Mentirosas

1 Sempre há alguém observando


Sabe quando você faz algo e acha que ninguém está vendo. Como quando você roubou um lápis de olho da bolsa de sua maior inimiga da sala e sua melhor amiga torceu o nariz encando-a de um jeito estranho? Ou quando você entra em um site de filmes pornográficos enquanto sua amiga deu uma carreirinha ao banheiro, mas aí você esquece de apagar o histórico e no dia seguinte ela vai cobrar uma resposta sua?

Pois é, não uma boa situação para se estar. Principalmente para quatro lindas mentirosas de Rosewood que realmente acharam que estavam fazendo algo que ninguém estava vendo. Só que o que elas não sabiam era que elas estavam, sim, sendo observadas. E esse "observador" está preparando o momento certo para atacá-las.

***

O céu estava escuro e nebuloso, para um dia de verão em Rosewood. Aria Montgomery observava as negras nuvens enquanto se moviam preechendo o escuro céu. Ela torceu o nariz quando viu que a noite ia ser de chuva. Aria odiava chuva. Ela gostava de um clima quente, beira mar. E isso definitivamente estava fora de questão.

Ela olhou para o seu lado e viu seu irmão, Mike Montgomery, que estava perto do muro de sua casa, enfiar sua lingua em sua nova namorada, Beth, enquanto ela o puxava para perto, e tentava disfarçadamente apaupar seu membro, que com certeza estava rígido sobre os calções. Mike tinha uma mão na bunda da garota e a outra em seu seio esquerdo. Aria desviou o olhar com repugnancia. Eow! pensou ela.

Mike tinha começado a namorar Beth a dois dias depois de muita insistência dela. Eles já vinham ficada há umas duas semanas. Aria achava um acontecimento raro Mike namorar uma garota, portanto tinha ignorado aquele fato.

Ela olhou para o celular e viu que tinha uma chamada perdida de Spencer Hastings, sua ex-melhor amiga. Ela tinha sido melhor amiga de Spencer antes do desaparecimento de sua, também, melhor amiga Alison DiLaurentis há 3 anos.

Ela resolveu ligar para Spencer e saber o que ela queria, já que não se falavam há algum tempo. Desde que foi a festa de Spencer há duas semanas.

Spencer atendeu no primeiro toque.

- Aria? — perguntou ela com um tom de desespero.

- Sou eu. Por que você está assim? O que aconteceu? — perguntou Aria preocupada?

- Fiz uma besteira. Preciso de sua ajuda . Agora. Me encontre atrás do Alex's Restaurent em dez minutos. Rápido, não temos muito tempo.

Aria automaticamente correu para dentro de casa e pegou as chaves do carro.

- Mãe, vou encontrar a Spencer. Volto em uma hora — gritou Aria, dirigindo-se à porta.

- Mas pensei que iamos jantar em família, como não fazemos há muito tempo. — Respondeu Ella, sua mãe. Há algum tempo sua mãe vem dizendo que eles deveriam fazer mais coisas em família. Aria achava bobagem, mas não disse nada para não magoá-la.

- É que ela realmente precisa de mim. Ela... acabou de ter uma briga horrível com seu namorado, o Andrew, e ela realmente precisa. — Aria desviou o olhar de sua mãe.

- Certo, mas não demore muito.

Aria correu para o carro e dirigiu para o restaurante. Ao chegar lá, estacionou o carro e foi correndo para o Alex's Restaurent, uma lanchonete que tinha fechado há alguns meses. Ao chegar lá, encontrou Hanna, Emily e Spencer.

Hanna e Emily tentavam a todo custo consolar Spencer que chorava sem parar.

- O que aconteceu? — perguntou Aria.

- Anna aconteceu. — respondeu Emily, com expressão vazia.

- O que ela fez? — perguntou Aria, deviando o olhar de Hanna para Emily.

- Ela veio discutir comigo. Eu juro que eu não sabia. Fui uma idiota. Não devia ter feito aquilo. Sou muito egoísta. Meu futuro está arruinado. — falou Spencer chorando — Por que? Por que eu fiz aquilo?

Aria não entendia nada, até olhar para trás do lixeiro. Lá jazia uma menina deitada de bruços. O corpo dela branco e sujo de sangue. Anna estava morta.

- O que você fez? — perguntou Aria.

- Ela veio brigar comigo. Fiquei chatiada e a empurrei. Ela escurregou e bateu a cabeça na lata de lixo e ficou sangrando inconsiente. Eu não queria matá-la. Só queria dar uma lição nela.

- Spencer, não é a sua culpa. Você não fez por mal. — retrucou Hanna.

- Mas eu seria presa e arruinarei todo meu histórico escolar. Mas pais não vão falar comigo...

- Mas você não tem nada a ver com o que aconteceu a esta garota. — falou Aria com rosto sério — Nada disso aconteceu. Estavamos em casa assistindo um filme e isso aconteceu. Nunca estivemos aqui. Certo? — perguntou Aria olhando as demais.

Expressões de surpresa encheu seus rostos. Emily olhou espantada para Aria.

- Não podemos fingir que isso não aconteceu. Talvez os policiais nem culpem Spencer. Ela só empurrou a Anna, não tinha intenção de matar.

- Mas matou — falou Aria desviando o olhar de Emily — Ela seriam condenada por homicídio culposo sem intenção de matar. Ia para a cadeia do mesmo jeito.

Spencer começou a gritar. O choro aprofundando cada vez mais.

- O que iremos fazer? — perguntou ela.

- O que eu disse. Vamos fingir que nada disso aconteceu. Nunca estivemos aqui esta noite.

- Acho que ela está certa. — falou Hanna.

- O que? Você também? Isso não está certo. Estamos encobrindo um HOMICÍDIO. Vocês não percebem o quanto é grave? — falou Emily estupefata.

- Claro que percebemos. Mas você não percebe o quanto a punição pode ser mais grave? — retrucou Aria.

- Que seja. — falou Emily, levantando-se irritada. — Nunca estivemos aqui.

- Nunca estivemos aqui — concordou Aria e Hanna.

Aria olhou para Spencer. Seu suéter manchado de sangue e molhado de lágrimas. Ela sentiu pena de Spencer e do que poderia acontecer a ela se a polícia descobrisse. Ela se afastouum pouco e ligou para sua mãe.

- Vou precisar ficar mais um pouco. Spencer não está muito bem e precisa de um ombro amigo. — falou Aria.

- Tudo bem. Acho que esse jantar nunca vai dar certo mesmo. Até mais tarde. Beijos — respondeu sua mãe e desligou.

Aria se virou para suas amigas.

- Vamos. Temos que sair daqui antes que a polícia chegue e Spencer, você precisa jogar toda essa roupa fora. Poderá ser uma evidência contra você. Mas não jogue por aqui. Andaremos alguns quilômetros de carro e você joga em algum lixo para ninguém encontrar nem associar a... isso. Mas primeiro...

Nesse momento elas escutaram o som de sirenes e automaticamente olharam para trás. Não conseguiram ver nada, pois o barulho estava distante.

- Temos que correr — gritou Aria para as outras.

Todas se levantaram e foram para seus carros. Elas ligaram o motor e arrastaram a toda velocidade. Aria dirigiu até o final da rua. Depois olhou pelo retrovisor a ambulância chegando e correndo para prestar socorros à Anna que continuava caída no chão.

Ela virou-se para frente e pisou fundo no acelerador, pensando que estava segura e salva. E que ninguém sabia de nada. Que ningém estava vendo.