Mercenários
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Mercenários
by Amanur
13
...
“No dia seguinte, Sasuke se apresentou ao local, junto com seus companheiros. Os três estavam apreensivos com o inesperado — não faziam a menor ideia do que aguardava por eles.
O local era um galpão, na beira do rio que corta a cidade, numa zona industrial. Não havia muita gente andando pelas ruas; apenas alguns carros e carroças de carga. O prédio em questão era antigo e pequeno. Um homem vestido de preto estava sentado num banco de concreto, bem em frente ao portão de entrada, fumando um charuto e olhando em direção à linha do horizonte do rio.
— Com licença, viemos em nome do... — Suigetsu pegou o papel que Sasuke havia trazido, para verificar o nome, mas o idiota se deu conta de que não sabia ler e ficou olhando feito um paspalho para o papel. Então, para quebrar aquele clima constrangedor, Sasuke tomou a frente.
— Viemos para falar com os senhores Shikamaru e Gaara. Eles nos pediram para virmos até aqui.
Suigetsu, suspirou de alivio, e entregou o papel com a caligrafia dos homens para aquele que estava sentado.
O outro analisou o papel, e se levantou do banco preguiçosamente. Depois de uma boa olhada nos três rapazes, e ele deu de ombros.
— Venham comigo.
Sasuke ficou analisando aquele homem. Ele tinha feições bem parecidas com as suas, a mesma estatura, corte de cabelo parecidos, a mesma postura ereta...
O interior daquele galpão não havia muito. O chão era de concreto puro, as paredes com tijolos sem reboco, e a iluminação deixava a desejar. Havia quatro pequenas janelas no alto das paredes, e Sasuke logo desconfiou daquela arrumação toda, quase como se não quisessem que alguém soubesse o que havia lá dentro. Havia também uma mesa grande, com um homem de cabelos brancos sentado atrás. E, contornando as paredes se via mais algumas cadeiras, várias caixas e um carrinho de mão para transportar as mercadorias. Mais ao fundo, havia uma espécie de passagem subterrânea, ao qual mais tarde ficariam sabendo que seria lá onde dormiriam.
Shikamaru e Gaara estavam de pé, com papéis nas mãos, quando eles entraram. O cabeludo foi o primeiro a vê-los.
— Ah... Obrigado, Utakata, pode voltar para seu posto. — disse para o outro que os acompanhou num tom de ordem, e em seguida voltou sua atenção para os três — Estávamos esperando vocês.
O tal de Utakata deu as costas e desapareceu. Em quanto eles foram guiados até as cadeiras estofadas, Sasuke percebeu que Gaara não tirava os olhos dele, como se desconfiasse de algo. Mas talvez fosse apenas impressão sua, e achou melhor não ficar encarando o outro por muito tempo.
— Como havia dito antes, o trabalho é simples. — ele foi entregando alguns dos papéis que tinha em mão para cada um deles — Vocês só precisam fazer entrega de produtos nas carroças que vamos disponibilizar. Na verdade, vocês vão acompanhar o entregador, como se fossem seguranças dele. Tudo o que têm a fazer é não deixar ninguém não autorizado pegar as caixas, ou que tome posse delas.
— E o que tem nas caixas? — Suigetsu perguntou.
— Nada que lhe interesse. — e Gaara respondeu rispidamente.
Suigetsu olhou de canto para Juugo, e Sasuke permaneceu parado, olhando para os dois a sua frente. Estava bastante claro para ele que se tratava de algo ilegal.
— Tudo o que vocês precisam fazer é certificar de que a mercadoria chegará ao destino. — Shikamaru apontou para as folhas restantes em suas mãos — Nesses papéis que lhes entreguei estão a relação de caixa e destino. O endereço, a data de entrega e a quem vocês devem entregar pessoalmente. As caixas já estão todas numeradas; prestem atenção para não entregarem a caixa errada ao cliente. Se vocês se saírem bem, poderão receber um bônus, gratificação, ou até mesmo uma promoção.
