Mercenários

23 Capítulo 23


Notas iniciais
Boa leitura.

Mercenários

by Amanur

23

...

“Sasuke correu para trás da porta, com as armas nas mãos, e eu escondi a minha em minhas costas. Perguntei quem estava batendo, mas não obtive resposta. Ao abri-la, eis que me surpreendo ao encontrar Kiba, um dos garotos do orfanato que havia entrado nos negócios do Itachi. Não tínhamos muito contato, porque ele era um dos que não viam problema algum nos ideais do Itachi. Quando nos encontrávamos, era apenas para tratar de trabalho.

Por um breve instante, cheguei a pensar que Neji estivesse por trás, lambendo o rabo do Itachi, já que havia conseguido tomar o meu posto. Mas acho que o Kiba era o mais provável, por que o imbecil estava muito abaixo de nós. E logo supus que ele já tivesse tomado conhecimento sobre eu saber que se tratava de algum golpe interno; para ter se dado ao trabalho de bater na minha porta pessoalmente.

— Então foi você quem sabotou minhas caixas? — indaguei.

Ele cambaleou para o meu lado, e então percebi que estava descabelado, sem gravata, e fedia a álcool.

— Esqueça essa negociação Naruto. Vamos fugir! Vamos aproveitar toda essa confusão no navio, e mandar alguém dizer que morremos. O plano é perfeito!

Estreitei meus olhos, mas ele continuou a tagarelar.

— Fiquei sabendo que o pai da Sakura estava desenvolvendo uma droga, — ele disse, empolgado — numa pesquisa secreta. Se os boatos estiverem certos, podemos drogar todo mundo, e mantê-los sob nossa influencia. Poderíamos contratar alguém que saiba fazer hipnoses, e controlar tudo!

Dei um soco na boca dele, para que cessasse com aquele monte de asneiras sem fundamento.

— CADÊ MINHA ESPOSA?

Eu estava muito irritado, sem paciência, e ainda nervoso com tudo o que acontecera. Não estava disposto a manter cordialidades alguma, mesmo que fosse para fingir. Mas Sasuke segurou meu ombro, como se para me impedir de quebrar o cara em mil pedaços, enquanto Kiba me olhava atônito e confuso.

— Sei lá... — ele murmurou — A esposa é sua!

— Como assim não sabe? O que diabos está fazendo aqui neste navio?

— Itachi me mandou ficar de olho em você...

— Como é que é?

— Ele queria se certificar de que você venderia as mercadorias, por que é o melhor produto que conseguimos fabricar até agora.

— Só isso?

— Juro! O que está acontecendo?

Olhei para Sasuke, como se perguntasse se deveríamos acreditar nele ou não.

— Não se preocupe. Farei com que ele diga a verdade... — ele me disse. Então, o vi levantar Kiba do chão, e arrastá-lo pelo corredor a fora.

Eu fiquei zanzando de um lado para o outro, naquele quarto, sem saber o que fazer. Eu tentava raciocinar com calma, montar algum plano, mas eu estava completamente às cegas, de mãos atadas. E essa situação me deixava enlouquecido, por que aprendi a ter o controle sobre minhas mãos, e estar em posição contrária não me agradava.

Enquanto isso, Sasuke o arrastou até o porão do navio, onde ninguém passava. O jogou contra a parede, como se Kiba não passasse de um saco de batatas. Como ainda estava embriagado, o desgraçado escorregou até o chão, observando Sasuke se afastar. Sem dizer nada, ele caminhou tranquilamente até o outro lado do portão, onde havia alguns cabos de bronze soltos. Prendeu as pontas, um cada mão, e voltou para frente do outro.

— O que vai fazer? — Kiba ainda perguntou.

Mas silenciosamente, Sasuke se agachou na frente do outro, e passou o cabo em volta do pescoço do outro, o enforcando. Kiba começou a se debater em agonia, sem conseguir soltar a voz para pedir ajuda. Aos poucos, foi lhe faltando ar até não haver resquício de vida no olhar. O coitado não teve a menor chance contra a raiva de Sasuke. Quando terminou o serviço, ele o arrastou até onde pôde escondê-lo entre algumas caixas de materiais de manutenção do navio. E o deixou ali, com o arame enroscado no pescoço, para que soubesse a causa da morte do homem.

