Mercenários

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Boa leitura!

Mercenários

by Amanur

7

...



“Quando acordei, na manhã seguinte, não a encontrei ao meu lado. Na verdade, notei que você sequer havia passado a noite na cama. Eu pensei que pudesse ter sido consequência do dia anterior, e você apenas não quisesse ficar perto de mim. Sabe que por isso eu entenderia, mas acontece que havia algo em mim, talvez fosse instinto, me dizendo que eu deveria erguer a guarda. No fim das contas, fiquei desconfiado e me vesti rapidamente. Quando desci as escadas, o silencio me incomodou. E a cada degrau que descia, teorias mirabolantes iam se formando na minha cabeça. Talvez você tivesse fugido de casa para nunca mais voltar. Talvez tivesse saído correndo para suas amigas, para falar sobre o monstro com que havia se casado. Ou pior, que fosse correndo para os braços do seu pai para contar a barbaridade que eu havia cometido.


Não que eu tivesse medo dele, isto é. O homem tinha dinheiro, mas não era tão poderoso assim. Não tinha os mesmos contatos que eu tinha.


Mas ao chegar na sala de jantar, a encontrei sentada, com um xícara de chá nas mãos, folheando um jornal. Você nem me olhou.


— Onde dormiu? — perguntei, notando que ainda estava com a mesma roupa.

— Na poltrona, lendo o livro. — você respondeu calmamente, ainda sem me olhar.


Chamei a empregada para servir o meu café, e sentei a sua frente. Fiquei observando você folhear o jornal sem muito interesse, até que se atinou de me passar o jornal.


— É todo seu! — você disse, e se levantou para me deixar as sós.

— Pretende sair?

— Preciso de autorização agora?


Isso me calou. Eu não queria chegar a esse ponto ainda. Eu não queria ser esse tipo de marido, embora você não acredite. Eu suspirei, me levantei, e caminhei até você. Lembra daquele abraço? Eu a envolvi por trás, a fim de me redimir, por mais que me custasse pedir desculpas. Bom, você sabe que nunca fui bom em admitir meus erros para os outros. Mas eu estava realmente preparado para fazer aquilo... Até afundar meu nariz nos seus cabelos, e sentir aquele leve odor. Um cheiro de coisa podre, misturado com suor, e sei lá mais o quê. E você andava sempre muito bem perfumada.


A pressionei com mais força contra meu corpo, e beijei seu pescoço, mesmo assim.


— É claro que não precisa de autorização. Só estou preocupado com você.

— Não há nada com o que se preocupar. Estou perfeitamente bem. — então, para ironizar, me confrontar, ou sei lá o que, você saiu mancando, me fazendo lembrar das cintadas que havia lhe dado.


Mas assim que você subiu as escadas, chamei nosso velho mordomo.


— Jiraya, quero que você siga Sakura, discretamente. Quero um relatório de todos os passos que ela der. Não se preocupe com suas tarefas na casa, por enquanto. Deixarei outra pessoa encarregada por elas, por algum tempo. — Jiraya concordou, mas ficou me olhando por um breve momento, obviamente cheio de perguntas a fazer. Mas sua discrição o manteve calado. Além disso, eu tinha a leve impressão de que ele sabia mais do que deveria, e por isso eu precisava mantê-lo por perto.


Era Sábado, mas como eu ainda tinha negócios a tratar, fui me encontrar com Neji no local em que havíamos combinado antes do jantar. Nem lhe dei tchau.


E você, aproveitou o tempo para tomar um banho e trocar de roupas. Você estava exausta, sequer havia dormido naquela noite. Fora sorte ter chegado em casa antes de eu acordar.


Após o banho, você ainda pensou em ir ver seu refugiado, mas estava tão exaurida, que só conseguiu capotar na cama e cair no sono profundo. Só acordou no meio da tarde, quando Jiraya teve que lhe acordar para anunciar a visita de Temari.


A loira estava radiante, sorridente.


