Mercenários
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Já, já vou responder os reviews que não respondi! x)
Boa leitura!
Mercenários
by Amanur
21
...
“Com certeza, você já deve ter notado que quando, algumas pessoas, não todas é claro, vive numa situação de escassez, vão sempre em busca do melhor. E quanto mais ela adquire, mais a pessoa quer mais. Alguns chamam isso de ganância, outros chamam de ambição, e há aqueles que, como eu, prefere chamar isso de instinto de sobrevivência. Eu tinha medo de perder tudo o que havia conseguido e voltar para aquele outro estilo de vida do qual me trazia tanto sofrimento. Eu me lembro muito bem das noites mal dormidas no orfanato, porque estava muito quente, e não tínhamos nada para nos refrescar. Me lembro das tardes em que a velha Tsunade trazia algumas frutas e tínhamos que dividi-las com todas as outras crianças. E principalmente me lembro dos sonhos que tinha de sair daquela casa para conhecer o mundo. Mas esse sonho parecia tão distante, que me sentia encarcerado como um criminoso por trás daquelas grades que protegiam nossas janelas. Aquele sonho parecia uma realidade tão distante, tão utópica, que eu simplesmente precisei me agarrar a toda e qualquer oportunidade que se apresentasse a minha frente. Por isso não me importei em entrar para o mundo novo que o Itachi nos oferecia, porque, em essência, não era muito diferente de como eu me sentida... um criminoso.
Talvez esse fosse o principal motivo pelo qual detestava quando me lembravam da época em que morávamos lá. Por que no fundo eu sabia que o que havia mudado, foi para pior... Por que se antes eu era apenas uma criança que tinha um sonho, mas que se sentia preso; agora me tornei um verdadeiro corrupto, com uma liberdade enganosa. A única diferença substancial era a de que não passamos mais fome — e coloco essa sentença no plural, porque imagino que deva ser como todo o restante deva se sentir...
Com exceção do Itachi, é claro.
Há uma teoria que diz que o homem é mal por natureza. Às vezes acredito nisso, observando crianças. Elas têm a tendência de atirar coisas nos outros, maltratar animais puxando pelo rabo, bater nas pessoas... Elas mudam por causa das intervenções dos pais. E eu gosto desta teoria por que alivia o peso nos ombros. Sinto como se eu estivesse apenas seguindo a ordem natural das coisas... E imagino que o Itachi deva se sentir da mesma forma. Se é que ele é capaz de sentir algo.
Enfim... Foi graças a essa teoria que não senti o mínimo remorso ao bater na Karin. Ela jogou em mim aquele olhar cheio de desdém e nojo, típico de mulheres como ela. E em seguida, com todo seu despeito, ela começou a sorrir, alargando os lábios.
— Oh, Naruto... Por que não bate mais? Eu sei que você ama fazer isso!
— Então não me desafie, Karin. Você sabe do que sou capaz.
Ela continuou com aquele sorriso falso e debochado no rosto.
— E você? Sabe do que eu sou capaz?
— Não, Karin. Me diga você do que pensa que é capaz!? — não me senti nem um pouco intimidado pela ameaça.
— Ora, Naruto... — ela começou a dar a volta por mim, como se desfilasse numa passarela — Qual seria a graça do jogo, se eu lhe contasse o trunfo que guardo na manga?
— Hum. Te devo o parabéns, minha cara. Adoro como você acha que sabe blefar.
— Hehe... Sorria tranqüilo enquanto pode, Naruto. Por que quando você menos esperar, levantarei alguns mortos da tumba para te assombrar enquanto dorme. — ela sorriu de canto, e foi virando as costas para mim. Mas não sem antes deixar aquele beijo de despedida no ar — Bye-bye.
E eu fiquei ali, vendo-a rebolar pelo salão achando que tinha alguma dignidade para tal, sem fazer a menor idéia do que ela estava falando. Achei que estivesse apenas pirada, bêbada, como de costume. Mas em seguida comecei a juntar algumas peças, e desconfiei de que ela fizesse parte do que havia acontecido à Kakashi. Essa parecia ser a única explicação que eu encontrava para o que estava acontecendo por que ela queria se vingar por eu a tê-la deixado para trás. Seria perfeito, para enfurecer o Itachi que colocaria toda a culpa em mim, e arruinaria a única coisa que eu tinha de bom.
