Mercenários

18 Capítulo 18


Notas iniciais
São meia noite e meia T__T acabei de terminar o capitulo, e passei aqui para postar para vocês! :3 Amanha à noite (quando terei tempo) responderei aos reviews do cap anterior!
Boa leitura!

Mercenários

by Amanur

18

...



“De repente, você começou a suar frio, e suas mãos já não conseguiam mais segurar aquele envelope. Você começou a desconfiar das paredes e janelas, achando que estava sendo vigiada por mais alguém e se levantou para fechar as cortinas. Mas aquele olho, sobre o nosso colchão, olhava para você de uma maneira muito estranha. A vontade de gritar lhe veio com mais força, desta vez... mas manteve a compostura e correu para o nosso banheiro. Se apoiou no sanitário para vomitar, mas havia tanta coisa girando em sua mente que não conseguiu processar aquela necessidade. A angústia se misturou com as preocupações, lhe dando uma bela dor de cabeça. Então, você pegou um bom pedaço de papel higiênico, e voltou para cobrir aquele olho. Mas ali, diante daquela coisa, você acabou perdendo a coragem.


Por fim, você apenas pegou o envelope e o meteu na bolsa. Sem pensar duas vezes, de fininho, saiu correndo para fora de casa. Jiraya estava ocupado com a preparação para o jantar, pois eu havia telefonado lhe informando que receberíamos visitas e que ele deveria preparar algo espécie, de modo que não lhe viu passar. Pelo menos, foi o que você pensou. Jiraya acabou lhe pegando de surpresa na porta da sala.


— Pretende dar outro passeio com os cães, Sakura?


Você bufou de raiva... Mas logo se conteve, com a idéia de usar seus conhecimentos dramáticos. Você se apoiou na maçaneta da porta, se curvando para trás, e fazendo aquela sua cara de coitada que me irritava às vezes.


— Jii, eu preciso falar com uma pessoa. Não é possível que você concorde com isso que o Naruto faz comigo! Eu sou um ser humano, não um bixo de estimação! Ele não tem o direito de me prender em minha própria casa!

— Eu nuca disse que concordava...

— Por favor, Jiraya, prometo voltar logo...


O mordomo ponderou.


— Leve um dos cães, pelo menos. — ele estava com medo de que o Hidan tentasse se aproximar novamente. Como os nossos cães eram treinados, ele resolveu abrir aquela exceção para você, já que prometia não demorar — Naruto logo estará em casa... Não me faça perder o emprego, Sakura.


Você saltou, dando um beijo no rosto do velho, e saiu porta afora.


Você foi correndo para casa do seu amigo gay, agarrada aquela bolsa e a coleira do cão mais do que o necessário. Você corria sem se importar com os olhares dos outros. Afinal, onde se viu uma dama como você sair correndo daquela forma? E ainda de saltos e saia longa! Mas você fazia isso mais pela necessidade de ocupar o cérebro com oxigênio, para deixar seu corpo exaurir e não ter que pensar muito no que acabara de acontecer.


Mas ao ser recebida, você se deparou com um rapaz todo machucado. Sai tinha um olho roxo, e um braço engessado.


— Por que todo mundo está se machucando? — você indagou, incrédula.

— Ah, não se preocupe comigo... — ele resmungou, dando espaço para que você entrasse na espelunca dele. — Foi apenas o mesmo de sempre. Sabe, preconceito... Uma moça do teatro descobriu que eu era gay, não sei como, e espalhou por todo o camarim do dia daquela peça. Quando os encontrei novamente, dois dias atrás, recebi isso. — ele deu de ombros.


Você também estava num estado de entorpecimento; estava pálida e ainda tremia. Sua respiração era curta, tanto pelo cansaço quanto pelo nervosismo. Você começou a divagar pelas paredes, sem se focar em nada enquanto ele tagarelava. Mas Sai logo percebeu, e lhe trouxe uma xícara de café forte. Você, então, explicou a ele tudo o que aconteceu.


—... E agora eu não sei o que fazer, Sai. Em quê o meu marido está metido?

— Acho que, desta vez, você deveria contar a ele.

— Eu não quero voltar para casa, Sai.

— Foi muito imprudente da sua parte ter vindo aqui sozinha, Sakura.

— Eu não ia conseguir ficar naquela casa por muito tempo.

— Venha, eu te acompanho até sua casa. — ele se levantou, pegando em sua mão.

— Sai, você apanhou dos seus colegas de trabalho, o que acha que consegue proteger estando nesse estado? Se quisessem me fazer mal, eles já teriam feito.

— Você até pode ter razão, mas eu não dormiria bem sem saber se você chegou segura em casa. Além disso, aqui não posso te oferecer proteção alguma. Seu marido, pelo menos para isso, ainda serve.

— Acho que vou fazer o que você sugeriu, Sai...