Com dois nomes riscados em sua lista, ele caminhou calmamente entre outras pessoas pelos corredores. A correria e o nervosismo ainda eram intensos. As pessoas não sabiam a quem desconfiar, e tinham medo de se aproximar de estranhos, mas Sasuke não se importou com isso. Ele pediu a um dos seguranças que lhe emprestasse uma caneta e papel para escrever uma carta. Depois de rabiscar algumas palavras do papel, subiu as escadas, até o terceiro andar. Ele bateu no quarto 346, onde um homem de cabelos brancos e olhar frio abriu a porta. O cumprimentou com um aceno rápido, abrindo um pouco mais a porta para mostrar que você estava bem, sentada de costas, amarrada e vendada. Havia mais meia dúzia de homens ali. Sasuke acenou mais uma vez, e entregou ao homem o papel, e saiu do quarto sem dizer nada. Mas o homem o seguiu pelo corredor, e caminharam até o banheiro masculino. Certificaram de que não havia ninguém por ali, e trancou a porta. Prontamente, Sasuke se virou para o outro.

— Pronto.

E então, o outro avançou para cima de Sasuke, disparando socos e chutes nele, até cortar os lábios e escorrer sangue pelo nariz. Ele riu consigo mesmo, pensando em como aquilo estava começando a virar rotina em sua vida. Apanhar do outros, surrar alguém. Mas ali, ele não revidou, nem tentou se proteger. Quando o outro se deu por vencido, cessou o ataque, suando e ofegando. Ele ainda cuspiu no chão, mas ajudou Sasuke a se levantar. Sem dizer nada, o outro ia virando as costas para ir embora, mas teve seu braço agarrado.

— Você matou todos eles! — o de cabelos brancos resmungou entre os dentes.

— Foi um sacrifício necessário, Hidan. — respondeu, cuspindo sangue no chão.

— Filho da puta. Você sabe que posso arrancar a cabeça dela!

— Na verdade, eu sei que você não vai fazer isso, por que você é um filho da puta ainda maior, que só se importa com o dinheiro que vai conseguir com isso. Se você encostar um dedo nela, eu mesmo arrancarei os seus olhos. — ele disse, insinuantemente — Acho melhor você tratá-la bem, e fazer bonito para o seu chefe!

E com isso, Sasuke deu as costas, deixando o homem engolir a seco e praguejando para si mesmo. Ele voltou para o meu quarto. Assim, que abri a porta, ele se jogou na chão, teatralmente.

— O que aconteceu? — indaguei, surpreso.

— O levei para o primeiro quarto vago que encontrei, no andar de baixo, mas acho que estavam fazendo um emboscada. Eles nos seguiram. Eu os percebi enquanto o arrastava, e consegui fechar a porta, mas não a tranquei porque a chutaram a tempo. Então, Kiba me espancou, junto com outros três homens encapuzados. Não pude ver o rosto dos outros.

— Mas que merda eles querem? Tomar o que é da Sakura? Por isso a seqüestraram?

— Não disseram nada.

Furioso, sai chutando todos os móveis do quarto, achando que estava aplicando o golpe do estado em mim, quando era apenas o Sasuke que estava sabotando tudo.

Não consegui pregar os olhos aquela noite, me perguntando o que fazer. E no meio da noite, um dos vigilantes do navio bateu na porta. Quando o atendi, ele entregou dois envelopes.

— Esse é para o senhor Uzumaki. O outro, me pediram para entregar para o homem que anda como se fosse uma sombra do senhor...

Olhei para Sasuke, que olhou surpreso para o outro. Ele não esperava receber nada, além daquele papel endereçado a mim e estranhou aquilo, achando que poderia ser alguma brincadeira de mal gosto do Hidan. Mas assim que teve o papel em mãos, o reconheceu como sendo uma das páginas do seu livro. Com medo de que eu pudesse reconhecer a folha amarelada, se virou de costa para mim, e desdobrou a folha.

