Mera Ilusão, Doce Acaso...

3 Encontros e Desencontros...


Notas iniciais
Oi pessoal!A todos que curtem a fic e esperam que eu a continue..Obrigada!! Adoro vocês!!Divirtam-se ^^

POV Kaylie

Cheguei em casa para encontrar meu maninho adormecido exausto no sofá devido a busca incessante pela mulher que permeia seus sonhos. Lizzie faz o possível e o impossível para que ele não desista assim como eu.

Minha mana teima em dizer que eu já encontrei a minha Gemini Somniu, mas sei que não, se eu a tivesse encontrado, acha que eu realmente estaria tão descrença no amor?

Larguei minha mochila no chão no momento em que o telefone residencial soou; estranho, quase ninguém liga aqui para casa, exceto bem meus irmãos e raros amigos, mas Conn estava desmaiado no sofá e Lizzie com certeza tinha ido fazer a maratona de coleta de filmes para a nossa noite.

Então quem estava ligando?

Perdida em meus pensamentos, esqueci de atender ao telefone, ouvi um Connor meio sonolento dizer “Alô”.

Não dei muita importância, mas no momento em que ele gritou assustado: “O QUE?” — Corri para o lado dele, vendo a expressão assustada se transformar em uma de preocupação, e em seguida para uma de alívio, eu olhava curiosa para ele, enquanto para me acalmar ele fazia um sinal “espere”.

- Perfeito Lewis, estaremos aí em alguns minutos.

- Lewis? Quem é Lewis? Connor? – comecei, mas Connor me calou quando disse:

- Elisabeth parece ter dito alguma espécie de queda de pressão...

- Você acha.. ? – Comecei a falar e ele completou.

- Sim, talvez pela primeira vez ela tenha se encontrado com sua Gemini Somniu. Você já sentiu não é mesmo? No mundo Somniu sei que sim Kay, não minta para mim.

- Sim.. já.. e acho que aqui também.. eu não sei.. eu desisti a alguns meses de procurar Conn..

- VOCÊ DESISTIU?! — Perguntou incrédulo.

- Não vou encontrá-lo mesmo... – Vi meu irmão balançar a cabeça e subir as escadas para colocar uma calça. Desceu segundos depois comandando de um jeito brincalhão:

- Vambora sua louca, pega a sua bolsa e as chaves, eu dirijo.

Ri e o segui. Tranquei a casa e joguei as chaves do carro para ele que pegou habilmente. Conn entrou no carro e abriu a porta para mim por dentro mesmo, é não se fazem mais cavalheiros como antigamente, fato é que ele estava preocupado demais com a sua “irmãzinha”, às vezes sentia ciúmes de Liz, via a vida de uma forma tão aberta, acreditava tanto que iria ser feliz em ambas as realidades que buscava incansavelmente por seu amor.

- Achei que conhecesse o Lewis. – Falou Conn tirando-me de meus devaneios pela segunda vez consecutiva.

- Não.. ele é seu amigo? – Perguntei curiosa, arqueando a sobrancelha.

- É, sabe ele também acredita em outras dimensões, é um cara maneiro para conversar, tem um papo cabeça bastante interessante.

- Conn.. – Falei e estava prestes a reclamar sobre a sua falta de tato em querer me lançar aos lobos de seus amigos quando ele saiu do carro e fechou a porta, mas que cara de pau me deixar falando sozinha!

- Anda Lou.. é pra hoje! – Falou já na porta do hospital, ele estava de costas quando uma garota passou correndo por ele, o paramédico gritou:

- Por favor, segura ela! – Connor virou e acabou segurando a garota que deu de encontro com ele, pude ouvir um choro forte saindo da garota, e o enfermeiro ia tirá-la de cima de Connor quando o mesmo balançou a cabeça e disse:

- Está tudo bem. – Cheguei perto de meu irmão e notei como a garota o abraçava e chorava copiosamente, como se a vida dela dependesse dele, como se sua mera presença... Oh meu Deus, ele a encontrou. – Lou. – Disse meu irmão, provavelmente preocupado com a minha inércia e a cara de taxo que eu devia estar. — Vai ver a Liz, daqui a pouco eu subo.

- Sr., é se quiser eu posso... – Ouvi o enfermeiro dizer antes de desaparecer por entre as portas do hospital.

POV Connor

Eu estava exausto e Lizzie como sempre tinha razão eu precisava dormir, mas sempre que o fazia encontrava-a sozinha, assustada, chorando, sofrendo e tudo o que eu mais queria era protegê-la desse sentimento, para ela está tão triste em Somniu, só poderia estar sofrendo uma perda muito grande em Realitas.

