Mentiras
1 Capítulo Único
Notas iniciais
– Molly
– Ele fez sua família ser morta. Seus pais, seu irmão, sua irmã.
Cenas passam por minha mente quando ouço as palavras saírem dele. Um serial killer tinha matado toda minha família enquanto eu passava um final de semana fora. Muitos me disseram que isso tinha sido sorte. Eu achava que nunca tinha tido tanto azar.
Quando voltei, chamando por meus pais, feliz por ter trazido presentes para todos, tudo que vi foi um mar de sangue. Os presentes caíram de minhas mãos e eu gritei. Gritei mais do que achei que poderia. Gritei até que minha voz falhasse. Gritei até que alguém me tirasse dali à força.
– Como? – Do que ele estava falando?
– Ele usou sua família de isca para o serial killer. – Ele dizia com desdém. – Precisava pegá-lo, mas nunca encontrava uma maneira de incriminá-lo. Então, ele o pegou em flagrante, mas não antes que sua família estivesse morta. Não levou os créditos, por isso você não vai encontrar nada sobre ele. Tenho documentos que comprovam essa informação. – E ele me mostrou alguns desses documentos.
Lágrimas escorriam por meu rosto, assim como a minha raiva crescia. Algo negro tomava conta de mim, mudando o que eu era. Algo vingativo. Eu precisava de um culpado, precisava me vingar de alguém. O serial killer fora morto pela polícia em uma perseguição, agora só sobrava um culpado. Só esse culpado.
Eu ainda estava no hospital. E o estranho à frente me procurou alegando que tinha informações importantes sobre minha família.
– Por que você está me contando tudo isso?
– Porque preciso de você, Molly. Juntos nós podemos acabar com ele.
Eu, Molly Foster, encarava James Moriarty, que reafirma:
– Nós podemos acabar com Sherlock Holmes.
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Eu tinha apenas 20 anos quando tudo começou a acontecer. James não era muito mais velho que eu, talvez por volta de 5 anos além não mais do que isso. Mesmo assim ele assumiu a responsabilidade de me preparar. Eu já pensava em cursar medicina, e isso se tornou mais fácil com ele financiando meus estudos.
Moriarty manteve-se por perto por todo o tempo, acompanhando todos os meus passos e mantendo acesa a vontade que eu tinha de me vingar. Fora ele que me ensinara muitas coisas, por exemplo, a lidar com as mais variadas armas e a ser fria, escondendo meus sentimentos. Às vezes pensava que estava se tornando uma cópia do que ele era. Não sei até que ponto isso era bom.
A sede vingança era a única coisa que me fazia seguir em frente todos os dias. Era minha motivação para levantar da cama todas as manhãs. Quando olhava para a foto de minha família, ainda chorava e prometia que acabaria com o homem que tinha deixado que isso acontecesse. Em alguns momentos ela se questionava se era certo fazer isso. Se eu estava certa em confiar tão cegamente em Jim. Mas eu não via para onde correr, apesar dos pesares, ele era um conforto para mim.
Me formei alguns anos depois, me especializando como médica legista. Sentia-me cada vez mais distante das outras pessoas, e quando precisava delas era como se atuasse. Tinha dificuldades em ser eu mesma, em ser espontânea. Fora para isso que Jim me preparou, e era assim que seria. Porque ele queria assim.
– Consegui uma vaga para você no hospital St. Barts. O legista anterior teve que, digamos, ser dispensado.
– Mas eu não tenho experiência, James.
– Finja. Você se sairá bem. E é lá que você conhecerá Sherlock. Preciso que você esteja preparada. Confio em você, Molly.
– Eu estou. – Suspirei profundamente ao dizer isso, mas de fato me sentia preparada.
James me proibiu de pesquisar sobre Sherlock Holmes. Ele queria que eu tivesse a reação de surpresa real ao vê-lo. Todo cuidado era pouco quando se tratava dele e por isso eu tinha que estar preparada, quanto mais emoções reais melhor. Moriarty me proporcionou os melhores treinamentos possíveis e agora eu era capaz de enganar qualquer máquina que testasse mentiras, além de interpretar qualquer personagem. Sim, Jim também sabia que eu estava pronta.
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Eu assumi meu papel no hospital com maestria, devo confessar. Ninguém sequer desconfiou que eu não tinha a experiência exigida. E caso alguém investigasse meu passado, iria achar um histórico com dois anos de experiência em algum outro hospital, com referências elogiosas. James havia preparado tudo. Agora, eu me chamava Molly Hooper.
O que eu não esperava é que ao ver Sherlock pela primeira vez, entrando como um furacão no necrotério em busca de um corpo e me tratando de um modo frio e indiferente, meu coração desse uma pequena descompassada. Isso não fazia parte do meu papel e isso não poderia acontecer.