Gaara deu as costas para sair, e Shikamaru foi até a mesa onde o outro homem de cabelos grisalhos estava sentado, os observando.
— Este é o Kakashi. Enquanto vocês são responsáveis pela entrega ao destinatário, ele ficará de olho em vocês, e responsável por receber as mercadorias aqui para entrega. Qualquer dúvida que tiverem, ou problema, é só falarem com ele.
— Comportem-se meninos. — Kakashi parecia um velho bêbado, cansado. Não parecia, no entanto, o tipo de homem que causaria algum problema a eles.
E com isso, Shikamaru os deixou a sós, com aquela tarefa jogadas em suas mãos. O próximo encontro que Sasuke teria com eles, viria a ser apenas um bom tempo depois. Mas enquanto isso não acontecia, eles se submeteram àquele trabalho.
Kakashi ficou encarregado de anotar os nomes dos três, para criar uma fixa de trabalho, e também como forma de manter os olhos nos novos sujeitos. Quando foi a vez do Sasuke informar seu nome, ele mentiu.
—Meu nome é Asuke.
— Nome estranho. — Kakashi resmungou.
Como nenhum deles tinham documentos, Kakashi mandou providenciar documentos falsos.
Naquele mesmo dia, fizeram uma entrega de quatro caixas a um homem, do outro lado da cidade. A pessoa encarregada de fazer a entrega era o tal de Utakata, enquanto eles três viajavam junto como seguranças. No meio do caminho, depois de muito tempo em silencio, eles resolveram conversar, enquanto os dois cavalos trotavam na frente deles.
— Ei! — Suigetsu cutucou o homem — Você sabe o que tem nas caixas?
O outro o olhou de canto, meio mal humorado.
— Ninguém sabe.
— Você está falando sério, ou essa resposta é só para me calar?
— Você escolhe.
Suigetsu rosnou para ele, mas Juugo lhe deu um sinal para que se acalma-se.
— E o pagamento pelo trabalho, que é bom, ninguém falou nada! — ele insistiu.
— Eles nos dão dinheiro vivo, pra não haver problemas com transferências de banco para banco... — Utakata era um tapado, que não se deu conta de que eram todos uns sarnentos. E por isso, Itachi nunca lhe dera uma promoção. O idiota permaneceu naquele posto desde o inicio. Ele falou como se os três tivessem alguma conta bancária! — Eles devem pagar a vocês a mesma coisa que pagavam para os caras que trabalhavam no lugar de vocês... Uns duzentos contos.
— Só isso? — Suigetsu ficou indignado — Eles viram o peso dessas merdas? Estamos transportando chumbo, por acaso?
— Com o tempo, vocês acostumam. É bom para os braços, e a mulherada agradece.
— Ahhh, agora estamos falando a mesma língua! — Suigetsu passou o braço por trás do Utakata, que no mesmo instante sentiu o odor insuportável que vinha debaixo daquela asa, e se afastou.
— Ainda não somos amigos!
Enquanto isso, passei o dia inteiro com seu pai, conversando sobre aquela droga. Indaguei sobre os riscos, reações colaterais, overdoses... Falar de negócios com ele era fácil. Difícil foi quando me despedi já na calçada do prédio. Ele havia me acompanhado até a saída, de propósito, e me agarrou antes de entrar no carro. Seu pai era um homem já de idade avançada, mas ainda era robusto e grandalhão, capaz de ainda meter medo em muito garotão de briga.
— Naruto, fiquei sabendo do escândalo que a Sakura aprontou. Gostaria que você me explicasse o que aconteceu. — ele segurou bem firme meu braço, encravando os dedos, sem descolar os olhos de mim.
— Achei que conhecesse sua filha. Ela não é exatamente aquilo o que o senhor me vendeu. — não sei por que eu disse aquilo. Nunca gostei da maneira como ele me tratava, exatamente como estava fazendo ali.