— Sair de casa?

— Hum...

— Não é uma coisa simples de se fazer... Pense mais a respeito, antes de cometer essa loucura. Não sei por que diabos falei aquilo. Acho que justo agora, com essa ameaça, você deveria ficar.

— Pelo contrário, Sai.


Você acabou concordando em ir embora antes que eu chegasse em casa, e o deixou acompanhá-la de volta. Mas não trocaram nenhuma palavra durante o caminho.


Quando chegou, você viu meu carro na garagem. Para a sua maldita sorte, Jiraya me deu a desculpa de que você estava tomando banho. Assim que viu meu carro se aproximar, ele saiu correndo para o banheiro de nossa suíte, ligou o chuveiro, e trancou com a chave reserva para mentir para mim dizendo que você não queria ser incomodada.


A porta de entrada não ficava exatamente conectada com a sala de estar — havia um pequeno corredor que separava a sala de estar da de jantar. Jiraya ficou o tempo todo de guarda na entrada onde eu estava conversando com meus convidados, para ver o momento em que você chegaria. Mas ele acabou tendo que deixar o posto, quando um dos cozinheiros deu falta de um ingrediente, e ele teve que ir ao mercado buscá-lo. O mordomo foi com a esperança de encontrá-la no caminho, mas isso não aconteceu. Quando entrou pela entrada, não havia ninguém lhe aguardando, e você congelou ao ouvir a minha voz pelo corredor.


—... hehehe. Mas aquilo, certamente, foi uma jogada de sorte. O rapaz, claramente, não sabia o que estava fazendo naquele jogo... — falávamos sobre uma partida de golfe que havia passado na rádio, uns dias atrás.


Com cuidado e lentamente, você se arriscou a espiar de canto para ver quantos estavam na sala de estar, e qual seria nossas posições. Os sofás ficavam espalhados por todas as direções, de modo que quem estivesse sentado de frente para a entrada a veria passar, por mais rápida que você pudesse ser. Mas eu estava de costas para você, de pé em frente ao balcão, servindo mais uma dose de uiskey para Neji. A sala estava cheia; além do cabeludo, Gaara, Shikamaru, Suigetsu, Juugo e Sasuke. Esses dois últimos eram quem estavam de frente para a porta, e a viram espiar. Eles trocaram olhares, e você implorou silenciosamente para que não dissessem nada. Os dois concordaram discretamente em não relatar nada. Nesse momento, você já estava descalça para não fazer barulho e passou correndo pelo corredor. Mas eu vi seu vulto pelo vidro da porta da nossa cristaleira.


Terminei de servir a dose, e me virei para os outros, olhando especialmente para os dois no sofá contra a parede.


— Vocês viram alguém passar? — perguntei, como quem não quer nada.


Juugo disse que não. Mas Sasuke, no entanto, lhe dedurou friamente.


— Acredito que foi sua esposa passando.


Ele me olhava com os olhos envidrados, num misto de ousadia e desinteresse. Confesso que ele me deixou confuso, porque achei que ele seria o último a te deletar. Isso só levantou ainda mais minhas dúvidas a respeito dele. Mas o cretino estava sendo inteligente, na verdade. Por que ele viu que era mais sensato conseguir minha confiança, do se deixar levar pelo sentimentalismo. Por que, na verdade, o babaca já estava de quatro por você.


Ele tinha recortes de jornal sobre a cabeceira da cama com as suas fotos, de quando você foi noticiada pelo vandalismo, naquele tempo em que se metia com o grupo de feministas. A sua coragem (e das outras mulheres, é claro) relatada pelo jornalista apenas aumentou o interesse por ti.


Enfim, fingi que aquilo não era nada demais e continuei conversando com eles como se nada tivesse acontecido.

Algumas doses depois, quando a conversa já estava mais animada, Sasuke pediu licença para ir ao banheiro. Eu estava distraído com o papo, e acabei me descuidando, não dando bola para aquilo.


Você já tinha tomando um banho rápido e estava sentada num canto do quarto, ainda olhando para aquele olho que permanecera, até então, sobre o colchão, coberto com o pedaço de papel higiênico que você havia pegado antes de sair. Você já estava mais calma, graças ao banho e a conversa com Sai, mas ainda estava aflita. Com um suspiro fundo, você criou coragem para pegar aquela coisa e jogar fora. Você abriu a janela e a atirou para bem longe, no quintal de casa. Os cães, mais tarde, iriam encontrá-lo, mas aí já não teria mais a ver com você — alguém poderia pensar que aquilo fora atirado para o quintal pelo vizinho, ou qualquer coisa parecida.


Depois de se livrar um pouco da angustia, você resolveu sair do quarto e acabou dando de cara com Sasuke escorado na parede. Ele não parecia muito bem, estava começando a transpirar, e mantinha os olhos bem abertos, fixos num ponto do chão. Ao se aproximar, você viu que seus olhos estavam dilatados, um pouco avermelhado, e ele parecia um pouco fraco, sem forças nas pernas.