Sim, Jim tinha razão, e a minha surpresa fora genuína. Por que ele não me contara que Sherlock tinha olhos devastadores? Por alguns momentos me senti como uma mulher normal encarando um homem atraente. Por alguns segundos esqueci de quem eu era e do que estava fazendo ali. Infelizmente ou não, isso durou pouco e eu voltei para o meu papel. Moriarty queria que eu fosse uma garota ingênua, doce, que com o tempo se apaixonasse por Sherlock e rastejasse aos seus pés. Resumindo, eu seria insignificante para ele, já que ele nunca se envolvia com ninguém. Segundo James, Sherlock era imune a sentimentos. Isso me intrigava, porque mesmo com todos os treinamentos e conseguindo esconder tudo que eu sentia, as emoções estavam ali.
– Pegue café para mim, Molly.
Não demorou para que essas frases grosseiras começassem a vir dele, como se eu fosse sua empregada. Tinha vontade de enfiar um bisturi em sua garganta todas as vezes que isso acontecia, mas mantinha-me no plano original. E isso até que não fora difícil já que Sherlock não aparecia tanto assim e na maior parte do tempo conseguia ser eu mesmo e até fazer alguns amigos. Curiosamente, eu passava muito tempo pensando nele sem que percebesse, e logo tentava de afastá-lo da minha mente.
O tempo foi passando e a cada vez que nos encontrávamos, eu tentava me aproximar mais, chegando até a oferecer café para ele. O cúmulo da submissão. Alguém acreditava que isso existia?
Foi estranho quando eu me peguei conversando com ele e esquecendo-me totalmente do meu papel ali. Me senti mal quando Jim fingiu ser meu namorado, só para dar uma olhada em Sherlock . O detetive pareceu com... Ciúme? Sherlock estaria com ciúme de mim?
Pensei em desistir de sua vingança algumas vezes ao longo dos anos. Eu sempre me questionava sobre ela, sobre o que era certo. Mas eu não tinha espaço. Moriarty parecia perceber quando algo assim estava para acontecer e de alguma forma sempre me fazia lembrar do que tinha acontecido, mesmo que fosse da maneira mas cruel. Por exemplo, mostrando-me fotos de minha família morta. Não, ele não era sempre adorável.
– Você é igual ao meu pai.
As palavras escaparam de minha boca antes que pudesse me conter. Sherlock era reservado, assim como meu pai dela. Às vezes, observá-lo me trazia lembranças. Meu pai também tentava esconder todos os sentimentos, tentava se manter distante. Pensando na besteira que acabara de dizer, tentei me corrigir, dando a entender que meu pai havia morrido de alguma doença.
– Você parece triste, quando pensa que ninguém o vê... Você está bem? E não diga que está, pois eu sei o que significa parecer triste quando acha que ninguém pode vê-lo.
E sim, eu sabia. Porque ela ficava triste quando não precisava vestir seu papel perfeito. Todos os dias.
– Você pode me ver. – Ele disse, incrédulo.
– Eu não importo, Sherlock.
Atrapalhei-me com as palavras em seguida, talvez porque pela primeira vez em anos eu estava sendo sincera. Talvez porque a máscara que eu vestia caiu por alguns segundos. E pela primeira vez desejei de verdade que isso tudo não estivesse acontecendo, que minha família estivesse viva, que tivesse conhecido Sherlock em outras circunstâncias e que pudesse me mostrar de verdade para ele. Talvez eu estivesse me apaixonando.
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– Ele me pediu que o ajudasse. – Contei a Jim quando nos encontramos secretamente em um lugar abandonado.
– Ajude-o no que for preciso, Molly.
– E você?
– Não se preocupe, me sairei bem. Prometa-me que vai continuar com o plano.
– Sim, eu vou. – Digo a contragosto, mas minha performance agora é tão boa que consigo enganar até mesmo Jim. – Acabaremos com Sherlock. Já iniciou, ele está em descrédito perante todos. – Meu coração se aperta. Estou dividida.
James só sorri para mim, então se aproxima e beija meu rosto.
– Cuide-se, garota.
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Agora, Moriarty estava morto. Isso me chocara, mas eu já esperava que ele fizesse algo louco. James era capaz de tudo. Foi preciso que eu usasse tudo que aprendi até agora para que me mostrasse indiferente a isso e continuasse com meu papel. Permiti chorar por ele apenas por alguns minutos quando as coisas se acalmaram. Jim tinha sido importante para mim, a sua maneira.
Para completar toda a confusão que eu estava metida, Sherlock estava hospedado em minha casa e ficaria por uma semana. Uma semana em que eu estaria alerta 100% do tempo. Não poderia deixar nada escapar, Sherlock não poderia ler tudo que eu era. Ele não poderia deduzir.
Estava evitando-o o máximo que podia, saindo cedo para trabalhar e chegando tarde, indo dormir logo em seguida. Isso era por dois motivos: eu tinha medo do que ele poderia deduzir de mim; e eu tinha medo de não resistir a ele.
Sherlock era quase insuportável no começo e eu suava para manter o papel de ingênua apaixonada sem dizer umas verdades para ele – ou agarrá-lo -, mas agora ele estava começando a ser... Gentil. Isso era tão perigoso quanto suas deduções.
– Por que você mente para mim, Molly? – Isso me fez congelar diante da pia da cozinha, com uma xícara nas mãos. Por pouco não a deixo cair. Ele não podia ter descoberto tudo, podia?
– Como assim, Sherlock? – Meu autocontrole estava ativado em um nível máximo.
