Mercenários

17 Capítulo 17


Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS FINAIS, POR FAVOR!
Boa leitura.

Mercenários

by Amanur

17

...



“A verdade, é que fui eu quem enviou aqueles bandidos para aquela estrada. Paguei para que eles confrontassem os três rapazes razoavelmente bem vestidos, numa carruagem de carga, guiados por dois cavalos negros. Não foi difícil encontrar o bando de saqueadores, que viviam metidos em bares, enchendo a cara. Esse tipinho de gente são todos iguais.


Eu queria testar a capacidade dos três; verificar se eles eram tão bons quanto Shikamaru e Gaara haviam relatado ao Neji. Por isso sorri ao vê-lo aos pedaços, mas firmes sobre os pés. Isso era prova de que eram realmente bons — afinal, não era qualquer trio que seria capaz de enfrentar um bando.


Nunca contei isso ao Sasuke, embora eu acredite que ele sempre soubesse.


— Eu quero que vocês trabalhem diretamente para mim, a partir de agora. — eu disse.


Os três continuaram me olhando como se não fossem capazes de decifrar a língua com que eu falava. Mas como o tempo corria, e eu não podia desperdiçá-lo, continuei falando.


— Peguem suas coisas. Esses três rapazes — apontei para os três estranhos ao lado do Kakashi — ocuparão o lugar de vocês. Neji explicará tudo no caminho. Conforme tudo ocorrer, nos veremos em breve.


Dito isso, me levantei e fui caminhando em direção a saída. Passei quase raspando por Sasuke, e vi o olhar de desprezo que encravou em mim. O olhei de volta, mas nada disse. Aquela cena do cemitério, dele tocando sua mão, não fora esquecida. Isso, na verdade, foi mais um motivo pelo qual o escolhi a ficar na frente dos outros dois, mais tarde. Eu o queria perto de mim, sobre minha sombra e vigília.


Mas antes de largar todo o plano a eles, os três precisavam passar por uma prova. Neji os levou para o outro lado da cidade, num prédio abandonado. Shikamaru e Gaara já os aguardavam lá, com três macas. Sobre uma mesa havia pacotes de algodão, bandagens, luvas e máscaras cirúrgicas, agulhas e tintas.


— Nós lidamos com coisas sérias, como já presumimos que vocês devam saber. Precisamos nos certificar de que vocês nos serão totalmente leais, se pretendem continuar trabalhando para nós. Se quiserem desistir, digam agora. Uma vez que o pacto estiver feito, só sairão dele mortos. — Gaara dizia, enquanto Shikamaru preparava os aparatos para o tal pacto.


Juugo estava nervoso, se perguntando que diabos de pacto seria aquele, até Neji tirar sua camisa e terno e mostrar todas aquelas tatuagens espalhada pelo corpo. Havia desenhos da clavícula até os pulsos, e se estendia dentro das calças.


— A dor será a prova pela qual vocês deverão passar. — o cabeludo disse — Se conseguirem suportar, serão bem-vindos à família. Discrição, lealdade e sigilo são tudo o que exigimos.

— Que família feliz, vocês são... — Suigetsu resmungou, sarcasticamente.

— Vocês serão felizes, sim. Terão todo o conforto que sempre sonharam, segurança, autonomia e... O mais importante, terão poder.


Aquilo tudo era muito tentador para os dois, mas Sasuke não se sentia nem um pouco atraído por aquelas opções. Ele conhecia bem o lado negro que todas essas maravilhas escondiam, e se perguntava se realmente felicidade era algo real; algo que ia além das letras e seu significado. A felicidade parecia algo tão subjetivo, subliminar... Não parecia ser algo palpável, ao seu alcance. De qualquer forma, ele manteve-se calado, apenas observando.


