ela. – Eu sei que é loucura, mas quando eu era atriz, eu desejava poder viver aqueles momentos no palco para sempre, eu vivia a minha vida através das experiências dos meus personagens. Não era eu que dava vida a eles, eles é quem me davam vida. Você entende doutora?

— Eu entendo, mais gostaria de lhe fazer uma pergunta… — Disse a médica, Elise virou-se para ela. – Você gostaria de voltar a cantar?

— Se eu gostaria? – riu amargamente. – Não há nada que eu queira mais neste mundo do que isto. Mais isso não vai me ajudar… Eu toco vários instrumentos, eu gosto muito de tocar, mais não é o mesmo, porque toda a minha infância foi direcionada ao canto e ao teatro, este é o meu talento verdadeiro. – Ela suspirou. – Você sabe que crianças-prodígio nunca aproveitam uma infância verdadeira. Eu não me lembro de um brinquedo que curtisse mais do que qualquer outro, uma boneca ou um jogo preferido, mas somente das canções que eu cantava, e cantava, e cantava, até ficar cansada, para o show no final do ano. E, especialmente, da sensação dolorosa de pânico que me tomava quando, no meio de uma passagem difícil, sentia como se fosse sufocar e pensava, aterrorizada, que nenhuma nota sairia da minha garganta seca e árida. Ninguém nunca notou a minha ansiedade... – Ela caminhou de volta e se sentou novamente na cadeira – Deveria haver uma lei proibindo tais coisas. Crianças tratadas dessa forma tornam-se adultas antes do tempo, é injusto privar crianças da sua infância. Eu sentia que era amada somente quando cantava.

— Era desta forma que você lidava com a rejeição da sua mãe? Cantando? Ou melhor… o fato de você começar a cantar tão cedo e com tanta expressividade, não seria talvez um esforço para ser amada e reconhecida por ela? – Perguntou a Doutora Foster.

— Talvez… — Ela abaixou a cabeça e olhou para suas mãos. – Ela sempre sonhou em ser cantora, mais nunca conseguiu; e mesmo com sua melancolia, ela cantava às vezes e parecia tão feliz quando fazia isso… — Admitiu tristemente. – Eu queria que ela ficasse feliz por mim.

— Mais em vez disso, tudo o que conseguiu foi que ela explorasse seus talentos. – Concluiu a médica. – Você a visitou este ano?

— Não… — Lamentou Elise. Ela deixou a cabeça cair sobre as mãos e continuou – Doutora, a senhora sabe que ela não quer me ver, todos os nossos laços foram cortados.

— Sim, você me disse. Sinto muito. – Respondeu ela compadecida. – E esse seu amigo o Sr. Hastings, é o mesmo colega que você me falou tempos atrás? – Mudou de assunto a doutora depois de um tempo em silêncio.

— Ele mesmo. – Elise sorriu timidamente. – Um grande ator, e um bom amigo.

— E você está disposta a considerar a proposta dele?

— Eu não sei se quero voltar ao Royal Hall e rever a todos os meus antigos colegas…

— Eu acho que pode ser bom para você. – Opinou a médica.

— Ah não… Você também não… — suplicou Elise.

— Deve encarar seu passado um dia, por que não agora? – Ela perguntou.

Elise ficou pensativa.

Notas finais
O que acharam? Desculpem a demora, se puderem me perdoar gostaria saber o que pensam.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.