— Diga isso novamente, e arranco sua linga e seus olhos. Minha filha pode ser um tanto rebelde às vezes, mas ela é boa moça, de boa família.
— Não tenho tanta certeza. Sua filha merecia mais chineladas, quando criança.
— Naruto... O que está querendo insinuar com isso?
Arranquei meu braço para longe das garras dele.
— Que, talvez, ela não tenha sido educada o suficiente! E agora eu terei de fazer o trabalho sujo de vocês. Afinal, quem passa vergonha com ela sou eu!
Seu pai me deu um soco na boca. Você pode não acreditar nisso, mas ele fez pela sua honra. Até eu fiquei chocado com a reação dele, mas meu orgulho estava sempre em primeiro plano, do modo que cuspi o sangue nos sapatos dele. Eu perdi completamente a noção e o bom senso das coisas ao ter dito aquilo. Com certeza teria problemas com o Itachi, e ainda seria capaz de ser demitido, ou coisa pior. Mas para não complicar ainda mais a minha situação, virei as costas para ele, e entrei no meu carro.
— Naruto, se cuide. — ele ainda me disse. Seu velho me olhava com aquele mesmo olhar frio que você tinha (eu sempre desconfiei a quem você havia puxado).
Eu não respondi. Liguei o motor e saí cantando pneu, na velocidade que aquele calhambeque luxuoso era capaz. Fui direto para o meu escritório no centro da cidade. Entrei a mil pelos corredores, até encontrar o Neji, e puxá-lo para minha sala.
— Neji, tenho uma missão daquelas para você.
O cabeludo me olhou, estreitando os olhos, franzindo o cenho e trincando a mandíbula.
— Pode deixar.
Expliquei todo o meu plano a ele, e me fui para casa. Estava com a cabeça tão quente, que não conseguiria pensar em mais nada. Mas a cada semáforo pelo qual eu atravessava, ia me sentindo ainda mais nervoso. Quando entrei em casa, ainda recebi a desagradável noticia de que você fora vista pulando a janela do nosso quarto; você saltou do telhado do segundo piso para a árvore que dava a sombra de que você tanto gostava no jardim.
Enquanto isso, você se jogou na nossa cama com aquele papel nas mãos. Você havia, por sorte (e você sempre teve uma sorte desgraçada), recém chegado da sua fuga. Relia aquela história pela milionésima vez. Havia algo naquele texto que a encantava. Você achava que parecia algo escrito por uma criança e, ao mesmo tempo, havia uma crueldade adulta nas palavras finais que a deixava com aquela sensação diferente. Não era um sentimento ruim, mas não exatamente bom. Apenas diferente. Pelo menos, aquilo confirmava sua suspeita sobre ele ter sido educado, e fazer parte de alguma família nobre.
De repente, você ouviu minha voz vinda do corredor e correu até sua penteadeira para esconder aquela folha de papel. Quando entrei no quarto, que eu havia trancado a sete chaves, você dissimuladamente penteava os cabelos.
Claro que eu já sabia onde você estivera, mas me fiz de sonso.
— Você não foi até o jardim para tomar um pouco de sol? O dia esteve muito bonito, hoje. — comentei, tirando a gravata.
— Ainda não aprendi a ultrapassar paredes. — você respondeu cheia de sarcasmo. E eu só sorri de canto pela ironia das coisas.
Você continuou com aquela sua cara emburrada, penteando seus cabelos. Fiquei observando-a com aquela sua tarefazinha estupida, tão fingida, dissimulada e falsa. Você estava tão concentrada em si mesma, achando que estava realmente me enganando, que sequer viu quando me aproximei com minha gravata estendida nas mãos, pronto para estrangulá-la...
Não me orgulho de dizer isso, mas às vezes o estresse pode levar algumas pessoas a perderem completamente a noção das coisas... Mas por sorte (novamente!) Jiraya bateu na porta antes mesmo que eu chegasse a um passo do seu pescoço.