Juugo foi o primeiro a dar o passo de coragem. Tirou a roupa e se deitou na maca. Enquanto Shikamaru aplicava a agulha nele, Gaara fez o trabalho em Suigetsu enquanto que Neji colocava as mãos em Sasuke. O procedimento levou a noite toda, e mais uma boa parte do dia seguinte, ininterruptamente. Os três saíram da maca traumatizados. Engoliram toda a dor (a agulha fina cortando e tingindo a carne), sem soltarem um único suspiro. Seus corpos doíam e sangravam. O rosto, pescoço e as mãos foram as únicas partes do corpo em que a agulha não tocou, para preservarem a discrição. E eles sequer haviam recebido tratamento para os ferimentos do confronto com os bandidos — algo muito digno de admiração.


— Vistam-se. — Neji resmungou, enquanto limpava suas mãos numa toalha branca.


O corpo deles havia recebido uma pomada cicatrizante, e mais um plástico para proteger as partes tingidas. Vestir suas roupas foi uma tarefa muito difícil, mas que executaram também sem reclamar.


Neji estava surpreso, mas não demonstrou nada. O cara nunca foi de fazer elogios. E a verdade é que ele não ia com a cara de nenhum dos três. Ele ainda os via como ratos de esgotos, inferiores a ele. E te digo que isso tudo é resultado da influência do nosso “chefe”. Enquanto ele e Shikamaru organizavam a bagunça, Gaara se aproximou dos três.


— Essas tatuagens são a marca da família. Servem para identificá-los, tanto entre nós mesmos, quanto entre outras famílias...

— Outras famílias? — Juugo indagou.


Gaara suspirou, por que nunca foi dotado de paciência.


— Deixe-me ser mais claro! Agora, você faz parte do lado mais poderoso da sociedade. A máfia! Mas como essa palavra não soa bem nos ouvidos da população, preferimos nos intitularmos de família. Cada “família” tem sua identificação. E essa é a nossa. — Juugo sentiu o hálito do ruivo em seu rosto, de tão próximo ele estava, encravando seus olhos verdes em seu rosto. Para evitar alguma briga, ele apenas rebaixou os olhos. Juugo era sensato, ao contrário do albino.

— Não poderiam ter apenas nos dado um crachá? — Suigetsu questionou, sarcasticamente.


Mas Gaara não apreciou a piadinha, e o olhou com aquele olhar assassino que metia medo até em mim.


— Bem vindo à família! — eram três horas da tarde, quando entrei no saguão do velho prédio, onde tudo aconteceu. Eu estava com o meu sorriso de ponta a ponta. Confesso que vê-los naquele estado, todo ferrados, com sangue manchando as camisas, me encheu de satisfação. Não sei dizer qual foi a particularidade daquela cena que me deixou tão extasiado, só sei que me senti vingado pelo toque em que Sasuke lhe deu no cemitério. Bom, pelos outros dois, só achei graça pela cara de panaca deles. — Não se preocupem, todos nós passamos pelo mesmo. — arregacei a manga da minha camisa, para mostrar-lhes as minhas tatuagens. — Acreditem, a dor passará. Pensem nisso como uma prova de força, pelo qual passaram. Um dia vocês terão orgulho delas.


— E eles passaram muito bem! — Shikamaru disse — Não resmungaram uma vez sequer.


Eu teria me mordido de raiva, se não tivesse ali vendo o estado miserável em que os três estavam. Pareciam prestes a desabar a qualquer momento e fiquei os imaginado ali, deitados nus, sofrendo aquela humilhação e mordendo os lábios para não deixarem as lágrimas escaparem. Foi uma legítima tortura.


— Vou dar uma semana para vocês se recuperarem. — continuei — Neji já tem o local em que vocês irão ficar provisoriamente. Aconselho que fiquem juntos, caso não tenham esposas — e olhei nos olhos de Sasuke —, pois é assim que trabalhamos. Vocês receberão um relatório com informações que necessitarão ter conhecimentos, entre outras coisas necessárias. E por enquanto é isso; descansem bem.


