Mentiras
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Karina
Acordei no dia seguinte com uma dor nas costas, inicialmente não entendi. Mas depois de esfregar bem os olhos e passar os olhos pelo cômodo, percebi que não estava no meu quarto, e sim na sala. Tentei lembrar de algum fato que me dissesse o porquê de eu estar ali. Lembrei que eu estava no quarto, no computador conversando com a Bia, e lembrei de ela ter dito que o Gabriel, um amigo de infância, voltara a cidade para ficar. Ao saber daquilo gritei, pulei, fiquei deveras feliz! Estava morrendo de saudade do meu amigo. Para minha dupla surpresa ele me visitou na mesma noite, e propôs que fossêmos assistir a um filme no cinema, ou poderíamos assistir em casa mesmo. Lembro de termos começado a assistir Carga Explosiva, e eu acho que foi assim que dormi na sala.
Saindo dos pensamentos, percebi que era bastante tarde e que se eu não me arrumasse rápido, provavelmente chegaria atrasada na aula. Uma garota popular, queridinha dos professores e ótima aluna não deveria chegar atrasada nenhum dia, certo?! Corri para meu quarto, pela primeira vez queria ir e voltar logo da escola. Estava ansiosa, queria conversar apenas com uma pessoa hoje. Adivinha quem?!
O resto da manhã passou normal, exceto por um pequeno acidente. Ao término da quarta aula soubemos que o professor da quinta aula faltara, então, para não deixar a turma desanimar, tive a "ótima" idéia de dançar funk em cima da mesa do professor. Estava tudo ótimo, todas as meninas dançavam e riam, até as duas primeiras músicas estava tudo bem, mas na terceira, eu me soltei demais, e acabei caindo de cima da mesa. Resultado? um pé torcido e 1 semana de repouso em casa. Os primeiros dois dias foram horríveis. Segundo minha mãe, uma adolescente que acabou de torcer o pé não deve ficar na frente de um computador em nenhum momento. Tá, quem disse isso a ela era realmente contra a internet!
Por sorte o Gabriel apareceu para me salvar como sempre com um filme na mão, só que dessa vez não era um filme qualquer. Era o meu preferido "Um Amor Pra Recordar". Olhei para ele e abri um sorriso.
- Você realmente sabe do que eu gosto, Gabriel.
- É claro, sou seu melhor amigo, como não saberia?! — Respondeu com um largo sorriso.
Apenas sorri e dei espaço para que ele entrasse. Mal entrou e foi direto para a sala colocar o DVD, avisei que iria fazer pipoca. Voltei alguns minutos depois e o encontrei deitado no sofá com o controle a mão. Não consegui conter uma risada. "Ele realmente acha que está em casa" pensei. Sentei de propósito em sua perna, para que ele se tocasse e se sentasse de vez, ao invés de ficar deitado. Ele resmungou algo baixinho e se sentou. O filme começou, eu fingi prestar atenção mas percebia cada movimento ao meu lado, percebia ele me encarando, e percebia principalmente as tentativas de aproximação. Lembrei de quando a Bia me falou que ele era afim de mim, eu não acreditei, bom, quer dizer, eu percebia as indiretas, mas só não ligava, fingia de conta que não ouvia.
E aqui estamos nós denovo, ele tentando se aproximar e eu me afastando. Não queria estragar uma amizade que eu cultivava desde a infância, morria de medo de que se algum dia brigássemos e nunca mais nos vissemos. Esse concerteza era um dos meus maiores medos...
Paula
Já fazem dois dias que não tenho notícia da Karina, isso me deixa preocupada. Sempre quando ela não podia entrar no jogo ela me mandava uma mensagem, porém dessa vez ela não mandou. Deve ter acontecido algo para ela desaparecer assim, espero que ela não seja nada de grave.
Nesses dois dias mal entrei no jogo, quando entrava era só para ver se ela estava online ou não. Se caso não estivesse eu já desligava o computador e tentava me concentrar em algum livro. Várias vezes me peguei pensando na possibilidade de ela ter descoberto tudo, que eu não era quem ela pensava. Mas logo tratava de afastar esse pensamento. Como ela descobriria? Não tinha como, só se alguém muito próximo a mim, que soubesse sobre, contasse a ela. O que era muito improvável, já que ninguém sabia...
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O início de uma música lenta indica o final da quarta aula, nem esperei a permissão da professora e já estava arrumando o material para sair. Estava em pé quando a professora mandou eu me sentar, apenas ignorei e me dirigi a porta. Ela repetiu a ordem num tom mais alto, me virei em sua direção, lancei um sorriso cínico e saí. Não dava a mínima para aquela professora e muito menos para a matéria que ela ensinava.
Fui para casa de ônibus, não iria ligar pro meu pai, porque ele provavelmente mandaria eu voltar para a aula, o que eu com certeza não faria. Ao chegar em casa fui direto para o computador, precisava conversar com ela. Esperei bastante tempo e nada da Karina entrar, decidi então mandar-lhe uma mensagem pedindo para entrar no próximo dia ás 19:00h. "Agora é só esperar por um sinal de vida." pensei preocupada.
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