Lembro-me da primeira vez que a vi, éramos apenas crianças, oito, nove anos talvez, ela corria pelo campo de lavanda e se jogava ao chão olhando o céu, imaginando formas nas nuvens que esperando que eu chegasse e me juntasse a ela em qualquer uma de suas brincadeiras, seus cabelos ruivos balançam ao vento assim como seu vestido, a partir daquele dia eu contava os dias e os minutos para vê-la; quando completei doze anos ela desapareceu, não conseguia encontrá-la mais em meus sonhos, era como se tivesse morrido, fiquei desesperado, e acho que Loggie como gosto de chamá-la sentiu, pois no mesmo dia me procurou novamente e partiu meu coração em milhares de pedaços. Ainda consigo me lembrar nitidamente do que ela me disse:

- Essa será a última vez que nos veremos Louie, não volte a me procurar, não me peça para ficar, eu não posso mais viver de sonhos infantis, tenho que deixar você ir.

E antes que eu pudesse replicar ela me abraçou fortemente deixando lágrimas caírem por seus olhos, sussurrando:

- Tenho que voltar para o mundo real, precisam mais de mim lá do que você.

- Mas Log.. eu..

- Adeus.

E partiu correndo, os campos de lavanda foram se transformando conforme meus sentimentos, não era mais um campo de lavanda, o roxo perfeito que se estendia e encontrava o céu, havia mudado para um dia de chuva forte, trovões, relâmpagos, raios, partiam o céu, e pude ouvir ela gritar “por favor, não destrua isso, preciso de você.”

Deixei as minhas lágrimas rolarem pelo rosto e sussurrei:

- Sempre amarei você Loggie. Sempre.

O campo de lavanda então se transformou, além de lavanda tinha agora várias outras flores, como gardênias, azaléias, orquídeas subindo pelos galhos das árvores. Mantive nosso refugio em segredo. Todo esse tempo fizeram com que eu corresse para lá quando perdia as minhas esperanças, eu estava lá antes do telefone tocar, pintando o chalé de madeira que construí.

Atendi ainda meio sonolento o telefone, mas o meu sono foi tirado rapidamente quando ouvi uma voz conhecida dizer:

- Conn, cara é você? É sobre a Bethy. Ela esta aqui no hospital, Dany trouxe ela para cá, disse que teve uma espécie de queda de pressão. – Olhei minha irmã que me fitava alarmada e fiz um sinal de “espera um segundo” e voltei a ouvir Lewis meu companheiro de todos os tempos tagarelar, eu o conhecia há anos, fora outro amigo que fizera ainda quando criança em Somniu.

Subi as escadas em um átimo e vesti minhas calças e tênis e desci ainda mais rápido ainda pelas escadas, sorte não ser tão desastrado quando Kaylie.

- Vambora sua loca – gritei para minha irmã — pega a sua bolsa e as chaves, eu dirijo. — Disse de uma forma autoritária.

Ela riu me seguindo. Ouvi-a fechar a casa e caminhar até o carro, jogou as chaves para mim e eu peguei rapidamente, abri a porta para ela por dentro mesmo e esperei que entrasse, honestamente Kay não me preocupa tanto quanto Bethy, porque bem, sem ela a família já não seria a mesma, eu posso bancar o irmão e tentar bancar o pai de vez em sempre mas na verdade o elo sempre foi ela. Um pouco desconfortável e querendo que o tempo passasse rápido perguntei a Kay:

- Achei que conhecesse o Lewis.

- Não.. ele é seu amigo? – Perguntou curiosa, arqueando a sobrancelha.

- É, sabe ele também acredita em outras dimensões, é um cara maneiro para conversar, tem um papo cabeça bastante interessante. – Disse, por alguma razão eu achava que Matt estava predestinado a uma delas, ou jamais teria vindo ao meu encontro em um dos momentos mais difíceis da minha vida, a morte de meus pais, foi ele quem durante muito tempo me ajudou, mesmo em sonho, por isso foi uma surpresa encontrá-lo em Realitas como paramédico, rimos quando ele animadamente enfaixou o meu braço devido a uma leve contusão.

- Conn.. – Começou Kay prestes a me reprimir devido ao comentário anterior, mas antes dela falar eu já havia descido do carro e estava já perto da porta do hospital, quando notei que ela nem havia se mexido ainda, aí irmãs, não pode se viver, com ou sem elas.

- Anda Lou.. é pra hoje! – Falei alto para ela, de repente escuto um barulho “Por favor, senhorita, volte aqui não é seguro sair nesse estado..” e uma garota ruiva saiu pelas portas o enfermeiro gritou:

- Por favor, segura ela! – Me virei a tempo de segurar a garota que vinha direto ao meu encontro, ela me abraçou chorando copiosamente como se a sua vida dependesse de mim, acariciei seus longos e cacheados cabelos ruivos e notei o quanto aquela garota assemelhava-se a Loggie, fechei meus olhos e os abri no momento em que o enfermeiro ia fazer um movimento para tirá-la de cima de mim. Balancei a cabeça e disse:

- Está tudo bem. – Kaylie chegou perto e em uma troca de olhares ela soube que finalmente depois de todas as busca que eu havia feito, estava novamente com minha Gemini. – Lou. – Falei um pouco preocupado com a forma com a qual ela me olhava — Vai ver a Liz, daqui a pouco eu subo.