Dei as costas, e me dirigi para o escritório central, pois já tinha a minha resposta a dar para o Itachi a respeito daquela viagem.


Naquele dia, eu havia dado ordens à Jiraya para que lhe deixasse passear com os cachorros, se você quisesse, mas desde que ele a acompanhasse. Quando soube da condição, você por pouco não bateu em nosso mordomo.


— Mas quanta audácia, Jiraya. Aquele filho da mãe não estaria aqui, se não fosse por mim! Quem ele pensa que é para me dar condições?

— Me desculpe, Sakura. Mas como foi ele quem me contratou, é a ele quem devo seguir ordens. Mas acredite, se eu pudesse, escolheria a senhora como patroa...

— Tudo bem...


Antigamente, você bateria boca com ele, espernearia até conseguir com que o mordomo realizasse suas vontades. Não sei se essa sua nova atitude era resultado positivo do seu amadurecimento, ou resultado negativo do desgaste do nosso acordo matrimonial... Bom, eu não ousaria mais chamar aquilo de casamento. Mas o fato é que você aceitou que Jiraya a acompanhasse com os cachorros, sem fazer grandes alardes.


Era final de tarde quando vocês saíram de casa. O vizinho que morava no casarão ao lado estava aparando a grama quando os viu, e os cumprimentou. Você sorriu sem muita vontade, e continuou caminhando com os cães, e Jiraya atrás. O velho mordomo se encarregou de levar quatro cães pela coleira — como era mais forte e vigoroso do que você, Jiraya quis prevenir alguma tragédia caso os cães resolvesse sair correndo atrás de algo—, enquanto você se encarregou de dois deles. Caminharam por quatro quadras; você se esforçava em apreciar o final daquele dia, com o vento fresco soprando em seu rosto, mas não conseguia tirar da cabeça que estava sendo vigiada. A raiva estava borbulhando, mas você sabia que não havia muito o que fazer.


De repente, Jiraya notou um homem vestido todo de preto, se apoiando numa bengala de madeira, ricamente ornamentada com detalhes em ouro. Este homem parecia segui-los a um bom tempo, do outro lado da calçada. Ele os espiava de canto, disfarçadamente. Desconfiado, Jiraya se aproximou um pouco mais de você.


— A senhora não gostaria de fazer uma pausa para tomar um cappuccino? — na quadra seguinte, ele sabia que havia uma boa cafeteria — Acho que minhas pernas já não são as mesmas de antigamente. — foi a desculpa que ele criou para lhe convencer a interromper sua caminhada.


Assim sendo, vocês se sentaram em uma das mesas do lado de fora. A cafeteria tinha um ambiente agradável, aconchegante. Era muito bem decorada, e dispunha de um belo cardápio. Os cães ficaram amarrados numa grade, onde bicicletas eram presas. Sem desconfiar de nada, você olhava suas opções, enquanto Jiraya observava o homem parado no outro lado da rua e folheava as páginas do menu.


— Acho que vou experimentar esse pão de queijo, com o frappé. — você murmurou.


O mordomo pediu apenas um café preto. Tomaram suas bebidas em silêncio; você ainda sem fazer a menor idéia do que estava acontecendo. Mas viu o homem bem vestido no outro lado, parado. O garçom trouxe a conta, e o Jiraya pagou. Mas assim que arredaram as cadeiras, o homem atravessou a rua, tranquilamente, em direção dos dois.


A meu pedido, Jiraya sempre carregava uma pistola dentro da roupa, e nunca se sentiu tão grato por estar carregando aquela arma.


Mas não foi necessário usá-la. O homem retirou o chapéu que cobria a cabeça, e sorriu para você.


— Senhora Uzumaki? — indagou.

— Sim?

— Mas que coincidência! Sou conhecido do seu marido. — ele estendeu a mão para lhe cumprimentar, e você correspondeu enquanto o mordomo apenas o observava — Temos alguns negócios em conjunto. Fui ao seu casamento, inclusive. Com devido respeito, a senhora estava belíssima.