– Você não está tão ocupada quanto tenta parecer. Por que está fingindo trabalhar tanto?
Eu relax com sua resposta, mas meu rosto se ruboriza por ter de responder a isso.
– Ahn... Estou tentando te dar espaço, talvez. – Não era uma mentira total.
– Sim, espaço é bom, mas... Será que você pode ficar em casa hoje? O tédio me domina, Molly.
Era sábado e eu não trabalharia. Já começava a pensar onde iria passar o dia e agora Sherlock inventava essa. Desde quando Sherlock gostava de conversar, ou sabe-se lá o que ele queria fazer? Tudo bem que às vezes no necrotério ele chegava até a contar algumas coisas que acontecia em sua casa, mas isso seria diferente. Eu acho.
– Hum, tudo bem, acho que podemos passar o dia aqui.
O que mais eu poderia falar? Fiquei receosa que ele estivesse desconfiado de alguma coisa, e mais do que nunca tinha que me manter firme ao meu papel. Preparei chá para nós dois e nos sentamos na sala, onde liguei a TV. Não sabia muito bem como lidar com Sherlock assim, tão próximo.
– Se não fosse sua casa eu já teria atirado nas paredes para afastar o tédio.
– A única coisa que você afastaria, seriam os vizinhos. E de quebra atrairia a polícia.
Ele ri, parecendo sincero e meu estômago se retorce. Gosto do sorriso dele, isso não devia estar acontecendo. Eu não devia gostar de nada que vem de Sherlock Holmes, mas aparentemente eu gosto de tudo.
– Droga, Molly, você não tem nada que a gente possa fazer?
– Filmes? Jogos?
– Chato. – Ele diz de olhos fechados.
– Então nada. – Reviro os olhos, mesmo que ele não possa ver.
– Ok, filmes.
Filmes com Sherlock Holmes. Onde iríamos parar? Escolhi um qualquer e começamos a assistir. Sherlock só resmungava e eu achava isso engraçado. Outra coisa que não deveria estar acontecendo. Nada deveria estar acontecendo, mas estava.
– Sherlock? Já teve algum caso que você usou... Ahn... Vítimas como iscas? Deixando-as morrer propositalmente? — A noite já havia caído e a única iluminação era proveniente da televisão. Eu não sabia dizer por que comecei a perguntar sobre isso, talvez fosse a primeira fagulha de dúvida quando ao que tinham me dito sobre Sherlock. Até onde Moriarty iria por vingança? Ele me encarou intrigado, curioso pela minha pergunta.
– Molly, você acha que eu seria capaz disso? – Agora Sherlock parecia até chateado. Um nó se formou em minha garganta. Eu estava errada esse tempo todo?
Balancei a cabeça, sorrindo docemente.
– Não foi o que quis dizer. Era só uma curiosidade.
Sherlock concorda silenciosamente. Eu me levanto e caminho em direção à cozinha. Quero fugir desse assunto, não deveria ter começado.
– Não, Molly. Eu nunca faria algo do tipo.
Mesmo tentando não fazer, eu me viro e encaro seus olhos. É como se eu levasse um soco no estômago. Tudo que eu vejo ali é sinceridade. Sherlock não está mentindo. Ele não fez isso.
– Ontem estávamos lembrando de alguns casos antigos no trabalho, você se recorda do caso Foster?
– Da família assassinada?
– Yep. — Começo a lavar a louça para disfarçar que minhas mãos estão tremendo.
– Lembro. — A voz dele parece estar pesarosa. — Eu era muito novo e não me deixaram ajudar nas investigações. Então, meu irmão me chamou para ajudá-lo a recuperar um documento importante. Às vezes eu me arrependo por não ter insistido mais com a polícia na época.
Percebo que Sherlock está atrás de mim agora e as palavras "não deixaram" e "me arrependo" martelam em meus ouvidos. Em meio a minha dor, eu havia ficado cega. Sherlock nem ao menos participara das investigações. Precisava dar um jeito de confirmar isso o quanto antes.
Talvez James colocara uma cortina sobre meus olhos, que estava indo embora com a sua morte. Ele perdera o poder que tinha sobre mim ao morrer, e só agora eu voltava a enxergar. Jim nunca me dera descanso, sempre mantendo sua lavagem cerebral. Agora eu parava para pensar que talvez estivesse errada. Muito errada.
– Eu imagino que talvez você se sinta mal por isso. — Forço um sorriso para ele.
– Sim, às vezes, quando penso que eu poderia ter chegado ao assassino muito antes da polícia inútil. – Sherlock parece triste ao lembrar.
Eu concordo e termina de lavar a louça em silêncio. Surpreendo-me novamente quando ele se oferece para me ajudar a enxugar as louças que estou lavando. Isso me deixa quase que em choque.
– Eu vou dormir, Sherlock. Acho que minha semana foi bem cansativa com as tentativas de te deixar sozinho. – Sorrio e ele retribui. Não posso mais ficar perto dele, o sentimento me sufoca.
Eu observo ele se aproximar devagar e beijar minha face.
– Obrigado, Molly. É... Você deve saber... Eu parto amanhã cedo.