— Não sei o que está acontecendo com você, mas nós saímos hoje de manhã para entregar os panfletos! Várias mulheres apareceram interessadas na nossa causa. Acho que agora, finalmente, as coisas vão começar a funcionar para nós! Você tinha que ver a felicidade da Tenten! Ela falava tão eloquentemente. E o povo se aglomerava a nossa volta, curiosos. Teve até mesmo alguns homens interessados, acredita? Eles pediam pelos panfletos, e faziam perguntas, e davam sugestões... — você estava com a cabeça em outro lugar, e deixou de ouvir o relato nesse instante. Você se perguntou sobre como estaria o mendigo, se seu amigo tinha cuidado dele devidamente, e quando poderia ir vê-lo. Mas Temari não calava a boca, e logo anoiteceria, e eu estaria de volta. Você perdeu muito tempo dormindo.


— Sakura, está me ouvindo? — Temari, de repente, a sacode pelos ombros — Ok, chega de tagarelice, me conte logo de uma vez o que está acontecendo! Você parece pálida. Você realmente esteve doente?

— Ahm... Sim, sim. Acho que a minha pneumonia não deve ter sido bem tratada.

— Hum... Ainda bem que eu lhe trouxe boas noticias, então, hein? — num gesto descontraído, Temari deu uns tapinhas na sua perna, e sem querer tocou em uma de suas feridas.

— Ai! — você gemeu, contraindo a perna.

— O que houve?

— Eu caí das escadas hoje de manhã e machuquei a perna.

— É meeeeesmo? — disse Temari, desconfiada. Achava aquilo tudo estranho demais, para ser apenas coincidências.

— Você se importa, se eu pedir para que vá logo. Sinto dor nas costas. Acho que vou me deitar e descansar, enquanto peço a alguém para chamar o médico.

— Uhum. Sem problemas. Vê se melhora logo.

— Obrigada.

— Mas Sakura, espero que saiba que você pode contar comigo para o que precisar, ok?

— Obrigada. — você assentiu, e sorriu. Mas por dentro estava se sentindo aos pedaços. Era terrível manter segredos de suas amigas, ainda mais naquele momento em que elas se mostravam tão preocupadas contigo. Mas você não podia se arriscar a nada, ainda.


Logo depois que Temari partiu, você trocou de roupa. Pôs um vestido leve, casual, e sapatilhas sem salto compondo com uma boina de tricô para dar uma passeada com os cachorros. A ideia era perfeita em sua cabeça. Poderia chegar depois de mim, com a desculpa de que havia perdido a noção do tempo, e ainda se empolgado com a energia dos cães.


Já era o entardecer, o céu estava alaranjado. Eu costumava chegar em casa no meio da noite, quando não anunciava que chegaria mais cedo. Mas assim que você fechou o portão, um exótico automóvel parou na calçada, e eu desci radiante e sorridente, muito bem humorado e com uma sacola nas mãos.


— Ah, vejam só, minha linda esposa! — Neji e Gaara estavam comigo — Sakura, quero que se vista com seu melhor vestido! Quero que use o melhor perfume, o melhor sapato... E a melhor ceroula que tiveres! Oh, me desculpe! Você não usa mais ceroulas. Ela é uma mulher livre, que usa calcinhas; aquelas coisas minúsculas, indecentes! — disse em meu tom debochado. Não sei se foi realmente engraçado, ou se Neji e Gaara deram risadinhas apenas para puxarem meu saco... Mas você bufou de raiva, virando o rosto. Obviamente, eu estava bêbado, e isso a deixava enojada. Você sempre detestou alcoólatras. E eu, quando bebia, tinha a péssima tendência de ficar exibido.

— Me poupe de suas gracinhas, Naruto. Sua avó já usava calcinhas! Vou levar os cachorros para dar uma volta. — você disse, meio emburrada.

— Bobagem! Deixe que Jiraya os leve. Temos um compromisso esta noite. — então, peguei no seu braço, enquanto Gaara tomou as rédeas dos cachorros.


Passei a sacola que tinha para você. Eram duas caixas. Uma com um belo e caro vestido, e a outra com sapatos que combinasse. Neji os comprou por mim.


— Escolhi a dedo essas peças, quero você deslumbrante esta noite. Muita gente importante irá comparecer. — eu disse.

— E de onde saiu essa coisa? — você apontou para o automóvel atrás de mim.


Os automóveis, naquela época, estavam começando a se tornarem populares, mas somente entre os mais afortunados da sociedade, pois eram peças caras. Você fez careta, pois não gostou da aparência do meu Rolls Royce Silver Ghost prata.

