Mermaid

3 Cath e Rat


Notas iniciais
Capítulo maior como prometi

Catherine sabe como dar festas eu tinha que admitir. A festa em particular era em uma casa de férias, tinha um jogo de luz e DJ, e claro, tinha ela. Cath era a luz onde passava, todos a cumprimentavam e a elogiavam, não pude evitar sentir um pouco de inveja. Quando eu relutantemente concordei com aquela loucura, Mel se preocupou em nos produzir, ela estava vulgarmente vestida com uma mini saia de couro e uma bota de cano longo que parava acima dos joelhos, ela usava o cabelo em um rabo de cavalo e deixou alguns fios loiros emoldurando o rosto, quando foi minha vez ela parecia prestes a chorar por causa do resultado. Esse resultado foi; eu estava usando um vestido preto justo que ia até metade das coxas, meu cabelo foi deixado solto com cachos vermelhos, meus pés estavam doendo com aqueles saltos mas Mel disse que valeria a pena.

— Ainda não vale a pena – resmunguei quando chegamos no local, Mel tinha encontrado o endereço em um papel no quarto do irmão, demorou cerca de uma hora até chegarmos, a festa era em um lugar bem remoto e eu ainda não entendi a razão de tudo aquilo, pelo menos até descobrir que a festa era ao lado de um lago conhecido como olho d'água, por causa de uma lenda antiga e adivinhe quem era a protagonista da estória? Isso mesmo, uma sereia.

— Annabele, Melody – disse uma voz doce – que prazer.

Catherine Place estava lá com toda sua magnificência.

— Cath! — disse Mel com uma voz igualmente doce – você está magnífica!

Ela ri.

— Eu sei. Como vocês souberam da festa?

Mel bufa delicadamente.

— Pelo Rat, você sabe como ele é, deixou o endereço em cima da mesa.

Resolvi ficar calada e não dizer que tivemos que vasculhar o lixo dele.

— E falando nele, você viu meu irmão prodígio por aí?

Cath olha por cima do ombro na direção de um grupo de pessoas reunidas perto do lago.

— Deve está ali com o câncer da festa. — ela diz amarguramente mas logo sorri e nos diz onde fica as bebidas e sai para falar com outros convidados.

— Porque chamam seu irmão de Rat?

Ela ri. — Você logo saberá, basta olhar para ele.

E assim que o alcançamos eu vejo o porque do apelido.

— Maninha. — o irmão da Mal (não consigo chamá-lo de Rat) diz assim que a vê, aparentemente eu sou invisível por aqui. Ele deve ter 1m80, cabelos castanhos que parecem nunca ter visto um pente nessa vida, ele usa uma regata desgastada e um jeans rasgado nos joelhos, ele consegue parecer bonito vestido de mendigo e isso me irrita, ele tem aquela postura de rebelde sem causa. Ele surpreendentemente se dá conta da minha existência.

— Não sabia que tinha virado lésbica. — ele diz me olhando de cima a baixo.

Mel ri. — Oh não, claro que não.

E isso me irrita ainda mais.

— O que tem de errado em ser lésbica comigo?

— O que tem de errado em não ser?

Fico estranhamente magoada e saio em direção ao lago.

— Anna! — Mel corre até mim – qual o problema?

— Não sei. — digo observando a superfície do lago. Tiro os saltos. O lago reflete a Lua dando a impressão de que tem duas Luas.

— Anna? — sussurra Mel assustada – O que você está fazendo?

Paro minha mão que estava já na metade do processo de abaixar o zíper do meu vestido, mas logo continuo. Tiro o vestido e caminho em direção ao lago, tenho a impressão de que Mel esteja gritando meu nome mas não paro até a calma água do mar está na altura dos meus ombros, afundo e vejo meu cabelo criar uma cortina vermelha ao meu redor, parece sangue, isso me faz sorrir.

Braços rodeiam minha cintura e me levam a superfície, bebo litros de ar assim que entro em contato com ele.

— Você é louca?! — ouço uma voz distante gritar, parece Mel. Abro os olhos e vejo seu rosto pairando em cima de mim, percebo que estou deitada na areia e que já está amanhecendo. Cath, o irmão da Mel e mais algumas pessoas estão ao nosso redor, me sento.

— O que aconteceu? — sussurro e minha voz sai rouca.

— O que aconteceu? — repete Mel incrédula – sério? Além do fato de que você tentou se matar?

— Eu não tentei me matar. — argumento.

— Você tirou a roupa e foi pro meio do lago e mergulhou e ficou tipo, horas lá em baixo. — diz Cath – pensávamos que você estava morta.

Sorrio friamente. — Como se vocês se importassem.

Ela, Mel e quase todos ali ficaram boquiabertos.

Mel balança a cabeça se levanta e sai caminhando, me levanto recusando ajuda e vou atrás dela.

— Mel – seguro o braço dela – eu não quis dizer aquilo daquele jeito.

— Nós ficamos – ela diz – a noite toda procurando por você, espere, você não, pelo seu corpo.

Ela dá meia volta e me encara, os olhos dela brilham com lágrimas, se de raiva, tristeza ou alegria por eu estar viva, eu não sei.

— Essa não é você.

Isso foi a gota d'água.

— Não sou eu? Mel você me trouxe para cá e criou fantasias nessa sua cabeça!

— Eu estava tentando ajudar!

— Não deu muito certo. Ou deu?

Desta vez as lágrimas caem e eu tenho certeza de que são de raiva.

— Vá se foder Anna.

E então ela vai embora.

— Esse foi um belo show – diz alguém ao meu lado. — Tem certeza de que não são lésbicas?

— Vá se foder.

— Com certeza eu vou. Principalmente se você continuar vestida desse jeito.

Olho para baixo e vejo que ainda estou apenas de calcinha e sutiã. Ignoro isso.

— Você está de carro?

— Desculpe – diz Rat – mas não sou o tipo de rapidinhas no carro.

— Esquece, eu vou a pé.

— Ei espera – ele pega meu braço me fazendo parar – te dou uma carona, deixa só eu descobrir com quem está meu carro.

Na viagem de carro até minha casa descubro que o nome de Rat é Nick. Quando chego em casa vejo meu tio me esperando no sofá, ele não me olha quando entro e vira uma folha do jornal que essa lendo.

— Você me disse que chegaria á meia noite. — ele olha casualmente para o relógio de parede. — está sete horas atrasada.

— Tio eu…

— Não tente explicar – ele me interrompe – e por favor coloque umas roupas.

Subo e me visto, me deito na cama mas não me sinto cansada, sinto como se tivesse dormido a noite inteira.

Algumas horas depois meu tio bate na porta e entra.

— Vista-se, estamos indo.

Olho fixamente para ele.

— Ande garota.

— Indo para onde?

— Eu estava pensando em algum lugar tropical, arrume as malas, pegue apenas o essencial, vamos sair daqui a uma hora.

Faço roboticamente tudo o que ele diz e saímos, estamos no carro a duas horas e ele ainda não me disse nada, apenas abaixou a capota e disse para colocar o cinto.

Nós paramos em frente a uma casa simples e branca que fica ao lado de várias outras casas simples e brancas, todas essas casas estão em frente a praia, meu tio abre uma com uma chave entra, diz para eu colocar a mochila em algum lugar e ir com ele.

— Tio,- digo hesitantemente e um pouco assustada tenho que admitir – para quê tudo isso?

— No final você vai entender.

Ele estava certo. Como sempre.

Notas finais
comentem xx
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.