– F-Faça uma boa viagem. – Não posso mais suportar. Com meus olhos presos ao dele eu me aproximo e o beijo. Tento passar, ao menos ali, um pouco da minha real personalidade. Não espero para ver como ele reage, viro as costas e fujo correndo para o quarto, me jogando na cama. Será que tinha feito tudo errado?
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– Sherlock
Eu estava em Amsterdã. Era minha primeira parada, mas única coisa em que eu conseguia pensar era em Molly e naquele beijo desesperado. Como se ela quisesse e precisasse mostrar alguma coisa para mim. Molly era um mistério para mim, nunca conseguia deduzi-la completamente, isso me incomodava e me intrigava. A única coisa que tinha certeza era que ela escondia algo, mas o resto era confuso. Ela passava sinais que divergiam. Às vezes doce e ingênua, às vezes dura e perspicaz. Esses últimos momentos não passavam de pequenos flashs e eu me via desejando ver mais dessa Molly. Eu gostava quando ela parecia ter uma personalidade forte, assim como quando me beijou.
O fato é que eu queria mais dela, do jeito que fosse. Tinha tentado evitar, mas agora estava dependente de Molly. Relutava, mas sabia que estava me apaixonando. Por isso fora tão difícil deixá-la na manhã após o beijo. Saí sem se despedir. Não sabia se poderia deixá-la se tivesse me despedido. Talvez só ficasse ali para sempre.
Eu tentava negar de todas as formas, mas as coisas já tinham fugido do controle. Passo as mãos pelos cabelos, não podia ter deixado isso acontecer. Ainda mais agora que não sabia quando e se voltaria. Estava perdido. Perdido por Molly.
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– Molly
Eu acordei com os olhos inchados no dia seguinte. Tinha passado a noite chorando e não encontrei Sherlock ao me levantar. Sabia que não encontraria, mas tinha esperanças – ainda que ridículas – que ele tivesse ficado. Me permiti sofrer apenas por algumas horas, depois precisava entrar em ação. Precisava descobrir tudo sobre o meu passado, sobre o que era verdade.
Vasculhei toda a minha história e a de Sherlock, tentando achar algo que comprovasse o que ele ou Jim tinham dito. Não havia nenhuma referência a Sherlock Holmes no caso de sua família, o que dava mais credibilidade ao que ele tinha dito. Jim havia mentido. Seu coração dizia isso. Era fora enganada diante de tanta dor.
Larguei-me no sofá, derrotada. Lágrimas escorriam de mim. Isso tudo estava errado. Tudo errado. Só havia uma coisa a ser feita, eu iria embora. Sumiria, como se nunca tivesse existido. Não poderia fazer isso agora para não chamar atenção, esperaria alguns meses para poeira sobre o caso de Moriarty abaixar. Precisava deixar tudo isso para trás, inclusive Sherlock.
Assim eu tinha planejado, mas então seis meses depois eu fui abordada na rua e levada até um parque. Era Thomas, dizendo ser agente de Moriarty. O que ouvi dele fez todo o mundo que estava construindo cair por terra. Não sei dizer se desconfiaram da ideia de minha fuga, ou se tudo isso estava em um plano maior do que eu conhecia. Minha visão nublou ao ouvir as palavras dele.
– Sherlock Holmes precisa morrer. — Ouvi as palavras saindo de Tom como se elas estivessem distantes. — Nós achamos que ele tivesse realmente pulado, mas ele tem matado nossos agentes.
As minhas mãos começaram a tremer, coloquei-as no bolso do meu casaco. Achava que só ela sabia que Sherlock não estava morto. Cada vez as coisas se complicavam ainda mais.
– Ok, mas não posso fazer nada quanto a isso, Thomas. – Eu queria minha liberdade, era pedir muito? Avisaria Mycroft do que estava acontecendo assim que me livra-se de Tom e organizasse minha partida. Mas pelo visto isso era querer demais, porque Tom me segurou pelo braço, apertando-o. — Me solte.
– Escute o que tenho a dizer. A última ordem de Moriarty era que você, e só você, matasse Sherlock Holmes.
Com um puxão eu me soltei da mão ele, pronta para deixá-lo desacordado.
– E se eu me negar a fazer, idiota?
– A resposta é simples, Molly... Você morre.
Ele diz isso de forma fria, fazendo um arrepio subir por minha espinha. Uma certeza me atinge como um raio, Jim sabia que eu me apaixonaria por Sherlock e esse era seu último joguinho. Eles não pensariam duas vezes antes de me matar. Encaro Tom, com meus olhos faiscando.
– E como isso será feito?
– Nós esperaremos ele voltar... — Tom começa a explicar, me dando cada vez mais nojo. — ... Eu serei seu noivo, é um bom disfarce.
– Você está ficando louco. – Mas ele não estava. Sabia que eu estava sem saída.
– Você não tem saída, Molly. – O escroto diz quando viro as costas. E sim, ele está certo. Só restou me restou concordar, antes que eu o matasse ali mesmo.
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Eu fui obrigada a manter minha vida de mentira em Londres e agora com o acréscimo de um noivo. Um noivo da pior espécie. O tempo passou de uma forma relativamente rápida e meu coração quase parou quando vi que Sherlock estava de volta, ali, na minha frente. O tempo parecia não ter passado para seu coração, que saltou assim que o viu.
