Mentes Entrelaçadas
4 Mancha
Notas iniciais
Ela não entrou no café como eu imaginei, ela passou direto, provavelmente indo a um restaurante vizinho ou algo do tipo. Pago a conta rapidamente e levo dois cafés para a viagem, me perguntando o que faria a seguir.
Tão distraidamente que mal vejo quando alguém esbarra em mim na saída do café, fazendo os dois copos de café recém-comprados escorrerem pela minha camisa. Parece que o acaso estava à meu favor dessa vez pois era ela, Detetive Melissa Bee. Tive que conter o riso, seria possível tal coincidência?
Ela, atrapalhada, tentou inutilmente limpar a enorme mancha de café na minha camisa enquanto murmurava desculpas.
—Não se preocupe com isso, acontece. — eu disse, tentando passar confiança.
—Ah não, meu almoço também já era. — ela diz, olhando para o chão, sigo o olhar dela e vejo o que restou do tal almoço.
—Então deixe eu pagar um almoço pra você.
—O quê? Claro que não, imagina. Pode deixar.
—Me dê a honra, por favor. Aí eu te desculpo pela mancha de café.
—Nesse caso, terei que aceitar. — ela sorri, mostrando os dentes branquinhos, contrastando com o batom escuro. Caminhamos até o restaurante ao lado e ela se desculpou mais uma vez no caminho até lá. Dessa vez, uma garçonete mau humorada nos atendeu.
—Pode pedir o que quiser, eu não quero nada. — digo a ela, que ainda parece um pouco envergonhada. Depois que ela pede, lembro que nem perguntei o nome dela. Apesar de já saber, tenho que disfarçar. —A propósito, nem perguntei o seu nome.
—Melissa e o seu?
—Hendrick, muito prazer — digo, estendendo uma mão, que ela aperta delicadamente com sua mão macia e quentinha.
A comida dela chega e continuamos conversando, ela acaba me falando sobre o trabalho dela e muitas outras coisas que eu já sabia e sou obrigado a demonstrar interesse e a mentir um pouco sobre a minha vida.
—Ai meu Deus, estou atrasada! — ela diz, enquanto saímos do restaurante e tudo o que eu consigo pensar é que o Deus dela não irá ajudá-la, principalmente não sendo a mulher forte que eu imaginei que ela fosse.
—Desculpe te atrasar. — digo, com um sorriso que eu espero que não pareça maligno.
—Imagina, eu que peço desculpas pela mancha de café.
—Tinha até me esquecido dela.
—E obrigada pelo almoço. — depois disso ela beija a minha bochecha e corre para atravessar a rua, me deixando com meu meio sorriso debochado.
—Você será minha. — falo, mas a minha voz é logo abafada pelo barulho da avenida.
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