- Sr., é se quiser eu posso... – Perguntou o enfermeiro, eu o olhei e balancei a cabeça.

- Eu a conheço, é uma velha amiga minha. Não se preocupe. – Ele acenou com a cabeça e emergiu pelo hospital; a garota que eu queria com todas as minhas forças acreditar que era Loggie chorava ainda mais. Beijei o topo de sua cabeça e passei um de meus braços por debaixo de suas pernas e mantive o outro em suas costas ela me olhou assustada e surpresa.

- Só vou levar você para se sentar um pouco, tudo bem? – Perguntei, ela simplesmente acenou, parecia não conseguir dizer uma palavra.

- Loggie? – Perguntei em vão, seria bom demais para ser verdade. Era franziu a testa me olhando, arqueou sua sobrancelha direita e virou seu rosto para o lado como se tentasse ver alguma coisa.

- Meu nome é Logan. – Disse entrecortada, sua voz rouca e fria. Passou a mão pelo rosto e murmurou:

- Como sabe meu apelido? Ninguém me chama assim há anos. – Respondeu-me sem humor.

Fechei meus olhos, suspirei e falei mais para mim do que ela:

- Quão inútil; você sequer se lembra de mim.. todos esses anos.

- O que? – Ela falou.

- Desculpe, eu estava falando sozinho. – Resmunguei. Olhei-a parecia intrigada com alguma coisa.

- Você não estava falando sozinho, estava constatando algo. – Afirmou secando novamente ás lágrimas que teimavam em cair, ela então olhou para o jardim do hospital e falou:

- Seria muito egoísta de minha parte desejar que você fosse uma pessoa que eu costumava conhecer? – Quase sussurrou. Eu ia falar alguma coisa, mas ela continuou – Que você tivesse mantido a sua promessa não verbalizada, que tivesse depois de tanto tempo ainda me esperando? Seria muito cruel pedir que pelo menos uma vez, alguém não partisse, e sim voltasse para mim? Seria Louie?

Estagnei quando ela me chamou de Louie, ninguém nem minhas irmãs sabiam desse apelido, nenhum dos meus amigos me chamava assim também.

- Mas você não é ele, né? Não é o garotinho que deitava na relva comigo e brincava de encontrar formas nas nuvens, ou que passava horas conversando comigo, ou aquele que assustada tive que dar adeus... — Sua voz falhou e eu me segurei para não chorar de alegria ou rir como um completo idiota. Ajoelhei a sua frente e peguei suas mãos, ela levantou o rosto surpresa um pequenino sorriso se formando em seus lábios.

- Você ouviu o que eu disse antes de partir? Ouviu? – Perguntei-a. Ela piscou e sorriu.

- Eu senti sua falta. – Então a peguei novamente em meus braços, ela se ajeitou em meu colo me abraçando. – O que aconteceu? Porque estava chorando? — Ela me abraçou ainda mais forte e disse:

- Primeiro tive que deixar você ir, depois minha mãe ficou muito doente e ficamos eu, papai e minha irmã mais nova Lorenna, quando Lori tinha seis anos meu pai sofreu um acidente de carro e nos mudamos para minha tia e minha avó. Vovó e tia Lena estavam no supermercado quando esse louco entra atirando em todo mundo, minha avó foi atingida no estômago e tia Lena na costela talvez tenha atingido os pulmões ela esta na CTI, há minutos atrás vovó não resistiu aos ferimentos e faleceu. Se tia Lena piorar, somos só eu e a Lori, Louie, o que vou fazer? Não tenho vocação para mãe. – Enquanto eu digeria tudo aquilo, acarinhava seus cabelos e beijava sua testa tentando acalmar ou fornecer algum tipo de consolo a ela.

- Obrigada por estar aqui.. promete não me deixar?

- Somente se você prometer não fugir de mim. – Ela suspirou e disse:

- Sempre amei você.

- Muito bom, porque eu sempre amei você também. — Encostei minha testa a sua e ficamos assim durante um tempo. Ela quase adormeceu em meus braços, quando eu murmurei que tinha que ver a Lizzie. Ela me olhou surpresa e perguntou:

- Lizzie?

- Minha irmã, ela parece ter encontrado a Gemini dela também, pela primeira vez.

- Posso conhecê-la? – Disse um pouco ansiosa.

- Ela mal pode contar os segundos para conhecer você, com a ajuda dela é que continuei procurando por você, que não perdi as esperanças de um dia reencontrá-la.

- Então parece que já devo uma a Lizzie.

Sorri a ela e subimos as escadas adentrando o hospital.


Notas finais
Espero que gostem e deixem seus reviews!!Bjinhos,Nat
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.