Merda.
1 Único
Merda.
Ele tinha o olhar fixado no corpo à sua frente. Um cara alto, de curtos cabelos loiros, estava estirado no chão. A camiseta xadrez estava toda suja de sangue. Estava morto. O outro, parado e observando o sangue escorrer, segurava a arma na mão, enquanto as lágrimas desciam pelo seu rosto. Ele soluçava como uma criança assustada. “Não tinha que ser assim.” Sussurrou para o nada. Ciúme de merda. Ainda se lembrava do ódio que o possuiu quando viu Gale com aquele viadinho. Sentindo a ira correndo nas veias, esperou o momento certo para questiona-lo. Seu pai não devia ter deixado a arma ali. “Isso” O albino murmurou. “A culpa é do velho. Se não tivesse deixado a pistola ali, nada disso teria acontecido. E aquele filho da puta do primeiro ano. A culpa é deles, não minha.” Sabia que estava mentindo para enganar o coração. Também sabia que não era bom em mentir. O namorado sempre ria dele por esse motivo. Ainda se lembrava de como ficava vermelho de raiva e vergonha, para depois ser confortado entre os braços do outro.
Amor de merda.
Ele ainda ficou mais alguns minutos olhando a face pálida do amor de sua vida. Se abaixou e acariciou o rosto frio. As lágrimas ficaram mais fortes. Elas caíam e se misturavam com o líquido vermelho no peito do loiro. Depois de cinco anos juntos, a história acabara assim.
Não iria aguentar viver sem ele.
Ele carregou o revólver novamente.
“Me desculpe, Gale.” Disse, a voz rouca. “Me desculpe por isso. Espero que esteja no céu e nunca mais me veja.” Respirou fundo, levando a arma até a cabeça “Porque agora, eu vou pro inferno.
Disparou.
Finalmente, chegara ao fim daquela vida de merda.
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