— Essa belezura foi um presente que ganhei de um fã do jornal — menti — Agora poderemos nos locomover com muito mais rapidez e conforto. Não vamos ficar pulando pra cima e pra baixo por causa dos cavalos, nem precisamos ficar sentindo o fedor deles. Você vai adorar!

— Aonde vamos? — você perguntou, sem o menor interesse.

— Vamos na casa do meu chefe... — falei, cautelosamente. Você estreitou os olhos, porque eu sempre disse que não tinha um chefe. Eu havia me esquecido desse detalhe, mas com aquele seu olhar, tratei de me redimir — Ele não é exatamente meu chefe... Está mais para sócio... digamos assim. Ele cuida de algumas coisas dos negócios, e eu cuido de outras. Só isso.

— E porque está tão sorridente?

— Por que atingimos o maior número de vendas do jornal, o sucesso todo é nosso, e merecemos essa comemoração, não acha?


Você desconfiou, mas não disse nada. Entremos no casarão em silêncio. Nós subimos para nosso quarto, enquanto meus subordinados ficaram no andar de baixo.

O motivo da minha animação, na verdade, foi por que eu havia conseguido fazer a venda que me fora designado a fazer. Não foi uma venda justa, na verdade. Houve muito poder de persuasão, e talvez algumas chantagens... No ramo em que eu trabalhava, ninguém jogava limpo. Mas eu jamais poderia lhe dizer isso. Não era permitido envolver mulheres nos negócios.


Seja como fosse, eu havia saído da negociação com uma garrafa de whisky e brindado com Neji e Gaara, que haviam me acompanhado no processo. Eu estava empolgado, e me joguei na cama para tirar os sapatos e trocar de roupa, enquanto você se trocava. Mas como o álcool ainda reagindo no meu sangue, vê-la ali, em suas roupas intimas minúsculas, me excitou. Era verdade que a maioria usava calcinhas, mas muitas conservadoras ainda preferiam as antigas ceroulas. E eu nunca tinha me deitado com uma mulher que usasse essas coisas pequenas.


Levantei-me da cama e a abracei por trás, beijando seu pescoço. Você se retraiu ao meu toque, me afastando sutilmente. Mas eu fingi que não percebi, e continuei a investir minhas caricias em você apalpando seus seios.


— Há um tempo que não fazemos amor... Sinto sua falta. — murmurei em seu ouvido. Mas é claro que você não estava com humor para aquilo. Não depois de tudo pelo que passamos nos últimos dias. Você soltou uma risadinha de escarnio, e fez de conta que nada do que eu fizesse fosse capaz de lhe afetar de algum modo.

— Seus amigos estão lá embaixo nos esperando. Preciso terminar de me arrumar. — você simplesmente disse.


Claro que captei a mensagem, e me afastei. Eu não queria brigar ainda mais com você.


O vestido que Neji havia comprado lhe serviu tão bem, que não soube se ficava frustrado ou satisfeito com o resultado. Sabe, pensar que outra pessoa prestasse mais atenção a você do que eu, não era muito animador. Mas como seria uma noite de comemorações, resolvi deixar esse problema de lado. E você, afinal de contas, estava mesmo deslumbrante naquela cor de creme, com aquele laço de ceda preto em volta da cintura.


Terminei de me vestir, e entramos os quatro no meu carro novo. O céu já estava completamente escuro, e não havia ninguém na rua. Neji mesmo havia feito uma pequena e rápida vistoria com os olhos, para certificar de que não havia nenhum imundo por perto, que pudesse perturbar nossa paz. Afinal, eu estava um pouco nervoso e ansioso com tudo. Tanto que nem percebi que você mesma estava preocupada, com a cabeça em outro lugar... Mas hoje percebo que, talvez, fossem suas habilidades em atuação que não me permitiram notar o que se passava em sua cabeça... “

Notas finais
Algum comentário?
De novo: sintam-se livres para fazer criticas! ;)
PS: Vou postar no site a foto do carro do naruto, pra vcs terem uma noção de como ele era. Eu dei uma pesquisada rápida sobre a invenção do automóvel, e esse carro, especificamente, surgiu mais ou menos pela mesma época da fic mesmo (1917). E realmente era o mais caro. Essa marca, na verdade, até hoje é considerada a mais cara do mundo... Só por curiosidade. ;)