Eles conversaram de forma superficial e quando ele me chamou para investigar alguns crimes eu não pude negar. Nós dois ignorávamos o beijo que tinha acontecido antes dele partir, e por esse motivo eu não esperava o que ele iria me dizer.
–Moriarty cometeu um erro. Pois a única pessoa que ele achou que eu não me importava era a única pessoa com quem eu mais me importava.
Não sabia o que responder e me entristeci ao ver que ele havia reparado em meu falso anel de noivado. Droga. Minha vida estava uma bagunça e eu não conseguia sair de tudo isso. Só me enrolava cada vez mais e mais.
Reuni toda a força que ainda existia em mim para apresentar Tom àqueles que eram meus amigos e que gostava verdadeiramente. E mais uma vez para levá-lo até o casamento de John. Eu não suportava Tom.
Outro detalhe é que eu esperava que não precisasse mais usar essas roupas ridículas depois que conseguisse fugir das vistas da rede de Moriarty. Essa Molly inocente tinha um certo mau gosto para roupas.
Fora eu mesma, e não a Molly inventada e doce, que esbofeteara Sherlock quando ele chegou drogado ao laboratório. Tinha ficado com tanta raiva dele que não pude me controlar. E ainda por cima, havia me esquecido de colocar o anel de seu falso noivado, o que não fugiu do olhar atento – mesmo que drogado – de Sherlock.
– Seu prazo está se esgotando, Molly. Você precisa matá-lo.
Tom me pressionava cada vez mais agora e eu sempre alegava que precisava fazer com que tudo saísse da maneira correta e quase não tinha visto Sherlock recentemente, o que era verdade.
– Se você não fizer, matarei vocês dois. E não pense que eu pouparei você de sofrimento. – Ele diz isso enquanto desce um dedo pelo meu rosto. Quero torcê-lo até que se quebre.
Eu o encaro, desafiando-o a fazer alguma coisa.
No fundo sei que só havia um jeito. Tom estava certo e eu teria que fazer isso.
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– Sherlock
Eu já estava partindo quando Mycroft me fez voltar. A imagem de Moriarty estava em todos os televisores de Londres. O jogo nunca acaba.
No dia seguinte, estou concentrado em meu palácio mental quando batidas à porta me fazem despertar forçadamente. Desço as escadas com irritação, mas quando vejo Molly para ali, me esperando, tudo passa. Eu fico surpreso. Meu coração dispara.
O que aconteceu com as roupas coloridas dela? Molly está usando cores sóbrias e há um ar de decisão vindo dela. Como se ela finalmente tivesse decidido algo.
– Não tive como me despedir de você, achei que não o veria nunca mais... Será que eu posso entrar? – A voz dela era doce... Sensual...
Deixei que ela subisse as escadas à minha frente, incrédulo e com o coração disparado. Isso era habitual todas as vezes em que eu a via agora.
Quando chegamos ao meu apartamento, era quase palpável o clima que se formou. Molly me olhava e era possível ver um brilho diferente em seu olhar.
– Molly, eu...
– Não diga nada, Sherlock, por favor. – Eu precisava dizer, precisava expor meus sentimentos a ela, mas me contive, atendendo ao seu pedido.
O beijo aconteceu de forma intensa e apaixonada. Não demorou para que eu a arrastasse para o quarto, tirando suas roupas. Droga, como tinha sentido falta dela, e como precisava disso. Só pude perceber. Só agora eu havia me aberto de verdade para o que sentia por ela.
– Molly...
– Não...
Então, sem esperar, eu senti uma picada em meu braço. Quase não tive tempo de ver a agulha hipodérmica que ela inseriu em mim. Minha visão embaça.
– Fique quieto, Sherlock. – Parece haver lágrimas nos olhos dela, mas sua voz é fria.
Não vejo mais nada.
–-- --- ---
– Molly
Lágrimas escorreram quando o corpo de Sherlock desfaleceu em meus braços. Estava feito. Me vesti novamente e enviei algumas mensagens através do meu celular antes de sair de Baker Street, despedindo-me para sempre.
– Pronto, Tom, minha tarefa está concluída. – Encontro-me com ele novamente no parque. Já é tarde, quase não consigo enxergar nada à minha frente. — Sherlock Holmes está morto. Em breve será anunciado nos veículos de comunicação.
– Talvez Jim estivesse certo quanto a você. — Ele me abraça e tenho o prazer de ver sua boca formar um “o” de espanto. Afasto-me, deixando que o corpo dele caia. A arma ainda está em minhas mãos.
– Idiota.
Caminho com tranquilidade, com uma mochila em minhas costas. Preciso me esconder por um tempo e então, deixarei o país.
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– Sherlock
Acordo no hospital. Estou confuso. Mycroft me contar lentamente tudo o que aconteceu. Isso faz com que eu comece a me lembrar lentamente.
– Fique quieto, Sherlock. – Ela me diz com a voz fria. Molly injetara algo letal em mim.