— Obrigado. — você respondeu, sem muito entusiasmo.

— Enfim... Disse que foi uma feliz coincidência nos encontrarmos aqui, porque acabei de chegar do escritório do Naruto e não o encontrei. Sei que ele anda muito ocupado ultimamente, e por isso não tem conseguido manter contato. Eu queria entregar um pacote a ele, mas precisa ser entregue pessoalmente em suas mãos. Como não confio muito nessas secretárias mal treinadas, preferi trazer o pacote de volta comigo — ele tirou de dentro do paletó uma pequena caixa embrulhada num papel pardo — Por acaso a senhora se importaria se eu o lhe entregasse? — o cretino perguntou, cinicamente.

— Não, não me importo.

— Perfeito. — então ele entregou o pacote em suas mãos — Tenho plena confiança na senhora.

— Em nome de quem, devo entregar isso? — você perguntou.

— Hidan! Basta dizer meu primeiro nome. — e ele sorriu para você, cheio de charme, cavalheirismo e descaramento.


Com um pequeno gesto de cabeça, ele se despediu e se afastou. Jiraya ficou tenso o tempo inteiro, se perguntando qual seria o conteúdo da caixa, e pediu para se encarregar da entrega. Mas como você não era tola, recusou a oferta.


— Não se preocupe, Jiraya. O pacote foi entregue em minhas mãos, não nas suas. — você não disse isso por esnobismo, e acho que o mordomo compreendeu suas intenções.


Assim que chegaram em casa, você correu para o nosso quarto, e se jogou na cama. Balançou o pacote para ver que som ele faria. Ele era leve, e lhe deu a impressão de conter algum objeto pequeno. Depois, você andou de um lado para o outro, olhando aquele embrulho, se perguntando o que fazer. Até que a sua maldita curiosidade lhe venceu.


Sem o menor cuidado, você rasgou o papel até ter a pequena caixa crua nas mãos. Era um caixinha de papelão, sem estampa alguma, sem nada escrito. Abriu a caixa e despejou o conteúdo na cama.


Um olho rolou pelo colchão, junto com um envelope manchado de sangue.

Você deveria ser a rainha do gelo, por que engoliu a vontade de gritar de nojo, e pegou o envelope como se aquilo não fosse nada. Mas, claro, suas mãos começaram a tremer.


“Se os olhos são a janela da alma, o que fica no corpo se arrancarmos eles?

Diga a seu marido que este olho os observa.”


O pacote era, na verdade, para você; e isso foi o que mais lhe assustou. ”


Notas finais
Bom, preciso pedir um desculpa ENOOOOOOOOOOOORME a vocês, pois eu omiti uma parte muito importante no capítulo quinze. Mas graças à minha leitora super fofa, querida e atenta, juhbittencourt, que puxou minha orelha me alertando da falha, tentei contornar esse probleminha.
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Bom, o negócio é o seguinte, pensei bastante, mas não consegui outra maneira de consertar o meu erro, se não voltando ao cap 15 e escrevendo o que faltou...Assim, sendo, peço para que voltem ao cap 15, CLIQUEM EM CTRL + F; VAI APARECER UMA CAIXINHA EM ALGUM CANTO DO BROWSER DE VOCÊS, NO QUAL TERÃO DIGITAR FLOR. DAÍ, A A PARTIR DA PRIMEIRA OCORRÊNCIA, LEIAM.
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O Sasuke havia procurado por um flor, no inicio do capítulo, mas depois esqueci de mencioná-la outra vez,! E essa flor tem um papel importante na fic, pois será a partir dela que eles começarão a se aproximar mais. :3
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Enfim, MIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIL desculpas pelo erro! T____T
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PS: A questão da tatuagem, como marca de família e prova de força, é real entre alguns grupos da máfia.
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Algum comentário sobre esse cap? Acho que agora já posso dizer que as coisas vão começar a esquentar mais entre os dois! >:D