Mentes Entrelaçadas
11 Te quero na minha parede
Já era onze da noite, eu estava em meu carro pensativo, olhando os pingos de chuva que caíam sobre o vidro. Tudo estava tão confuso, Melissa, Peter, o trabalho, e eu. Eu que de um cara frio e manipulador, havia perdido metade de meu foco, metade da minha habilidade, eu que agora desconfiava de meu parceiro, e que estava viciado em transar com a mulher que eu deveria matar. Tudo se tornou tão louco, tão intenso. Antes eu pensava em Jenny, e hoje só penso em Melissa. O acaso, o destino, ou a coincidência, são tão confusos. Mas o contato da pele, dos olhos, as vibrações de nossos corpos eram demais, Melissa era demais.
Não era apenas sexo, era um grande envolvimento. Eu tinha de matá-la, talvez isso fosse me satisfazer no futuro, só assim eu teria a certeza de tê-la só para mim, somente para mim.
Às vezes eu tinha vontade de pegar o corpo de Melissa, e pregá-lo em minha parede, só para poder admirá-la todos os dias. Poder sentir teu odor de defunto, ver seus seios e poder tocá-los, ver sua boca e poder beijá-la sem receber um “não”, pentear seu cabelo, e banhar teu corpo. Eu tinha vontade de fazer Melissa como se fosse uma verdadeira obra de arte, onde só eu soubesse da existência de grande beleza.
Eu jamais deixaria enterrarem ela sem ao menos dizer um adeus. De preferência que fosse guardada dentro de minha casa. Era um pensamento louco. Mas eu faria de tudo para fugir com o corpo de Melissa.
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