Mermaid

7 VII – terceiro dia: Festival de lembranças


Notas iniciais
Essa foi rápida. haha
nunca postei com tanta frequência.

Sasuke tocou violão a noite toda e, de manhã, estava morto, exausto, mas se sentia muito melhor. Podia até olhar para ela, fingir indiferença, estava pronto, tinha lavado a alma. Foi só um beijo... Alguns beijos... Não significavam nada, certo? Não deviam significar, fez aquilo por seu irmão, para que ele sobrevivesse, era o que importava. No dia seguinte ela saberia o que fazer, ele a beijaria e... Argh! Imaginá-los juntos fazia seu estomago doer. Queria beijá-la de novo, queria ver seu sorriso de novo, ela estava o deixando louco, tirando-o do sério e não havia nada que ele pudesse fazer.


Deitou-se na cama quando o sol nasceu e, sem perceber, adormeceu.


Hinata saiu do quarto de Itachi vestindo o vestido branco que Temari dera para ela, largo como uma bata, um tecido leve, batia pouco acima dos joelhos. Deixou os cabelos soltos. Ia descer as escadas, mas parou em frente o quarto dele, podia vê-lo espalhado na cama, o violão ao lado. Sorriu.

– Hina? – Itachi a chamou lá de baixo.

– Sim?

– Pode chamar o Sasuke? Acho que ele ainda está dormindo.

– Vou chamar... – ela disse colocando a mão na maçaneta da porta que já estava entreaberta e entrou.

Se aproximou cuidadosamente da cama, queria vislumbrá-lo, nunca o vira dormindo, nunca vira um humano dormindo. Ele estava deitado com a barriga para cima, a mão esquerda com os dedos em volta do braço do violão, o braço direito estendido com a mão para fora do colchão. A cama acabava nos seus joelhos, os pés descalços tocavam o chão como se ele tivesse passado à noite sentado ali e, de manhã, apenas caíra para trás. Hinata suspirou. Ele não devia dormir daquele jeito. Se aproximou mais e tocou o rosto pálido, as pálpebras sobre os olhos e, por fim, os lábios, demorando seus dedos ali, ainda lembrava da sensação de ontem, da maciez... Aquele gosto doce de cereja... Sentiu os olhos arderem de novo, não entendia por que aquilo estava acontecendo.

Sasuke abriu os olhos, aquele sonho que estava tendo já o estava deixando louco, Hinata tão perto... Tão longe ao mesmo tempo... Insuportável. Se assustou ao vê-la ali, em seu quarto. Ela recolheu a mão também, assustada.

– Desculpe. – se apressou em dizer corando.

– O que está fazendo aqui? – Sasuke cobriu o rosto com a mão, se apoiando nos cotovelos para se sentar.

– Itachi me pediu para acordar você...

– Ah, certo... Que horas são? – respirou fundo.

– N-não sei... – ela desviou os olhos, querendo olhá-lo, mas evitando.

Sasuke se levantou, espreguiçando-se e bocejando, foi até o banheiro e parou em frente o espelho. Parecia um zumbi. Mais do que nunca. ‘Ninguém mandou ficar acordado a noite toda’ repreendeu-se mentalmente.

Fechou a porta ignorando Hinata que ainda estava no seu quarto, tão entretida com os vários pôsteres na parede, ela estava, que nem percebeu o som do chuveiro sendo ligado.


Quando Sasuke saiu, prendendo a toalha na cintura, se surpreendeu ao encontrar Hinata de costas para ele, observando os pôsteres nos mínimos detalhes. Ele parou, observando-a, não queria que ela saísse, na verdade queria que ela se virasse, corresse na sua direção, envolvesse seu pescoço e permitisse que ele a beijasse tão mais urgentemente que na noite anterior, queria o corpo dela colado ao seu, o calor, o cheiro de seus cabelos, da sua pele, aquele cheiro de mar que ela tinha.

Suspirou.

– Hinata?

Ela se virou para ele e corou, desconcertada.

– D-desculpe. – disse saindo.

Fechou a porta do quarto dele e ficou ali, parada, queria entrar e dizer que não estava muito certa do que fazer, se ele poderia ensiná-la de novo... Queria saber se ela se sentiria com Naruto do mesmo modo que se sentiu com ele, se estaria segura, se os lábios dele seriam gentis, se sua língua teria aquele mesmo gosto de cereja... Sentiu a garganta seca. Precisava de água. Água salgada. O calmante perfeito.

Desceu as escadas correndo, encheu um copo de água e sal e misturou, bebendo tudo com goles sedentos. Itachi a observou, pasmo, surpreso, enojado.

– Água salgada. – assentiu, tentando se convencer de que talvez pudesse ser mesmo bom.

– Que horas são, Itachi? – a voz grave de Sasuke fez-se ouvir.

– Quase meio dia. Vão comer na lanchonete?

– É uma boa idéia. – apareceu no portal vestindo a camisa branca.

Itachi suspirou para a calça jeans preta e o tênis converse. Ele não mudava nunca.

– Estamos na praia Sasuke, que tal um pouco de bom senso? – sugeriu gesticulando para as roupas dele.

– Ah, certo. – ele ignorou a sugestão.


Almoçaram os três na lanchonete, voltaram para casa depois, Sasuke dormiu no sofá enquanto Itachi e Hinata conversavam durante uma hora e depois eles foram para a praia onde já estava tudo pronto para o festival.

Hinata ficou encantada, havia balões, palhaços, crianças correndo e brincando, uma porção de competições amistosas sendo realizadas e foi num desses jogos que eles encontraram Naruto. Ele sorriu ao vê-la e ela sentiu o coração aquecer um pouco, o brilho nos olhos dele era intenso e a fez esquecer um pouco de seus problemas. Sasuke não esboçou reação alguma quando eles se juntaram, desejou uma boa festa e se retirou com os dedos entrelaçados atrás da cabeça.