Enquanto isso, no convés do navio, você conseguiu controlar o enjôo e as lágrimas. Sasuke permaneceu o tempo todo ao seu lado, sem dizer nada; tanto porque ainda se sentia intimidado por você, quanto por não saber o que dizer. Mas assim que percebeu que você havia se acalmado, ele tirou de dentro do blusão que vestia o livro que você havia dado — agora com algumas páginas arrancadas.
Você o pegou, sem entender o que ele queria dizer com aquilo.
— Acho que está na hora de você começar a escrever nele. — explicou.
Você ficou mais um tempo olhando para a capa lisa do livro, sem resposta a dar. Até que, depois de um suspiro pesado, você resolveu abrir a boca.
— Meu pai me deu isso quando eu fiz quinze anos, mas nunca consegui escrever uma única letra nessas folhas. Nunca entendi por que ele me deu isso. Quero dizer... Estava na moda, meninas escreverem em diários, mas ele sabia que minha infância fora uma droga, trancada sempre dentro de casa... Não fazia sentido manter um diário, por que não havia nada a ser escrito...
— Talvez ele quisesse que você descontasse suas frustrações para com ele nessas páginas.
— Não, ele não se importava tanto assim comigo. Ele só pensava no laboratório dele... Mas assim mesmo mantive esse diário estúpido embaixo do meu travesseiro durante dias por que foi a coisa mais significativa que ele me deu. Ele costumava de dar jóias, roupas... Ele não me dava livros por que dizia que mulheres não devem pensar. Ele odiava o teatro ou qualquer outra manifestação de arte por isso. Mas o fato de ele ter me dado esse diário, me enchia de esperança de que ele não pensasse realmente dessa forma... Acho que nunca vou descobrir o que ele realmente pensava...
Nesse instante, Sasuke viu do outro lado a Karin encostada no parapeito, olhando para os dois. Ele desviou o olhar para encarar o mar. O vento batia com certa força contra o rosto dele. O sol a pino o fazia franzir o cenho e cerrar os olhos. Você percebeu que ele ficou um pouco tenso, e logo descobriu a ruiva parada do outro lado. Discretamente, virou as costas para ela também, se postando bem ao lado do Sasuke, inalando o ar puro do oceano.
— Você já a conheceu? — perguntou como quem não queria nada.
Mas ele não respondeu, e você tomou o silencio dele como um sim e algo mais além da pergunta que ficou implícita no ar. De canto, em um desdém forçado, você o olhou dos pés a cabeça.
— Bom, eu ia perguntar se você se sentia melhor, mas vejo que sim! — você respondeu, cheia de sarcasmo e frustração. Em seguida, o deixou sozinho. Sasuke bem que queria ter ido atrás para esclarecer que não era o que você poderia estar pensado, mas ao mesmo tempo ele não queria mentir para você; então ficou parado onde estava, esperando que a ruiva desse o passo seguinte.
E de fato, sem perder tempo e oportunidade, foi o que ela fez.
— Eu fico impressionada com a capacidade de alguns para fechar os olhos ao que está bem diante dos seus olhos... — ela comentou. Ele apenas a olhou de canto, sem dizer nada — Estou falando do Naruto e dos outros tapados. Não sei se é por que eu era quem mais prestava atenção em você naquele orfanato, e decorei cada centímetro do seu rosto, ou se o álcool ampliou minha capacidade de percepção, talvez tenha sido a droga que afetou o cérebro deles, ou seja lá o que for...mas assim que o vi, Sasuke...
Sasuke deu uma rápida olhada em volta. Como ainda era horário de almoço, e o sol estava alto, queimando a pele, havia apenas mais três pessoas em todo aquele convés. E estavam todos de costas para eles, tomando banho de sol ou conversando, fora do alcance auditivo deles.
Assim sendo, num golpe rápido, Sasuke agarrou o pescoço da ruiva, encravando os dedos em sua garganta — a pegando de surpresa.
— Se ousares a repetir esse nome, lhe dou a minha palavra que da próxima vez que minha mão segurar seu pescoço, será para arrancar sua cabeça. — ele disse entre os dentes, mas ao mesmo tempo mantinha aquela tranqüilidade assustadora no olhar.
