Merci, À Fróid!
1 Merci, á fróid!
Notas iniciais
Após algum bom tempo abriu a porta com cuidado, esperando não acordar o adormecido Inglaterra. Ah, aqueles gemidos baixos eram tão sexys! Controlou o riso, se aproximando do menor para medir-lhe a febre. Estava tão alta! Queria poder ajudá-lo de alguma forma, mesmo que o “odiasse”, Inglaterra já havia ajudado-o antes.¹
Olhou para o rosto adormecido, franzindo a testa. Ele ficaria muito mais bonitinho se estivesse sempre quieto como agora! Com um suspiro, retirou o pano úmido que antes estava na testa do britânico, retirando seu suor e molhando-o para, novamente, colocá-lo sobre a testa alheia. Será que deveria preparar uma de suas maravilhosas sopas para ele? Oh, se fosse cozinhar para ele, precisaria dar em sua boca! Mon Dieu, aquela ideia era espetacular! E talvez, depois dele dormir novamente, poderia abusar um pouquinho de seu corpo.
Estava tão imerso em pensamentos libidinosos que sequer percebeu quando o outro acordara.
– A...Ahh... Por que está babando...? – Perguntou baixo, a voz um tanto fraca graças ao resfriado.
– Are? Estou babando? Honhon~, désolé! –Limpou a baba enquanto se recompunha. Sua própria respiração havia ficado um pouco acelerada graças aos belles pensamentos, tanto que não havia notado que pedira desculpas para o inglês.
– Hm..? Você... está doente também? Pra pedir desculpas desse... jeito... H-Heh!
– Eu pedi desculpas? Deve ser a febre que está confundindo sua cabeça e te deixando surdo, velhote.
– T-Tsc... A-Apenas me deixe sozinho...!
– De jeito algum! Olhe seu estado! Eu vou cuidar de você, pas-chere-Anglaterre! ² Vou usar sua cozinha, está bem? Très bien, merci! ~
E, mandando um de seus beijos sexys, saiu do quarto para ir à cozinha. Prepararia coisas bem saudáveis para ele e até faria um chá! Cobraria o corpo dele pelo serviço, depois.
Enquanto França estava fora, Inglaterra pensava em por que, diabos, aquele francês maldito estava o ajudando. Provavelmente estava querendo alguma coisa. Resmungou baixo, amaldiçoando o francês mais uma vez por ser tão... tão... incrivelmente irritante! Porém parou no meio da “reza” para refletir. Oras, França estava o ajudando, não é? Então deveria ser grato, como um bom cavalheiro! Mesmo que fosse ele, aquele francês inútil e estranho.
Mal percebeu o tempo passar e França já estava de volta com uma bandeja com uma sopa de cebola francesa, seu precioso chá, um pedaço de bolo e alguns scones. Seus olhos brilhavam, mesmo que não quisesse. Tentou se levantar sozinho, porém França foi mais rápido, logo o ajudando a se sentar.
– O-Oe, eu posso fazer isso! – Disse um tanto emburrado, os olhos fixos na sopa que parecia deliciosa.
– Eu quero ajudar. – Respondeu simplesmente, lançando um olhar tão penetrante para o inglês que este desviou o olhar do prato para fitá-lo. Inglaterra pôde sentir um arrepio quente subir pelo seu corpo, aumentando ainda mais sua febre. E França, notando isso, se exaltou, levantando o rosto alheio com as mãos para checar sua temperatura escaldante.
– O-Oe, Anglaterre! Não morra, você ainda precisa comer!
– I...Idiot... S-Só fiquei um pouco tonto... – Desviou o olhar ao sentir aquele toque tão íntimo, pelo menos para si, do francês. Não gostava quando era tocado desse jeito, se sentia tão... fraco.
França suspirou, ajeitando-o na cama e logo pegando o prato de sopa, deixando-o sobre seu colo. Pegou um pouco da sopa com a colher e aproximou dos lábios ingleses, mantendo uma mão em baixo da colher para que não pingasse.
– F-Frog! N-N-Não precisa fazer isso por mim! E-Eu posso me alimentar sozinho! – A voz falhou no meio da segunda frase por tentar aumentar o tom, mas isso não o impediu de continuar. Aquilo era tão vergonhoso!
– Eu já disse que quero te ajudar. Agora, pas-chere-Anglaterre, diga “ahh”!
Inglaterra, um tanto revoltado por ter que fazer algo tão humilhante, abriu um pouco a boca, o suficiente para que a colher entrasse. O gosto delicioso encheu sua boca. Era tão gostoso! Tão diferente de suas comidas! Tentou não transparecer isso, precisava ser o Inglaterra de sempre.
– Es....Está estranho... V-Você sabe como eu odeio sua comida...
– Não foi o que sua cara disse há alguns segundos, pas-chere. Você que está acostumado com comidas sem gosto algum!
– O-Oras, eu apenas não gosto de colocar temperos ou coisa do tipo... G-Gosto de preservar o gosto natural das coisas!
– Heh, é por isso que é tão horrível. – Comentou mais para si mesmo do que para ele, levantando uma das sobrancelhas. Antes que Inglaterra retrucasse, direcionou a colher para sua boca – Aqui, coma mais!
– N-Nhhh... – Soltou um suspiro aborrecido, embora apenas estivesse mantendo sua imagem de “odiador de comidas francesas”. Tomou mais da deliciosa sopa e, quando menos percebeu, já havia acabado.
– Ici, votre thé.³– Entregou-lhe a xícara de chá que, apenas pelo cheiro, Inglaterra soube que era um de seus favoritos: o Earl Grey. Com um sorriso mínimo, tomou o chá devagar enquanto França o analisava com cuidado. Era impressão sua ou Inglaterra parecia melhor? Tirou a xícara de um revoltado Inglaterra, aproximando-se do menor para retirar-lhe a camisa.
– O-O-O-OE! O-O que diabos você está fazendo, stupid?! – Tentou gritar, mas a voz ainda falhava. Por que França estava tirando sua camisa? Será que ele pretendia outras coisas? Não queria isso, estava com medo!
... Medo?
Era o amazing Inglaterra, como poderia ter medo do França? Deixou que ele tirasse sua camisa, surpreendendo o maior pela diferença gritante de ação. França colocou o termômetro de baixo de seu braço, mas não se afastou. Seus rostos estavam tão pertos. Será que deveria tascar-lhe um beijo? Queria tanto isso, mas provavelmente o inglês o repeliria.
... Ou não.
Levou a mão até o rosto de seu Anglaterre, acariciando e pronunciando as últimas palavras antes de colar os lábios nos dele.
– Je ne vais pas te blesser.4
Notas finais
²- Não-querido-Inglaterra ou meu não-querido-Inglaterra segundo o Google. Q
³- Aqui, seu chá.
4- Eu não vou te machucar.
Joyeux anniversaire, Papa! ♥
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