Ao menos isso foi o que ela alegou para a rede de Moriarty. Isso foi o que os jornais noticiaram. Mas não foi isso que ela realmente fez. Molly injetou alguma substância que me fez dormir por dias. E quando ela saiu de Baker Street, enviou algumas mensagens para Mycroft explicando o essencial que ele precisaria saber para me proteger.
“Dê um jeito de anunciar que ele está morto.” – Fora uma das mensagens. Novamente era necessário que acreditassem que eu estava morto.
Agora eu sairia do hospital e a mentira cairia por terra. Molly seria morta, foi o que Mycroft me informou, assim que descobrissem a armação dela. Ela enganou todos os que sobraram da rede de Moriarty. E ainda matou Tom! Tom. Como eu nunca desconfiei que ele estivesse envolvido?
– Por quê? – Eu perguntei. – Por que ela fez isso?
Mycroft me olha da mesma forma de quando éramos crianças e eu fazia alguma pergunta idiota. Sem responder, ele simplesmente virou as costas e saiu andando. Estávamos na porta do hospital e ele estava me deixando sozinho.
– Molly está escondida na antiga fábrica Stone. Partirá hoje. Não sei seu destino.
Meu sangue sobe ao ouvir o nome dela. Molly me enganara durante anos. E na última noite ela... ela... Droga... Eu realmente acreditei...
Eu tentara ignorar a dor que estava sentindo, mas o nome dela foi como enfiar o dedo dentro da ferida e abri-la ainda mais. Eu estava apaixonado por ela. Perdidamente. E Molly não era quem dizia ser. Ela me enganou, estava contra mim todo esse tempo. Foi o golpe mais duro e cruel que já recebi.
Não deveria, eu sei. Eu deveria ter pego um táxi e voltado para Baker Street aguardar a divulgação de que estava vivo, pensar em uma forma de me preparar para possíveis atentados. Mas as palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse impedir.
– Fábrica Stone, por favor.
Molly não ficaria em hotéis, era arriscado demais. Desci do táxi algumas ruas antes. Caminhei devagar até a fábrica e entrei o mais silenciosamente que pude. Me escondi atrás de pilastras e caçambas de lixo para que não fosse percebido.
Vi Molly passando dentro do grande galpão. Calça jeans, regata preta, botas sem salto também pretas. Tão diferente da Molly que eu conhecia. Tão mais... Prática. E tão mais... Sensual. Era possível ver o revólver que ela usava enfiado em sua cintura.
Aproximei-me lentamente, por trás dela. Com um rápido movimento, eu a imobilizei, tampando sua boca com a mão e tirando a arma de sua cintura.
– Para quem está sendo procurada, você está com a guarda baixa.
Seu corpo pareceu retesar ao ouvir minha voz. Ela não tentou escapar e eu, inocentemente, achei que ela estava rendida. Com um rápido movimento de pernas, Molly me derrubou no chão, afastando-se de mim com agilidade. Uma faca surgiu em suas mãos, provavelmente vinda de sua bota.
– Não se aproxime de mim, Sherlock. Eu ainda posso te matar e tudo ficaria resolvido para mim.
Não dou ouvidos e corro até onde ela está parada, jogando-a no chão e fazendo com que a faca voe de suas mãos. Ela me chuta, tentando se livrar do peso do meu corpo. Virando-se de bruços, ela tenta alcançar a faca. Puxo-a de volta, arrastando-a no chão. Ela consegue me chutar de novo, atingido meu rosto e eu a solto. Sinto sangue sair do meu nariz. Droga!
Vou atrás dela novamente, tentando limpar o sangue que escorre do meu nariz. Ela está pegando sua bolsa em um pequeno escritório com banheiro que fez de quarto. Puxo-a pelos cabelos.
– Você não vai escapar tão fácil assim, Molly.
Viro o rosto dela para mim e ela me encara friamente. Há arranhões nos braços e rosto dela, sangue aparece no canto de seus lábios. Meu coração se aperta. Eu ainda a amo, mesmo depois de tudo. Mesmo sem saber exatamente quem ela é. Eu cedo um pouco em meu apertão, e é o suficiente para ela me empurrar e se afastar.
– Você é um frouxo, Sherlock! Tão frouxo que se deixa levar pelos sentimentos! Você tem tanto medo deles, se acha tão esperto... E foi enganado pela sem graça rata de laboratório. – Ela cospe as palavras em minha direção, colocando sua pequena mochila nas costas e se preparando para partir. – Desculpe estragar sua ilusão de que existia alguém babando por você o tempo todo. – O sorriso dela é irônico, mas parece haver dor em seus olhos. Passa a mão pela boca, olhando o sangue que sai dali. — Fique com a lembrança de que eu podia te matar e não o fiz.
Molly vira-se de costas, começando a caminhar para a saída da fábrica. Ando atrás dela.
– Fique parado, Sherlock. Eu tenho outra arma e já estou ficando cansada de você.
– Você me enganou, Molly. Por anos! Você quase me matou!
Molly estanca e eu encaro suas costas.
– Por que, Molly? Por que você fez isso comigo?
Ela passa a mão pelos cabelos, seus ombros caem parecendo cansados.
– Eu não fiz, Sherlock!