Foi para o restaurante, Owen estava lá, Temari e Gaara também e ele procurou se divertir com eles e esquecer Hinata.

Quando Naruto a convidou para a lanchonete ela aceitou, tinham se divertido bastante e ele parecia cansado e faminto. Pediu um lanche quando chegaram e Hinata olhou para o palco, enquanto se sentava, Sasuke estava lá, sorria distraído enquanto arrumava o microfone de Owen. Depois arrumou o seu próprio, sentou-se e aconchegou o violão no colo.

– Bem, obrigado a banda anterior pelo seu repertorio. – Sasuke agradeceu – Agora, Owen, meu aprendiz – ele apontou o garoto que sorriu encabulado – vai cantar umas músicas para vocês.

Havia bateria dessa vez, um garoto ruivo atrás deles era quem estava tocando.

Sasuke começou com um toque rápido e baixo.

– In a sitch like this you gotta think and I don’t think you think about the way he thinks and I know you live life for yourself but it all comes down to the way you help… — Owen começou, sorrindo confiante quando as pessoas soltaram murmúrios de aprovação. – And I know your life is such a hell, you wake up early and you work until you have your drinks at 5 o’clock, the hours blend and your thoughts all haunt your hopes, your dreams, your everything… well mama, I hope… I dream that you won’t leave… — ele pegou ar rapidamente – And I have a question: what is love? What is love? Oh oh oh oh oh oh Is it giving up? ‘cause that’s not like you raised me, yeah…¹

Hinata fitou Sasuke, ele parecia pensativo enquanto tocava, parecia estar no piloto-automático enquanto sua mente viajava. Hinata também se sentiu assim; “O que é o amor? É desistir? Porque não foi assim que você me ensinou...” a música dizia. Ela não sabia também. Era suas esperanças? Seus sonhos? Seu tudo? O que era o amor?

Se pegou pensando naquele beijo.

– Certo, agora, uma especial. – Owen anunciou olhando para Sasuke que assentiu com um sorriso torto nada alegre. – Vamos lá. – disse baixo para Sasuke.

Ele começou os acordes e Owen começou a cantar no mesmo instante:

– Baby, I Love you, I never want you let go...²

Naruto sorriu para a música, se levantou e pegou a mão de Hinata, levando-a para a pista de dança.

– A nossa música, Hina. – ele piscou para ela.

Hinata sorriu de volta. Não. Aquela música não a fazia se lembrar dele, a fazia se lembrar de Sasuke, do seu sorriso ao dizer para ela na frente de todos ‘Porque tudo o que você faz é fofo pra caramba’ ela ainda sorria ao se lembrar daquilo.


Naruto a levou para fora depois de algumas músicas, ela ouviu Sasuke anunciar o fim daquele repertório, pois o pôr do sol estava próximo e logo iriam soltar os fogos.

Naruto a parou na praia, perto de um dos pilares de madeira da grande barraca que fora montada na areia. Ela encostou suas costas no pilar e olhou para ele, mas só havia Sasuke em sua mente.

– Eu gosto muito de você, Hinata. – as palavras a fizeram despertar e seu coração saltar.

Ele se aproximou dela e ela ficou ansiosa para saber se os lábios dele teriam o mesmo gosto, se a sensação seria a mesma. Não foi.

Os lábios dele eram macios, quentes, gentis, tinham um gosto salgado que a fez lembrar o mar, mas ela não soube como mover os seus lábios, não soube o que fazer, não queria. Sentiu algo úmido escorrer pelo seu rosto.

– Hinata! – uma voz grave os interrompeu.

Hinata sentiu um grande alivio invadi-la e um vazio enorme ao mesmo tempo. Olhou na direção da voz, viu Sasuke e sorriu.

Ele veio até ela e a ergueu do chão, colocando-a com a barriga em seu ombro.

– Desculpe interromper, mas é que estamos atrasados, o pai de Hinata liga todos os dias nesse horário... Melhor corrermos. – ele mentiu.

Naruto assentiu, não tinha escolha a não ser deixá-la ir, mas sorriu quando ouviu seu nome atrás dele.


Sasuke correu com Hinata até em casa e só a colocou no chão quando chegaram do deque onde a piscina ficava. Ele colocou a mochila do violão sobre uma cadeira e virou para ela, segurando seus ombros.

– E então, Hinata? – perguntou sério, notando finalmente a lágrima solitária em seu rosto.


_____

*tradução:

¹ Numa situação como essa você precisa pensar e eu acho que você não pensa sobre o modo como ele pensa e eu sei que você vive a vida para si mesmo, mas tudo se resume à maneira como você ajuda. E eu sei que sua vida é um inferno puro, que você acorda cedo e trabalha até que você tenha suas bebidas às cinco horas. As horas se misturam e os seus pensamentos todos assombram suas esperanças, seus sonhos, seu tudo... bem mamãe, eu espero, eu sonho que você não vá embora. Eu tenho uma pergunta: O que é o amor? O que é o amor? Oh oh oh oh oh oh Trata-se de desistir? Porque não foi assim que você me ensinou...

² Baby, eu amo você, eu nunca quero deixar você ir...

Notas finais
Adorei os comentários, sério, muito obrigada. É reforçador.
Espero que tenham apreciado este, é um dos melhores. SOPDKSPOD
Enfim, comentem, por favor /o/
E vão à manifestações pelo Brasil a fora, ok? pensamento critico, não acreditem em tudo que dizem, não existe ninguém que não pode ser questionado. FIGHT!