Karin imediatamente percebeu que ele não estava para brincadeiras, e fez que sim com a cabeça. Ele soltou seu pescoço e ela tossiu, segurando a garganta com as mãos.
— O que aconteceu com você? Por que todo mundo mudou? — ela indagou, quase histérica.
— Acho que você tem mais capacidade para responder a essa pergunta do que eu. — e então, ele lhe deu as costas.
Karin permaneceu ali, se mordendo de raiva e medo. Ela queria ainda perguntar se ele ainda a amava, mas a idiota, em sua cabeça doentia, não entendia bem o conceito de medo e confundiu as coisas; pois não fazia planos para deixá-lo em paz.
Sasuke foi atrás de você, mas nos encontrou no corredor e não deu mais um passo — preferiu manter-se escondido, ouvindo nossa conversa vendo que estávamos exaltados.
—... Não comece com suas neuroses, Naruto. Se você quiser me prender, então ponha algemas nos meus pulsos. Você tem uma imaginação muito incrível, realmente. Deveria publicar um livro! — você estava brava, e tentou me dar as costas, mas agarrei seu braço.
— Eu só quero que você entenda que estou fazendo isso para lhe proteger, droga! Alguém está me seguindo, e não quero que toquem em você.
— Então por que me arrastou até aqui, e não simplesmente me deixou trancada naquela casa, com seus cães de guarda me vigiando?
— Por que se algo acontecesse a você, eu não seria capaz de lhe socorrer.
Por um momento, eu vi em seus olhos que você acreditou em mim. Mas logo você soltou aquela risada sarcástica.
— Hahaha! Você quer dizer: se eu morrer, você perderá tudo o que é do meu pai, por que ele deixou a herança em seus cuidados apenas enquanto estivermos juntos.
— Tsc! Você realmente é uma merda de uma vadia, não é mesmo, Sakura? Eu deveria mandá-la de volta para a puta que te pariu! Estou aqui tentando lhe dar algo e você cospe todo o seu veneno em meu rosto! Eu deveria lhe dar um pé na bunda e jogá-la no mar para os tubarões lhe devorarem. Estou de saco cheio de sua presunção. — peguei sua cabeça e a bati contra a parede, quebrando o seu nariz. O sangue veio correndo em minhas veias, e de repente me senti hiper-ventilado. Comecei a ofegar alto, mas mesmo assim a raiva tomou conta e fui para cima de você — que havia caído de joelhos nos chão, segurando o nariz que sangrava entre seus dedos. Você ficou chocada com aquilo, sem saber o que fazer; se gritava ou chorava.
Mas logo Sasuke saiu do esconderijo.
— Precisa de ajuda, senhor? Posso me encarregar dela. — ele disse, prontamente. Você o olhou surpresa e assustada ao mesmo tempo; lá estava ele, com sua tranqüilidade passiva, como se não se importasse com nada e ainda se oferecendo a me ajudar a puní-la. Mas você continuou gemendo de dor, olhando feio para ele, que nao lhe dirigiu o olhar. E eu estava prestes a sufocá-la, embora que ao mesmo tempo algo me dizia que deveria me afastar para não piorar a situação; ainda assim, algo me impulsionava a puxar seus cabelos. Por isso a arrastei até nosso quarto que não estava longe. Um casal saiu do quarto para ver o que era toda aquela discussão que desenrolava no corredor, mas assim que perceberam que se tratava de um homem fora de controle, tentando resolver algum problema com sua mulher, voltaram a se fechar no quarto.
Sasuke veio logo atrás, cerrando o punho. Mas assim que a joguei no meio do quarto, lhe disse:
— Não quero mais ver essa vaca por hoje! Mas não deixe-a sair da droga desse quarto. — e saí marchando pelo corredor, sem rumo certo. Eu precisava de ar puro para me acalmar. Eu precisava ficar sem ouvir sua maldita voz por pelo menos algumas horas. E por aquele instante, estúpida e cegamente, me senti grato por ter aquele miserável ao meu lado. Por que se fosse o Neji, ou qualquer outro, teria me afastado de você quando eu mais tinha vontade de lhe socar. Fiquei grato por ele ter me deixado descontar minha raiva em você, e por aquele instante comecei a dar meu voto de confiança àquele cara que, na verdade, estava apenas jogando sujo às suas custas...