– Por que, Molly?
– Porque eu não quis! – Ela se vira para mim e diz as palavras com fúria! – Eu também fui enganada! Descobri quando já estava enrolada nessa história até o pescoço. Eles não me deixariam em paz enquanto eu não matasse você!
– E por que não me matou? Se eu estivesse morto, agora você estaria recebendo regalias. Por que não terminou o que precisava ser feito? Você se sacrificou por mim, Molly. — Eu suspiro, com medo de estar falando as coisas erradas. De ter interpretado errado. — Você tirou a atenção deles de cima de mim, chamando-a para você. Por quê?
Ela levanta as mãos e dá de ombros.
– Chega, Sherlock.
Novamente Molly me dá as costas e começa a caminhar. Vou atrás dela, segurando seu braço com força e a viro para mim.
– Eu quero respostas!
– Isso não é um problema seu! – Ela me empurra, mas eu não a solto. – Solta meu braço! – Ela me estapeia com a mão que está livre. Uma, duas, três vezes. Como fez quando eu estava drogado. Molly... Tão diferente do que eu tinha conhecido, e ainda assim parece que eu me apaixono ainda mais. Ela consegue se soltar e de novo corre de mim. Alcanço-a fácil e a jogo contra a parede, com seu rosto colado nela, segurando um dos seus braços em suas costas.
– Responda o que eu quero saber.
Molly se impulsiona para trás, se debate contra mim. Viro-a e a encosto com violência na parede, batendo suas costas. Ela arfa. Seguro seus pulsos sobre sua cabeça e nos encaramos.
Take off all of your skin
I'm brave when you are free
Shake off all of your sins
And give them to me
Em um momento tudo que quero é causar-lhe dor, e em outro estou beijando-a. Loucamente. Desesperadamente. Como nunca havia feito antes. Solto seus braços e ela se agarra em mim. Suas pernas se fecham em minha cintura e eu a seguro contra a parede. Nosso beijo é quente e desesperado. Há sangue misturado em nossas salivas, mas nós não nos importamos. Eu a bato na parede novamente, de propósito agora, e ela sorri em meio ao beijo.
– Diga que você não sente nada por mim. – Sussurro entre seus lábios.
I will follow you down wherever you go
I am, baby I'm bound to you and do you know?
Closer, pull me in tight
I wanna be yours, wanna be your hero
Os olhos se amolecem. Ela morde meus lábios, fazendo-me suspirar.
– Você acreditaria em mim?
Ando com ela em meu colo até uma grande bancada. A coloco sentada ali e fico em pé entre suas pernas.
– Por que, Molly? Por que você não me deixou morrer?
Ela suspira longamente antes de me responder, encarando-me como se avaliasse o quanto era seguro.
– Porque eu me apaixonei por você. – A voz dela é baixa, como se ela lutasse para assumir essa fraqueza. Uma falha. Era a rachadura em todo o plano.
Puxo-a para meus lábios. Não preciso saber de mais nada. Ela se agarra em meus cabelos, e aumenta o ritmo de nosso beijo. Eu a quero. Agora.
Minhas mãos descem até a cintura dela, encontrando o local onde sua blusa acaba. Deixo que meus dedos entrem ali, deslizando superficialmente sobre sua pele. Subo minhas mãos devagar, levando junto sua blusa e deixando-a apenas com o sutiã preto que está usando. Aperto seus seios por cima deles e ela se aproxima para morder meu lábio com força.
– Não tão fácil, Sherlock. — Com um movimento rápido ela tira as pernas de volta da minha cintura e desce da bancada. Eu me recosto, apoiando minhas mãos na mesa e observando-a se afastar de mim, sentindo minha ereção dolorosamente dentro de minha calça.
Ela para encostada em um dos pilares, abaixando-se para abrir sua bota, ficando descalça. Molly ergue-se novamente e me encara com um sorriso desafiador. Sento-me na bancada por alguns momentos, também livrando-me de meus sapatos.
Movo-me em direção a ela, pensando que irá fugir, mas ela não o faz. Eu apoio minhas mãos na parede atrás dela, uma de cada lado de sua cabeça, prendendo-a no lugar com meu corpo. Seus lábios se entreabrem quando eu subo uma mão por sua garganta, passando para sua nuca e a puxo pelos cabelos.
– Eu vou fazer você pagar. — Sussurro em seu ouvido e percebo que ela se arrepia. Molly termina de tirar a camisa de dentro de minha calça e suas unhas se cravam em minha cintura. Eu devolvo a mordida em seus lábios e ela ofega, deixando-me ainda mais louco. — Me mostre quem você é.
Vejo-a assentir e suas unhas se aprofundam.
– Eu não sou tão doce quanto você pensa.
– Não seja.
Molly sorri com malícia antes de voltar a me beijar. Minha mão ainda segura seus cabelos e eu a pressiono contra mim ainda mais. As mãos dela se soltam de minha cintura, alcançando o meu cinto. Ela o abre, partindo em seguida para o botão e abaixa meu zíper. Acho que o pouco que resta do meu controle se esvai quando ela me toca. Desfaço nosso beijo e encosto minha cabeça na dela, segurando-me na parede às suas costas, com minha respiração cada vez mais ofegante. Ela sorri feliz por estar me enlouquecendo. Vejo quando ela se afasta alguns centímetros de mim e começa a abaixar.
