Mercadores da Morte
1 Angels
Notas iniciais
Suas intenções sombrias, seus sentimentos por mim
Anjo caído, conte-me o porque?
Qual a razão da aflição nos seus olhos?
Within Temptation - Angels
[ Within Temptation — Angels ]
Quando uma alma parte para a eternidade,
ela vai para um dos dois caminhos opostos;
uma fonte divina de harmonia e bem estar
ou
uma fonte intensa de mal e perversidade.
O meio termo existe para as almas
cujo o julgamento ainda tenha que ser decidido
É normalmente conhecido como purgatório.
Por séculos,
7 arcanjos, protetores da luz
e
7 decadentes, soldados das trevas,
lutaram silenciosamente pelo equilíbrio do poder
dessas almas perdidas.
6 divinos já tiveram sua sepultura aos olhos celestes,
e vagam esquecidos na Terra;
Do lado oposto, regem suas regras aos outros.
Ambos os lados podem enviar apenas um guerreiro em cada ciclo.
Na chegada, eles tem que assumir a forma humana.
Atualmente, as trevas estão no controle,
e tem o domínio mais potente
que a cidade já teve.
Cair... é a primeira sensação. Depois medo. Os outros preferiram se render aqui, porque este é o lugar onde até mesmo os anjos... temem a andar. A benevolência era inalcançável. As regras deles são claras: matar. As destinadas a mim: salvar. Mas isso... Já faz muito tempo. Agora, sou mais uma das almas que vagam por esta cidade abandonada, onde a luz era amaldiçoada e as trevas corrupiam a ingenuidade.
Sim, eu também falhei. Agora seguia as leis deles.
16 de Outubro de 1942
Diante de uma cidade tão escura, onde só podiam-se escutar os gritos de misericórdia dos judeus, esperava pacientemente alguém do alto de um desgastado prédio.
O céu estava se pronunciando a chover no horizonte, que de vez relampejava. Somente a ventania fazia companhia para aquele que se encontrava sozinho.
Ele já foi um arcanjo. Agora, um enviado das sombras; talvez um mercador de almas. Dizia-lhe “hoje é o seu dia”. Enquanto descia, sua capa se camuflava na escuridão, assim como seus cabelos. A beleza daquela missão era a verdadeira tentação. Um mito, uma raridade. Sua pele, já estava morta se fosse julgar. Seus olhos eram um oceano indescritível que a Lua iluminava e a deixava mais nítida. Não ousava matá-la; levá-la seria crime demais. Deixaria viver? Não podia, seria sua alma em troca.
A Morte havia se encantado por uma humana. Uma humana bela que continha os mais invejosos pares. Não poderia concretizar seu obsoleto oficio, mas os segundos passavam como milésimos. Antes que fizesse, iria aproximar seu hálito frio aos dela.
Eu sei que estou sozinho, mas alguém está me vigiando
Me seguindo em todo lugar que eu vou
Uma brisa fria me surpreende de novo, me dá arrepios
Tem alguma coisa aqui, eu posso ouvir sua respiração
- Quem é você? – Falava tremula de frio, a moça.
Seus mares escondidos pelas suas madeixas negras, demonstravam medo diante de um ser tão estranho, enquanto tão lindo. O que ele queria ali com ela? Seria mais um a tentar abusá-la? Já estava farta de ser tocada indesejadamente.
Bastou somente uma piscada para que sua imagem se dissipasse naquela negritude. Onde estava indo? Continuou a andar e esqueceu aquela aparição, talvez fosse fruto da substancia ilícita.
Deixe-me sozinho, de onde quer que você venha!
Estou ouvindo muitas vozes, ninguém está conversando
Não tinha tempo, tinha que fazê-lo, tinha que levá-la para Ágora dos Pecadores. A estranha andava por aquele beco no meio da escuridão sem fim, como se pedisse para que o perigo se apresentasse.
Outros mercadores vieram para testemunharem a incumbência. O emissário principal limitou-se a observar aquela mortal que em poucos segundos precisaria adormecer eternamente. Os sussurros logo se tornaram gritos no silencio, porém, ela podia escutar.
Fugindo de algo, não há nada, na escuridão da noite
Rastejando em sua volta, uma força invisível que te faz enlouquecer
Eu não consigo lembrar como é estar aquecido, estar sozinho
Sem um profundo medo dentro de mim
Ícones da morte circulam além de mim
Sussurrando meu nome e respirando meu medo
O tempo estava querendo o termino, e uma conspiração rodava em volta daquela vitima. Criaturas feias e distorcidas; berros imperfectíveis persuadiam-na a inclinar-se para baixo.
A ameaça de loucura
Vozes internas clamam por ação
Indefeso como eu estou
Perdido num paraíso declarado
Foi incapaz de cometer tal ato; a estranha pegou do bolso o seu canivete, abriu-o e começou a se enfeitar de sangue. A Morte via aquilo sem ter como impedir, não era mais por conta dele; as sombras a mandavam cometer seu suicídio. Ele se aproximou mais, mas nada podia fazer. Existia uma barreira invisível entre seus corpos. Foi quando apareceu uma luz, ofuscando todo o ambiente e que espantara aqueles monstros demoníacos.
A Morte sentia dor, muita dor; como se estivesse sentindo todas as feridas não cicatrizadas daqueles que tiveram perda das suas vitimas.
Suas vagas noites de matança se manifestaram de forma física em seu agora, corpo, e não mais apenas alma. Sim, a Morte havia ganhado vida, e sem dividas. Deus deu-lhe a dádiva sem trocas, diferente daquele que se acha adversário.
Eu não tenho certeza se estou aqui ou em outro lugar
Procurando por satisfações
Além do limite da minha compreensão
A Morte ou Vida, como queira chamá-lo, encontrava-se desmaiado, mas acordou; pôde escutar seu coração pulsando, o sangue correndo. Queria chorar e estava tonto. Tinha que se adaptar a rotação da Terra. “Gravidade”, o que era aquilo que o impulsionava para o centro? Ele teve as mesmas sensações de um recém-nascido para se adaptar aquele velho novo lar.
Ele se rastejou até aquele corpo alvo e feminino desacordado no chão. Tocou-lhe, pôde sentir sua frieza e nenhum sinal denunciava sua respiração. A estranha havia partido.
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