No fim, acabei dando de cara com a Karin, que ria da minha cara. A segurei pelo braço, a arrastando de volta para o restaurante do navio. Agora já havia menos pessoas; apenas os que ficaram fumando seus charutos, bebendo e conversando. Sentamos em uma mesa pequena, redonda, e pedi para que me trouxessem algo forte para beber.
— Não esqueça de mim, moço bonito! — ela disse ao garçom, tentando jogar o seu charme. O rapaz, não mais de vinte anos, sorriu para ela e saiu atrás dos nossos pedidos. — O decote sempre funciona. — ela resmungou para mim, mexendo no cinzeiro a nossa frente.
Eu fiquei encarado a cara sonsa dela, sem saber mais o que pensar. A verdade é que toda vez que eu via a Karin, me sentia ressentido pelo que fiz a ela, realmente. Só que eu tentava apagar o passado pensando no trabalho. Mas o que aconteceu não pode ser esquecido, por que fica registrado na memória como uma tatuagem, com todas as imagens gravadas. E toda vez que a via, sentia na pele a tristeza dela; que tivera em toda sua vida apenas alguns curtos momentos de felicidade.
— Se eu tivesse me casado com você, o que acha que teria sido diferente? — perguntei.
Ela me olhou surpresa.
— Não me diga que está pensando em se livrar de sua esposa...
— Só estou divagando...
— Bom... — ela se acomodou melhor na cadeira, e ficou mexendo na toalha da mesa — Nós dois poderíamos ter sido felizes, juntos. Mas você escolheu manter sua relação com o Itachi! — ela disse, amargamente.
Suspirei. Desde quando fui sentimental?
— Esse homem a quem devemos encontrar, você o conhece? — então resolvi mudar de assunto.
Enquanto eu falava sobre negócios com ela, mas tentando analisá-la, esperando que cometesse algum deslize e soltasse alguma pista a respeito do que acontecera ao Kakashi, Sasuke lhe ajudava. Ele havia pedido a um dos empregados do navio que trouxesse um médico — para viagens longas, os navios deixavam a disposição alguns médicos para alguma emergência. O homem logo veio e a tratou, e Sasuke em seguida o dispensou, trancando a porta do quarto atrás de si.
— Eu teria socado a cara dele, mas se fizesse isso, Naruto me mandaria para fora do navio e eu não iria poder cuidar de você... — ele se explicou.
Você ficou olhando para os olhos dele, agora com aquele seu olhar glacial que dividia comigo. Você não sabia o que pensar dele, estava confusa, sua cabeça doía pelos puxões de cabelo, e o rosto inteiro parecia latejar. Seu nariz não inchou porque você estava magra demais, há dias não se alimentava bem, mas sangrava bastante — de modo que logo sentiu a bobeira te pegar.
Ele percebeu que você não estava bem, e a fez se deitar na cama para trocar o algodão que o médico havia posto em seu nariz. Enquanto ele manipulava cuidadosamente o curativo, você o encarava.
— Se você o visse me espancando novamente, ficaria simplesmente parado, olhando? — você indagou, num sussurro.
Ele jogou os pedaços de algodão ensangüentado numa pequena lata de lixo, perto da porta do quarto, e voltou a sentar ao seu lado na cama.
— Eu seria hipócrita e mentiroso se dissesse que preferiria vê-la livre das mãos deles, com a condição de que nunca mais a veria... Por que eu realmente quero continuar a vê-la... Se você me permitir, é claro. — dessa vez, ele ousou tocar mais em seu rosto, sentindo sua pele, seus contornos. E você fechou os olhos diante daquele gesto, daquele toque suave que não a machucava.
— Eu tenho medo. — você sussurrou.
— Eu não sou como ele.
— Você vai me decepcionar.
— Eu não vou.
— Se você me decepcionar, eu o mato...
— Se eu a decepcionar, lhe pedirei para que me mate.”
Notas finais
Mas ficou bonitinho, não ficou? :3 um bonitinho meio mórbido, mas enfim... algum comentário, critica?
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