— A senhora Hinata está aqui para falar com a senhora Sakura. — ele disse, do outro lado da porta.
Observei você colocar a escova de lado e se levantar.
— Posso atender minha amiga, ou estou proibida disso também?
Eu não respondi. Cerrei os dentes e fiquei lhe encarando. Você esperou minha resposta, mas como não veio, simplesmente me deu as costas e saiu do quarto.
Eu chutei sua cadeira, e soquei o espelho para acalmar a raiva. Quando vi minha imagem refletida nos cacos, confesso que estranhei. Não me reconheci naquela figura que me encarava, e eu sabia que não estava sendo eu mesmo. Na verdade, no fundo, sempre soube que as mudanças que ocorreram em mim não eram naturais, mas o que eu poderia fazer? Eu tinha obrigações, que se não fosse cumpridas, custaria minha vida.
Você ouviu o barulho que fiz, enquanto descia as escadas do corredor, mas não voltou. Simplesmente continuou descendo os degraus até a sala de estar.
Sua amiga estava sentada, já tomando uma xícara de chá trazida pelo nosso velho mordomo. Você conheceu a Hinata por intermédio meu (eu, ela e Neji éramos do orfanato). Portanto, não a conhecia tão bem quanto às vezes gostaria. Mas ali, encolhida no canto do sofá, você notou que a mão dela tremia ao segurar aquela xicara de porcelana cara, e resolveu sentar ao lado dela.
— Hinata, o que houve?
Ela a olhou meio de esguelha, como se quisesse disfarçar sua preocupação.
— Nada, minha querida. Apenas vim porque há um bom tempo desde que não nos vimos, certo? — você estranhou ela chama-la de querida, já que não andavam se entendendo ultimamente.
— Uhum...
Hinata tomou mais um gole de chá, e olhou para os lados para certificar-se de que estavam sozinhas. Então, em tom baixo, quase sussurrado, ela prosseguiu.
— Lembra-se da briga que tivemos da última vez que nos falamos?
— Lembro. — você estava tentando alertá-la para as suspeitas que tinha sobre eu e Neji não trabalharem num jornal. Mas ela ficou furiosa por você insinuar que ele mentia para ela.
— Acho que você tinha razão. Neji anda muito suspeito. Não dorme direito, está sempre preocupado com as cartas e ligações que recebe, e quando pergunto a respeito, ele sempre desvia do assunto. Ontem, Gaara foi em casa no meio da noite, falar sobre ter encontrado os três homens para “o serviço”, e que eles já estavam “executando as tarefas”. — ela usou os dedos das mãos para acentuar as aspas — Ouvi a conversa por acaso. Ele achava que eu estava dormindo, mas resolvi descer para tomar um copo de leite, e os ouvi.
— Gaara apareceu no meio da noite só para informar isso? — você perguntou.
— Sim. Suspeito, não é?
— Talvez...
Você ficou pensando, olhando para o tapete persa no chão da nossa sala. Você tentou encaixar essa informação com tudo o que já tinha em mente, mas não parecia fazer algum sentido.
Vocês tentaram conversar sobre outras coisas, quando me viram descer as escadas. Mas como eu não estava com saco para fazer sala para ninguém, apenas fui direto para o escritório sem nem cumprimentar a visita. Hinata também mal me olhou. Ela havia perdido toda a simpatia que tinha por mim, especialmente depois que sugeri a Neji que se casasse com ela. O coitado havia perdido a Tentem pro Itachi, e fiquei chateado por ele. Eu não sabia nem que ela tinha a menor queda por mim. E, em consequência disso, Hinata ficou com aquele rancor guardado até então.
Conversa vai, chá vem, e o tempo passou. Você já estava se despedindo da Hinata quando o nosso telefone tocou. Era sua mãe, soluçando e se desfazendo em lágrimas.
— Ahh, minha filha, você nem sabe! Seu pai morreu!”
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