Melissa me olha, tirando alguns fios de cabelo dos olhos, sorri e diz:

—Você de novo? Dessa forma acharei que está me perseguindo — indagou em um tom de brincadeira.

—Acredito que apenas frequentamos os mesmos lugares e acredito também que você é quem anda me perseguindo. Mas eu não me importo de ser seguido por uma mulher tão bela quanto você. — respondi com um sorriso no rosto.

—Não sou tão bela assim. — responde ela, com as bochechas coradas.
Melissa e eu entramos no metrô e fomos conversando até o local do destino, o que de certa forma me acalmou.

—Você vem sempre de metrô? Normalmente eu não lhe vejo por aqui.

—Na verdade não, hoje foi um acaso, me atrasei e achei melhor não pegar aquele trânsito infernal. Mas e você? Costuma vir de metrô sozinha? Não se torna um pouco patético?

—Claro que não! Adoro vir lendo. Antigamente eu costumava vir com minha filha. Ela ia pro colégio e eu para o trabalho. Sinto falta daquela época — Melissa dizia enquanto seus olhos enchiam de lágrimas.

—Teus olhos estão cheios de lágrimas! Desculpe se eu perguntei algo de errado, não foi minha intenção lhe magoar. — tentei explicar, limpando os olhos dela com um lenço que eu tinha em minha maleta.

Ela disse que estava tudo bem, então me explicou o motivo do pranto. A filha de Melissa havia sido morta há dois meses atrás, ela tinha ido para a casa de uma amiga, foi comprar cafés expressos e não voltou mais.

Eu até ri no fundo, pois parecia a mesma história de como sequestrei Jhenny Parker que por coincidência havia sido há dois meses atrás. Curioso então, perguntei:

—E qual era o nome dela?

—Jhenny.

Meu coração, por algum motivo, gelou, meu riso interno havia sido abafado e para ter certeza de minha dúvida, indaguei:

—Jhenny do que e como ela era?

—Parker. Era uma menina incrível, cheia de sonhos. Seus olhos azuis eram lindos, seu sorriso me transmitia paz. Jenny era a melhor filha que uma mãe poderia ter!

Então, nesse momento, eu tive a certeza. Eu havia matado Jhenny Parker. Filha de Melissa.