— Você está bem? — você perguntou, se aproximando.

— Acho que é reação de um medicamento que tomei...


Eu havia mandado meu médico particular tratar dos ferimentos deles, e trocar as bandagens das tatuagens, e ainda pedi que aplicasse neles aquele “remédio especial” — extraído de uma certa erva verde, bastante utilizada, no passado, para acalmar os nervos e anestesiar as dores.


— Você quer que eu chame um médico? Naruto tem um que é maravilhoso.

— Ele te dá algum calmante? — ele indagou, alarmado.

— Não... Por quê?

— A senhora poderia me dizer onde fica o banheiro?


Você o olhou desconfiada, mas o ajudou até nossa suíte por estar mais próxima. Você ainda quis colocar o braço dele envolta do seu pescoço, mas ele dispensou sua ajuda por dois motivos: suas tatuagens frescas, e seu perfume envolvente. Ele temia perder a cabeça, estando naquele estado meio aéreo, e acabar perdendo o controle sobre si apesar de ter sua consciência perfeitamente intacta.


Ele lavou o rosto, e ainda passou um pouco de água sobre os cabelos e pescoço. Enquanto ele penteava com os dedos os cabeços para trás, você viu uma mancha de sangue na camiseta branca dele.


— Você está machucado? — perguntou.


Ele se virou de frente para você, e ficou te encarando diretamente nos olhos, se indagando até onde você saberia sobre os meus negócios. Mas ao lembrar que havia lhe dedurado, achou mais do que justo contar pelo menos aquilo. Então, desbotou a camisa até a metade para lhe mostrar o peito tatuado.


Você olhou para aquilo, mordendo a ponta do dedo, sem saber o que pensar. Aí, delicadamente, você arregaçou as mangas da camiseta dele para constar que ele tinha tatuado o corpo todo, como o meu.


— Que palhaçada é essa? O que isso significa? — você indagou.

— Fazemos parte de um grupo de xadrez. — a sua pergunta foi um indicativo óbvio de que você não estava envolvida com os meus negócios e por isso ele mentiu. Mas ele se odiou profundamente por estar fazendo isso.


Mas ele tinha prioridades mais relevantes, no momento. No entanto, você ficou brava com aquela resposta estúpida que recebera, e virou as costas para ele. Mas Sasuke foi atrás de você.


— Espere! Trouxe algo para você. — ele tirou do bolso da calça um envelope.


Você o pegou, relutante. E ali mesmo, o abriu.

Felizmente, não era outro olho. Era uma bela rosa vermelha, junto com outra folha de papel, retirada do livro em branco que você havia lhe dado, e mais a quantia em dinheiro que você havia dado a ele, quando precisou da ajuda do Sai.


— O que isso significa?

— Já faz alguns meses que trabalho para Naruto. Juntei o que conseguia nas ruas com o que recebi trabalhando para o seu marido. Sempre fui bom em matemática e economia.

— Mas o Naruto deve estar te pagando muito bem para você conseguir tudo isso em poucos meses!


Ele deu de ombros, e você não sabia se ficava aliviada, contente pelo mendigo que saiu da miséria, ou ainda mais desconfiada das coisas. Mas a rosa vermelha desviou sua atenção, com a necessidade de cheirá-la.


— Obrigado por tudo. — ele murmurou.

— Isso parece uma despedida...

— Pelo contrário.


Você ficou olhando para o rosto dele. Ele parecia muito melhor, com relação ao que era quando não tinha onde dormir. Ele tinha uma pequena fita sobre o nariz, um pouco inchaço pela briga com os saqueadores, e um corte embaixo da sobrancelha. O corte da bala que raspou no braço fora coberto pela tatuagem, mas de resto ele estava inteiro. E você pensou, pela primeira vez, algo bom a meu respeito; por ter dado essa oportunidade a ele, embora você ainda se perguntasse sobre o que estava realmente acontecendo — eu espanco e o deixo jogado no meio da rua, para depois tratá-lo tão bem, e ainda lhe dar um belo pagamento daqueles. Tudo ainda lhe soava muito esquisito e sem explicações. Mas apesar das boas mudanças em sua vida, você reparou que ele mantinha o olhar triste de quem passara por tantas coisas...


— Você parece tão infeliz... — você ficou muito tentada em tocar no rosto dele, mas se conteve ao ouvir passos se aproximando nas escadas.


Jiraya estava de volta para anunciar que o jantar seria servido em instantes. Mas logo após lhe dar a noticia, o som de um vidro se estilhaçando contra o chão se fez perceptível.


—... E acho que a noite será longa, Senhora... — o mordomo ainda resmungou."


Notas finais
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