Todo o meu mundo parecer ruir quando sinto sua boca em mim. Ela usa sua língua por toda minha extensão antes, fazendo movimentos suaves, antes de me colocar finalmente em sua boca. Seus movimentos faziam eu me segurar ainda mais na parede, com a certeza que cairia se não fosse assim. Uma de minhas mãos desce até seus cabelos, segurando-a. Ela acelera o ritmo.
Like the empires of the world unite
We are alive
And the stars make love to the universe
You're my wildfire every single night
Não posso mais suportar, e não quero que seja assim. A puxo para cima, abrindo sua calça com um desespero crescente e tirando-a com impaciência. Levo-a novamente até a mesa, fazendo com que ela se apoie nela, de costas para mim. Toco-a por cima da calcinha e, afastando-a ligeiramente, deixo que um de meus dedos a penetre lentamente. Meu dedo entra e sai dela, eu não aumento a intensidade. Meus movimentos são lentos enquanto massageio seu clitóris. Faço com que ela implore para que eu a coma.
– Mais alto, Molly.
A torturo enquanto posso, e enquanto eu mesmo aguento. Então, afasto um pouco mais sua calcinha para que possa penetrá-la de verdade.
And you touch me
And I'm like, and I'm like, and I'm like
Oooooh
Sou violento em minhas investidas, puxando-a pelos cabelos novamente. Ela se agarra nas bordas da mesa com força e vejo seus dedos ficarem brancos.
– Isso é para você nunca mais mentir para mim. – Eu sussurro próximo ao seu ouvido. – Diga o que sente por mim, Molly.
– Droga, Sherlock... – A voz dela falha conforme eu arremeto ainda com mais força. – Você é um filho da puta.
– Não é isso que quero ouvir, Molly. – Aperto o quadril dela com força e ouço um pequeno grito escapar de seus lábios.
– Idiota!
Eu começo a massagear seu clitóris novamente. Sei que ela não vai falar. Molly está disposta a me enlouquecer, mas dessa vez eu faço isso com ela primeiro levando-a ao orgasmo de forma rápida e profunda. Os gemidos que saem dela fazem com que eu perca a cabeça, então eu a acompanho.
–-- --- ---
Estamos deitados na mesa, parcialmente vestidos. Molly tinha um pequeno cobertor em sua mochila e nós o usamos para nos cobrir. Ela tenta me contar de forma resumida tudo que a levou até ali. Me impressiono em algumas partes, fico chateado em outras, e feliz por saber que nos apaixonamos um pelo outros antes de tudo. Eu entendo seus motivos, entendo o quão Moriarty pode ser influente em seus jogos. Fazemos uma pequena promessa de não mentirmos mais um para o outro.
– Sherlock, eu preciso ir embora. Preciso sair do país. Eu matei Tom, eles virão atrás de mim. – A voz dela é pesarosa, sei que ela não quer partir. A vida que ela conhecia virou um inferno.
– Eles virão atrás de nós. – Molly se senta e me encara.
– Não, Sherlock, você não vai fazer isso.
– Eu vou com você, Molly. Está decidido.
Ela balança a cabeça, mas me abraça, voltando a deitar em meu peito.
– Obrigada. – Há lágrimas em seus olhos agora. Eu acaricio suas costas, jamais poderia deixá-la.
Após nos vestirmos, eu ligo para Mycroft. Como sempre, ele já previu todos os meus passos e se adianta antes mesmo que eu termine de explicar.
– Encontre-me no aeroporto, estarei esperando por vocês.
Chamo um táxi e nós partimos. Mycroft nos encontra ao lado de um pequeno avião particular e nos entrega novos documentos. Não é a primeira vez que isso acontece, talvez ele já esteja até cansado de fazer isso.
– Cuidem-se. Tentem não se meter em encrencas por algum tempo, até que eu arrume toda a bagunça. E procurem um médico que cuide desses ferimentos.
Em uma rara demonstração de afeto eu estendo a mão para ele e ele a aperta. Molly apenas sorri ao meu lado e o agradece brevemente.
Entramos no avião e deixamos Londres. Deixamos a Inglaterra. Nossa vida recomeça em algum lugar longe dali. Algum dia nós voltaremos. Algum dia seremos nós mesmos novamente, mesmo sem saber o que isso significa.
Olho para Molly ao meu lado, e pela primeira vez ela parece estar tranquila apesar do cansaço aparente em seu rosto. Nós ainda temos muito o que conversar, mas agora sinto que temos uma vida toda pela frente.
– Sherlock? Nós vamos ficar bem?
Ela pergunta isso enquanto se aninha em meu corpo. Acaricio o cabelo dela, agora que ela me deixa deduzi-la posso ver que está insegura.
– Sim, Molls, nós vamos.
E sim, eu sei que aconteça o que acontecer nós iremos ficar bem. Tudo porque nós temos um ao outro agora, e isso é o que mais importa.
Molly fez com que eu descobrisse quem eu sou ao descobrir quem ela era.
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