“Era uma vez uma boneca de porcelana que ficava guardada numa gaiola de metal para passarinhos. A gaiola era pintada de branco, toda adornada com detalhes rebuscados e delicados. Ela ficava presa no teto do quarto de duas crianças que dormiam juntas. Uma menina e um menino, que gostavam de admirá-la à noite, quando iam dormir. Essas crianças acreditavam que aquela boneca lhes trazia sorte, por que afastava os pesadelos que tinham durante a noite, no meio dos seus sonos. Já a boneca, além da pele pálida e olhos grandes, tinhas cabelos cacheados, perfeitamente penteados em tranças que pendiam sobre os ombros. Ela usava um belo chapéu de sol, cor de creme, com um vestido cheio de babados e florido. Até mesmo usava luvas delicadas em suas mãos, e brincos perolados. Era uma bela e cara peça para colecionadores.

No entanto, as crianças não sabiam que, na verdade, era essa boneca quem, justamente, colocava aqueles pesadelos em suas cabeças. Todas as noites, a boneca chorava porque não podia sair daquela pequena, apertada e sufocante gaiola. E aquelas gotinhas de lágrimas, envenenadas com sua tristeza e amargura, caiam bem em cima delas causando os terríveis pesadelos.

Com o passar do tempo, a tristeza daquela boneca foi se transformando em apatia. E essa apatia, mais tarde, se transformou em frustração, passando então para a raiva. A boneca ficava canalizando aqueles sentimentos negativos, transformando sua aura em uma massa cinzenta e pesada, que pairava sobre sua cabeça como uma nuvem carregada de chuva, anunciando uma tormenta por vir.

Embora as crianças não vissem aquela massa, elas podiam sentir a energia negativa que pairava dentro daquele quarto. Sempre que se aproximavam daquela bonita gaiola, elas se tornavam estranhamente agressivas. Não havia um único dia em que elas não brigassem por algum motivo fútil, pelo qual esqueciam minutos depois de saírem do quarto. E por isso, conseqüente e involuntariamente, elas passaram se afastar cada vez mais daquela boneca, até que ela mesma se viu completamente sozinha e isolada naquele quarto, como se não passasse de um objeto de exposição.

A tristeza voltou, e a boneca chorava sem parar, porque não havia ninguém para lhe oferecer alguma atenção. Ela não sabia mais o que fazer para fazê-los entender que precisava de liberdade, que havia uma consciência dentro daquela carcaça de porcelana.

Em um dia, como outro qualquer, as crianças, animadas, apareceram no quarto dando risadas. As risadas eram tão contagiantes e alegres, que por um momento se refletiu na pobre boneca. E para sua surpresa, viu a menina tirar de sua gaveta a preciosa chave que abria aquela gaiola.

Finalmente estaria livre, pensou. Mas foi apenas um tolo engano. As crianças a levaram para exibi-la para seus amigos, como se fosse um valioso prêmio, e tão logo respirou o ar da liberdade, foi devolvida para a prisão de grades daquela gaiola.” — A caligrafia era perfeita e delicada, cheio de toques femininos. Não foi difícil para Sasuke identificar aquela como sendo a sua letra.

Cuidadosamente, ele dobrou aquela folha de volta, e a guardou no bolso da calça. Ele custou um pouco a relacionar os fatos que conhecia sobre você com o que havia escrito naquela folha, e sem querer, se deixou distrair fixando o olhar no chão.

— O que dizia o seu papel? — perguntei, meio desconfiado.

— Nada, realmente. Talvez o cara trocou de papeis. Há uma historia boba, escrita. — sem cerimônias, ele tirou o papel e me mostrou o conteúdo. Claro, no mesmo instante reconheci a sua letra, mas não disse nada, tomando aquele papel das mãos dele. Li todo o texto, sem saber o que pensar. Claro que eu não sabia da troca de confidências de vocês, e concordei com ele que o cara tivesse trocado de papéis, porque a folha que recebi dizia apenas algumas instruções a seguir, como ficar calado, e não dizer o que aconteceu no navio para “chefão”; caso contrário, Sakura sofreria conseqüências. Eu amassei ambos os papéis, e os joguei no lixo, julgando-os inúteis.

Na primeira oportunidade que teve, Sasuke pegou a sua folha e a guardou no bolso, sem que eu visse. E assim, passamos horas naquele navio, indo de volta para casa, sem saber noticia alguma de você.

Notas finais
Perdon! Esse saiu mais curtinho, mas acabei cortando por ai, porque achei que fosse o momento para finalizar o capítulo. Já comecei a escrever o proximo . ;)
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